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EVA CABRAL

Depois da reposição de rendimentos em 2016, a extrema-esquerda quer fazer de 2017 o ano de anulação das medidas da reforma laboral concretizadas durante o Governo de Passos Coelho, e que corresponderam a uma exigência da Troika aquando do resgate a Portugal.

Apesar de toda a esquerda que suporta o Executivo PS estar sintonizada no “caderno reivindicativo” a apresentar a António Costa, o PCP e o BE decidiram adoptar neste caso um princípio de alguma especialização. O Bloco faz da integração dos precários o seu grande cavalo de batalha, enquanto o PCP se concentra acima de tudo na reversão da legislação laboral.

Trata-se de uma especialização que se entende, uma vez que em ano de eleições autárquicas o PCP tem vantagem em escolher “bandeiras” que interessem a toda a população.

Já o Bloco, que só residualmente conseguirá ter algum resultado autárquico, e que concorre a pouquíssimas Câmaras, escolhe um tema directamente relacionado com a Função Pública e uma população mais jovem, que é onde se encontra maioritariamente o seu eleitorado.

Na passada semana, quer o PCP quer o Bloco levaram os dois temas ao Parlamento, sendo certo que a estratégia do Executivo PS passa agora por dar uma concordância genérica às medidas mas atrasar a sua implementação.

No caso dos “precários” da Função Pública, a medida acarreta custos orçamentais graves, pelo que não poderá ter o ritmo que a esquerda comunista e bloquista deseja.

Em relação à contratação colectiva, refira-se que a CGTP e o PCP desconfiam que António Costa assumiu com os patrões o “compromisso” de não mexer na legislação laboral, na sequência da polémica em torno da TSU. Os comunistas frisam que as leis se negoceiam no Parlamento e não na Concertação Social, e prometem não ceder neste caderno reivindicativo. Está por saber se, a ter existido tal “compromisso”, os patrões acreditaram mesmo na palavra de António Costa…

Bloco e “precários”

Na óptica de apoiar na teoria mas atrasar na prática, o Executivo defende que a integração de “precários” na Função Pública é para se concretizar, mas que a medida deve a entrar em vigor até 31 de Dezembro de 2018, ou seja, só terá reflexos orçamentais em 2019, o ano de novas eleições legislativas se o calendário normal for cumprido.

Depois da apresentação por parte do Governo de um levantamento provisório do relatório dos “precários” no Estado, o Conselho de Ministros aprovou a criação do chamado “programa de regularização extraordinária dos vínculos precários na Administração Pública”, que deverá arrancar até 31 de Outubro deste ano, e entrar em vigor até 31 de Dezembro de 2018.

No final da reunião do Conselho de Ministros de quinta-feira passada, foi anunciada a aprovação do programa, que pretende abranger todas as pessoas que se encontrem a desempenhar funções que correspondam a necessidades permanentes dos serviços da administração central, local ou no sector empresarial do Estado, sem vínculo contratual, através de uma avaliação efectuada “mediante a solicitação do trabalhador”.

De acordo com o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, este programa será implementado através de “comissões a instalar em todos os Ministérios”.

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FRANCISCO HENRIQUES DA SILVA

Embaixador

O Ocidente enfrenta hoje uma crise de refugiados por culpa, não de Bashar al-Assad, mas de quem “decretou” em 2011 que Assad tinha de ser derrubado. Barack Obama declarou-o inequivocamente em 18 de Agosto desse ano. Tratou-se de uma ideia idiota, tão idiota quanto o foram os desastrosos derrubes de Muammar al-Qaddafi, na Líbia, em 2011, e de Saddam Hussein, no Iraque, em 2003. E estamos, ainda hoje, a viver com as consequências. Quanto aos refugiados, rejeito o conceito de que a Europa tem de integrá-los. Não, não tem. Estes têm, isso sim, de obter garantias quanto à sua segurança, têm de ser alimentados, tratados e escolarizados, mas, no essencial, devem ser preparados para regressarem à Síria tão rapidamente quanto possível.

Concentrarmo-nos no problema da Síria e dos refugiados esquecendo-nos do quadro geopolítico global em que estas duas questões conexas se desenvolvem – o Médio Oriente – só o podemos fazer por mera abstracção e sem correspondência com a realidade.

Com efeito, o Estado Islâmico, considerado por muitos como artificial, mas com os atributos reais de Estado (território, população, administração, forças armadas, finanças e, inclusive, cunhagem de moeda própria), apesar de variáveis, é o verdadeiro epicentro regional e, por conseguinte, um actor incontornável.

