Economia

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“O chinês comum continua a ser quatro vezes mais pobre do que um norte-americano”

 

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A esquerda radical celebrou: a China tinha “superado” os Estados Unidos da América como principal potência económica mundial. Aquilo que a União Soviética, o “paraíso dos trabalhadores”, nunca conseguira, a República Popular da China acabava de alcançar. O império capitalista estava finalmente derrotado! Excepto num pequeno pormenor: era tudo mentira…

A festa começou quando o Fundo Monetário Internacional anunciou que a China iria ficar este ano em primeiro lugar no ‘ranking’ das maiores economias mundiais, quando considerado em paridade de poder de compra. Ora, este é um sistema de cálculo do PIB inventado para compensar as flutuações de moeda e poder de compra que se verificam de país para país.

Exemplificando: imagine-se que 10 portugueses ganham 100 escudos, e que 10 suecos ganham 100 coroas, ambas as moedas com convertibilidade similar. Para todos os efeitos ambos ganham o mesmo, o PIB é igual. Mas imaginemos que o custo de um pão em Portugal é de 100 escudos, e que o preço do mesmo produto na Suécia é 50. Então, na verdade, apesar de nominalmente ambos ganharem o mesmo, o sueco é duas vezes mais rico do que o português.

É isto que está a acontecer na China: em termos daquilo que os seus cidadãos podem comprar, hoje os Chineses compram mais bens e serviços do que os Americanos, mesmo que o valor desses bens e serviços não seja igual.

A razão pela qual o Partido Comunista Chinês não fez um alarido maior com este “sucesso” é óbvia: o seu verdadeiro (e gigantesco) atraso em relação aos Estados Unidos. Um país com mais de 4 vezes a população do outro, gasta o mesmo, o que significa que, apesar de tudo, o chinês comum continua a ser quatro vezes mais pobre do que um norte-americano.

Em termos de riqueza real, sem manipulações estatísticas, a República Popular da China continua muito atrás dos EUA e da União Europeia. Um chinês com um ordenado médio que visitasse qualquer país ocidental, até alguns dos países mais pobres da Europa, descobriria que não consegue verdadeiramente comprar nada.

Por esta razão é que os comunistas chineses não fizeram um grande alarido: sabem fazer contas. E estão preocupados…

Pequim versus povo

Já foi alvo de muita investigação, e continuará a ser, mas compreender a mentalidade chinesa, e em especial a do governo comunista chinês, não é fácil. Em geral, no entanto, muitos académicos consideram que a visão de uma China “triunfalista” e com desejo de esmagar o Ocidente não corresponde à realidade. Na verdade, o governo chinês vive no terror do “caos”, e está sempre com medo do colapso do próprio país.

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A vida ainda é muito dura para a maioria dos chineses…

Quando se olha para a História compreende-se esta visão. Depois de séculos de estabilidade (embora com bastante estagnação à mistura), o império Qing desmembrou-se, sendo substituído por um mapa de retalhos de senhores da guerra, movimentos separatistas e comunistas. Tentativas de criar uma “República da China” unificada falharam até 1947, quando a República Popular foi formalmente inaugurada por Mao.

Apesar de unificada, a China continua a ser uma manta de retalhos, com vários grupos linguísticos e étnicos coexistindo num mesmo espaço político. E o desmembramento da URSS em várias Nações-Estado serve como um aviso constante ao governo de Pequim. O regime vive aterrorizado pela perspectiva de desmoronamento do sistema e pela possibilidade, sempre presente, de golpes e revoltas. Por isso, ao contrário do que sucedia na extinta União Soviética, muitas das acções do governo chinês são mais destinadas a consumo interno do que a servir de “mensagens” para o Ocidente.

Internamente, o governo vive obcecado em mostrar aos mil e trezentos milhões de chineses a sua indispensabilidade, a convencê-los de que a China está finalmente “a apanhar” o Ocidente. O progresso económico cai nesta necessidade de mostrar progresso. O desemprego deve ser baixo, mesmo que as condições de trabalho sejam más e os ordenados miseráveis. A economia deve estar em crescimento contínuo, a qualquer custo.

Recessão seria fatal para o regime

Infelizmente para as ambições comunistas, o crescimento eterno e estável não é possível, pelo menos dentro das actuais limitações tecnológicas e humanas.

Ciclos económicos são normais em qualquer sistema económico. Nas economias capitalistas, vamos oscilando entre ciclos de grande entusiasmo económico (como, por exemplo, Portugal durante os anos 90) e períodos de recessão, quando os excessos cometidos durante a fase de entusiasmo são corrigidos pelo mercado.

