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As parangonas nos jornais ‘amiguinhos’ do Governo não se cansam de gritar: “o salário médio em Portugal está a subir! Aumento de 1,6% no primeiro trimestre deste ano face a igual período do ano passado!”. Mas a euforia dura pouco: ao traduzir a “fantástica subida” por miúdos, conclui-se que o salário médio dos portugueses, ao segundo ano da gloriosa governação socialista, subiu um miserável total de 13 euros: o equivalente a um balde de plástico com uma esfregona (sem pedal!) ou a quatro lâminas para fazer a barba.

Seria de rir à gargalhada, se não fosse para chorar. O aumento do salário médio dos portugueses, com que o Governo socialista apoiado pela extrema-esquerda anda a fazer propaganda ao desbarato, resume-se afinal a uns modestíssimos 13 euros. Se porventura fosse um Executivo de Direita a embandeirar em arco com esta esmola aos pobres, caíam o Carmo e a Trindade com os clamores de indignação. Mas como é uma “conquista da esquerda”…

A manipulação dos números, das percentagens e das estatísticas está a atingir as raias da loucura em Portugal, sem que a comunicação social tenha coragem para desmascarar a verdadeira lavagem ao cérebro a que os portugueses são sujeitos. O caso do aumento do salário médio é paradigmático.

Sabendo que a generalidade das pessoas não presta às notícias mais do que uns segundos de relativa atenção, fixando-se nos ‘flashes’ estridentes e não dando grande atenção aos verdadeiros conteúdos, os técnicos de comunicação ao serviço da ‘geringonça’ massacram os portugueses com a frase audível: “O salário médio está a subir”. É assim que os governantes se expressam, é assim que os deputados papagueiam, é assim que os comunicados oficiais começam. E a comunicação social, demitindo-se do seu papel crítico, limita-se a repetir para todos ouvirem, a muitos decibéis de altura: “O salário médio está a subir”.

A frase seguinte já nem toda a gente ouve: por ela se fica a saber que o aumento se resume a uns meros 1,6% em relação ao salário médio do primeiro trimestre do ano passado. Mas para se ter a noção do que isto representa em números reais seria necessário fazer contas (como um dia explicou António Guterres). E fazer contas não é o forte dos portugueses.

Só uma pequena percentagem dos telespectadores, ouvintes ou leitores de jornais passa à última parte da notícia, aquela que verdadeiramente interessa: espremida a propaganda, o que resta é um aumento real de 13 euros no salário médio. Melhor do que nada? Sem dúvida. Simplesmente, antes que lancemos foguetes, convém conferirmos a que correspondem, na prática, esses 13 euros.

Na vida real, o aumento com que o Governo vem enchendo a boca serve para comprar um simples balde de plástico com esfregona acoplada (sem pedal, centrifugação ou qualquer acessório). Ou, em alternativa, três garrafas de azeite (7,5dl cada). Ou 30 fraldas de incontinência. Ou um quilo de dourada fresca. Ou uma frigideira média. Ou quatro lâminas para fazer a barba. Se quiser celebrar, os 13 euros de aumento dão-lhe para comprar uma caixa de 20 cervejas ou uma garrafa de uísque corrente. Se no dia seguinte sentir dores de cabeça, não diga que não avisámos.

Os números verdadeiros em que se baseia a propaganda oficial são extremamente fracos. Segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, o vencimento médio (depois de descontados os impostos) dos trabalhadores por conta de outrem cifra-se actualmente em 846 euros, quando há um ano estava em 833 euros. É esta minúscula diferença que permite aos socialistas afirmar que os salários aumentam de forma consistente desde que chegaram ao Governo. Como se pudessem dourar a fronte com os louros de uma vitória de Pirro que a outros pertence.

Na verdade, o pequeno aumento do salário médio ficou a dever-se, em larguíssima medida, à política contemporizadora das empresas, cujos cofres financiam na prática os 13 euros de subida em relação ao ano anterior.

Desde logo, o número de trabalhadores abrangidos por novas convenções colectivas aumentou exponencialmente, graças a cedências patronais na Concertação Social. Depois, segundo o mais recente relatório do Centro de Relações Laborais, “as novas convenções resultaram num aumento médio nominal dos salários de 1,5% nos vários sectores de actividade, o que não acontecia desde 2008”. Assim, a variação real de base dos salários (considerando a inflação) foi de 0,6% na origem, à qual se somam factores inerentes, como pagamento de trabalho extraordinário e estímulos empresariais. Assim foi possível que o rendimento da economia significasse, para o valor do salário médio, um aumento de 1,6%. Papel do Governo neste aumento: zero.