Podemos considerar que o Estado Islâmico (Daesh) está em recuo, o que não quer por forma alguma dizer que a respectiva erradicação esteja iminente ou seja sequer previsível num horizonte temporal próximo, muito embora tudo aponte para que, a prazo (quem sabe se, ainda, no ano em curso), a queda seja inevitável. Todavia, as metástases, espalhadas um pouco por toda a parte, não desaparecerão facilmente.

Enfim, o fim do Daesh depende das circunstâncias e das quatro potências que contam na região: a Turquia, o Irão, a Arábia Saudita e Israel. Os grandes actores são sem dúvida os dois primeiros, que assumirão um papel de primeira linha ao longo deste ano. Até porque os EUA e a Rússia presumivelmente vão querer sair de cena, de uma forma ou de outra.

Essencialmente, está-se perante um problema do Médio Oriente e, nesse entendimento, o palco fica reservado para os actores locais, designadamente para a Turquia sunita e para o Irão xiita – os qualificativos não são indiferentes. Ambos irão competir na guerra da Síria, até porque têm interesses específicos no respectivo desfecho.

A Turquia vai concentrar-se no seu objectivo principal, o combate aos curdos sírios que lhe são hostis, e só secundariamente nos ataques ao Estado Islâmico. Concentrará os seus esforços de guerra no Norte da Síria, evitando confrontar a Rússia e o Irão.

O Irão, por afinidades político-religiosas, irá empenhar-se na defesa do regime de Assad, na consolidação dos ganhos que já alcançou no terreno e na futura reconstrução do país, em que a Rússia e a China desempenharão, presumivelmente, um papel secundário.

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VASCO CALLIXTO

Visita ao Círculo Eça de Queiroz, uma “agremiação de carácter intelectual e social” de portas abertas desde há mais de três quartos de século, quando um reduzido número de destacadas figuras da época teve a louvável iniciativa de criar um “círculo” de amigos para convívio e troca de impressões.

Conhecendo a existência do Círculo Eça de Queiroz em Lisboa, numa zona vizinha do Chiado, somente uma vez, há quase trinta anos, registara um pequeno contacto com a prestigiosa instituição, quando à sua biblioteca fui consultar a obra “O Egipto – Notas de Viagem”, com curiosos apontamentos sobre a famosa viagem de Eça de Queiroz ao Egipto, compilados por seu filho. Estava então a preparar a minha “Viagem ao Mar Vermelho” (título de livro que viria a publicar) e aquelas “notas” queirosianas permitiram-me avaliar como era o Cairo 120 anos antes. E facilitaram-me a localização do hotel onde Eça de Queiroz se hospedou em 1869.

Tardiamente, é certo, fui agora conhecer as acolhedoras instalações do Círculo Eça de Queiroz, uma “agremiação de carácter intelectual e social que fomenta o gosto pelas letras e pelas artes” desde há mais de três quartos de século, quando um reduzido número de destacadas figuras da época teve a louvável iniciativa de criar um “círculo” de amigos para convívio e troca de impressões.

A Europa estava em guerra, Portugal era um oásis salvador e de uma tal iniciativa poderia mesmo resultar algo benéfico para os desfavorecidos que chegavam ao nosso País. No final de 1940, quando o Círculo Eça de Queiroz foi fundado, bem poderá dizer-se que o mundo estava à beira do abismo. Mas entre nós, em paz, as letras e as artes sobrepuseram-se ao belicismo que grassava além fronteiras.

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Uma das principais razões para defender que a estratégia euro-atlântica é a mais adequada ao crescimento da economia portuguesa, resulta da nossa posição geográfica no centro das rotas do Atlântico e no centro do Ocidente, com a possibilidade de ter ligações marítimas privilegiadas com todos os continentes. Estratégia que em larga medida depende do crescimento do tráfego no porto de Sines, o que, por sua vez, depende em larga medida da sua afirmação como porto de ‘transhipment’. Isto é, dada a pequena dimensão da economia portuguesa, o ‘transhipment’ é essencial para que os grandes navios de contentores demandem Sines em grande número, tornando Portugal a localização ideal para os grandes investimentos internacionais.