A velha União Soviética tentou acabar com os ciclos económicos, instituindo um programa de “planos económicos” centralmente planeados, que iria, supostamente, criar o tal crescimento eterno. Os “planos quinquenais” deram origem a uma burocracia bizantina que conduziu a URSS à estagnação – e por fim, sem capacidade de corrigir os seus erros, ao colapso económico total.

Os países ocidentais tentaram uma abordagem mais prática ao problema dos ciclos. Para todos os efeitos, deixaram as recessões destruir as partes ineficientes da economia (“destruição criativa”) ao mesmo tempo que cimentaram o caminho para a retoma com investimento público, e acudiram ao sofrimento humano com subsídios de desemprego e apoios sociais.

A lógica keynesiana de “austeridade na expansão, incentivo na recessão” não foi bem seguida por todos os países, nomeadamente Portugal, que gastou desmesuradamente nos bons e maus tempos. Mas onde foi seguida funcionou razoavelmente. Muitas crises desde 1929 foram geridas de forma a mitigar o possível desastre total.

Mas suportar uma crise é impossível para o regime chinês: uma recessão, por mais pequena que seja, corresponde a admitir que o regime já não serve. O governo decidiu, então, fazer batota.

“Expansão” a qualquer custo

Apesar da “liberalização”, a economia chinesa continua sob controlo do governo. Muitos dos maiores grupos de energia eléctrica, fornecimento de água, indústria pesada e banca pertencem ao Estado, logo são obrigados a obedecer-lhe cegamente.

E Pequim usou esta arma com fartura. Bancos foram obrigados a emprestar dinheiro a empresas com projectos muito duvidosos, e entre os casos de projectos mais duvidosos encontram-se as empreitadas de construção megalómanas que apareceram no “reino do meio” como cogumelos.

foto 1Cidades inteiras foram construídas a um ritmo intenso, tudo com apoio indirecto do Estado para se manter uma baixa taxa de desemprego. Fábricas foram expandidas, maquinaria pesada adquirida, barragens e centrais eléctricas erigidas, auto-estradas pavimentadas, tudo em tempo recorde. A sede de expansão a qualquer custo foi tal que os chineses se tornaram os maiores consumidores de aço e betão do planeta (chegaram a consumir metade de toda a produção mundial).

O único problema é que todo este progresso está a demorar a chegar ao povo da República Popular. A corrupção é endémica e a desigualdade cresceu desmesuradamente. Embora esteja a ser produzida muito mais riqueza, ela está a ser mal distribuída – muito pior do que nos piores “infernos capitalistas”.

Na verdade, 1.300 milhões de chineses consomem tanto como 300 milhões de norte-americanos. Os baixíssimos ordenados, política do regime para atrair investimento, criaram uma situação em que muitos chineses não podem comprar aquilo que o seu país produz.

Os outros, aqueles que conseguiram subir na escada económica chinesa, usam o seu dinheiro no pouco em que podem investir: casas.

O regime chinês, tal como a generalidade dos regimes comunistas, ignorou por completo a cultura do país que dirige, onde a frugalidade e a poupança ainda são valores importantes. O dinheiro da nova classe média não foi canalizado para bens de consumo, mas sim para investimento: títulos do tesouro e dívida pública (muita dela de outros países).

Casas e crédito malparado

Em vez de adaptar os seus planos à realidade, Pequim subjugou os cidadãos à teoria, limitando o escopo das oportunidades de poupança. E os cidadãos responderam, transitando dos produtos financeiros para o imobiliário. Algumas famílias de classe média chegam a ser donas de 11 casas, que ficam depois vazias, enquanto famílias paupérrimas de trabalhadores apenas conseguem abrigo em bairros de barracas.

No Ocidente, este desequilíbrio seria naturalmente corrigido pelo mercado: o preço das casas desceria até haver comprador. Na China, isto não é possível. Caso o preço das casas caia, milhões de cidadãos vão perder as suas poupanças e milhões de empreiteiros apoiados pelo regime vão vender propriedades por um valor menor do que o do empréstimo que fizeram para construir. A possibilidade de crédito malparado é enorme.

Em reacção, Pequim limitou o número de casas que cada família pode comprar, o que não soluciona o problema. É o género de remendos que o regime comunista chinês tanto gosta de fazer, fugindo a verdadeiras reformas estruturais. Um dos maiores problemas com que a China se debate é o sistema de justiça, enormemente ineficiente, corrupto e politizado. Mas pouco está a ser feito para o reestruturar.

