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MANUEL SILVEIRA DA CUNHA

MANUEL SILVEIRA DA CUNHA
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Manuel Silveira da Cunha

Não se trata de uma questão de legitimidade, não se trata de discutir quem ganhou as eleições. Trata-se apenas de uma birra de criança. Passos Coelho quer continuar por mais quinze dias no poder, um novo governo, feito com o refugo do anterior, juntando uns quantos “boys e girls” vindos das concelhias e distritais do PSD, juntam-se mais umas raparigas que perderam o assento no parlamento e temos os ingredientes para uma nova formação, novos gabinetes, novos motoristas, novos assessores, tudo nomeado por uns dias que se convertem em meses com os subsídios de entrada e saída e mais as indemnizações respectivas. Entretanto, ministros como Paulo Macedo, o melhor do anterior governo, ou homens feitos como Pires de Lima ou Nuno Crato, recusam manter-se em funções a fingir que governam para fazer o frete ao rapaz da JSD.

O mesmo Passos Coelho que voava em económica, numa também infantil e ridícula tentativa de se afirmar por um exemplo tonto de poupador, é quem vai gastar ao Estado, e a todos nós, mais alguns milhões em custos directos, por ter um gabinete novo, e pelos custos indirectos de adiar a entrada em funções de um governo com maioria.

Será que o país poderá pagar isto? Os desmandos eleitoralistas, que valeram a reeleição da coligação, os desmandos do adiamento constante das soluções, os desmandos de uma esquerda que aparece como a suprema despesista? Parece que não. O mais provável é que a situação saída destas eleições provoque mais um estouro das contas públicas e uma nova intervenção dentro de meses, juntamente com mais umas eleições dentro de um ano.

O que é triste nesta situação política é a falta de sentido de Estado de todos, sem excepção. Sem estadistas, os chefes de facção, mais ou menos falhados, mais ou menos derrotados, que nestas eleições não houve vencedores, comportam-se como adolescentes e não como pessoas responsáveis, que demonstram não ser.

A esquerda quer o pote das moedas a todo o custo, a direita quer manter o mesmo pote na mão. Quando seria necessária uma grande convergência nacional surge apenas uma triste convergência, a da mediocridade. Percebendo que não poderia formar governo estável, teria bastado a Passos uma saída digna, se soubesse o que é isso: recusar-se a formar governo e passar para a oposição. Usar estes quinze dias, que são, afinal, mais de trinta, que o outro chefe de facção, Cavaco Silva, lhe concedeu, para formar gabinetes, nomear ministros e secretários de Estado de faz-de-conta e gastar, de caminho, uma pipa de dinheiro é uma irresponsabilidade, é uma afirmação de força do “jovem” que demonstra que não tem força nenhuma. Em última análise, Passos Coelho está a dar à esquerda uma oportunidade de ouro para usar este tempo para manter mais conversações e tentar um acordo quase impossível. Se Passos Coelho entregasse as chaves a Cavaco, as fragilidades da esquerda seriam ainda mais evidentes. Uma direita forte na oposição massacraria o governo de António Costa entre a chantagem dos radicais de esquerda e o muro de aço de legitimidade, responsabilidade de quem teria prescindido de governar mais uns dias, abdicando em favor do país, mesmo podendo exigir o poder. Poderia assim construir uma solução mais sólida após o colapso da maioria contra-natura que se forma entre PS, Bloco de Esquerda e PCP. Esta solução poderia mais facilmente viabilizar uma eleição de Marcelo Rebelo de Sousa à primeira volta, representaria desapego relativamente ao poder pelo poder e um elevado sentido de Estado.

Apostar num fantasma, gastar mais uns milhões, sonhar com mais uns dias no Bunker de Berlim é sinal de falta de preparação, de infantilidade e de falta de sentido de Estado. Se juntarmos a isto tudo um presidente pretensioso, provinciano e pouco inteligente, temos os ingredientes para fazer das esquerdas vítimas, e não os vilões, no meio desta complicada situação.

Saber retirar estrategicamente para depois avançar em força, não é um conceito que rapazes vindos da JSD possam apreender com facilidade, mas exigia-se mais ao presidente Cavaco.

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Manuel Silveira da Cunha

No genial livro de Doistoévski, “O Idiota”, encontramos um jovem príncipe de 27 anos, que era apelidado pelos seus contemporâneos como um verdadeiro idiota, isto porque era bom, generoso e extremamente fino e inteligente, embora não fosse uma característica muito aparente. Pelo contrário, Parfion Ragójin é um homem sinistro e primitivo, que é considerado como uma espécie de mestre, à volta do qual gravita uma corte de beberrões e canalhas.

Assim é Portugal, o verdadeiro idiota é aquele que vive rodeado de canalhas, que governa, que corrompe e é corrompido e aquele que decide, sendo, no entanto, invejado pelos outros. Apesar de o “povo” estar sempre pronto para enxovalhar os poderosos, quando estes saem à praça pública, é aquele que enriquece sem trabalhar e aspira aos mais altos cargos da nação, sem o menor currículo, que é invejado. É no novo-rico arrivista que a nação tem o seu modelo, que a nação inveja mesmo quando insulta.