Modernamente, as grandes empresas industriais são em larga medida apenas montadoras, que recebem os sistemas e os componentes de que precisam de todo o mundo e enviam os produtos acabados e embalados para todo o mundo. Para isso não querem depender de ‘stocks’ e necessitam que esses sistemas e componentes sejam entregues diariamente nas linhas de montagem a partir dos armazéns locais contratados pelos fornecedores que, por sua vez, também pretendem ter ‘stocks’ mínimos, dependendo para isso da chegada frequente dos navios que cruzam os oceanos em todas as direcções. Acontece que todos esses navios – rotas do Mediterrâneo, do Cabo, do Panamá e da Europa do Norte – se cruzam na costa portuguesa, tornando Sines uma localização de excelência para a troca dos contentores entre os grandes navios, o porto mais conveniente e mais barato, bem como para os navios mais pequenos, ‘feeders’, encarregues da distribuição da carga ao longo das costas europeias.

A demonstrar isso mesmo, olhemos para a curta história do porto marroquino de Tânger Med, à entrada do Mediterrâneo, que apesar da sua construção ser muito posterior à construção de Sines e de servir uma economia mais pequena do que a nossa e apesar de ter pior localização, já tem o dobro do tráfego de Sines, cuja expansão continua presa na teia das diversas burocracias nacionais. Porto de Tânger Med que já serviu de justificação para ali ser localizada uma fábrica da Renault/Nissan.

A expansão de Sines, nomeadamente através do novo cais Vasco da Gama, planeado há muito mas que teima em não sair do papel, é essencial para dar dimensão europeia e mundial a esta estratégia de crescimento da economia portuguesa e superar a falta de capitais nacionais, ainda que o que se espera desses novos investidores seja, em primeiro lugar, que tragam consigo os seus mercados, como aconteceu com a Auto Europa.

Segue-se, no sentido de aprofundar esta estratégia, uma segunda prioridade logística nacional, uma linha férrea moderna de bitola europeia em direcção à Europa a partir do eixo Aveiro-Leixões até Salamanca e daí para a fronteira francesa. A modernização da linha da Beira, planeada em bitola ibérica pelos governos, não tem qualquer justificação técnica ou económica, na medida em que a sua vida útil será curta para um investimento desta dimensão e porque não corresponde às necessidades principais de expansão da nossa economia, nomeadamente porque o investimento no transporte ferroviário do outro lado da fronteira está a fazer-se há muitos anos em bitola europeia. A propósito, recordo o que aconteceu nos governos de Cavaco Silva com a suposta modernização da linha férrea do Norte, em que o resultado foi termos ficado sem o dinheiro gasto e sem a via ferroviária moderna que pretendíamos.

A juntar ao erro de investir na ferrovia com bitola ibérica, junta-se a inutilidade do investimento previsto para o porto do Barreiro, nomeadamente porque não fazemos o que devíamos em Sines e porque em todo o mundo os grandes portos estão a deixar os estuários e os grandes centros urbanos. Trata-se de uma questão de custo e de bom senso, factores escassos na política à portuguesa.

“E a tua tia sabes de que tem cara, de p., sabes o que é, uma mulher tão porca que f. com todos os homens e mesmo que tenha r. para f. deixa que lhe ponha a p. no c.”

Este é o excerto da polémica do livro “O Nosso Reino” de Valter Hugo Mãe dado a ler aos jovens de 13 anos do liceu Pedro Nunes, em Lisboa.

O comentário do comissário do Plano Nacional de Leitura, o poeta Fernando Pinto do Amaral, dado à Lusa, foi o seguinte:

“Não está em causa a sua qualidade literária, o que houve foi um problema de inserção na lista. O livro entrou no 3.º ciclo por lapso, porque foi escolhido para o secundário”.

O problema é que é a própria qualidade literária que está em causa aqui: o Mãe escreve mal e é pouco credível no que escreve, o Mãe não devia estar no Plano Nacional de Leitura, aliás uma fábrica para promover amigos e lhes vender os livros como pães.

O próprio Valter Hugo Mãe, pseudónimo do senhor Valter Hugo Lemos, residente em Vila do Conde e nascido em 1971 em Henrique de Carvalho, em Angola, publicou numa rede social o seguinte:

“Ver o meu romance, ‘o nosso reino’, reduzido a duas frases, e por duas frases julgado, é sintomático do tempo de sentenças sumárias em que vivemos. Opinar passou a ser uma espécie de chelique imediato em que a maioria dos opinantes não sabe o que está em causa; não sabe, por isso, o que está a dizer.”

