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MANUEL SILVEIRA DA CUNHA

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Que mesquita é esta que o senhor Medina presidente da câmara municipal de Lisboa pretende fazer na Mouraria?

É uma mesquita destinada à população muçulmana da zona, emigrantes que vivem e se reúnem naquele bairro. O que é muito estranho é que a construção da mesma mesquita vai custar ao contribuinte português cerca de três milhões de euros e implica a expropriação da residência e negócio de um cidadão português por quinhentos mil euros que poderão chegar a dois milhões, isto se um tribunal decidir a favor da justa indemnização pedida pelo Sr. António Barroso, proprietário do edifício a ser demolido, elevando assim o custo da obra para quatro milhões e meio de euros!

Num país cuja constituição se afirma laica e que consagra, no mesmo articulado, o direito à habitação e ao trabalho, esta expropriação revela um lado perfeitamente sinistro desta governação populista, demagógica e jacobina que hostiliza os valores de Portugal em prol de um chamado “multiculturalismo” e uma “tolerância” que não é mais nada do que estupidez. De facto, entregar 4,5 milhões de euros de bandeja a uma religião qualquer, num Estado laico, seria um escândalo, mas o escândalo ainda é maior tratando-se do islamismo.

Ao contrário da Arábia Saudita, teocracia que gosta de se afirmar simétrica da Santa Sé mas proíbe outros cultos, mesmo que isso seja apenas rezar em conjunto, ninguém proíbe os muçulmanos de fazer as suas orações onde quiserem, com toda a liberdade, em Portugal. Agora pretender a câmara gastar milhões dos impostos dos portugueses a construir mesquitas em vez de recuperar património cultural edificado e de todos, como o da Igreja de Santo António de Campolide, que antes de ser local de culto é um excelente exemplo de arquitectura e história, é um contra-senso, é mesmo mais, é um crime contra o património.

Fazer política é fazer escolhas. Escolher uma mesquita contra a omissão e abandono da igreja de Santo António de Campolide, que foi roubada pelo estado português aos católicos de Campolide em 1910, dependendo hoje do ministério das finanças, é escolher a religião da discriminação das mulheres, da intolerância, do proselitismo, do obscurantismo e do medievalismo em lugar de melhorar a qualidade de vida de todos os cidadãos, é escolher entre destruir a vida de um cidadão pacato e trabalhador e de toda a sua família gastando milhões e milhões, de um orçamento escasso, com uma religião intolerante e que, pior, não precisa de dinheiro para construir mesquitas, uma vez que se pode financiar facilmente, em detrimento de conservar o património de todos.

Não se trata de uma questão de liberdade religiosa: os senhores muçulmanos têm toda a liberdade religiosa do mundo, podem rezar onde quiserem desde que não incomodem os outros e paguem a sua mesquita, como qualquer outra religião que queira construir um local de culto novo. Repare-se que conservar um templo antigo com interesse público, cultural e artístico, que é património de todos, não é o mesmo que construir um templo novo.

Se a Câmara de Lisboa quisesse construir uma igreja que custasse quatro milhões e meio, coisa que nos tempos que correm será mais difícil do que uma vaca voar, metáfora tão cara ao actual PS, cá estaríamos nós a protestar. Note-se que a nova igreja da Nossa Senhora dos Navegantes no Parque das Nações não teve qualquer apoio financeiro da edilidade lisboeta, e serve bem mais gente do que a putativa mesquita da Mouraria.

Mas, para um jacobino, tudo o que sirva para diminuir a Igreja Católica é bom.

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Manuel Silveira da Cunha

Qualquer adepto de um capitalismo saudável ou de uma social-democracia avançada do tipo nórdico terá de ser contra a apropriação dos rendimentos dos cidadãos para financiar negociatas privadas de amigos do regime.

O sistema português, pelo contrário, tem o pior do socialismo e o pior do capitalismo. Os impostos, como em qualquer socialismo ou social-democracia, são elevadíssimos. Ao contrário das sociais-democracias avançadas, em que todos os cidadãos têm retorno pelo dinheiro colectado pelo Estado, e ao contrário do capitalismo avançado, em que os impostos são muito reduzidos e o Estado assume um papel regulador, impondo a Lei e a ordem e realizando apenas as tarefas de soberania, o Estado português confisca o dinheiro aos cidadãos da classe média, socializando esse dinheiro, mas não o redistribui sob a forma de benefícios sociais por todos os cidadãos reequilibrando o tecido social.

O dinheiro dos impostos é usado para pagar juros de investimentos especulativos, para salvar bancos que tiveram gestões catastróficas e que canalizaram rios de dinheiro para a economia de casino ocidental, ou para sustentar negociatas privadas distorcendo um mercado que deveria ser livre, aberto e igual.

O que se passa com os colégios privados, com os chamados “contratos de associação”, é um escândalo. O dinheiro dos impostos de todos os cidadãos é canalizado para financiar os estudos de jovens, que nada pagam nesses colégios quando existem escolas públicas, pagas também com os nossos impostos, que se situam nas vizinhanças desses colégios. O que é estranho é que esses colégios recebem mais dinheiro por turma do que as escolas públicas.