No outro lado do Mundo, houve um pequeno país chamado Portugal cujo regime cometeu erros semelhantes. E ainda está a sofrer por causa deles.

Desinvestimento estrangeiro

Por toda a China há empreendimentos embargados, muitos deles torres megalómanas e fábricas que nunca serão inauguradas: não há capital para as terminar.

Tal como sucedeu na União Soviética, a gestão centralizada de um enorme território económico revela-se totalmente ineficaz. Apesar dos esforços do regime, as taxas de crescimento de dois dígitos não parecem regressar; de facto, este ano o crescimento da economia deverá manter-se nos 5%: respeitável, mas nada de extraordinário quando comparado com os 3,4% dos EUA.

O ‘Wall Street Journal’, publicação norte-americana conhecida pela sua voracidade editorial por economias em dificuldades (Portugal chegou a ter direito a artigos diários durante vários meses), avisa que o investimento estrangeiro com que Pequim contava está a desaparecer. Existe mão-de-obra mais barata noutros países, e o mercado chinês, por escolha do regime, não é tão atractivo como seria desejável.

Nos anos 80, também se acreditava que a União Soviética era uma enorme potência. Os comunistas veneravam-na como gigante imbatível. Os alarmistas anunciavam que iria em breve “superar” o Ocidente. Os poucos que avisavam sobre a verdadeira miséria e fantochada que se passava no “paraíso dos trabalhadores” eram considerados loucos ou demagogos.

Só quando o império soviético entrou em colapso se descobriu que não passava de um tigre de papel, mantido em pé apenas pela existência de um regime totalitário. Será a China o tigre de papel do século XXI?

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A primeira causa directa do recente excedente de produção petrolífera é o avanço tecnológico

Inicialmente publicado a 21 de Outubro de 2014

O mundo parecia assistir ao fim da era do petróleo. Mas, afinal, as notícias da morte deste combustível fóssil foram exageradas: o “ouro negro” está de novo a ficar barato e ameaça alterar drasticamente o quadro geoestratégico mundial.

Ainda este Verão o preço por barril de petróleo rondava os 115 dólares, mas desde então tem vindo a cair a pique. A causa simples é a simples lei do mercado: se há mais oferta do que procura, o preço naturalmente baixa. Tal como numa tempestade perfeita, desta vez reuniram-se todas as condições possíveis para uma queda abrupta.

A primeira causa directa do recente excedente de produção petrolífera é o avanço tecnológico. Usando uma nova técnica que denominaram “fracking”, que consiste em libertar petróleo embebido em areias através do uso de líquidos disparados a alta pressão, os Estados Unidos da América e o Canadá aumentaram, e muito, a sua própria produção de petróleo.

Este aumento é tão significativo que os EUA estão a passar de maior importador mundial de “ouro negro” a grande exportador, ao mesmo tempo que garantem a sua independência energética.

Na Europa, a Dinamarca parece viver em cima de uma verdadeira mina graças ao “fracking”: os seus territórios no Árctico estão, pelos vistos, cheios de petróleo.

Opulência obscena

Manifestamente, os ambientalistas radicais e os académicos de esquerda (que se opõem ao “fracking”) estiveram também errados quanto à quantidade de petróleo que pode ser extraído por meio de perfuração ainda existente. De facto, existem enormes reservas entre o Egipto e a Grécia, a cada mês que passa descobre-se mais petróleo na orla costeira do Brasil, e os peritos suspeitam que existam grandes reservas no mar do Sul da China.

Puro e simples, o petróleo afinal não vai acabar assim tão cedo, o que reduz a pressão especulativa sobre os recursos ao mesmo tempo que a descoberta de novas reservas e de novos métodos de extracção significa que a produção aumentou.

Enquanto a produção nos países desenvolvidos aumenta, a coligação petrolífera árabe que causou as crises energéticas de 1973 e 1977 está dividida. Em tempos, este cartel controlava os preços do recurso e, quando o preço baixava muito, eles também baixavam simultaneamente a produção. Desta forma, muitos governantes árabes e seus amigos puderam viver uma vida de opulência obscena (compras “interessantes” incluem carros pintados a ouro e palácios do tamanho de uma pequena cidade).

SOS, Arábia Saudita

O problema é que muitos destes países nunca desenvolveram fontes de rendimentos alternativos aos petrodólares e muitos deles agora não se podem dar ao luxo de reduzir a produção. Muito pelo contrário: à medida que os preços baixam, a extracção de petróleo aumenta. Entre eles encontra-se a Líbia, cuja infra-estrutura está tão destruída que não pode dispensar cada cêntimo que consegue encontrar. E também temos o Irão, que precisa de ganhar moeda forte para pagar importações visto que, devido às sanções ocidentais, não consegue ter qualquer forma de crédito.

