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As parangonas nos jornais ‘amiguinhos’ do Governo não se cansam de gritar: “o salário médio em Portugal está a subir! Aumento de 1,6% no primeiro trimestre deste ano face a igual período do ano passado!”. Mas a euforia dura pouco: ao traduzir a “fantástica subida” por miúdos, conclui-se que o salário médio dos portugueses, ao segundo ano da gloriosa governação socialista, subiu um miserável total de 13 euros: o equivalente a um balde de plástico com uma esfregona (sem pedal!) ou a quatro lâminas para fazer a barba.

Seria de rir à gargalhada, se não fosse para chorar. O aumento do salário médio dos portugueses, com que o Governo socialista apoiado pela extrema-esquerda anda a fazer propaganda ao desbarato, resume-se afinal a uns modestíssimos 13 euros. Se porventura fosse um Executivo de Direita a embandeirar em arco com esta esmola aos pobres, caíam o Carmo e a Trindade com os clamores de indignação. Mas como é uma “conquista da esquerda”…

A manipulação dos números, das percentagens e das estatísticas está a atingir as raias da loucura em Portugal, sem que a comunicação social tenha coragem para desmascarar a verdadeira lavagem ao cérebro a que os portugueses são sujeitos. O caso do aumento do salário médio é paradigmático.

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Ele faz a festa, lança os foguetes e apanha as canas. O respeitável público gosta, as televisões adoram, o poder agradece a ajudinha e todos parecem felizes. Todos? Não. Entre a imensa maioria que elegeu Marcelo Rebelo de Sousa, a imagem do Presidente degrada-se, gasta- se ao ponto de perder tecido e está cada vez mais colada a uma esquerda que só o tolera porque pode usá-lo. Os elogios do Chefe do Estado ao Partido Comunista, na última semana, ultrapassaram os limites daquilo que o povo de Direita está disposto a engolir sem protesto.

O mandato de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República foi poupado ao triste espectáculo do nascimento da ‘geringonça’. Marcelo já tinha anunciado a candidatura (a 9 de Outubro de 2015), mas ainda nem sequer iniciara a campanha que o levaria a Belém quando, em 26 de Novembro, António Costa era empossado pelo menos amistoso dos parceiros institucionais: Aníbal Cavaco Silva.

O então comentador televisivo pôde, por isso, lavar calmamente as mãos dos contorcionismos e ludíbrios a que António Costa teve de recorrer para sobreviver na liderança socialista e passar de derrotado nas eleições a primeiro-ministro – aquilo a que, em jargão político, se chama passar de besta a bestial.

Assim, quando Marcelo ganhou a eleição presidencial, em 24 de Janeiro de 2016, e quando foi solenemente empossado, em 9 de Março, já Costa governava graças à aquiescência de Cavaco Silva.

Mas logo se percebeu, por actos ou omissões, que o novo Presidente da República não se importava nada. Mais embaraçoso lhe seria, porventura, um Governo de Direita, ao qual ficaria grudado na imagem pública até ao fim dos seus dias. A Direita já Marcelo a tinha consigo, desde o dia em que se insinuara como “o mal menor” numa eleição sem candidato conservador. O que ele desejava era uma ‘entente cordiale’ à esquerda – e essa era-lhe oferecida de bandeja por António Costa e a ‘geringonça’.

Desde o seu primeiro instante de mandato, o novo Presidente foi um cordato patrocinador da solução de Governo engendrada por António Costa e apoiada no Parlamento pela esquerda mais radical, a mesma que até 2015 dizia do PS cobras e lagartos e chamava a Marcelo Rebelo de Sousa nomes cuja publicação faria corar a Senhora Directora deste jornal. Mas Marcelo não se importou: Costa servia-lhe às mil maravilhas, mesmo que para isso tivesse de indispor contra si muitos dos dois milhões e meio de portugueses que lhe entregaram o voto em Janeiro de 2016.

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A convulsão por que passam o Brasil e a Venezuela – onde temos enormes colónias de emigrantes – estão a deixar muito preocupados os portugueses. Só do lado do Executivo da ‘geringonça’ é que o silêncio parece ser a regra, mesmo quando se começam a perder vidas e propriedades.