Apesar de toda a desinformação, é isso mesmo que se passa. Temos assim uma oferta paga pelo Estado, mais do que duplicada no mesmo raio de acção; todos os cidadãos do País pagam, por exemplo, em Coimbra, cinco colégios com contratos de associação na vizinhança de escolas públicas que estão às moscas.

O direito à liberdade de escolha é muito bonito e não é posto em causa. Por exemplo, o autor destas linhas, morador em Lisboa, preferiu a escola privada para a sua prole; como tal, em plena liberdade, paga a mensalidade dessa mesma escola privada.

O que o autor estranha é que, para além de pagar essa mensalidade, esteja a pagar a mensalidade de uma série de jovens de Coimbra que têm a mesma liberdade de escolha entre escola privada e pública.

O que o autor estranha é que, para além disso, esteja a pagar a uma série de professores, funcionários, que nada fazem; paga ainda investimentos em instalações, conservação, água, luz e comunicações de uma série de escolas públicas às moscas na mesma cidade.

O que o autor estranha é estar a pagar o lucro de colégios que não se conseguem afirmar no mercado apenas pela sua qualidade; e que tenha de ter a sua actividade paga por fundos de todos os cidadãos deste País.

O que o autor estranha é que as turmas privadas ainda fiquem mais caras ao Estado do que as turmas públicas.

É nesse sentido que este financiamento é um escândalo típico de um regime esquizofrénico, em que adeptos do capitalismo e da liberdade de escolha usam argumentos em que defendem a socialização do dinheiro dos outros para financiar lucros privados de poucos, distorcendo a lógica do mercado. Quem afirma a liberdade de escolha com o dinheiro, escasso, dos outros cidadãos e que paga lucros privados com dinheiros confiscados através dos impostos é, no mínimo, interesseiro. Os impostos de todos, numa social-democracia, serviriam para redistribuir a riqueza, não para canalizar para os bolsos de alguns poucos amigos do regime.

É evidente que a escola pública é péssima, em geral; que os professores são fracos e querem trabalhar pouco. Mas isso é outra questão, que teria de ser resolvida com uma regulação forte do Estado e partindo os dentes da FENPROF, uma estrutura corporativa que tem sido responsável pelo declínio do ensino português nos últimos trinta anos.

Mas essa questão não se resolve dando centenas de milhões de euros dos impostos de todos a um grupo de eleitos privados esquecendo, nomeadamente, a coesão nacional. Repare-se que os contratos de associação no Algarve e no Alentejo são escassíssimos.

Afinal qual é a lógica destas políticas? A única lógica é a da negociata e do facilitismo. O Estado demite-se das suas funções e, de caminho, dá umas massas aos amigos. A única solução seria acabar de vez e imediatamente com estes contratos vergonhosos e reduzir os impostos na medida da poupança gerada.

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Manuel Silveira da Cunha

O Bairro dos Olivais teve a sua origem nos planos estabelecidos pelo GEU, gabinete de estudos urbanísticos da Câmara Municipal de Lisboa nos anos cinquenta. Integrava o último grande desenvolvimento da cidade, com mais de setecentos hectares, que deu origem aos bairros dos Olivais Sul, Norte e Chelas. Chelas ficou para o fim, e o resultado foi catastrófico, ao nível dos grandes desastres; Chelas, com quinhentos hectares, é desordenamento, má qualidade de vida, droga, degradação urbanística, maus transportes e serviços, um bairro que poderia ser dos mais belos do mundo, com vistas deslumbrantes sobre o Tejo e a outra banda, mas acaba como um monumento inacabado ao descalabro urbanístico pós-vinte-e-cinco-de-Abril.

Já os Olivais Sul, com 147 hectares, e Olivais Norte, com 40 hectares, previstos para populações de quarenta mil e de dez mil habitantes, respectivamente, foram extraordinários casos de sucesso e integração de população. Totalmente realizados em terrenos públicos, expropriados desde os anos 30, e promovidos pelo Estado através da Câmara de Lisboa, continuavam o sucesso das políticas implementadas em Alvalade. Seguiam princípios racionalistas, um modelo filosófico orientado para as pessoas, para a integração social, dando habitação de qualidade a quem necessitava desta. Os arquitectos seguiam a carta de Atenas de uma cidade aberta, arejada, fluida e ajardinada.

As habitações sociais constituíam 70% do plano, sendo os restantes 30% a preço livre. As habitações sociais dividiam-se em quatro categorias, de acordo com qualidade de construção e preço final. As construções encontravam-se dispersas numa malha interpenetrada que misturava classes sociais no mesmo tecido, o que resultou num ambiente algo tenso de início mas que, com o decorrer dos anos, se revelou extremamente inteligente: médicos, professores, juízes, polícias, militares, bombeiros, pedreiros, ladrões, comerciantes, escriturários e prostitutas, entre muitos outras profissões, viviam como vizinhos contribuindo para a coesão social.

A construção, esparsa, agrupava-se em núcleos onde funcionam serviços, bancos, escolas, mercados; a construção não era compacta, resultando uma cidade-jardim, exactamente o contrário de um dormitório ou do que aconteceu em Benfica, com o desenvolvimento de uma selva de cimento sem espaços intersticiais e de circulação. O bairro dos Olivais sempre foi um modelo de circulação, devido à forma inteligente como o espaço foi ocupado, e um modelo de vida para as famílias.