Num país de elites extremamente enfraquecidas, em que a intelectualidade e o pensamento nunca foram particularmente estimulados, pior, foram sempre desencorajados, em que a nobreza era antes de 1833, e com raras excepções, alvar e depois de 1833 se tornou arrivista e ainda mais ignorante, em que a burguesia citadina sempre foi escassa e medíocre, pobre de espírito e pouco mais do que analfabeta, em que a classe dos tipógrafos era mais esclarecida do que a dos comerciantes, não existe elite do pensamento, da cultura e da ciência para tomar como modelo.

A ida para as cidades de gente desenraizada, êxodo muito recente, desde os anos sessenta, cujos pais analfabetos ainda tinham sentido da dignidade e da honra, apesar da sua atávica ignorância académica, exacerbou o ódio que as novas classes emergentes têm pela cultura popular, a única raiz profunda a par do catolicismo que também, na prática, abandonaram, ficando sem quaisquer referências morais e éticas. O desconhecimento atávico das suas raízes gerou indivíduos sem raízes, cuja cultura académica não supriu, porque nunca sentiram necessidade de cultura. Mesmo os licenciados da geração que governa o país, são profundamente ignorantes e culturalmente analfabetos. Porque não sentem necessidade de cultura, porque sempre a desconheceram e isso aprende-se com o leite materno e não nos bancos de uma qualquer escola onde andaram brevemente a roçar o traseiro, como o actual primeiro-ministro ou o futuro, ou onde fizeram trabalhos académicos específicos, fechados nas suas especialidades, sem qualquer mundivisão, como o actual presidente da república.

É neste contexto que surge o, abençoado pelas esquerdas, discurso radical de Cavaco Silva, o filho do Poço de Boliqueime, discurso pouco inteligente que, em vez de dividir, une, e que, em vez de excluir, inclui. Será muito mais fácil um acordo entre as esquerdas depois daquele discurso em que Cavaco indigita Passos Coelho como primeiro-ministro falhado de Portugal.

Esperamos com muita expectativa a rápida substituição do filho de Boliqueime pelo filho da elite do anterior regime, Marcelo Rebelo de Sousa, que conhece o significado da cultura, que é inteligente e que sabe da História, com H grande. Mas será muito difícil a sua eleição, o povo português identifica-se mais com o espírito de Boliqueime, e a esperteza saloia popular, do que com a inteligência dos académicos.

Entregar o poder a Costa será afastar o PS por muitos anos do poder, esmagado entre a direita, que se for inteligente nunca entrará em acordo com o PS, e as máquinas devoristas das esquerdas, que chantagearão até ao extremo o governo minoritário do PS. Este partido estará condenado a desaparecer entre dois martelos pneumáticos e a ficar muitos anos na oposição; bastará uma pequena crise, daqui a sete ou oito meses, para um reforçado Marcelo, recém-eleito e em estado de graça, mandar o PS às urtigas para a eternidade convocando eleições antecipadas em Junho de 2016. Quem será então o verdadeiro idiota?

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Manuel Silveira da Cunha

O sistema político português parece agradar de sobremaneira aos actores políticos, os partidos e seus dirigentes. Acontece que é um sistema que os beneficia no seu amadorismo, na sua ineficiência, impreparação e má qualidade, nuns casos, e na sua ânsia de enriquecimento pessoal à custa dos muitos e variados tipos de corrupção, não apenas a corrupção criminal mas também a corrupção como forma de dissolução da sociedade e de amolecimento da ética e da moral.

O dirigente que tira comissões e luvas para decidir a favor de um interesse ainda pode vir a ser, remotamente, condenado, já o político que decide a favor de um banco, grupo hospitalar, financeiro ou empresa, socializando muitos milhões de euros de todos os cidadãos para os entregar a grupos de amigos que, mais tarde, o empregarão para não fazer nada e a ganhar uns milhões anuais, não é considerado corrupção. O exemplo de Ferreira do Amaral, que decidiu a favor da Luso-Ponte e depois se tornou seu presidente, é considerado por muitos como exemplar e a sua ética e moral não é posta em causa. É um exemplo a seguir de político incorruptível, o que poderá parecer surrealista a muitos.

No fundo, a diferença entre uns e outros é apenas a do jogador em acções na bolsa e o jogador em futuros ou derivados, mas sempre sem risco: ou recebe à cabeça arriscando “a casa prisão” ou aposta no futuro e terá a sua vidinha assegurada.