No caso do Brasil, o último a “estoirar” na passada semana, a confusão é total. O ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso sugeriu que a renúncia pode ser o melhor caminho para o actual Presidente Michel Temer, se este não conseguir explicar de forma convincente as acusações que vieram à tona, e que FHC avaliou como “gravíssimas”.

Recorde-se que o Presidente Michel Temer é alvo de graves acusações após a divulgação, pelo jornal ‘O Globo’, na noite da passada quarta-feira, de que teria dado aval a uma suposta operação de compra de silêncio do deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Segundo o jornal, os irmãos Joelho e Welles Batista, do grupo JBS, investigados em desdobramentos da Operação Lava Jato, negociaram uma “delação premiada” (isto é, um “perdão de culpa” como recompensa por denunciarem os seus cúmplices) e entregaram aos investigadores uma gravação em que Joelho conta a Temer que pagava a Eduardo Cunha e a Lúcio Funcionar uma mesada na prisão para ficarem calados. O Presidente Temer então teria respondido: “Tem que manter isso, viu?”.

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Com as eleições autárquicas já em contagem decrescente para 1 de Outubro, o Orçamento do Estado de 2018 tornou-se tema forte. Os comunistas esperam acertar contas na campanha; mas os bloquistas preferem discutir as contas públicas antes da corrida aos votos. O líder socialista ficou entre a espada e a parede.

A posição dos dois partidos esquerdistas que apoiam o Governo é substancialmente diferente. Mas, em conjunto, funcionam como uma tenaz que condiciona os movimentos de António Costa.

O Bloco de Esquerda não tem ambições autárquicas – ninguém prevê que ganhe uma câmara que seja – pelo que quer assestar baterias ao Orçamento.

Já o PCP, com bastantes câmaras no País, sobretudo na zona Sul, prefere poder atirar todo o capital de queixa contra o Executivo o PS nas brigas de campanha autárquica.

Para os comunistas, o Orçamento de 2018, que tem de chegar ao Parlamento a 15 de Outubro, pode ser discutido no seio da ‘geringonça’ na primeira quinzena desse mês, recusando acelerar calendários. Nesta linha, o secretário-geral comunista lamentou recentemente a continuidade do “directório de potências” protagonizado por Alemanha e França na União Europeia e prometeu tudo fazer na discussão sobre o próximo Orçamento do Estado para contrariar imposições externas.

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António Costa, primeiro-ministro, sacou da cartola seis estações de Metro para Lisboa.

É conveniente situar: a capital é uma cidade parada, imóvel, encravada pela loucura anti-automóvel que atacou todos os políticos da esquerda militante que ocupa a sede municipal, epidemia que começou com a própria vereação Costa. De facto, o despejar de muitíssimos milhões de euros de dinheiros dos turistas e dos lisboetas, despojados da sua própria cidade pelas negociatas associadas ao boom do turismo, no sistema de trânsito da cidade destina-se, sobretudo, a impedir o automóvel de circular.

Esqueceram-se os senhores que governam a cidade de Lisboa que seria conveniente melhorar o sistema de transportes públicos antes de acabar com o automóvel. As dezenas de milhões de euros gastos nos eixos centrais e previstos para a segunda circular, que se seguirá após as eleições, teriam sido muito mais proveitosos se gastos no Metropolitano de Lisboa, de forma a recuperar a circulação na casa dos mais de setenta quilómetros por hora (que, por razões de segurança, não passa agora dos quarenta e seis por hora), modernizar o material circulante, recuperar as composições avariadas, repor as seis carruagens onde agora apenas circulam quatro ou três. A prioridade deveria ter sido recuperar os mais de cem milhões de passageiros perdidos.

Depois de recuperar esses passageiros, lisboetas e portugueses que precisam do Metro para ir para o trabalho ou levar os filhos à escola ou para fazer compras, o objectivo seria dotar o Metro de condições para transportar pessoas e bagagens, uma vez que agora os turistas que assaltam Lisboa também assaltam o Metro e os lugares disponíveis com milhares de malas, sacos e volumes diversos que impedem a circulação dos habitantes locais. Recuperar estações, arranjar (entre outras coisas) infiltrações, escadas rolantes, elevadores avariados, cuidar da higiene, limpar grafitis, tirar o cheiro a urina que conspurca os corredores, isso sim, seria um plano verdadeiramente ambicioso!