O próprio Mãe não defende as suas duas frases! Ele apenas pensa que o livro devia ser lido na totalidade, o que demonstra que não deve estar muito feliz com as duas frases em particular. Ora é aqui que o Mãe se engana: não é preciso ler muito para ver que o texto é fraco. Como dizia o Oscar Wilde, “não é preciso beber a pipa toda para perceber que o vinho é mau”, e nesse ponto estou melhor acompanhado do que o senhor Lemos, ou Mãe, porque realmente a qualidade literária vê-se por duas frases, tal como um bom vinho se descobre através do primeiro aroma que nos sobe ao nariz.

Ninguém fala ou escreve assim. As vírgulas estão mal colocadas, falta um ponto de interrogação. Quem usa um forte palavrão numa frase, usa também, com grande prazer, um prazer escabroso e delirante, as palavras mais grosseiras que existem para os órgãos sexuais, quer os escreva em nome próprio, quer os escreva em nome de um homem boçal e primitivo, como parece ser o caso no livro em questão; e o Mãe fica-se pelas meias tintas, sem sequer ter a coragem de um Bocage, que assumia por inteiro o palavrão forte num contexto mais jocoso.

A liberdade de escrever qualquer lixo é um direito inalienável. A liberdade de ler o que nos apetece é um direito ainda mais premente. Se me obrigarem a mim ou aos meus rebentos a ler o Valter Hugo Mãe, mais os seus palavrões, protesto. Não por causa dos palavrões propriamente ditos, que são escabrosos, mas porque é má escrita e má literatura.

Eu leio o que quero, e não nego que alguma literatura é forte. Genet é forte mas não é lixo. Já tinha lido todo o Eça aos 13 anos, isto apesar de o primo Basílio resfolegar como um touro durante o acto sexual. O Gil Vicente é licencioso, mas deliciosamente licencioso. Já tinha lido o Bocage, o sério e o satírico, aos 12. Ai de quem me obrigasse aos treze anos a ler um Mãe qualquer, que é como quem diz uma das Marias ou um Sttau Monteiro… Chorei profundamente quando morreu o Cardoso Pires, foi o único escritor a cujo funeral fui, isto apesar dos poemas pindéricos ditos na biblioteca do palácio Galveias pelos habituais abutres da morte alheia, isto apesar de o Cardoso Pires ter coisas bem mais escabrosas, nomeadamente nas suas crónicas, do que o Mãe alguma vez há-de escrever, mas o Pires escrevia-as bem, irrepreensivelmente bem.

Tentei por diversas vezes ler o Mãe, devido a uma publicidade literária insidiosa; não consegui por falta de qualidade da escrita. Infelizmente a polémica não é pela fraca qualidade literária do Mãe, é por causa dos palavrões débeis mas escabrosos que o Mãe emprega na sua escrita. Perdeu-se o foco do que importa realmente: anda-se a ler Mãe e a esquecer Camões, Cardoso Pires, Pessoa, Régio, Aquilino e os outros milhares de escritores portugueses dignos desse nome. Como diria o Almada, morra o Mãe, pim!

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Os famosos debates do Clube dos Pensadores, dinamizados por Joaquim Jorge, regressam ao Hotel Holiday Inn, de Gaia, no próximo dia 13. O primeiro convidado de 2017 é Júlio Machado Vaz.

“O Envelhecimento e o Sexo” é o tema do primeiro debate a ser promovido pelo Clube dos Pensadores em 2017. Terá lugar no Hotel Holiday Inn, em Gaia, pelas 21h30m da próxima segunda-feira, dia 13. A entrada é livre.

Ainda recentemente o Clube dos Pensadores recebeu, num dos seus debates, o investigador Sobrinho Simões, que abordou o tema “A Nova Medicina”. O aumento da esperança de vida foi um dos aspectos mais focados nesse encontro – daí que o tema “O Envelhecimento e o Sexo” tenha surgido como sequência natural.

Júlio Machado Vaz

Ninguém melhor do que o Prof. Doutor Júlio Machado Vaz, lente universitário, médico-psiquiatra e sexólogo, para abordar o tema. A fase do envelhecimento é caracterizada por mudanças fisiológicas, emocionais, sociais e de aparência física, mas (apesar da normal diminuição da produção de hormonas sexuais) isso não quer dizer que não se possa continuar a ter uma vida sexual activa. É importante o esclarecimento de dúvidas sobre como lidar com alterações da vida sexual, evitando situações de mal-estar ou que precipitam o fracasso de uma relação.