O que se passa agora com os resultados eleitorais é paradigmático. Um governo que se arrasta há muito mais de quatro anos, prazos dilatadíssimos para soluções pantanosas, resultados finais que não saem, indícios de fraude por todo o lado, votos de mortos, votos que já estavam descarregados, correios privatizados incompetentes, votos que não chegam a emigrantes ou chegam tarde e com endereços errados, é tudo uma pouca-vergonha. Depois de quinze dias o Sr. Cavaco Silva resolve ir de fim-de-semana. Os resultados oficiais das eleições saíram na Quinta-feira e sua Excelência apenas começa a receber os partidos na Segunda-feira, e por dois dias, quando poderia receber perfeitamente os partidos apenas num só dia. Falamos de PSD, CDS, PS, BE, PCP, PEV e PAN. São sete partidos, uma hora cada, será que o senhor presidente da república não consegue ter sete horas de trabalho no mesmo dia? Será que o país se pode dar ao luxo de ter o presidente a empatar mais quatro dias e a demorar eternidades para fazer a sua função constitucional?

A cultura de exigência, de trabalho, de profissionalismo não existe na política. É evidente que o governo deveria ter entregado em Bruxelas um esboço de orçamento, o governo está em funções e deve respeitar os compromissos, não comportar-se como um estudante borguista com desculpas de mau pagador para não entregar um trabalho que era seu dever ter feito. O caso das reuniões com o PS é outro exemplo. Fazer birra, não dar respostas, quando pedidas, não querer trabalhar, quando está em jogo o futuro do país, é vergonhoso e não abona nada em favor dos senhores que nos governaram estes anos. No fundo, maus estudantes e pessoas que nunca trabalharam. Não trabalhar na hora difícil é dar uma desculpa para o PS continuar com negociações com as outras esquerdas. É uma traição a quem votou na coligação e, pior, uma traição ao país, por amadorismo e falta de vontade de trabalhar. O mesmo Passos Coelho que chamava lamechas aos portugueses, rapaz esperto e de boa voz, tem de aprender com os grandes, que ele nem sequer conhece, esses Churchill, Metternich ou Bismarck, que eram mouros de trabalho, as reuniões prolongavam-se durante dias, a sua indomável vontade de servir o país levava-os a destruírem pelo cansaço e sono as pretensões dos outros negociadores.

Num momento ingente de grandes dificuldades exige-se que os dirigentes tenham uma cultura de empenho, de dedicação e trabalho. Duas reuniões em quinze dias? Deus valha a estes políticos. Costa já se conhece, manhoso, esperto, esguio. A Passos Coelhos exigia-se que, pelo menos, fingisse que estava empenhado nas negociações e as fizesse de forma séria, em maratonas se possível, para que o PS não tivesse sequer o ensejo de o usar como desculpa de se atirar para as esquerdas para ter o acesso ao pote das moedas e para Costa se poder manter agarrado ao sonho de vir a ser ex-primeiro-ministro. Triste país, sem governo nem tino.

Manuel Silveira da Cunha

As eleições realizaram-se. A farsa da democracia portuguesa continua a afirmar-se cada vez mais longe dos cidadãos. Ficam aqui algumas reflexões.

Em primeiro lugar, a abstenção. Como é possível que num país com oito milhões e meio de pessoas com mais de 18 anos existam nove milhões e meio de leitores?

Segundo lugar: foram denunciadas inúmeras fraudes eleitorais, eleitores tentaram votar e o seu nome já estava descarregado nos cadernos, os votos dos emigrantes são deitados fora sem escrúpulos, uma vergonha que nada dignifica a democracia portuguesa.

A inacreditável demora na contagem dos resultados eleitorais dos emigrantes é clamorosa. Como é possível que, após anos de campanha eleitoral, em que o governo deixou de governar a sério, pensando nas eleições, exista ainda um prazo que termina a 14 de Outubro para a contagem de um número ridículo de votos dos emigrantes? Inconcebível nos tempos modernos que correm. A solução seria fazer uma votação antecipada para ter os votos no dia da contagem geral, este atraso afecta a indigitação de um novo primeiro-ministro. Em Inglaterra é feita na noite do acto eleitoral; na Grécia, esse país do terceiro mundo de “preguiçosos e aldrabões”, há governo três dias depois das eleições.

Votos brancos e nulos deveriam contar, somam tantos quanto os do partido comunista, e se virmos bem, apenas 20% dos portugueses votaram na coligação que teve mais votos.

Finalmente, será que a coligação ganhou o direito de governar? Infelizmente, em Portugal, não se vota num primeiro-ministro ou num governo. Vota-se num parlamento por círculos eleitorais. Cada deputado vale pelos votos que obteve. Sendo assim um partido, ou coligação, mais votados não têm o direito automático de governar. Governa quem no parlamento tem uma maioria estável, mesmo que não seja absoluta. Assim o afirmava Paulo Portas em 2011 e assim continua a ser. O presidente da república apenas terá de “ter em conta os resultados eleitorais” e não quem teve mais votos. O voto dos portugueses assim o determinou e mesmo a maioria contra-natura de PS, Bloco, PCP, PEV e PAN tem mais legitimidade para governar do que uma minoria, vencedora é certo, PSD com CDS.