Estes países precisam de preços elevados, mas não podem baixar a produção. Logo, imploraram ao maior produtor do planeta, a Arábia Saudita, que o fizesse de forma a aumentar os preços. Os sauditas disseram não, e pelos vistos estão contentes em deixar o preço continuar a cair.

Apesar de estar a gastar milhares de milhões em despesa social numa tentativa desesperada para apaziguar os islamitas de forma a evitar uma revolta ao estilo do Estado Islâmico dentro das suas fronteiras, a Arábia Saudita possui reservas financeiras suficientemente vastas para suportar deficits orçamentais. E na sua lista de prioridades está o enfraquecimento de um rival regional, o Irão, bem como o enfraquecimento de concorrentes no mercado do petróleo, como a Rússia e a Venezuela.

Eleições à porta

Outro objectivo estratégico é tornar a extracção por meio de “fracking” menos atraente. Visto que o processo é mais caro do que a mera extracção por via de perfuração, a queda dos preços do petróleo afecta directamente as empresas envolvidas, reduzindo-lhes a margem de lucro. Os sauditas esperam conseguir mesmo atirá-los para fora do mercado.

Portugal: fiscalidade penaliza economia

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Portugal é um dos países do Mundo onde os combustíveis são mais caros – e não falta quem pense que o abaixamento do preço da gasolina e do gasóleo é um imperativo nacional, visto que reduz o preço dos transportes, quer de mercadorias que de passageiros, alivia a factura da maquinaria agrícola e baixa o custo da electricidade, favorecendo por isso a produção industrial e as contas domésticas.

Mas não: proteger os ursos polares é mais importante que o bem-estar dos portugueses, e os ambientalistas voltaram a ganhar mais uma batalha. Apesar de o preço do petróleo estar a cair a pique, e com ele o preço da gasolina e do gasóleo, o Governo não quer mesmo deixar os portugueses respirar de alívio nem por um segundo.

A nova “fiscalidade verde” introduzida no Orçamento do Estado aumenta ainda mais a carga fiscal sobre o combustível. Nada escapa: nem o gasóleo agrícola de que os agricultores precisam para cultivar, nem a gasolina “dos pobres”, de apenas 95 octanas, nem sequer o gasóleo usado pelos camiões para abastecer as indústrias nacionais e exportar o bom produto português. Há que proteger os ursos polares.

O Governo sugere alternativas. Umas risíveis, como ir de bicicleta para o trabalho; outras inacessíveis à generalidade dos portugueses, como a compra de viaturas eléctricas a 30 mil euros a unidade. Os defensores desta última opção argumentavam que os carros movidos a electricidade tinham duas vantagens: serem pouco poluentes e permitirem contornar os elevados preços do petróleo.

Quando à questão ambiental, um recente estudo britânico revelou que, devido aos minérios altamente poluentes que são usados no fabrico das gigantescas baterias eléctricas, qualquer carro a gasolina ou gasóleo é mais amigo do ambiente. E quanto ao preço do combustível líquido, o argumento acaba de cair pela base…

A reacção dos norte-americanos tem sido ambígua: por um lado querem proteger o seu novo negócio de extracção petrolífera de forma a proteger uma recém-adquirida independência energética, mas por outro os preços baixos do petróleo são populares. De facto, o Financial Times estima que cada americano vai gastar menos 600 dólares por ano com os actuais preços do barril. E, ao contrário da monarquia absoluta saudita, os EUA têm eleições para o Congresso de dois em dois anos, estando uma eleição marcada para daqui a dois meses.

Aumentar deliberadamente o preço do petróleo pode ser uma medida extremamente impopular para qualquer um dos partidos, pelo que provavelmente estará fora da agenda legislativa por algum tempo.

Entretanto, numa situação consideravelmente irónica, o Estado Islâmico, para se financiar (os relógios de 5.000 euros que o seu líder usa não se pagam sozinhos), está a vender petróleo produzido nas zonas que conquistou, a preços de saldo, e está a ter sucesso em encontrar compradores, sendo mais uma pressão inesperada sobre o preço do “ouro negro”.

Procura mundial diminui

Mas a queda dos preços não pode apenas ser explicada pelo aumento da oferta: a procura também diminuiu bastante. A economia mundial está novamente em apuros, a Zona Euro está estagnada e o ritmo de crescimento da produção industrial chinesa abrandou. Menos crescimento de produção industrial significa menos consumo de petróleo, o que significa menos procura.