Este tema de arranque para 2017 escapa à política ‘tout court’ (embora não escape, mais latamente, às políticas oficiais de saúde), depois de em 2016 os debates terem incidido, maioritariamente, sobre aspectos da vida pública portuguesa. O Clube dos Pensadores recebeu no último ano a ex-candidata presidencial Marisa Matias, o eurodeputado centrista Nuno Melo, o economista Daniel Bessa, a líder do CDS Assunção Cristas, o economista e político Rui Rio, o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, a “coordenadora” do BE Catarina Martins, o ex-líder do CDS, Manuel Monteiro, e o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro.

Foi a 7 de Março de 2006 que em Gaia se realizava pela primeira vez um debate do Clube dos Pensadores. O convidado desse dia foi Vicente Jorge Silva, jornalista fundador do “Público” e ex-deputado. Debatia-se “A comunicação social e os políticos”. Pelo sofá do Clube passaram, nos últimos onze anos, muitos convidados, entre políticos, desportistas, artistas e cientistas. Não há líder da oposição que se preze que não passe por lá: em 2011 foi Pedro Passos Coelhos, em 2015 foi António Costa…

O denominador comum de todos os debates é o biólogo e professor Joaquim Jorge, organizador dos encontros e fundador do Clube dos Pensadores.

Joaquim Jorge

No próximo Sábado, Joaquim Jorge poderá sentir-se como “peixe noutro aquário”, ao participar num debate subordinado ao tema “Queremos ser governados por profissionais de sucesso ou por dependentes da política?”. Ele, que está habituado a conduzir os debates do Clube dos Pensadores, terá desta vez de ser o moderador de uma troca de impressões bem politizada, que terá lugar no Orfeão de Matosinhos, pelas 21h30m, e em que participarão ainda Narciso Miranda, ex-presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, e Pedro Caetano, membro da Comissão Nacional do Partido Socialista.

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Activistas radicais, indignados profissionais e artistas “politicamente correctos” continuam a fazer manchetes, mas um olhar mais cuidadoso e atento revela-nos que as maiorias silenciosas continuam a apoiar a firmeza de Trump e a saída do Reino Unido da União Europeia. Apesar do ruído, os principais partidos políticos de ambos os países mantêm-se no caminho escolhido, demonstrando que as suas bases de apoio são muito maiores do que a “narrativa” dominante indica.

As primeiras duas semanas do mandato de Donald Trump como Presidente dos EUA foram agitadas. Enormes manifestações varreram o país, decretos executivos foram emitidos e logo anulados por juízes inconformados com a reviravolta decidida democraticamente, nas urnas, pelos eleitores norte-americanos. Como de costume, certas “sondagens” apontam Trump como “um dos líderes mais impopulares de sempre” e já há quem se ponha a congeminar meios de remover Trump do cargo para que foi eleito. E, no entanto, o Partido Republicano mantém-se maioritariamente firme no rumo traçado e a sua base social de apoio permanece leal a Donald Trump, apesar das muitas previsões em contrário.

Similarmente, a acreditar nas notícias vindas de Londres e arredores, o “brexit” estaria em vias de fracassar devido a “arrependimentos” e mudanças de atitude entre os deputados da Casa dos Comuns: a votação parlamentar – dizia-se – estava a inclinar-se vertiginosamente para revogar no Parlamento o “não” obrido no referendo. E, no entanto, a Câmara dos Comuns acabou por aprovar calmamente o início do “brexit” por uma maioria esmagadora de deputados: 498 votos a favor, 114 contra. Até metade do principal partido da oposição votou a favor da decisão do Governo. E, apesar da corrente desinformação sobre hipotéticas “dissidências” dentro do partido do Governo, apenas um deputado conservador desafiou a decisão de Theresa May de respeitar a vontade popular.

Sem qualquer julgamento político ou moral sobre as políticas de Trump ou do brexit (essa posição cabe ao estimado leitor), o que continua a ser largamente ignorado é que, para todos os efeitos, os principais partidos políticos apoiam os rumos escolhidos no Reino Unido e nos Estados Unidos, mantendo-se claramente mais populares do que a “narrativa” dominante dá a entender e tornando a derrota de ambos muito improvável nos próximos anos.