Dotar a cidade de transportes rodoviários decentes e confortáveis, incluindo o autocarro e o eléctrico, que seria reposto em grande parte da cidade, fiscalizar a sério o estacionamento selvagem e em segunda fila, permitiria a circulação destes transportes e levaria a uma enorme recuperação de público nos transportes públicos, sem esquecer uma rede séria, digna e eficiente de transportes escolares.

Depois de dadas alternativas dignas é que faria sentido atacar o excesso de circulação automóvel. Começou-se pelo telhado da casa, primeiro faz-se a vida de toda a gente um inferno. Apenas os atletas sem filhos para deixar nas escolas se podem dar ao luxo da alternativa que Medina quer obrigar todos a usar: a bicicleta. Num acto de verdadeiro autismo que esquece os declives acentuadíssimos da cidade e a ausência de condições para parquear os velocípedes e para tomar banho e mudar de roupa nos empregos, constroem-se ciclovias que quase ninguém usa e fazem-se planos para bicicletas partilhadas que custam mais de duas dezenas de milhões de euros.

Vem agora, em vésperas de eleições, o amigo Costa prometer seis estações novas de Metro, quando tem o sistema actual avariado e sem composições para as estações que já existem. Logo a seguir, para esmagar a concorrência, Assunção Cristas manda para o ar vinte estações de Metro. Atendendo a que os políticos estavam todos em Fátima, será que foram pedir aos novos santos Jacinta e Francisco o milagre da multiplicação dos Metros?

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Esta frase vem a propósito da proposta de alargamento do Metro de Lisboa feito pela deputada Assunção Cristas, que foi universalmente contrariada como irrealizável e cara, mas, pior do que isso, foi gozada como um exemplo de puro oportunismo político. Esta reacção é típica da política nacional, em que os dirigentes partidários se preocupam essencialmente em serem os únicos a terem ideias e, assim sendo, todas as outras ideias, que não as suas, estão erradas.

Pessoalmente não sei qual a razão porque Assunção Cristas fez a proposta, mas sei que é uma boa proposta. Desde logo porque coloca o Metro na primeira linha das prioridades para Lisboa, como a forma privilegiada de transporte público na capital; e, fazendo-o, atira para segundo plano o transporte rodoviário, seja o carro particular seja o transporte público através do autocarro, com todos os seus inconvenientes de congestionamento de trânsito, ambientais e energéticos. Ao gozarem a proposta, os opositores deveriam pelo menos definir as suas preferências neste domínio, já que a autarquia e os governos nunca justificaram ou planearam um modelo coerente para o transporte público na cidade. Daí a manta de retalhos existente, em que o único objectivo conhecido é complicar a vida aos automobilistas, mas sem uma boa alternativa de transporte público.

Seguidamente, como defensor do transporte ferroviário, que considero ser a melhor forma no futuro do transporte para distâncias até seiscentos a oitocentos quilómetros, considero o Metro como o seu equivalente nas cidades. Ora, se os políticos portugueses estão preocupados em reduzir o consumo das energias do petróleo, bem como os custos da sua importação, não se compreende que não sejam sensíveis à redução da conta energética importada e prefiram o autocarro, mesmo se movido a gás natural.

Sei do que falo, porque ao longo dos anos da minha vida política elaborei várias propostas inovadoras, com o mesmo resultado da proposta da líder do CDS, com a nota de que foram, na sua maioria, propostas a que o tempo deu razão. Neste caso, se o nosso sistema político tivesse como prioridade o interesse nacional, os deputados teriam aceite a proposta e pedido esclarecimentos sobre quais as razões da preferência pelo Metro, o valor do investimento e o prazo previsível de execução.

Num outro país, em que estas coisas sejam tratadas a sério, isso já não seria preciso, porque já existiria um plano aprovado para os transportes públicos, definidos os modos de transporte, os investimentos previstos, o seu financiamento e os prazos de execução. Plano feito pelas entidades com competência para o fazer e aprovado por quem de direito.