As amplas zonas intersticiais davam qualidade de vida à população residente, serviam para passeio e jogo, renovavam o ar e espaço vital, qualidade suprema numa cidade superlotada na zona central ou em bairros construídos sem planificação estruturada. Mesmo pensando que o núcleo central foi sendo adiado por muitos anos, os Olivais acabaram por ser um caso de sucesso.

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Com a administração Costa, na Câmara de Lisboa, a gestão dos mesmos espaços intersticiais, das zonas ajardinadas e das pracetas entre os prédios, que incluem muitos espaços de recreio para crianças, passaram para as Juntas de Freguesia, que ficaram também com a reparação das calçadas. Ficaram assim destinadas aos caprichos mais ou menos voláteis dos autarcas amadores, geralmente pouco cultos, do nível de Freguesia. Foi assim entregue a gente desqualificada a gestão de um plano que foi pensado por homens como Rafael Botelho e Carlos Duarte e arquitectado por gente do calibre do professor Manuel Tainha.

Os espaços ajardinados eram a espinha dorsal e o elemento unificador do bairro, o espaço de circulação pedonal privilegiado; mas hoje, governados por uma Junta de Freguesia desconhecedora e dominada por gente sem cultura e pouco inteligente, são abandonados ao mato. Não há, nos Olivais, qualquer gestão dos espaços ajardinados. Se antes a gestão se limitava ao corte de erva e regas absurdas intercaladas com podas selvagens das árvores e cortes arbitrários das mesmas, hoje em dia não existe nada.

O mato cresce por todo o lado; pulgas, ratazanas, carraças, baratas multiplicam-se de forma exponencial. As pessoas já nem sequer podem pôr o pé nos espaços intersticiais, nem brincar ou jogar com as crianças; a degradação de todos estes espaços nos Olivais é aviltante e a componente estrutural e matricial do bairro foi destruída. No entanto, a presidente da Junta, eleita pelo PS, realiza obras de fachada, auto-publicitadas no jornal da própria Junta, no meio de dezenas de fotografias da senhora em diversas poses, obras que incluem a sistemática impermeabilização do terreno sem cuidar da jóia preciosa que deu aos Olivais o seu carácter único no panorama do urbanismo português, os espaços ajardinados.

É caso para dizer que a Junta dos Olivais, em Lisboa, nem sequer sabe que tem uma jóia entre as mãos e que a única coisa que precisa de fazer é de cuidar, com meia dúzia de jardineiros e equipamento barato, de alguns poucos hectares de espaços que poderiam dar uma extraordinária qualidade de vida, única em Portugal, aos seus moradores.

Um pequeno investimento estratégico que consistiria apenas em cuidar do que já existe. Infelizmente, como dizia Einstein, pode haver limites para a inteligência mas não para a sua contrária…

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Manuel Silveira da Cunha

A selvagem manifestação de taxistas contra a Uber constituiu mais uma extraordinária manobra de marketing da própria Uber. A aplicação informática da companhia atingiu o máximo valor em Portugal e subiu ao primeiro lugar das aplicações mais descarregadas e utilizadas. Quem quer ser transportado por arruaceiros, agressores, homens violentos e pouco asseados em carros de baixa gama e pouca tecnologia, sujos, com condutores malcriados e que tradicionalmente tentam enganar os clientes?

O que se passa com os táxis portugueses é um sinal dos tempos. Sempre que falamos do taxista estamos a generalizar, provavelmente haverá alguns que fogem ao estereótipo, mas são uma minoria. O táxi é o negócio que caracteriza melhor o lusitano típico. É uma actividade de “desenrascanço”, quem não sabe fazer mais nada recorre tradicionalmente ao táxi para sobreviver. Apesar da aparente dureza do trabalho, com turnos de doze horas, não necessita de estudos avançados, os taxistas não sabem línguas, os cursos, agora obrigatórios, são mais uma forma de outros típicos lusos facturarem umas massas, de preferência sem grandes exigências, isto quando os cursos são ministrados em toda a sua plenitude e não são apenas uma farsa para cumprir calendário e colocar umas assinaturas num papel.

Os taxistas limitam-se a conduzir e a tentar esmifrar uns cobres aos outros cidadãos, ou aos mealheiros carregados de notas, como são vistos os turistas. É pois uma profissão fácil, para gente sem estudos, gente que trabalha muitas horas mas pouco.

Analisemos os taxistas típicos. Vestem-se mal, uns blusões, umas roupas de feira e temos o uniforme do taxista lusitano. A exemplo do Japão, por exemplo, recomendamos que seja publicado um regulamento que ponha alguma ordem e dignidade na classe, pelo seu próprio bem. Já que eles não se sabem vestir e lavar, a nossa recomendação para o governo é que obrigue os taxistas a um uniforme mínimo, o que seria um bem para toda a classe. Camisa branca, fato escuro azul ou cinzento, gravata lisa escura da mesma cor e chapéu de motorista, luvas brancas no Inverno. Identificação obrigatória no táxi e numa placa no bolso da camisa, no Verão, ou no casaco, de Inverno.