Estudos há muitos…

As “sondagens” de opinião sobre a popularidade de Trump que têm feito parangonas, ao contrário do que foi noticiado pela imprensa portuguesa, estão longe de ser unânimes. Entre os principais estudos de opinião chega a haver discrepâncias de 16 por cento. Organizações como a CNN ou a Gallup dizem que 53 por cento dos americanos “não aprovam” a presidência de Trump e apenas 44 por cento aprovam. Um estudo do semanário “The Economist” aponta para um empate. E tanto o jornal “Político” como a empresa “Rasmussen Reports” indicam que mais americanos aprovam a liderança de Donald Trump do que desaprovam.

Existem sinais de alguma pressão social e mediática sobre os apoiantes de Donald Trump. As sondagens realizadas directamente por entrevistadores tendem a ser desfavoráveis ao Presidente, enquanto as sondagens anónimas tendem a ser pró-Trump. Divergências deste género também se manifestaram antes do referendo à permanência do Reino Unido na União Europeia, tendendo o anonimato a favorecer a opção “sair”, que acabou por ser a vencedora.

Estas oscilações de resultados também se manifestam na popularidade das políticas de Trump, pois embora o actual Presidente possa ser uma figura na qual muitos eleitores não se revêem pessoalmente, as suas políticas são populares. Neste aspecto, Trump é o reverso da medalha do seu antecessor, Barack Obama. Embora os americanos gostassem do carismático 44º Presidente, a maioria estava contra as suas políticas. Mais de metade dos americanos esteve contra a decisão de Obama de aceitar mais refugiados sírios, mais de metade era contra as suas decisões em termos de política externa, e a controversa “Obamacare”, que fez as despesas de saúde disparar para a classe média, nunca foi popular e nunca teve o apoio de mais de metade dos cidadãos dos EUA. Em contrapartida, a vasta maioria dos americanos aprova a decisão de Trump de dar continuidade ao gigantesco oleoduto “Keystone”, e várias sondagens indicam que a maioria dos americanos é a favor do controverso decreto de restrição de imigração que tanta celeuma causou.

Segundo um estudo do “YouGov” feito para o website “Huffington Post” (assumidamente anti-Trump), 95 por cento das pessoas que votaram em Donald Trump aprovam a sua controversa ordem executiva sobre a imigração, enquanto a Reuters denota que 82 por cento dos militantes do Partido Republicano e um quarto dos militantes do Partido Democrático são a favor da actual política.

Eleições é que contam

Estes números, provavelmente, dão alento ao actual inquilino da Casa Branca e explicam a lealdade do Partido Republicano, pois as eleições é que contam para determinar os destinos de um país, não os protestos e as manifestações. Nesse aspecto, em ambos os lados do Atlântico a classe política alinha-se atrás de quem lhe dá mais garantias de vencer os sufrágios eleitorais.

Os americanos vão novamente às urnas em 2018, visto que cada legislatura do Congresso apenas tem a duração de dois anos. Para anularem a Presidência de Trump, ou até mesmo para o retirar do poder, os democratas teriam de reconquistar o controlo de ambas as Câmaras. No entanto, os números estão contra o partido face à muito maior extensão do apoio às propostas políticas de Trump e dos republicanos. Ao contrário de Portugal, onde os deputados são eleitos segundo o partido a que pertencem, nos EUA as eleições são directas, e existe uma ligação directa entre o inquilino da Casa Branca e a eleição dos deputados que o apoiam ou não.

Neste momento, o apoio a Trump e às suas propostas é elevado em 238 círculos eleitorais, enquanto o apoio aos democratas apenas se revelou expressivo em 182 círculos, revela um estudo recente da revista “The Atlantic”. Estes números são consistentes com a actual dispersão de assentos na Câmara dos Representantes. Denote-se também que os estudos que dão maior popularidade a Trump são aqueles que analisam “eleitores prováveis” e não apenas fatias generalistas da sociedade. Tipicamente, o eleitorado de Trump e dos republicanos tende a ser mais assíduo nas urnas, e mais participativo na comunidade política local, especialmente nas eleições intercalares. O eleitorado democrata tende a “motivar-se” apenas ocasionalmente, e os activistas tendem a ser abstencionistas, ou a apoiar partidos marginais, sem hipótese de vencer eleições.

Apesar do elemento visual dos protestos, em termos práticos a oposição parlamentar ao actual Presidente é minoritária e impopular entre os americanos comuns, e não existem certezas que consigam convencer muitos dos actuais manifestantes a dirigir-se às urnas em 2018. Mais do que genuíno apoio ideológico a Trump, muitos republicanos reconhecem que precisam do actual Presidente e da sua popularidade para manterem a sua maioria parlamentar, para continuarem a governar os destinos do país.