Claro que em Portugal não é assim, e a preocupação fica-se pelo facto de a proposta não ser do nosso partido, com o resultado conhecido da abundância de obras inúteis ou erradas, desde o aeroporto de Beja à modernização da linha férrea do Norte, passando por duplas ou triplas auto-estadas sem carros, estádios vazios e um sem-fim de grandes e pequenos investimentos inúteis, como aqui tratei a semana passada.

Em resumo, a cidade de Lisboa necessita de um plano de investimento para resolver o grave problema da mobilidade na cidade, nem que seja a vinte anos, sendo que na minha opinião o transporte por Metro é a solução desejável e provada um pouco por todo o lado. Não podemos continuar a tratar estas questões como inadiáveis, à pressa e para tapar alguns buracos mais urgentes. Por exemplo, a decisão para Lisboa não deve ser a da semana passada, de comprar à pressa mais 80 autocarros, o que é fácil, mas que apenas serve para manter e aumentar a manta de retalhos em que vivemos.

Por todas estas razões, talvez seja bom ouvir as ideias das pessoas antes de as condenar.

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Os dados são esmagadoramente maus. Quase dois terços das empresas inquiridas pela consultora Deloitte – no Observatório da Competitividade Fiscal de 2017 – consideram que a política do Governo não favorece a competitividade da economia, apesar de avaliarem como positivas as medidas tomadas em sede de IRS.

De acordo com o mais recente inquérito da Deloitte, realizado no âmbito do Observatório da Competitividade Fiscal, 65% das 138 empresas inquiridas pela consultora, que na sua grande maioria são grandes empresas, “não consideram que a política do Governo seja um motor de desenvolvimento e favoreça a competitividade das empresas nacionais” – uma diminuição de 23 pontos percentuais em relação a 2015 no número de inquiridos que concordam com esta afirmação, parcial ou totalmente.

Questionadas sobre as medidas mais importantes para captar/manter investimento em Portugal, 48% das empresas inquiridas apontaram o funcionamento eficaz dos tribunais, seguido das que destacam a legislação laboral e a simplificação burocrática em geral (ambas com 42%).

“Como maiores obstáculos ao investimento em Portugal, foram considerados, pelas empresas, os seguintes: a instabilidade do sistema fiscal (61%), com um aumento significativo de 19 pontos percentuais em comparação com 2015, os custos de contexto/burocracia em geral (55%) e o ‘funcionamento da justiça’ (51%)”, lê-se no documento do Observatório.

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Um cançonetista português que ganha o festival da Eurovisão, uma cidade do Leste com calçada à portuguesa, Paris inundada de restaurantes portugueses, Londres rendida à Língua portuguesa, a Europa invadida por vinhos do Alentejo, chouriços, atum dos Açores, bacalhau à Zé do Pipo, sapatos de couro, terrinas das Caldas em forma de couve, andorinhas de loiça nas paredes…

Não é só na música ligeira, nos pastéis de nata, nas latas de sardinha. Mas também é. Na maior parte das vezes, não é por razões fortes, ponderosas, meditadas – mas pela via rápida dos sentidos. Começa, em alguns casos, por Fernando Pessoa e acaba na azulejaria. Noutros, chega pela via do folclore e requinta-se no calçado.

O que é certo é que, por uma razão ou outra, muitos europeus dos nossos dias chegam à cultura popular portuguesa e já não querem sair. Ficam fãs e amigos. Visitam Lisboa e Fornos de Algodres. Aprendem a Língua. Votam em Salvador Sobral no festival da Eurovisão e fazem dele um herói instantâneo. Quase doméstico.

Chamem-lhe uma moda – passageira, por natureza. Chamem-lhe uma graça – volúvel, por definição. Nesta civilização “light” em que vivemos (e não há outra à vista, embora a sintamos latejar no subterrâneo da alma nacional), os mitos de baixa densidade nascem como tortulhos e desaparecem sem um vagido.

No caso de Portugal, contudo, há uma persistência. Dir-se-ia que este nosso cantinho à beira-mar plantado, hoje reduzido à dimensão ‘mignone’ de uma curiosidade, caiu no goto dos europeus.

Já lá vai o tempo em que uns senhores sisudos da Universidade de Uppsala, de crânios debruçados sobre séculos de literatura e ordenações jurídicas, cientes de uma história de dimensões universais, resumiam Portugal a uma erudição de consoantes impronunciáveis.

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