Segundo o relatório do Centro de Relações Laborais, “os aumentos salariais beneficiaram a grande maioria dos trabalhadores abrangidos pelas novas convenções ou por revisões de contratos colectivos que já existiam, chegando a 608.457 trabalhadores. Por sectores, verifica-se que as actualizações salariais chegaram a mais de 200 mil trabalhadores das indústrias transformadoras e a mais de 100 mil da construção, sectores onde se verificou um aumento real de 1,6% e onde a remuneração média é de 672 e de 583 euros, respectivamente”.

No que se refere ao trabalho suplementar (horas extra), “muitas vezes as soluções encontradas são diferentes do regime legal, em especial no que toca ao valor dos acréscimos devidos” – explica o relatório. Assim, há empresas que praticam acréscimos entre 50% e 75% para cada hora de trabalho extra em dias úteis e de 100% para o trabalho suplementar em feriados e dias de descanso. “E também se encontram valores mais elevados, por vezes prevendo acréscimos maiores quando as horas suplementares passam certos limites”, acrescenta o relatório.

De todo o modo, no salário médio mantêm-se diferenças sensíveis entre as várias regiões do País: Lisboa regista os ordenados mais altos (média de 977 euros) e a Madeira os mais baixos (782 euros).

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Ele faz a festa, lança os foguetes e apanha as canas. O respeitável público gosta, as televisões adoram, o poder agradece a ajudinha e todos parecem felizes. Todos? Não. Entre a imensa maioria que elegeu Marcelo Rebelo de Sousa, a imagem do Presidente degrada-se, gasta- se ao ponto de perder tecido e está cada vez mais colada a uma esquerda que só o tolera porque pode usá-lo. Os elogios do Chefe do Estado ao Partido Comunista, na última semana, ultrapassaram os limites daquilo que o povo de Direita está disposto a engolir sem protesto.

O mandato de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República foi poupado ao triste espectáculo do nascimento da ‘geringonça’. Marcelo já tinha anunciado a candidatura (a 9 de Outubro de 2015), mas ainda nem sequer iniciara a campanha que o levaria a Belém quando, em 26 de Novembro, António Costa era empossado pelo menos amistoso dos parceiros institucionais: Aníbal Cavaco Silva.

O então comentador televisivo pôde, por isso, lavar calmamente as mãos dos contorcionismos e ludíbrios a que António Costa teve de recorrer para sobreviver na liderança socialista e passar de derrotado nas eleições a primeiro-ministro – aquilo a que, em jargão político, se chama passar de besta a bestial.

Assim, quando Marcelo ganhou a eleição presidencial, em 24 de Janeiro de 2016, e quando foi solenemente empossado, em 9 de Março, já Costa governava graças à aquiescência de Cavaco Silva.

Mas logo se percebeu, por actos ou omissões, que o novo Presidente da República não se importava nada. Mais embaraçoso lhe seria, porventura, um Governo de Direita, ao qual ficaria grudado na imagem pública até ao fim dos seus dias. A Direita já Marcelo a tinha consigo, desde o dia em que se insinuara como “o mal menor” numa eleição sem candidato conservador. O que ele desejava era uma ‘entente cordiale’ à esquerda – e essa era-lhe oferecida de bandeja por António Costa e a ‘geringonça’.

Desde o seu primeiro instante de mandato, o novo Presidente foi um cordato patrocinador da solução de Governo engendrada por António Costa e apoiada no Parlamento pela esquerda mais radical, a mesma que até 2015 dizia do PS cobras e lagartos e chamava a Marcelo Rebelo de Sousa nomes cuja publicação faria corar a Senhora Directora deste jornal. Mas Marcelo não se importou: Costa servia-lhe às mil maravilhas, mesmo que para isso tivesse de indispor contra si muitos dos dois milhões e meio de portugueses que lhe entregaram o voto em Janeiro de 2016.

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A convulsão por que passam o Brasil e a Venezuela – onde temos enormes colónias de emigrantes – estão a deixar muito preocupados os portugueses. Só do lado do Executivo da ‘geringonça’ é que o silêncio parece ser a regra, mesmo quando se começam a perder vidas e propriedades.