No Reino Unido, a situação é similar: 74 por cento dos parlamentares britânicos eram favoráveis à permanência na União Europeia, mas depois do referendo a maioria mudou de rumo, isso porque apenas 39 por cento (uma pequena minoria dos assentos parlamentares) se encontram em círculos onde o “permanecer” venceu. O maior partido da oposição, os trabalhistas, tem metade dos seus deputados em círculos industriais onde a aversão à UE é significativa, e ao mesmo tempo a outra metade nos círculos urbanos onde o apoio à UE é quase religioso, o que significa que a sua oposição aos planos de Theresa May é errática e inoperante. Entre os outros dois partidos pró-UE, um representa os nacionalistas escoceses, que não concorrem em mais de 50 assentos, e os outros são os liberais democratas que, apesar de manterem uma forte presença mediática, só têm oito assentos na Câmara Baixa.

No fim, quem quer governar tem de se adaptar às circunstâncias, e por essas razões a queda de Trump ou o fim do “brexit” são improváveis. Como disse Theresa May em relação ao líder da oposição durante uma sessão do Parlamento: “Ele pode liderar uma manifestação, eu lidero um país”.

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São dados oficiais do Banco de Portugal e, por mais que gostasse de adoçá-los, o Governo socialista terá de aceitá-los com todo o seu amargo travo: a dívida pública bruta atingiu no final do ano passado 241,1 mil milhões de euros, mais 9,5 mil milhões de euros do que em 2015. Ainda segundo o Banco central, a dívida pública líquida, que desconta os depósitos, aumentou 5,5 mil milhões de euros, totalizando 223,8 mil milhões de euros em 2016.

As emissões de obrigações de retalho, vendidas a aforradores particulares, que totalizaram 3,5 mil milhões de euros e foram em grande parte responsáveis pelo aumento da dívida. As subscrições de certificados de tesouro também cresceram para 3,4 mil milhões de euros. Por outro lado, a dívida não aumentou ainda mais devido ao reembolso antecipado de 4,5 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional.

As estatísticas do Banco de Portugal mostram que a dívida pública atingiu o valor mais alto em Setembro (244.397 milhões de euros), tendo depois descido ligeiramente nos quatro meses seguintes.

Juros: Portugal é “caso especial”

Economistas do Commerzbank consideram que muitos dos países da Zona Euro serão capazes de lidar com a expectável subida dos juros mundiais, mas que Portugal terá extrema dificuldade em acompanhá-los, por ser “um caso especial” – adiantou o jornal online ‘Observador’ na última semana.

Os economistas do banco alemão Commerzbank emitiram a sua nota de análise, destinada aos investidores, numa altura em que os juros da dívida de Portugal atingiam novos máximos desde 2014, nos 4,26% a 10 anos. Segundo o ‘Observador’, “os economistas fizeram as contas às poupanças em juros da dívida que os países da Zona Euro têm conseguido graças aos juros baixos proporcionados pela política do Banco Central Europeu (BCE). A conclusão é a de que, mesmo que os juros venham a subir nos próximos meses ou anos, como se espera, os países vão continuar a financiar-se a taxas razoáveis. A excepção? Portugal, que é ‘um caso especial’ – e não pela positiva”.

E o jornal adiantava: “Os países da Zona Euro têm conseguido reduzir os encargos anuais com a dívida pública, incluindo Portugal, que no início de 2015 emitia dívida a 10 anos com taxas de 2%. Em contraste, a taxa média da dívida antiga era de 3,6% nessa altura, pelo que se percebe como os juros baixos são uma vantagem: ao renovar dívida a custos mais baixos do que a antiga, os países têm conseguido baixar a factura com juros […]. Esse não é, contudo, o caso de Portugal, que já fez uma emissão de dívida a 4,2% (numa altura em que o ‘stock’ caiu até aos 3,4% em 2015, segundo os dados mais recentes do IGCP). Essa foi a única emissão de dívida de longo prazo até ao momento, mas, com taxas destas, Portugal voltará a não conseguir abater na factura anual com juros da dívida, via efeito dos juros baixos causados pela política do BCE”.

“Gasolina na fogueira”

Entretanto, os partidos da esquerda radical que sustentam o Governo no Parlamento continuam a insistir na “renegociação da dívida” – um eufemismo usado para designar, pura e simplesmente, o não cumprimento dos compromissos de honra do País perante os credores.