Os automóveis aprovados para táxi são qualquer lixo de inferior qualidade, os “Dacias” e companhia deveriam ser abolidos. Deveria existir uma comissão que obrigasse os táxis a serem de determinados modelos, de forma a serem confortáveis e seguros para os utilizadores. Viaturas com mais de cinco anos estariam proibidas de circular como táxi.

A limpeza do carro e asseio do condutor deveriam ser fiscalizados regularmente; viaturas sujas ou mal cheirosas seriam apreendidas, condutores com a barba por fazer, excepto por razões médicas, seriam multados. Condutores com pouco asseio seriam castigados.

Os táxis teriam de ter uma aplicação informática que indicasse ao passageiro o percurso realizado, obrigatoriamente. A tarifa a cobrar dependeria do percurso mínimo a efectuar mais uma taxa de congestionamento em caso de o mesmo existir; seria calculada uma estimativa automática à entrada no carro: se diferisse do preço final em mais de 20 por cento, esse encargo ficaria por conta do taxista. Em percursos com diversas paragens, estas teriam de ser assinaladas como indicadas pelo passageiro. A aplicação informática serviria para o cliente identificar o serviço posteriormente e dar uma classificação ao taxista.

Os taxistas seriam obrigados a frequentar escolas de línguas e de boas práticas, apenas os aprovados em inglês e noutra língua à sua escolha poderiam ter acesso à profissão. Os clientes deveriam poder classificar o taxista e o seu ‘score’ poderia determinar que em futuras renovações de licença o mesmo fosse excluído. As licenças profissionais teriam de ser renovadas de cinco em cinco anos e exigiriam sempre provas médicas e de conduta. Só assim a classe poderia competir com a Uber e os motoristas seriam aprovados por esta. Em vez de manifestações seria mais avisado combater a Uber tomando banho diariamente, lavando os carros e comprando uns fatinhos decentes.

Manuel Silveira da Cunha

Em todo o país a praga do estacionamento taxado ataca. Por exemplo, Cascais prepara uma avalanche de parquímetros que já atacou em quase todas as cidades e vilas deste país. Há exemplos de vilórias com meia dúzia de ruas e duas praças, como o Sobral de Monte-Agraço, em que os parquímetros são regra há quase vinte anos!

Em Lisboa a praga tem o nome de EMEL, empresa municipal de estacionamento de Lisboa. Se noutras vilas e aldeias existem arbitrariedades, a EMEL, como ponta de lança dos sobas do trânsito lisboeta, atinge o cúmulo dos cúmulos.

Ninguém sabe quem tem autoridade para regular o trânsito em Lisboa. Na Baixa, a polícia municipal, supostamente, verifica os carros dos pobres que foram proibidos de circular devido às normas ambientais inventadas pelo departamento de (i)mobilidade da Câmara da capital. A PSP deveria controlar o trânsito em geral mas, em questões de estacionamento, a competência parece ser da EMEL.

O que se passa é que a EMEL controla os parquímetros e bloqueia carros que passaram do tempo. No que diz respeito à praga do estacionamento em segunda fila, gritante nas Avenidas Novas, a EMEL não faz nada. Quem quer circular pelas avenidas e ruas de um lado e doutro da Av. da República depara-se com uma via circulável em cada três. Lembro com saudade os primeiros dias do mandato do Costa, em que durante 48 horas se cumpriu a promessa eleitoral de fiscalizar o estacionamento selvagem nas Avenidas Novas; depois, foram anos de esquecimentos e de promessas por cumprir. Faz lembrar a multa na Praça de Londres a um senhor que não apanhou o cocó do cão! A única, de que eu tenha conhecimento, e encenada pelo vereador respectivo para as câmaras da televisão com recurso a alguém das suas relações pessoais!

O pior é que nem a EMEL, neste caos sem rei nem roque, respeita as regras de trânsito. Na fotografia anexa vê-se o escritório móvel da EMEL, estacionado em pleno estacionamento proibido no cruzamento da Duque de Ávila com a Defensores de Chaves, numa passadeira de peões, depois da faixa de paragem no semáforo e tapando a visibilidade do mesmo, podendo provocar sérios acidentes e atropelamentos, devido à localização da furgoneta. Se fosse uma paragem de emergência ainda faria sentido, mas não: a carrinha esteve estacionada enquanto os funcionários faziam o seu serviço, calmamente, como se as regras de trânsito fossem apenas para os outros.

Como a fiscalização do estacionamento é da própria EMEL e esta está coberta pelos ditadores camarários, a própria PSP nada faz e a mais ilegítima arbitrariedade e abuso repetem-se por toda a cidade. A EMEL, como reguladora do trânsito, está obrigada a cumprir as normas do Código da Estrada. Os senhores funcionários, detentores de um poder ilegítimo, transitório e mesquinho, para superarem a mediocridade das suas existências afirmam-se como tiranetes de pacotilha e abusam de uma posição dominante, dando vazão às suas frustrações, carregando os cidadãos de pequenas arbitrariedades que nunca são punidas devido à natureza belicosa das políticas de trânsito e ao mau exemplo dos decisores políticos. Políticas, aliás, absurdas, porque produzem mais poluição, mais emissões e maiores consumos, quando afirmam o contrário.