No caso do Brasil, o último a “estoirar” na passada semana, a confusão é total. O ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso sugeriu que a renúncia pode ser o melhor caminho para o actual Presidente Michel Temer, se este não conseguir explicar de forma convincente as acusações que vieram à tona, e que FHC avaliou como “gravíssimas”.

Recorde-se que o Presidente Michel Temer é alvo de graves acusações após a divulgação, pelo jornal ‘O Globo’, na noite da passada quarta-feira, de que teria dado aval a uma suposta operação de compra de silêncio do deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Segundo o jornal, os irmãos Joelho e Welles Batista, do grupo JBS, investigados em desdobramentos da Operação Lava Jato, negociaram uma “delação premiada” (isto é, um “perdão de culpa” como recompensa por denunciarem os seus cúmplices) e entregaram aos investigadores uma gravação em que Joelho conta a Temer que pagava a Eduardo Cunha e a Lúcio Funcionar uma mesada na prisão para ficarem calados. O Presidente Temer então teria respondido: “Tem que manter isso, viu?”.

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Com as eleições autárquicas já em contagem decrescente para 1 de Outubro, o Orçamento do Estado de 2018 tornou-se tema forte. Os comunistas esperam acertar contas na campanha; mas os bloquistas preferem discutir as contas públicas antes da corrida aos votos. O líder socialista ficou entre a espada e a parede.

A posição dos dois partidos esquerdistas que apoiam o Governo é substancialmente diferente. Mas, em conjunto, funcionam como uma tenaz que condiciona os movimentos de António Costa.

O Bloco de Esquerda não tem ambições autárquicas – ninguém prevê que ganhe uma câmara que seja – pelo que quer assestar baterias ao Orçamento.

Já o PCP, com bastantes câmaras no País, sobretudo na zona Sul, prefere poder atirar todo o capital de queixa contra o Executivo o PS nas brigas de campanha autárquica.

Para os comunistas, o Orçamento de 2018, que tem de chegar ao Parlamento a 15 de Outubro, pode ser discutido no seio da ‘geringonça’ na primeira quinzena desse mês, recusando acelerar calendários. Nesta linha, o secretário-geral comunista lamentou recentemente a continuidade do “directório de potências” protagonizado por Alemanha e França na União Europeia e prometeu tudo fazer na discussão sobre o próximo Orçamento do Estado para contrariar imposições externas.

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Os dados são esmagadoramente maus. Quase dois terços das empresas inquiridas pela consultora Deloitte – no Observatório da Competitividade Fiscal de 2017 – consideram que a política do Governo não favorece a competitividade da economia, apesar de avaliarem como positivas as medidas tomadas em sede de IRS.

De acordo com o mais recente inquérito da Deloitte, realizado no âmbito do Observatório da Competitividade Fiscal, 65% das 138 empresas inquiridas pela consultora, que na sua grande maioria são grandes empresas, “não consideram que a política do Governo seja um motor de desenvolvimento e favoreça a competitividade das empresas nacionais” – uma diminuição de 23 pontos percentuais em relação a 2015 no número de inquiridos que concordam com esta afirmação, parcial ou totalmente.

Questionadas sobre as medidas mais importantes para captar/manter investimento em Portugal, 48% das empresas inquiridas apontaram o funcionamento eficaz dos tribunais, seguido das que destacam a legislação laboral e a simplificação burocrática em geral (ambas com 42%).

“Como maiores obstáculos ao investimento em Portugal, foram considerados, pelas empresas, os seguintes: a instabilidade do sistema fiscal (61%), com um aumento significativo de 19 pontos percentuais em comparação com 2015, os custos de contexto/burocracia em geral (55%) e o ‘funcionamento da justiça’ (51%)”, lê-se no documento do Observatório.

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Um cançonetista português que ganha o festival da Eurovisão, uma cidade do Leste com calçada à portuguesa, Paris inundada de restaurantes portugueses, Londres rendida à Língua portuguesa, a Europa invadida por vinhos do Alentejo, chouriços, atum dos Açores, bacalhau à Zé do Pipo, sapatos de couro, terrinas das Caldas em forma de couve, andorinhas de loiça nas paredes…

Não é só na música ligeira, nos pastéis de nata, nas latas de sardinha. Mas também é. Na maior parte das vezes, não é por razões fortes, ponderosas, meditadas – mas pela via rápida dos sentidos. Começa, em alguns casos, por Fernando Pessoa e acaba na azulejaria. Noutros, chega pela via do folclore e requinta-se no calçado.