“A dívida é insustentável, os juros da dívida são muito elevados e a única coisa a fazer é reestruturar” – voltou a afirmar a ruidosa deputada Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda. Segundo aquela parlamentar radical, “com o nível de dívida pública que temos e as taxas de inflação e de crescimento, qualquer taxa de juro é relativamente incomportável a médio prazo. A dívida é insustentável. A única coisa a fazer quando a desestabilização dos juros provoca um caos num país é reestruturar a divida. Um país não pode ficar dependente de desejos especulativos dos mercados”.

O líder do principal partido da oposição, Pedro Passos Coelho, não demorou a responder. Para o ex-primeiro-ministro, “falar da renegociação da dívida portuguesa na situação actual, quando Portugal paga juros elevados para se financiar, é deitar gasolina em cima da fogueira”.

E explicou: “Se estamos a pagar mais caro para nos financiarmos, é natural que os investidores comecem a ver crescer alguma desconfiança quanto à nossa capacidade de pagar”. Se, ainda por cima, “a isso se juntar uma conversa do próprio Governo e dos partidos que o apoiam à volta da renegociação da divida”, então a credibilidade portuguesa desaparece por completo. “Essa é a abordagem não apenas mais inútil, mas também a mais perigosa de todas. O importante era o Governo parar com essa conversa e pedir aos partidos que o apoiam que parem também, porque isso vai prejudicar toda a economia portuguesa”.

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BRANDÃO FERREIRA

A coisa vem de trás. Começa aí por meados dos anos 80 do século passado. Os fumos de “glória” do 25 de Abril já se tinham ido há muito, tendo a Instituição Militar saído completamente ferida e rebaixada da Descolonização e do “PREC”. O 25 de Novembro ficou a meio (ou nem isso) e as feridas levam tempo a sarar. Algumas nunca saram. As Forças Armadas ficaram de mal consigo próprias e com a Nação. E esta com aquelas. Nunca ninguém quis admitir isto.

Extintas as escolas industriais e comerciais – erro imperdoável que ainda não foi reparado – quis fazer-se de toda a gente um licenciado numa área qualquer. Pois não temos todos nós direito a tudo e não somos todos iguais? Está, até, na Constituição… Como entretanto o Ministério da Educação implodiu e foi sendo ocupado por sucessivas vagas de gente dificilmente adjectivável, a qualidade do ensino e dos professores; a disciplina nas escolas; a avaliação; a estabilidade dos programas e dos compêndios, da pedagogia, e as próprias infra-estruturas, caíram a pique. Deixou de haver escola para haver choldra.

Daí para cá, poucas melhorias houve, apesar dos sucessivos orçamentos de novos-ricos atribuídos ao sistema – um poço sem fundo, muito à custa do orçamento da Defesa e Segurança…! Parece que rendia votos e apaziguava consciências. Por isso é risível (se não fosse trágico) a tão apregoada qualidade das actuais gerações que brotam do sistema, baptizadas, sem água benta, das “mais bem preparadas de sempre”! Apregoam isto com ar sério e não dei conta, até agora, de nenhum filho d’algo que o rebata. Entretanto, o “negócio” do ensino disparou, sobretudo nas áreas das ciências sociais (que só exigem “papel e lápis”), sem que os poderes do Estado o tentassem regular, assistindo-se apenas a uma inquinada discussão ideológica sobre o ensino privado e o público…

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O ensino militar, apesar de tudo, resistiu muito melhor (pondo de lado o que se passou nas escolas militares em 1974/75…). Afastados das lides culturais e até dos avanços na guerra convencional, por via das longas campanhas contra-subversivas no Ultramar Português entre 1961 e 1974, foi preciso um esforço de reconversão enorme logo que a estabilidade institucional se foi ganhando a seguir aos eventos ocorridos em 25 de Novembro de 75. Esse esforço fez-se e foi notável. A Força Aérea (FA) e a Marinha recuperaram mais facilmente do que o Exército. A FA porque teve um notável Chefe de Estado-Maior (o General Lemos Ferreira) que impôs uma dinâmica difícil de imitar; a Armada porque foi o Ramo menos afectado pela guerra e porque manteve sempre uma presença e ligação à NATO. O Exército por ser o Ramo mais causticado pelo conflito e pelo PREC; por ter um número de efectivos superior; ser tecnologicamente mais atrasado e, até, por dominar menos a língua inglesa, teve mais dificuldade em “dar o salto”.

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