Uma política coerente seria criar parques de estacionamento gigantes nas periferias e melhorar a sério os transportes públicos. Coisa que não se faz: basta ver a estação de Metro dos Olivais para se perceber o nosso argumento. Depois poder-se-ia cobrar uma portagem elevada aos condutores que entram na cidade todos os dias úteis à hora de ponta, como se faz em Londres, isso a par com civismo e educação dos próprios agentes reguladores.

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Manuel Silveira da Cunha

Este artigo é uma breve exposição do sistema de transporte norte-coreano, sobretudo uma análise do uso do automóvel. É um modelo que parece inspirar António Costa, primeiro-ministro de Portugal, que afirmou que os Portugueses das cidades têm de “começar a habituar-se a viver sem automóvel”. O exemplo norte coreano parece ser assim o grande modelo inspirador de António Costa.

Apesar de em muitos países, como a Alemanha, a indústria automóvel ser um extraordinário motor de desenvolvimento, apesar de a Google estar a desenvolver um modelo de condução autónoma, que dará mobilidade a pessoas de idade avançada ou com problemas de mobilidade ou incapacidade visual, dando aos cegos um transporte autónomo e permitindo a pessoas sem carta poderem actuar em situações de emergência, levando, por exemplo, um familiar doente ao hospital, apesar do automóvel amigo do ambiente, seja este eléctrico, híbrido, movido a hidrogénio, a ar comprimido, libertando ou vapor de água ou com zero emissões, cuja investigação é um assunto de ponta em todo o mundo, António Costa parece que segue o modelo da idade da pedra e nega ao comum cidadão o uso do automóvel naquilo que parece ser uma orientação estratégica do seu governo. Um modelo que iniciou na câmara de Lisboa e que tornou um inferno as deslocações automóveis na capital.

Esta política, que vem a ser seguida pelo sucessor de Costa, um tal Medina, visa escorraçar os lisboetas, dar à vida de quem cuida de crianças ou de idosos ou doentes, agora em Lisboa, depois em todo o País, uma espécie de angústia infernal, existencial e depressiva que tem a ver com um problema crucial das sociedades modernas, a liberdade de movimento e de circulação. Os transportes públicos são infames e perigosos, a higiene horrível, a cidade é orientada para os tuc tuc e os dispositivos turísticos, o ódio ao cidadão e o amor ao turista são o mote.

Vejamos então como funciona a Coreia do Norte, um modelo que terá de ser adaptado a Portugal por Costa, mas que parece ser claramente o mote inspirador da governação. Seguem as medidas:

1. Apenas 7.5% das estradas da Coreia do Norte são alcatroadas, uma boa ideia para aplicar em Portugal, sem exagerar: dar ordem para lavrar 80% das estradas existentes, transformar 80% as ruas de todas as cidades em hortas comunitárias com carreiros apenas pedonais. Ficaríamos assim com 20% das estradas actuais, um passo no caminho da Coreia do Norte. Em Lisboa, a cidade da Europa em que se perdem mais horas ao volante, já se começou na baixa pombalina.

2. As faixas de rodagem das auto-estradas coreanas têm velocidades próprias diferentes, o máximo são 70km/h. Sugerimos uma velocidade máxima de 80km/h, o modelo norte-coreano parece demasiado radical, mesmo para Costa. Na faixa mais rápida circulariam apenas as viaturas oficiais dos ministros e oficiais muito importantes. A exemplo da Coreia do Norte, a viatura de Costa, supremo senhor do automóvel e único autorizado a ter mais de 2.5 litros de cilindrada e o único autorizado a ter mais de seis cilindros no motor, circularia nesta faixa. Na segunda faixa, limitada a 60km/h, circulariam os turistas e as autoridades policiais. Na terceira faixa, limitada a 43 km/h (mesmo assim 3km acima do limite norte-coreano), circulariam os locais. Os cidadãos portugueses teriam de pagar um imposto de cem mil euros por carro por ano, e teriam de ter um passaporte especial para poderem estar a mais de 30km de casa, sob pena de espancamento e confisco do automóvel. Para irem mais longe teriam de apresentar um salvo-conduto assinado pelo próprio António Costa. As viaturas com mais de 4 anos teriam de circular apenas entre a meia-noite e as cinco da manhã.

3. O combustível teria de ter um certificado especial provando que foi comprado do lado de cá da fronteira e não obtido ilegalmente: esta exigência iria ao encontro das ideias patrióticas do ministro Caldeira Cabral.

4. Tal como na Coreia do Norte, apenas a carros com mais de uma pessoa no seu interior seria permitido circular. Excepto os turistas e viaturas oficiais, a começar pelo topo de gama de António Costa, poderiam circular apenas com condutor. Marcelo Rebelo de Sousa poderia, a título excepcional, conduzir na segunda faixa quando não de serviço oficial e seria equiparado a turista nessa situação. Apenas Costa e Medina poderiam circular na faixa rápida mesmo quando em viatura particular.