O que é certo é que, por uma razão ou outra, muitos europeus dos nossos dias chegam à cultura popular portuguesa e já não querem sair. Ficam fãs e amigos. Visitam Lisboa e Fornos de Algodres. Aprendem a Língua. Votam em Salvador Sobral no festival da Eurovisão e fazem dele um herói instantâneo. Quase doméstico.

Chamem-lhe uma moda – passageira, por natureza. Chamem-lhe uma graça – volúvel, por definição. Nesta civilização “light” em que vivemos (e não há outra à vista, embora a sintamos latejar no subterrâneo da alma nacional), os mitos de baixa densidade nascem como tortulhos e desaparecem sem um vagido.

No caso de Portugal, contudo, há uma persistência. Dir-se-ia que este nosso cantinho à beira-mar plantado, hoje reduzido à dimensão ‘mignone’ de uma curiosidade, caiu no goto dos europeus.

Já lá vai o tempo em que uns senhores sisudos da Universidade de Uppsala, de crânios debruçados sobre séculos de literatura e ordenações jurídicas, cientes de uma história de dimensões universais, resumiam Portugal a uma erudição de consoantes impronunciáveis.

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“A minha perspectiva é que no ano de 2010, finalmente, comecemos a recuperar emprego” – afirmava o primeiro-ministro socialista, já com o descalabro total da economia nacional a acontecer. Em 2017, apesar da propaganda socialista, dos cartazes optimistas nas ruas e das palavras de ordem no Parlamento, o País ainda não recuperou dos seis anos da (des)governação de José Sócrates, na qual teve papel destacado o actual primeiro-ministro. Isso não impede que, todas as semanas, António Costa e o PS anunciem ao País “boas notícias”, tal como Sócrates fazia, promovendo a ilusão de que Portugal já se livrou da grave emergência nacional lançada pela bancarrota de 2011. Mais ilusionista ainda, o chefe do Governo apoiado pela ‘geringonça’ inventou uma “narrativa” segundo a qual a culpa do descalabro reside na coligação de direita que teve de gerir o pesado legado do principal arguido da Operação Marquês.

Entre os anos de 2005 e 2011, o nosso País foi (des)governado por José Sócrates. O consulado socialista terminou com a bancarrota nacional e uma gravíssima crise económica que deixou a Nação de rastos. No entanto, até ao derradeiro dia, foi-nos vendida a ilusão de que Portugal se encontrava em excelente estado.

Aliás, em 2009, o então primeiro-ministro afirmava, em plena época eleitoral, que se orgulhava de poder deixar o País “melhor” do que quando assumiu o cargo.

Menos de dois anos depois, a Nação entraria em colapso económico, com os primeiros sinais desse desfecho já claros no horizonte. O DIABO denunciou-o com grande antecedência, contrariando as “narrativas” optimistas e encomiásticas da generalidade da imprensa do sistema: “Portugal à beira da bancarrota, Sócrates não está preocupado” – titulava o nosso jornal.

O alerta foi menosprezado, e os jornais “politicamente correctos” continuaram a divulgar docilmente as “boas notícias” de Sócrates, nas quais já nem o Presidente da República, Cavaco Silva, acreditava, como agora revela no seu último livro autobiográfico.

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Ao fim de 42 anos de poder absoluto, a Frelimo é forçada a aceitar o pluralismo político. Do velho partido maoísta e anti-português já pouco resta – a não ser os tiques ditatoriais de quem tudo quer e tudo manda.

Tem sido um lento e penoso caminho desde que os dirigentes maoístas da Frelimo, com Samora Machel à cabeça, se impuseram na mesa das negociações a um MFA dominado pelo PCP, em 1975.

Chegaram ao poder quase sem terem de mexer um dedo e instalaram-se a seu bel-prazer, apoderando-se da riqueza imensa de um Moçambique em pleno desenvolvimento – uma terra de esperança de que os moçambicanos brancos foram expulsos em condições dramáticas e revoltantes. Pela força das armas afastaram do poder todos os rivais, sacrificando o país numa guerra civil cruel e sem sentido e reduzindo-o a uma miséria pungente.

Aburguesaram-se, entretanto, e depressa esqueceram o socialismo e a revolução do campesinato com que no passado enchiam a boca: bem à mostra ficou o seu mais grosseiro desígnio de enriquecerem na podridão, de comprarem fato de seda em Lisboa e em Paris e de exibirem carros, casas e amores fáceis como troféus de caça.