E, para adicionar sal à ferida, o Japão, um dos maiores consumidores de energia eléctrica do planeta, decidiu reactivar as suas centrais nucleares. Estas centrais foram desligadas depois do desastre de Fukushima e da pressão da esquerda japonesa. Para compensar, o governo nipónico religou as suas velhas centrais a petróleo, incorrendo num enorme custo financeiro, visto que o Japão necessita de importar cada gota que usa.

Assim que a direita voltou ao poder, as centrais nucleares foram reactivadas. Resultado: uma queda significativa na procura mundial de petróleo.

De volta à URSS

Enquanto esta luta geoestratégica se desenrola, os impérios do petróleo começam a tremer.

A Rússia corre o risco sofrer uma repetição do desastre económico que ocorreu com a sua antecessora, a União Soviética.

Nos anos 80, quando o preço do petróleo caiu a pique, a URSS ficou numa situação de grave crise financeira: a sua economia planeada e ineficiente estava completamente dependente da exportação deste recurso. O resultado foi a diminuição da despesa militar, o abandono do domínio soviético sobre o bloco de Leste e o fim da própria URSS.

Tal como nessa altura, a Rússia de Vladimir Putin depende da exportação deste recurso. Mas, alvo de pesadas sanções ocidentais, será que Putin continuará a poder manter a sua actual política externa e militar? Muitos especialistas duvidam, e de facto o Kremlin já abandonou um gigantesco e caro plano de modernização das forças armadas russas.

Outro caso preocupante é a Venezuela, completamente dependente dos petrodólares e já a braços com revoltas contra o regime. O Estado autoritário de Caracas poderá não resistir a mais um abalo às suas contas.

E finalmente Angola, cuja elite tem vivido no luxo dos petrodólares, arrisca-se a sofrer um terramoto social. A antiga província ultramarina de Portugal pode sofrer um ataque em duas frentes: uma quebra na produção total de petróleo (algo que já está a acontecer) combinada com uma queda abrupta dos preços e uma quebra brutal na receita das exportações.

Eis como o preço do barril de petróleo pode vir a determinar uma alteração do quadro geoestratégico mundial. 

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A Alemanha desliza para a recessão e a coligação da austeridade desfaz-se, deixando Angela Merkel cada vez mais isolada. Será que a detestada política económica europeia de “apertar o cinto” tem os dias contados?

A economia da Europa está estagnada desde 2008. Bom, nem toda a Europa: a Alemanha parece um oásis num deserto de miséria, continuando próspera mesmo rodeada de países submersos em problemas.

Mas nem sempre foi assim. Há menos de uma década, a economia germânica petrificara e sofria com elevadas taxas de desemprego que não conseguia fazer diminuir. Muitos alemães não sabiam como iriam suportar o Estado Social face a um decréscimo das receitas, enquanto a despesa subia à medida que a população ia envelhecendo.

A resposta foi austeridade. E, curiosamente, a ideia partiu de uma coligação de esquerda. Foi um chanceler do partido social-democrata alemão, Gerhard Schröder, em coligação com o partido dos “verdes”, que pôs em prática a “Agenda 2010”, um corte drástico em termos de salários, protecção laboral e subsídios de todos os tipos, inclusive de desemprego. Foi o maior corte na despesa pública e na segurança social desde a II Guerra Mundial.

E correu mal, pelos menos inicialmente: o desemprego disparou, a desigualdade também, e o prometido crescimento económico não apareceu. Em 2007, uma em cada seis crianças alemãs vivia na pobreza. O chanceler culpou a “preguiça” das empresas, argumento que não convenceu.

Face a este fracasso, o chefe do governo alemão pediu eleições antecipadas e foi derrotado por Angela Merkel. É possível que se tenha precipitado ao forçar a ida às urnas, pois apenas alguns meses depois a economia começava a recuperar, o desemprego a baixar e as exportações a subir face a uma economia mundial próspera.

Merkel ficou com a glória de boa gestão da economia (fama que lhe deu duas reeleições seguidas) e abraçou uma convicção obstinada: a austeridade e a via liberalizante da economia funcionam como forma de tirar uma nação da crise, mesmo que doa de início. O facto de a política de austeridade ter coincidido com uma fase de grande prosperidade nos mercados internacionais passou-lhe ao lado.