5. Seriam comprados furgões de transporte de gado e camiões de banco corrido para transporte comum de cidadãos nos transportes públicos, facilmente seriam adicionados milhões de lugares de transporte a preços económicos. Os veículos seriam comprados aos excedentes militares da Coreia do Norte.

Ficam aqui as sugestões, a bem da Nação. Não esperamos recompensa, mas apenas a adopção destas medidas salutares que habituarão o cidadão lusitano, mas não o turista, a “ter de viver sem automóvel”. Já estivemos mais longe.

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Manuel Silveira da Cunha

“Em 1999 prometi-lhe publicamente um par de bofetadas. Foi uma promessa que ainda não pude cumprir. Não me cuzei com a personagem, Augusto M. Seabra, ao longo de todos estes anos. Mas continuo a esperar ter essa sorte. Lá chegará o dia. Ele tinha, então, bolçado sobre mim umas aleivosias e calunias. Agora volta a bolçar, no “Publico”. É estória de “tempo velho” na cultura. Uma amiga escreveu: “vale o que vale, isto é: nada vale, pois o combustível que o faz escrever é o azedume, o álcool e a consequente degradação cerebral. Eis o verdadeiro vampiro, pois alimenta-se do trabalho (para ele sempre mau) dos outros. Estou a ver que tenho de o procurar, a ele e já agora ao Vasco Pulido Valente, para as salutares bofetadas. Só lhes podem fazer bem. A mim também.”

Como o leitor bem entende, estas palavras são textualmente de João Soares, incluindo o “cuzei”, espécie de erro ortográfico que Freud talvez conseguisse explicar melhor do que eu. Palavras publicadas no Facebook e que lhe valeram a bem merecida e abençoada demissão, depois de umas desculpas arrogantes e esfarrapadas em que ainda, qual menino violento na escola, pede “desculpa se os assustei”.

Resolvi publicar o texto na íntegra para se entender a baixeza do escrito. Começa o insulto pelo tradicional (em João Soares) “bolçar” como se os textos de Pulido Valente e de Augusto Manuel Seabra fossem vomitados azedos de criança ou insultos gratuitos, quando, de facto, são belíssimos textos críticos de opinião fundamentada. Segue depois o Sr. Soares ao ataque citando uma desconhecida “amiga” para, sem coragem, afirmar pela boca de outrem que o Augusto Manuel Seabra era um azedo, um alcoólico e o seu cérebro estava degradado, uma espécie de vampiro sem cérebro, o que aliás é contraditório – quem não tem cérebro, ou está em muito mau estado, é o monstro de Frankenstein, o que num ministro da cultura é outro erro grosseiro a par do “cuzei”.

O que é particularmente infeliz é a referência ao alcoolismo de Seabra. Conheço bem Augusto Manuel Seabra e sei que muita gente dizia que bebia uns copos valentes, e isso nunca toldou a sua escrita. O ponto é que supostamente bebia, verbo no passado, pois Augusto Seabra vai para décadas que não bebe. Invocar essa condição antiga ou uma doença, putativa ou real, é ainda mais infeliz num combate que se quer no campo das ideias e passa declaradamente ao campo pessoal. Augusto Seabra teve, também, uma doença rara no cérebro, que o colocou em enorme risco de vida, passando muito tempo no hospital e que, felizmente, conseguiu superar, facto que toda a gente culta de Lisboa sabe e que João Soares não poderia deixar de saber.

Estas referências directas à vida pessoal de Augusto Seabra são do mais baixo nível que tenho encontrado no discurso no espaço público, são de uma grosseria e deselegância tão grande que ninguém na imprensa pegou nesse lado da questão, provavelmente por pudor, e toda a gente se centrou na questão menor das bofetadas, bofetadas efectivamente prometidas e ainda não dadas por falta de oportunidade, não bofetadas metafóricas, como bem se entende do texto integral, violento, visceral, figadal de Soares.

O que foi dito na imprensa, as diversas opiniões e mesmo o que Costa afirmou, foi sempre dito no campo da bofetada, mas o que motivou, inconscientemente, o asco pelo que João Soares fez, foi o levantamento da questão pessoal, a invocação de uma doença ou de uma condição pessoal do antagonista para o atacar de forma torpe. Como Augusto Seabra disse: “o que João Soares escreveu só o qualifica a ele”. A falta de vergonha não tem, no entanto, limites. João Soares sai porque “quer manter a liberdade de expressão”.

Bem hajas, Augusto Manuel Seabra, corajoso, incómodo e, às vezes, mau como as cobras, espero que dures muitos anos. Podes juntar ao larguíssimo currículo o acto menor, mas largamente higiénico, da demissão de João Soares de ministro dos almoços e jantaradas.

Manuel Silveira da Cunha

O turismo não salva países, o turismo não melhora a qualidade de vida dos locais, o turismo é o negócio do servilismo e da criadagem.

Nota-se nas cidades portuguesas um apetite insaciável pelo turista, recheado de euros, libras, dólares, ienes ou yuans, o turista de pé descalço ou mais abastado, que no nosso país, inculto e selvagem, é tratado como a galinha dos ovos de ouro.