Tentar afirmar que uma maioria de esquerda é um golpe de estado constitucional é totalmente falso. No entanto, os partidos da coligação têm todo o direito de capitalizar politicamente o facto de o PS se aliar à esquerda para governar, coisa que se os eleitores soubessem antecipadamente tiraria votos ao PS. Com um presidente como Marcelo Rebelo de Sousa, um governo PS com apoios à esquerda poderia não durar toda a legislatura e a capitalização política da coligação poder-lhe-ia dar uma maioria, finalmente, esmagadora que lhe permitisse governar com poder quase absoluto. O futuro o dirá.

Finalmente a aberração de um partido cujo programa pretende a proibição de tampões e de pensos higiénicos, com o argumento de que são pouco ecológicos, ter elegido um deputado! O que se segue? Direito de voto para cães e gatos?

Zona de conflitos permanentes, formada de encontros entre sumérios, assírios, babilónios, persas, hebreus, gregos, medos, partos, romanos, turcos, ingleses, franceses, americanos, árabes, curdos, judeus modernos, libaneses antigos e modernos, russos, alauitas, e entre religiões e facções, alauitas, cristãos drusos, sunitas e xiitas, a actual Síria é palco de uma complexa teia política.

A Síria desde há mais de cinquenta anos é parte da esfera de influência russa, do seu, digamos assim, cordão sanitário.

As potências ocidentais, França, Alemanha, Inglaterra e, sobretudo, Estados Unidos, julgando que a Rússia constituía uma espécie de vácuo sem pulso geoestratégico, tentaram desestabilizar a região apoiando os inimigos do Estado sírio, aliás a única estrutura coerente e capaz de contrariar na região os perigos do fundamentalismo islâmico radical, apoiado generosamente pela Arábia Saudita.

O poder na Síria é exercido pela tribo Alauita, uma facção do xiismo que mistura elementos místicos do cristianismo, reminiscente do tempo das cruzadas, tribo muito pobre que muito tempo ficou isolada nas montanhas e que nas últimas décadas veio a ocupar o poder, muito por mercê de a actividade militar ser considerada pouco atractiva pelas altas classes sunitas, mais interessadas no comércio, dando de bandeja aos oficiais alauitas a possibilidade de controlarem as forças armadas e ao clã Assad, de origem militar, de tomar o poder. A Arábia dos Saud, único país do mundo em que o nome do país vem do apelido dos chefes tribais que tomaram conta do poder passando a designar-se por “reis”, detesta o xiismo e, pior ainda, as facções menos ortodoxas, como o alauismo, tem pago generosamente aos insurgentes, com o apoio tácito dos Estados Unidos, na tentativa de subverter o poder dos Assad na vizinha Síria.

Os Estados Unidos têm pago e treinado grupos ligados à Al-Qaeda, suprema ironia, para combaterem os Assad e o Estado Sírio. Esta louca aventura provocou a irrupção do autoproclamado Estado Islâmico, um grupo de loucos, ou talvez não, que serve de ponta de lança dos interesses sauditas contra o Estado Sírio, o Xiismo e, em última análise, o Irão, inimigo figadal dos sauditas.

Sem uma verdadeira oposição, com as potências ocidentais em jogos estratégicos e militares que mais parecem jogos de garotos à volta de uma consola, o Estado Sírio viu-se só contra o ISIS, sendo os ataques aéreos da coligação uma espécie de cócegas para disfarçar os reais interesses das potências ocidentais, que visam ocupar a esfera de poder russa, ampliar as suas reservas de petróleo e controlar um ponto-chave do globo. Se para isso é preciso apoiar e ter o apoio, o que é completamente contra-natura, da Arábia Saudita, que fornece petróleo e regula a favor dos ocidentais o mercado, e a Turquia, que finge que ataca o ISIS, mas que, de facto, está mais preocupada com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, não há o menor problema moral.

É chocante ver Obama dizer que Assad tem de sair. Não há qualquer critério moral, apenas o interesse; se existisse critério moral, os americanos teriam de rejeitar a Arábia Saudita como aliado. O único critério é que Assad tem dado bases aos russos.

Depois desta política de equilibrismo aventureiro, que tem custado centenas de milhares de vítimas e uma crise sem precedentes de imigração na Europa e uma terrível desgraça humanitária, as contas têm saído furadas às potências ocidentais: Assad não caiu de maduro e os russos têm ainda excelentes aviões que começaram a colocar no terreno. Logo depois das declarações de Obama de que a entrada dos russos provocaria o caos, os americanos lembraram-se de bombardear um hospital, com um hectare, e matar uma dezena de médicos ocidentais dos “Médicos sem Fronteira”; dir-se-ia que foi um espião russo disfarçado de general americano que organizou o massacre para desacreditar os Estados Unidos!

Resta a irónica esperança de os russos darem àquela gente um arremedo de segurança, ténue esperança, conhecendo Putin. De qualquer forma, é a única forma de lidar com o problema: consolidar o Estado, eliminar o caos e segurar o ISIS. O tempo, esse grande escritor, dirá quem tinha razão.

