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JOÃO PEREIRA

JOÃO FILIPE PEREIRA

Por estes dias lembrei-me de “Candide, ou l’Optimisme”, o conto filosófico de Voltaire. É que há discursos que ultrapassam fronteiras e que nos obrigam a estranhas comparações com realidades que não deveriam ser assim tão incomparáveis.

A memória não pode ser assim tão curta. Os interesses partidários não podem apagar da memória dívidas que ainda agora o povo português está a pagar. Um elogio do primeiro-ministro a Dias Loureiro de tão ingénuo que parece só pode não o ser. Porque a desinformação, a falta de raciocínio político e a ingenuidade constituem uma mistura perigosa numa sociedade que já aceita tudo dos seus representantes. E é aqui que entra a comparação com países como os Estados Unidos da América ou o Reino Unido, onde discursos destes teriam severas consequências políticas. Não em Portugal.

Como pode Pedro Passos Coelho gabar a gestão monetária de Dias Loureiro, um homem ligado ao BPN – banco que está a custar aos contribuintes portugueses BPN 6,6 mil milhões de euros? Quantos enfermeiros se poderiam contratar com este dinheiro, quantos médicos e professores? Quantos impostos se poderiam reduzir?

Na política portuguesa não há ingenuidade, há interesses a defender. Voltaire conclui, na obra-prima com Cândido, que se vive o melhor possível no melhor dos mundos possíveis. No fundo: colhemos os frutos da árvore que plantamos. Temos a política que o povo exige. E digamos que os portugueses nem andam muito exigentes.

Mas Passos não é o único “ingénuo”. António Costa decidiu enviar uma mensagem escrita de telemóvel ao subdirector do semanário “Expresso” criticando-o pela palavras que o jornalista tinha publicado na sua coluna semanal.

Parece que afinal não somos todos “Charlie”. E não somos. Há somente alguns ingénuos – ou hipócritas – que se querem passar por tal. Mas só até à liberdade de expressão dos outros bater à sua porta. Parece que foi o que aconteceu a António Costa que, muito provavelmente, esperava que a dita SMS nunca visse a luz do dia. Foi ingénuo.

É que, realmente, cabe ao jornalismo ter boa memória e relembrar o que os nossos políticos querem, à força, fazer esquecer. Depois, cabe ao leitor e ao cidadão votar em consciência… E sem ingenuidade.

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