A professora de ferro

Quando a “grande recessão” estalou na Europa, Merkel era a única líder a dirigir um Estado com uma economia funcional, o que lhe deu margem de manobra para ser a “professora da Europa”. A lição que ia ensinar era a mesma que tinha aprendido antes: “a austeridade liberta”.

Cortes na despesa, cortes na protecção social, cortes, cortes, cortes, até as contas do Estado estarem em ordem. E se a economia estiver a cair a pique? A solução é mais cortes! Tal como no caso alemão, Merkel está convencida de que as economias europeias, após uma fase de dor, vão começar a recuperar.

O resultado? Desastre completo, até agora. Segundo o Eurostat e as várias agências estatísticas nacionais, a Europa está estagnada, os países do Sul europeu estão perante uma situação económica desesperante, e o tecido social da velha Europa parece que se desfaz perante os nossos olhos. Mesmo assim, Merkel acredita que a retoma, o paraíso depois do sofrimento, está mesmo ao virar da esquina.

E não se cansa de garantir que Portugal está no bom caminho.

Às urnas!

Detentores de uma poderosa arma, o voto, os povos europeus preparam-se para, em retaliação contra o que pressentem ser uma submissão dos seus líderes a Merkel, tirar os partidos pró-Alemanha e pro-UE do poder.

Em Portugal, Pedro Passos Coelho pode vir a ser seriamente penalizado pelo seu “seguidismo” em relação à chanceler, cujas políticas adoptou como “bom aluno”.

Na Grécia, o actual governo apenas consegue manter a confiança do parlamento por 5 votos, e o partido neo-comunista de extrema-esquerda, Syriza, prepara-se para brevemente ser governo: já tem uma vantagem de 10 pontos percentuais sobre a direita.

Em França, a Frente Nacional promete muito em breve varrer o cenário político. Marine Le Pen, tal Marianne a ordenar soldados franceses para a batalha contra o antigo inimigo do outro lado do Reno, é uma possível, ou já mesmo provável, candidata presidencial de peso.

Na Grã-Bretanha, o partido da independência britânico, o UKIP, conquistou na última semana o seu primeiro assento parlamentar, e só não conseguiu eleger um segundo deputado por uma diferença de 600 votos. Promete ganhar muitos mais nas eleições de Maio do próximo ano, contando já com mais de 14% das intenções de voto.

Chuva de desastres

Face à insatisfação popular e aos fracos resultados económicos, os líderes da Europa começam a mobilizar-se contra Merkel. O novo primeiro-ministro de Itália já anunciou publicamente que vai afastar-se das políticas de austeridade e admoestou Merkel a não ameaçar os parceiros europeus.

Em França, um Hollande descredibilizado procura desesperadamente fugir a uma associação à detestada líder alemã. O seu novo primeiro-ministro anunciou que a França vai ter um orçamento “sem austeridade” e que tentará consertar as finanças “ao seu próprio ritmo”.

Até Mário Draghi, chefe do Banco Central Europeu, já veio a público defender medidas de estimulo económico.

Mais: com a Europa a virar-lhe as costas, Merkel pode ter encontrado um novo adversário: os seus próprios concidadãos. Após anos de triunfalismo teutónico, a Alemanha desliza também para a recessão. As exportações diminuíram, a economia estagnou e está à beira da recessão, o desemprego voltou a subir e a Bolsa está em queda.

Esta chuva de desastres está a gerar descontentamento, não só entre as massas populares mas também nas elites informadas e influentes. Um dos êxitos editoriais do momento no país de Merkel é o livro “A Ilusão Alemã”, em que Marcel Fratzscher, director do Instituto Alemão para a Pesquisa Económica, tece duríssimas críticas à política económica e financeira da chanceler.

Merkel é acusada de não ter conseguido desenvolver uma economia moderna de serviços na Alemanha (que ainda depende muito do seu sector industrial) e de ter negligenciado a infra-estrutura nacional numa busca cega de redução de despesa.

Mas Merkel e o seu principal apoiante, o ministro das finanças Wolfgang Schäuble, continuam determinados em manter a austeridade a qualquer custo. A sua principal prioridade para este ano não é o crescimento, mas sim conseguir um orçamento federal excedentário.

Mas pode ser que, desta vez, as coisas não lhe corram tão bem como até aqui…

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O governo bem gostava de poder anunciar a almejada “descolagem” da economia portuguesa. Mas os índices estatísticos nunca mais lhe fazem a vontade…

Três anos passaram desde que José Sócrates pediu um resgate financeiro quando o Estado português se tornou incapaz de pagar as suas contas. Por causa desta humilhação, os portugueses elegeram o seu opositor, Pedro Passos Coelho, como primeiro-ministro nas eleições legislativas de 2011.