Manuel-Silveira-da-Cunha-avManuel Silveira da Cunha

Portugal é um pequeno país, reduzido à sua expressão original depois de termos dado mundos ao Mundo. O povo português é o resultado de muitos séculos de história, de muitos cruzamentos étnicos, de muitas conquistas, emigrações e emigração, fluxos e refluxos.

Saímos em grande número, face à população global, mas sempre fomos um punhado de gente. Em números insignificantes, com Duarte Pacheco à cabeça de todos os heróis de Portugal, derrotámos o sultão de Calecute, uma centena contra noventa mil.

Fomos grandes, tivemos dois verdadeiros Chefes de Estado, o Fundador e, mais recentemente, D. João II. Tivemos também um punhado de governantes razoáveis, onde, recentemente, destacamos Passos Manuel, Fontes Pereira de Melo e Sidónio Pães. E, perdido nas brumas de Sagres, um visionário ainda vela por nós, o Infante D. Henrique.

Infelizmente, a força que fazia de Portugal forte, a coragem e o engenho, foram-se com os que partiram. Com eles foi o sangue da coragem; ficou derramado, heroicamente, por esse Mundo, algumas vezes de forma inútil que ceifou a fina flor da juventude do Reino, como em Alcácer Quibir, pela loucura de um sonho imberbe de um Rei que nunca deveria ter sido aclamado, e, depois, com a pouco contada aventura de Filipe II com a Invencível Armada, em que a marinha portuguesa ficou reduzida a nada.

Os que aqui ficaram foram os campónios, os que não tiveram coragem de partir, ou que não puderam, os Velhos do Restelo e seus descendentes. De vez em quando, depois da sangria, emergiram os genes de Portugal em poucos que, com bravura, lutaram e fizeram grandes feitos pelo país; algumas vezes tiveram o comando de estrangeiros, Wellington ou Beresford, por exemplo, porque o nosso rei foi cobarde demais para ficar e lutar. Matámos cobardemente o Rei, um crime sem castigo, e saímos à rua por Timor vestidos de branco, como palhaços ricos. E foi o fim.

Infelizmente, os nossos dirigentes mais recentes, saídos do povo, arrivistas, sem conhecerem os desígnios que motivaram a construção de Portugal e o seu desígnio teleológico, porque, afinal de contas, são tremendamente ignorantes e não estão sequer interessados no assunto, não governaram para a grandeza de Portugal e do seu povo, nunca governaram para a felicidade das gentes. O último que ainda tinha algum sentido de Estado seria Salazar, infelizmente também ele um homem limitado e tacanho, inteligentíssimo mas formatado pela dimensão rústica da Beira de então, pela pobreza endémica, admirada por ser falsamente cristã, e pela filosofia do analfabetismo que tudo permitia colocar na ordem.

Chegámos ao ponto a que chegámos, as eleições nada mudarão. Os jovens mais bem formados da última geração foram forçados a sair do país e a enriquecer outras nações, restam os descendentes do Velho do Restelo e os resquícios do analfabetismo. Apenas um ruptura total com o sistema poderia salvar Portugal… Mas feita com que gentes? E para que gentes? Os sonhos do padre Vieira, de Fernando Pessoa, de Agostinho da Silva estão a definhar sob o nevoeiro da ignorância de um António Costa e de um Pedro Passos Coelho, afogados nos interesses próprios e não nos interesses do país, afogados sob um manto sinistro de corrupção, outro das males endémicos de Portugal. Com a natalidade cada vez menor, resta esperar pelo declínio e extinção.

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Manuel-Silveira-da-Cunha-avManuel Silveira da Cunha

As sondagens constituem um negócio extraordinário, hoje em dia. Os jornais, televisões e as rádios pagam rios de dinheiro por sondagens que se espera sejam fiáveis e credíveis.

No entanto, o maior negócio são os partidos e se, como agora, em tempo de legislativas é um fartote, imagine-se o bodo aos pobres que não são as autárquicas, em que cada candidato a mandarim local encomenda a sua sondagem no seu concelho, mais de trezentos a multiplicar por diversos partidos, e já ao nível de Freguesias se encomendam sondagens, pelo menos nas grandes cidades.

É evidente que negócio tão apetecível desperte a cobiça de uma série de farsantes, que com os métodos actuais podem criar qualquer resultado que interesse ao cliente, mesmo sem se dizer que estão a manipular os dados.

É na amostragem que se podem criar as maiores e mais fáceis manipulações, isto sem mentir, bastaria omitir. Basta utilizar uma amostra enviesada para criar um resultado apetecível. Um exemplo seria fazer a sondagem no distrito de Setúbal, com indicação provável da distribuição de deputados no respectivo círculo eleitoral. Se o cliente fosse o partido comunista, procuraria encontrar mil pessoas, o que parece ser um número mágico. Começaria por ir para a porta da festa do Avante questionar pessoas de forma a o partido comunista ter logo uma larga margem; depois de ter entrevistado um número como 500 pessoas, faria o resto da amostragem de forma séria.