Quando, recentemente, a câmara de Lisboa quis taxar os turistas com um euro por dormida, foram inúmeros os políticos que se alevantaram e usaram a expressão. No parlamento Pires de Lima insurgia-se, os autarcas vociferavam, Paulo Portas a 11 de Novembro de 2014 veio dizer “não matem a galinha dos ovos de ouro”, os industriais do sector protestaram veementemente.

O que é certo hoje em dia é que o turismo e o turista estão a matar as cidades e o problema é cada vez mais agudo, começando a tornar-se uma espécie de tragédia. Porto e Lisboa arriscam-se a tornar-se cidades em que o habitante é hostilizado na sua própria cidade.

As lojas históricas e o verdadeiro comércio local desaparecem, os restaurantes, na maioria miseráveis casas de pasto travestidas e com preços exorbitantes, devido à localização e procura turística, proliferam, é ver a rua Augusta em Lisboa ou a ribeira do Porto. Qualidade miserável e preços altos são o mote. Os “hostels”, nome que nem sequer é português, proliferam em zonas residenciais, destruindo o sossego aos bairros outrora pacatos, incomodando moradores e impedindo o descanso.

Clubes antigos, discotecas, algumas de má fama e que parecia que não faziam falta nenhuma, como as do cais do Sodré, afinal são dos poucos lugares de culto em que uma geração se reconhecia, locais de encontro e pertença que estão prestes a ser sacrificados no altar do todo sagrado negócio vigente do turismo. Os habitantes, muitos deles frágeis e idosos, são despejados para albergar turistas.

A câmara de Lisboa, diferindo radicalmente do Porto, ataca o automóvel e quer transformar toda a Lisboa central numa espécie de parque gigante para os turistas, depois de escorraçar para sempre os lisboetas. Quem virá fazer compras ao centro, se nem sequer as poderá depois transportar de carro? Os mais pobres, com carros mais antigos, são postos à margem como leprosos: usem a miserável carris e os machibombos mal cheirosos ou o decadente metro lisboeta, em que estações cheiram a mijo, estão pejadas de grafitis, as escadas rolantes não funcionam ou em que de todas as escadas possíveis, rolantes ou não, como nos Olivais, apenas uma funciona. Um escândalo sem protestos por parte da câmara que, todo-poderosa, destrói a vida dos cidadãos em favor do turista que rende dinheiro aos amigos dos aparelhos partidários.

É evidente que se impõe uma taxa turística, o turista selvagem tem de ser travado. O turista desgasta as nossas cidades, expulsa o contribuinte (que paga os impostos) das suas vias públicas. O turista defeca nos sistemas públicos de esgoto e não paga a respectiva taxa! O turista usa a protecção civil lisboeta e não paga a taxa, o turista desgasta e sobre-carrega o nosso sistema de saúde e não o paga com os seus impostos, o turista sobre-carrega passeios, estradas e largas dezenas de toneladas de lixo por ano sem que contribua um mínimo para a sua remoção. O turista ocupa espaço. O turista é porco. O turista é inimigo do verdadeiro desenvolvimento. O turista, pior do que tudo, contribui para a desertificação das nossas cidades, contribui para a perda de qualidade de vida dos cidadãos das nossas cidades e nada dá em troca a não ser aos negócios da hotelaria, aos negócios do servilismo.

É tempo de fazer o turista pagar para o aumento da qualidade de vida dos lisboetas, e aos autarcas é tempo de os cidadãos os fazerem pagar caro pelo desplante com que tratam dos negócios esquecendo as pessoas. É tempo de colocar alcatrão e penas nos autarcas que destroem a qualidade de vida dos cidadãos e é tempo de colocar os turistas a pagar dez euros por cada dormida passada em Portugal.

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Manuel Silveira da Cunha

No ‘Diário de Notícias’ de Domingo de Páscoa, Marcelo Rebelo de Sousa, assinando como Presidente da República, faz uma breve panorâmica dos quarenta anos de Constituição da República Portuguesa.

É um texto enxuto, pouco denso, simples, de cinco mil e quatrocentos caracteres, o que se traduz por página e meia A4 escritas num formato normal.

Marcelo não foge de algum comentário ao que se passou no após vinte e cinco de Abril de 1974, e bem o faz; no entanto foge, como o diabo da Cruz, de criticar o actual texto constitucional.

A Lei fundamental tem erros técnicos crassos, como se revelou na anterior crise política, que deixam a um presidente pouco escrupuloso uma margem de manobra enorme para realizar um golpe de Estado constitucional. Basta pensar que o presidente pode demorar um tempo indefinido a decidir uma solução de governo. Por outro lado, os prazos constitucionais para marcar e realizar eleições, publicar resultados e tomadas de posse subsequentes são gigantescos, podendo uma queda de governo e tomada de posse do seguinte demorar entre quatro a seis meses. A marcação das eleições legislativas para Setembro ou Outubro, o mês mais habitual, é um disparate, uma vez que nunca um novo governo poderá elaborar um orçamento a tempo, e se existe um Cavaco pelo meio, o Orçamento só entra em vigor em Abril do ano seguinte, o que é gravíssimo para o funcionamento do país e para os seus compromissos.