Desde então, o governo de coligação PSD/CDS adoptou uma feroz política de austeridade, numa tentativa de sanear as finanças públicas e os “desequilíbrios macroeconómicos”: os impostos subiram, os ordenados baixaram, o desemprego disparou e a economia continuou em recessão.

Sentindo o peso das legislativas que se aproximam, a coligação tem tentado desesperadamente que a economia volte a entrar nos eixos, e 2014 foi-nos apresentado, de forma quase sebastianista, como o ano da desejada retoma.

Mas os indicadores económicos referentes a meados deste ano, recentemente publicados pelo Eurostat, mostram que Portugal, para grande desagrado dos nossos dirigentes, continua sem ser um caso de sucesso.

Produção industrial sobe e desce

ship-334169_1920O actual governo apostou no aumento das exportações e na diminuição das importações como meio de solucionar a actual crise económica. Não é uma ideia descabida, já que exportar é uma forma de captar capital externo. Países como a Alemanha, cujos mercados de consumo interno são relativamente pequenos em comparação com a sua economia total, vivem da exportação de bens.

Mas há um problema nos planos do governo de Passos Coelho: para vendermos mais produto nacional, temos que produzi-lo, e não estamos a ter grande sucesso nesse domínio.

Tanto o Instituto Nacional de Estatística como o Eurostat revelam que o índice de produção industrial tem vindo sempre a oscilar entre a queda e a retoma. Se é verdade que no mês de Abril deste ano a produção industrial aumentou 5,4% em relação ao mês anterior, também é verdade que caiu 3,3% em Março, e 1,6% em Maio. A média geral do ano, claro, parece positiva: um aumento de 2% é razão para os “planeadores” e “estimadores” económicos celebrarem, mas é um número enganador se olharmos para o índice de produção industrial.

O que é este índice? Em resumo, é uma análise ao cenário económico em que os números actuais são comparados com os números económicos de um ano anterior. Os dados são depois revelados em relação ao número 100, sendo que números abaixo de 100 revelam uma queda, e acima dele um aumento.

No caso do INE e do Eurostat, a base de comparação é 2010, um ano antes da bancarrota lusitana. Analisando os dois documentos desde Julho do ano passado, podemos constatar que nunca o nosso índice esteve acima do valor 100. Resumindo: a nossa produção industrial, apesar de ter aumentado em relação ao ano anterior, continua abaixo do que já foi antes da crise. Estamos a correr atrás de territórios que já estão a produzir mais do que antes da crise na Europa: países como a Dinamarca, os países Bálticos, a Alemanha ou a Bélgica.

A boa notícia é que estamos melhor do que há um ano atrás. A má notícia é que a nossa actividade industrial ainda nem conseguiu regressar a níveis de 2010: para já, são 4 anos perdidos.

Exportações em crise

Existe mais um “furo” nos planos do Estado: a balança comercial, tão apregoada por ter tido um excedente durante um breve período de tempo no ano passado, voltou a ficar negativa.

Quando analisado o período respeitante ao primeiro semestre do ano, o Eurostat revela-nos que as exportações totais estagnaram: vendemos 23,8 mil milhões de euros ao estrangeiros no ano passado, e vendemos 23,9 mil milhões no corrente ano.

Em comparação, as importações cresceram 4%, o que coloca o nosso défice de comércio com o estrangeiro em 5 mil milhões de euros. O nosso deficit comercial daria para financiar todas as nossas escolas durante um ano.

E este nem é o aspecto mais grave de toda a equação.

Portugal, país histórico de mercadores que desbravaram os sete mares em busca de rotas comerciais lucrativas, é dos países que menos comercia dentro do espaço da União Europeia.

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Comércio dos países membro da UE (em milhares de milhões de euros)

A Irlanda, com metade da nossa população, e que passou também por uma crise de liquidez, exporta duas vezes mais do que Portugal, 44 mil milhões de euros, e consegue importar menos, o que significa que consegue adicionar mais capital externo à sua economia, que poderá ser canalizado para investimento. Investimento de que, neste momento, Portugal precisa, mas não tem.

Infelizmente, somos dos países que menos exporta no contexto da UE: de facto, é difícil recolher os benefícios de se pertencer a um dos maiores mercados de comércio livre do mundo se não conseguimos vender-lhes produtos.