Evidentemente que, sem manipular muito a sondagem, daria ao PCP mais três ou quatro deputados em Setúbal. Há formas muito mais inteligentes de fazer a coisa. Por exemplo, utilizar uma entrevista telefónica para números fixos, que só pessoas conservadoras utilizam, ou ir a Freguesias que nas últimas eleições mais penderam para os interesses que o cliente pretende, que nem sempre são uma simples vitória, que nisto da manipulação política o que conta é enganar os eleitores, que uma pequena margem de vitória do adversário até pode, em certos casos, ser boa para a mobilização do “nosso” eleitorado.

Vamos começar por esclarecer o significado de uma ficha técnica de uma sondagem, para que o público possa ler uma sondagem com olhos de ver. A dimensão da amostra é o número de pessoas que se contactou. Logo à partida muitos desses “entrevistados” se recusam a responder. Comecemos com mil, se a taxa de respostas é de 70% temos apenas 700 respostas, o que aumenta a margem de erro.

Depois temos os indecisos, que respondem porque estão mesmo indecisos, ou porque não querem dar a entender o sentido do seu voto. Imagine-se que esta taxa é de 32%, e aqui nunca esclarecem se é sobre o total de mil ou sobre os 700 que responderam. Vamos supor que é sobre os 1.000 iniciais: passámos a ter 700-320=380. Ou seja, passámos a ter apenas 380 respostas com sentido estatístico!

Ou seja, a margem de erro já ronda os 5%, o que significa que se a PAF tem 40% (152 respostas) e o PS 35% (133 respostas), quer dizer de facto que o PSD tem entre 35% e 45% e que o PS terá entre 30% e 40%, o que se chama um empate técnico, porque os intervalos se sobrepõem e a diferença de 19 respostas é demasiado pequena para não ser uma mera flutuação estatística.

Pior, se o intervalo de confiança é de 95%, significa que estas margens de erro ocorrem em 95% das sondagens efectuadas, ou seja, em cada 20 sondagens há uma que falha estrondosamente, isto admitindo que uma amostragem foi bem feita, coisa da qual nunca há certezas, e acreditando na honestidade na realização da amostragem. Cerca de 380 respostas válidas não têm grande significado estatístico, sobretudo quando se consideram os pequenos partidos, em que 2 respostas de diferença significam um deputado que pode ou não existir! É ridículo afirmar com base num estudo destes que o partido do Dr. Marinho e Pinto pode ter um deputado ou não, por exemplo, pois afinal, 5 respostas numa sondagem destas indicar dar um deputado! Ridículo, mas os locutores falam dos possíveis resultados sem se rirem, pois a ignorância é insondável…

Por estas razões se percebe como têm falhado este tipo de sondagens. Consideramos que quando a amostra é de 4.000 elementos, e não se usam métodos arcaicos, como o da entrevista por telefone fixo, a sondagem começa a ter um pouco de credibilidade. Mas sondagens com 4.000 elementos em urna, com entrevistas no terreno, cobrindo todo o território nacional de forma aleatória, são demasiado caras para um país empobrecido.

E continuam todos os comentadores a comentar sondagens com pouco mais de 300 respostas reais, o que constitui um absurdo e uma farsa total. A continuar assim, a única sondagem será a das eleições…

Manuel-Silveira-da-Cunha-av-115x150Manuel Silveira da Cunha

Alternativa, s. f., que alterna entre dois pólos, que oscila, sucessão de suas cousas, cada qual por sua vez, opção entre duas cousas. Alternar, v., revezar; dispor alternadamente, colocar em posições recíprocas, trocar. Alternação, s. f., o acto de alternar.

A alternativa põe-se, portanto, entre duas opções; “a alternativa que se coloca, hoje em dia na sociedade portuguesa é entre Costa e Passos Coelho”. Assim nos fazem crer os pretensos fazedores de opinião, jornalistas e televisões. Assim foi na semana passada com o debate entre os dois licenciados, Costa e Coelho.

A chusma de pré e pós comentários, a elaboração de um “clima” de inevitabilidade, revela o mais de profundamente podre na sociedade portuguesa, e não falo apenas na classe política, a incapacidade de raciocinar, de entender que a pretensa alternativa não é alternativa nenhuma, porque uma verdadeira alternativa faz-se entre duas cousas distintas e não entre a mesma cousa. Que cousa é esta, que os licenciados Costa e Coelho representam?

Nada mais simples, representam quarenta anos de marasmo, corrupção, estagnação, crescimento, quando existiu, a um ritmo inferior ao dos países civilizados da Europa, representam quarenta anos de novo-riquismo, de deslumbramento com a riqueza de uma recém-nascida burguesia novel urbana cujos pais eram analfabetos, uma recém burguesia saída das juventudes partidárias e dos compadrios de quarenta anos de um regime podre e anti-português, um regime de continuada traição à Pátria que destruiu a soberania nacional e que permitiu durante quarenta anos situações como a da simbólica Mina de S. Domingos, em que uma falida e falsa sociedade mineira, a “La Sabina”, uma sociedade detida por um senhor alemão que mora em S. João do Estoril, sem capitais que não os 20.000 hectares expropriados para “interesse público” há mais de 150 anos, continue a mandar numa faixa de território português como se fosse o Faroeste, uma faixa delapidada, destruída e infectada por uma poluição e um desastre ecológico sem par, em que lagoas ácidas e 18 milhões de toneladas de escombros de metais pesados e sulfurosos contaminam, inclusivamente, a água que Huelva bebe.