Obrigados pela comunidade internacional a aceitar o pluralismo político, fingiram professá-lo enquanto se agarravam ainda mais aos ‘tachos’ e aos negócios de Estado. Dos terroristas anti-europeus de antigamente pouco ou nada lhes resta – e os poucos sobreviventes dos tempos da guerrilha contra Portugal são hoje relíquias secas apenas lembradas em aniversários oficiais. Agora, que soou a hora da verdade e têm de partilhar o poder com uma oposição obstinada, é com relutância que têm de admitir a trégua que há-de levar, se tudo correr bem, à paz duradoura prometida para o final deste ano.

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José Sócrates apresenta-se como um injustiçado. Um verdadeiro “Calimero” que se queixa da Justiça em sucessivas aparições públicas e publicadas. Em mais um artigo de opinião agora publicado no ‘Diário de Notícias’, o ex-líder socialista disse mesmo que o Ministério Público se transformou num “departamento estatal de caça ao homem”.

Como “Calimero”, o famoso boneco animado ítalo-japonês que se sente vítima da injustiça universal, José Sócrates critica o desrespeito “conveniente” por todos os prazos para avançar com esta “formidável campanha de difamação”.

A “choradeira socrática” leva-o a criticar o Ministério Público pelo que diz ter sido o “sexto adiamento” da acusação da Operação Marquês. Na opinião de Sócrates, fala-se em “especial complexidade” porque, tal como “é de especial complexidade provar que a Terra é plana”, “é impossível provar o que nunca aconteceu”.

A Justiça portuguesa é célere? A resposta é não, sendo essa uma das causas mais frequentes para as condenações do País no Tribunal de Direitos do Homem, uma espécie de última instância quando tudo falha. Podemos dizer que o ex-PM é bem-vindo a este rol de permanentes atrasos. Só que José Sócrates foi primeiro-ministro durante seis anos. E nada fez para que o seu ministro da Justiça alterasse a questão dos prazos (eventualmente) excessivos. Sócrates queixa-se de quê? De ter sido também um péssimo PM neste domínio da Justiça, certamente.

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Um mar de crentes receberá o Papa Francisco nos próximos dias 12 e 13 de Maio, naquela que poderá ser a maior peregrinação de sempre na Cova da Iria. O centenário das aparições de Nossa Senhora será coroado, no Sábado, com a canonização de dois dos videntes: Jacinta e Francisco. Portugal mobiliza-se para receber o Sumo Pontífice e com ele rezar pelo futuro da Humanidade.

Há largos meses que não há um quarto disponível nos hotéis da região de Leiria – e sabia-se já que a peregrinação do centenário das aparições atrairia a Fátima uma grande multidão de romeiros. Mas o anúncio de que a Festa de Maio teria como ponto alto a canonização de Jacinta e Francisco, proclamada pelo Papa Francisco em pessoa, aumentou ainda mais as expectativas. Desde meados da semana finda que estão coalhadas de peregrinos, com seus típicos bastões e mochilas, as estradas que vão dar à Cova da Iria (só no Domingo foram contados 30.000 nas principais vias de acesso).

No Santuário, milhares de auxiliares preparam ao milímetro as celebrações, os apoios logísticos, a segurança, as refeições, os sanitários, a assistência médica, o estacionamento, o apoio aos de cientes.

Os Bispos de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro, e de Lamego, D. António Couto, concederam a bênção aos primeiros peregrinos “oficiais” de Maio, que saíram daquelas Dioceses no passado dia 1, com destino à Cova da Iria. Os romeiros têm ao seu dispor, ao longo das estradas num raio de 50 quilómetros em torno do Santuário, de 70 postos de acolhimento espalhados pelos trajectos mais usados. De piquete às estradas estão 1.500 voluntários, entre médicos, enfermeiros e auxiliares. Também muitos sacerdotes diocesanos estão empenhados em grupos de auxílio que prestam assistência espiritual aos peregrinos durante a viagem.

Se contabilizássemos apenas o número de excursões de peregrinos organizadas por agências de viagens que tiveram o cuidado de se registar junto dos serviços do Santuário, a Cova da Iria teria garantida a presença, nos próximos dias 12 e 13, de cerca de 100 mil fiéis. Mas o número de peregrinações registadas oficialmente não passa de uma gota de água no enorme oceano que são as peregrinações espontâneas.

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