A questão de regime também se faz sentir, a constituição ainda tem resquícios marxistas; e pior: considera que, mesmo que o povo decida em contrário, a república é o governo eterno do país, esquecendo que Portugal foi grande e democrático em Monarquia, e que a Monarquia pode ser a forma de democracia mais avançada do mundo, como se pode constatar na Holanda, Suécia, Dinamarca, Noruega, Inglaterra, Japão, todos países muitíssimo acima de Portugal no índice de desenvolvimento humano.

Não se esperava que o presidente fosse criticar a constituição, o texto teria de ser institucional e laudatório, a constituição teve a virtude, apontada por Marcelo, de servir para acomodar todas as vontades e fazer dissipar tensões, nunca um presidente poderia ser o motor de uma revisão constitucional, embora não ficasse mal ao presidente, especialista e constituinte original, apontar erros técnicos e promover a sua remoção e agilização do processo democrático num tempo em que a informação circula muito mais depressa do que há quarenta anos, altura em que o primeiro-ministro inglês reeleito continuava em Downing Street na noite das eleições ou na noite seguinte se houvesse uma nova clara maioria e em que os deputados ingleses tomavam posse no momento da contagem dos votos, isto desde há séculos.

O que se esperava era que Marcelo não desse erros ortográficos, e deu. Esperava-se que Marcelo fosse menos parolo no uso do putativo acordo ortográfico de 1990. A ortografia não se define por lei mas por cultura, e escrever de forma boçal não se enquadra na visão que os portugueses esperam de um professor universitário, supostamente instruído e culto, como Marcelo Rebelo de Sousa. Ao utilizar o português prostituído, Marcelo começa a deixar de ser o presidente de todos os portugueses…

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Manuel Silveira da Cunha

Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, vem afirmar que o que está a acontecer no Brasil é um golpe de Estado realizado pelo poder judicial apoiado pelos meios de comunicação social!

A frase em si é um absurdo: seria um golpe de Estado, ou seja uma subversão do Estado de Direito, se forças sem autoridade ou investidas de um poder real tomassem pela força ou por meios astuciosos, não legais portanto, as rédeas do país. Não se trata de nada disso, é preciso colocar os pontos nos ii. Cegos por complexos ideológicos, os senhores do bloco de esquerda, próximos de uma putativa esquerda brasileira representada por Lula da Silva e por Dilma, condenam as acções judiciais como golpistas! De facto o Sr. Inácio Silva, enquanto presidente, beneficiou de um esquema monumental de corrupção que financiou campanhas sucessivas dele próprio, de Dilma e fez entrar quantidades enormes de dinheiro nos sues bolsos, que fariam um homem humilde como José Sócrates chorar de inveja por não ter amigos do calibre das grandes construtoras brasileiras e apenas o Multibanco Silva.

Inácio Silva, o tal de Lula, tinha num cofre privado, num banco, uma escultura do “Aleijadinho” António Francisco Lisboa, nascido em 1730, famoso escultor português do Brasil colonial. Uma peça que faltava no Palácio do Planalto, tire o leitor as conclusões. Se o Sr. Lula é um vulgar ladrão, como tal merece ser investigado pelo poder judicial. A escultura, e muitos outros bens sonegados ao erário público brasileiro, são apenas uma evidência de todo o resto. O poder judicial apenas quer levar à justiça os corruptos e os ladrões como Lula e, provavelmente, Dilma Roussef, que ainda terá de ser criteriosamente investigada.

No Brasil os poderosos defendem-se muito bem, saem da cadeia por bom comportamento com um sexto, leu bem, um sexto da pena cumprida! Em trinta anos de pena saem ao fim de cinco. Mas isso é se forem condenados: existe toda uma teia de intrigas, de subornos, de imunidades que evitam as investigações.

O novo poder judicial brasileiro é constituído por jovens magistrados que, oriundos de uma classe média urbana, moralmente conservadora, ainda têm algum sentido ético e moral. Sonham com uma democracia avançada do tipo europeu nórdico ou, em menor grau, pelo menos do tipo americano. O seu sentido de justiça e a impunidade vigentes levam estes magistrados a tomar medidas que, normalmente, não tomariam. A divulgação das escutas entre Dilma e Lula pode ser, damos de barato, condenável; não será certamente criminosa, porque isso teria de ser tipificado num código criminal e um juiz nunca faria algo que fosse um crime. Mas tem uma justificação, a do desespero do poder judicial, desprovido de meios, face a um poder político tentacular, mafioso, corrupto.

Lula e Dilma não são de esquerda ou direita, são, esses sim, vulgares criminosos. Dilma subverteu o Estado de direito ao nomear Lula ministro, sem qualquer função que justifique o seu título, para escapar à prisão. Neste contexto de obstrução à justiça, a divulgação das escutas é o último meio que resta a um magistrado para que os políticos tenham alguma vergonha na cara, coisa que, já se demonstrou, não têm.

Vergonha na cara não tem Catarina Martins ao defender corruptos e mafiosos porque são da putativa esquerda. É esta cegueira que levou Bernardino Soares a defender que a Coreia do Norte é uma democracia. Não faltará muito a Catarina Martins para chegar ao mesmo triste fim.

CAPA

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