Trata-se de uma falsa companhia mineira, que já não detém quaisquer direitos de mineração (desde 1984), que nunca cumpriu o que prometeu, nomeadamente reabilitar o território sob a sua alçada, ou ceder a preços meramente simbólicos as habitações aos antigos mineiros e seus descendentes e que deveria ter sido despojada de todos os seus bens há, precisamente, quarenta anos, bens em que nem o PREC, nem os governos constitucionais conseguiram tocar, apesar de todas as promessas falhadas e todos os direitos terem expirado há muitas décadas, apesar de o fim para o qual os bens foram expropriados a preço irrisório não ter nada a ver com os objectivos actuais da referida companhia que servem apenas para sustentar o accionista com as verbas de vendas que se vão fazendo aqui e ali, e de projectos hoteleiros falhados, em que se esbanjaram milhões de fundos comunitários, como o Hotel que funciona na antiga sede da companhia no Baixo Alentejo.

É a falsa alternativa entre os licenciados Costa e Coelho que é representada pelo escândalo ambiental e pela vergonha nacional de S. Domingos. Há 40 anos de “democracia” que os vendilhões das televisões nos querem impingir os mesmos dois licenciados, cada um chefe de facção da mesma escória devorista. Mais do mesmo, mais crime, mais corrupção, mais força com os fracos e mais indignidade perante os fortes. A verdadeira alternativa está para além destes senhores iguais, está numa total ruptura de paradigma.

Anuncio aqui que votarei em quem prometa que vai reverter os bens da Mina de S. Domingos para o Estado, promessa fácil de cumprir, mesmo para aqueles que agora fingem que nada prometem, entregue as casas aos descendentes dos mineiros, reabilite os terrenos e os entregue às famílias dos expropriados do liberalismo selvagem de há cento e cinquenta anos e da rebaldaria dos últimos quarenta anos e obrigue companhias como a “La Sabina”, ou os seus dirigentes, a pagar a reabilitação do território que sugaram até ao pó deserto e maligno e às águas sulfúricas que infectam as paragens da Ribeira do Chança.

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Manuel-Silveira-da-Cunha-av-115x150Manuel Silveira da Cunha

 

São dias de ira, dias de cólera. A guerra, o terrorismo, o medo matam milhares de pessoas. Os refugiados, autêntica massa invasora presságio de uma nova movimentação civilizacional, ameaçam as consciências dos povos europeus e mostram como os políticos da velha Europa são incapazes e miseráveis.

Reúnem-se os ministros e presidentes em areópagos, fingem que encontram soluções. Por que razão os “governantes da Terra se reúnem e tomam conselho contra o Senhor e o seu Ungido”? Em sorrisos forçados forjam cotas que não têm intenções de cumprir e que, de facto, não cumprem?

A razão é simples, os dirigentes políticos dos países deixaram de ser estadistas, deixaram de se preocupar com geopolítica estratégica. Gerem apenas em função do seu futuro pessoal, dos seus negócios e dos seus futuros enriquecimentos. Gerem a pensar nas suas carteiras e apenas prestam serviços a quem, verdadeiramente, os elegeu, que foram as máquinas partidárias, aqui e por toda a velha Europa, financiadas por corporações gigantes e magnatas sem qualquer consciência e sentido social, verdadeiros piratas do capital internacional. Os povos, estúpidos rebanhos, são manipulados por esta gentalha em que Juncker, Jeroen Dijsselbloem, Barroso ou mesmo Merkl são apenas rapazinhos obedientes ou eficazes capatazes, sem qualquer noção do interesse estratégico da Europa e dos povos europeus. Enfim, tudo consequência de uma democracia doente, que governa em função do dinheiro contra os cidadãos.

Todas estas crises são fruto da demissão dos dirigentes europeus, com o consequente absentismo do palco internacional. O deixar aos Estados Unidos, enfraquecidos economicamente, o papel de manter a segurança no Mundo, chefiados agora por um presidente também ele abstencionista, um prolixo fácil de frases eloquentes mas de actos falhados, gerou esta pressão sobre a Europa.

Não ter uma política séria em África, descolonizada sem responsabilidade, uma política que elimine os corruptos e promova verdadeiramente o desenvolvimento, algo que não interessa aos consórcios económicos europeus, mais interessados nas negociatas que proporcionam matérias-primas a preços de saldo e a inexistência de uma política para o Médio Oriente, entregue, por um lado, a Israel, com as suas atrocidades constantes, com o qual o Estado Islâmico não se atreve a brincar, e por outro lado aos extremistas islâmicos, loucos e medievais, actuando sem rumo nem tino na Síria, deixando o Iraque e o Afeganistão à sua triste sorte, permitindo à Arábia Saudita, pretenso e bárbaro aliado, o financiamento do terrorismo sunita contra os xiitas.

Finalmente, não sabendo o que fazer com a Turquia e o Egipto, uma Europa sem exército, sem política comum, sem concertação diplomática é alvo da pressão da qual é amplamente responsável. Isto para não falar do papel da política económica em face de tigres de baixos salários e condições miseráveis para os povos, como a China.

Acabar com esta crise dos refugiados tem uma receita extremamente fácil de enunciar, mas muito difícil de realizar: chama-se concertação estratégica e política externa comum forte. Política externa que tem de ter um braço armado, senão continuará a ser uma ridícula manifestação de intenções. É necessária uma reflexão do papel da Europa no mundo e saber se nos vamos continuar a lamentar as mortes de crianças algures numa praia europeia, reflexo também de uma forma de fazer política herdeira do mediatismo da televisão, em que um facto chocante mostrado num ecrã vale mais do que milhões de mortos escondidos, ou se vamos fazer algo.

Intervir a sério contra o Estado Islâmico e ajudar verdadeiramente África a sair do buraco em que os dirigentes corruptos europeus e africanos a meteram. Simples, não é? Não, se continuarmos a votar nos mesmos sem romper com o sistema.

O futuro da Europa passa também por Portugal.

 

 

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MANUEL SILVEIRA DA CUNHA

Estado Islâmico atingido

O chamado “Estado Islâmico” viu eliminados 30 dos seus dirigentes mais destacados, incluindo Hafiz Saeed, chefe do grupo no Afeganistão e Paquistão. Foi dia 10 de Julho, Sexta-Feira passada, na fronteira entre Afeganistão e Paquistão. O ataque foi americano e por intermédio de um míssil disparado de um drone.

Trata-se de uma vitória importante. Estes homens não se importam de enviar outros para o chamado “martírio” em nome de Alá, no entanto quando lhes toca a vez não são tão voluntaristas. Será importante decapitar fortemente as chefias do chamado “Estado Islâmico” de forma a limitar a sua actividade. Trata-se de uma luta de vida ou de morte entre a civilização e a barbárie e todos os meios ao alcance do Ocidente devem ser empregues para destruir a hidra.

A tontice da Grécia

Continua a tontice dos chefes europeus face à Grécia. Uma dívida que não se pode pagar, porque o país não tem recursos, e uma crise que pode alastrar aos mercados de capitais, como se vê com a presente crise chinesa, que pode influenciar a vida de milhares de milhões de pessoas, criando miséria e infelicidade. A Grécia é estratégica para o Ocidente. Já a deixaram cair nas mãos do Syriza. Estão à espera de que a Rússia, ortodoxa e próxima, filosoficamente, dos gregos, tome conta da Grécia?

A falta de inteligência, a tacanhez e a obstinação dos alemães trará mais prejuízo à sua economia e à economia europeia, incluindo a nossa, do que uma solução americana. Emprestar a juro zero, com carências de dezenas de anos, dinheiro impresso pelo BCE e exigência de rigor orçamental e de controlo das contas públicas, apenas isso resolveria a crise da dívida. Ainda não perceberam? O problema maior é que os europeus têm de lidar com gente em quem não confiam, quando antes poderiam ter resolvido a situação antes de a esquerda radical ter tomado conta do poder. Hoje os heróis da Grécia seriam a senhora Merkl e o Doctor Strangelove.

Ainda os Balcãs

Aleksandar Vucic, primeiro-ministro sérvio, foi obrigado a fugir na cerimónia do 20.º aniversário do massacre de mais oito mil muçulmanos, às mãos do exército sérvio da Bósnia. Em Belgrado fala-se em “tentativa de assassínio”. A Presidência da Bósnia-Herzegovina condenou. Enfim, a questão balcânica continua sempre quente e a memória daquela gente não esfria em 500 anos, quanto mais em 20!

Os ressentimentos entre Sérvios contra Albaneses e Bósnios, e vice-versa, datam do Império Otomano, em que os muçulmanos, reis e senhores, tratavam os sérvios como escravos, daí o nome, sérvio quer mesmo dizer servo. O povo Sérvio, cristão ortodoxo, guerreiro, combativo e orgulhoso nunca perdoou os quase 500 anos de infâmia por que passou; os croatas, ali mesmo ao lado, católicos e fascistas, também não. Quando na mó de cima, aproveitaram para liquidar alguns muçulmanos que queriam a independência sob o seu domínio exclusivo da Bósnia e Herzegóvina. Hoje o primeiro-ministro sérvio, que ou é parvo ou bem-intencionado, e nega que a morte de oito mil inimigos seja um genocídio, que aliás não é, levou com pedras numa pretensa cerimónia de reconciliação que nunca o será. Daqui observamos mas temos de perceber o contexto e, no caso de tomar partido, perceber muito bem todas as nuances, impossíveis de explicar aqui, de um conflito com meio milénio.

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