Pensarão muitos portugueses que o comércio com as antigas províncias ultramarinas poderia ajudar-nos a ultrapassar este deficit. Porém, também aqui as notícias são sombrias: não só o volume de negócio se mantém comparativamente pequeno, mas também continuamos a importar mais do que exportamos para fora do espaço comercial da União Europeia.

Um problema sério, tendo em conta o que se aproxima.

Americanos dão à costa

De cima da sua mota Harley-Davidson, o embaixador dos Estados Unidos da América em Portugal, Robert Sherman, promoveu 10599531_10152486019168737_6597747435164957764_nrecentemente o Tratado Transatlântico de Comércio, em Évora. Foi uma operação de ‘marketing’: o diplomata quer promover os interesses da sua nação entre os portugueses e assegura que os interesses dos EUA são paralelos aos de Portugal. Serão mesmo?

Caso a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento seja aprovada (e os sinais nesse sentido são positivos), os obstáculos finais do comércio entre a União Europeia e os EUA serão abolidos. Tal facto significará a harmonização de regulações, o fim de restrições de acesso aos mercados e o fim de taxas aduaneiras, entre outros. Será o maior bloco comercial do planeta, representando quase metade da economia de todo o mundo.

Portugal poderá ficar muito bem ou muito mal com este acordo.

Por um lado, podemos passar a exportar, sem barreiras, para um mercado gigantesco e afluente. Mas, por outro, corremos o risco de sermos esmagados pela concorrência externa. Portugal sofreu, e ainda sofre, por competir dentro de uma União Europeia sem fronteiras; imagine-se agora o possível choque quando tivermos de competir simultaneamente com europeus e norte-americanos. Estaremos prontos para o embate?

Pastéis de nata

Há indícios positivos. Nos últimos anos, tem sido feito por algumas empresas portuguesas um trabalho árduo no sentido de tentar lançar os nossos produtos no estrangeiro.

Empresas históricas portuguesas, como a Vista Alegre, lançaram novas linhas de louça e vidro com ‘design’ moderno e apelativo para os estrangeiros.

Em Coimbra, uma empresa recentemente fundada lançou uma linha de impressoras de alta tecnologia que imprimem em três dimensões. São portuguesas e são consideradas das melhores do mundo.

O sector dos têxteis do Norte, há muito considerado defunto, conseguiu voltar do mundo dos mortos, lançando calçado novo e moderno, assinalado com marcas que os consumidores associam a qualidade e à moda.

A necessidade de se criar marcas reconhecíveis, criar produtos de valor elevado e vender produto nacional foi finalmente reconhecida em Portugal.

Infelizmente, quando um certo ministro sugeriu, inteiramente a sério, que se deveria exportar pastéis de nata, foi logo alvo de zombaria. Este governante, que gostava de ser tratado simplesmente por Álvaro, na mais pura tradição informal e comercial anglo-saxónica, tornou-se rapidamente alvo da velha pecha portuguesa do maldizer e acabou recambiado para a universidade estrangeira onde é professor.

Possivelmente deveria ter sido ouvido com mais atenção. A China é o maior consumidor de pastéis de nata do planeta, mas os dois maiores exportadores da apreciada guloseima são empresas espanholas. As empresas portuguesas do sector tentam exportar, mas são esmagadas por falta de apoio estatal, por impostos elevadíssimos e preços de água e luz demasiado elevados.

Carlos Alberto dos Santos, então presidente da Associação do Comércio e da Industria da Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP), chegou a dizer em 2012: “o que é certo é que nem o Estado nem nenhum privado pegou no pastel de nata e o registou em todo o mundo. Agora estão outros, como os chineses, a tirar dividendos”.

Se nem o nosso bom e velho pastel de nata conseguimos vender, então o que vamos fazer?

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O fornecimento de serviços de telecomunicações à CGD valia perto de 30 milhões de euros anuais à PT

Já foi um dos ‘jobs’ mais apetecidos pelos ‘boys’ dos sucessivos governos do centrão e dona de um poderoso grupo de comunicação social.

Hoje, a PT anda pelas ruas da amargura e vê fugir para a concorrência alguns dos seus maiores clientes, como a Caixa Geral dept Depósitos e o BPI, enquanto a “polícia da Bolsa” investiga os contornos de um investimento de quase 900 milhões na holding do grupo Espírito Santo.

Ainda não há muitos meses, quando alguém perguntava pelas maiores empresas portuguesas, a PT aparecia com destaque nos lugares cimeiros. Mas o ex-gigante das telecomunicações, um dos ‘jobs’ mais apetecidos pelos ‘boys’ de vários executivos do “arco da governação” (vulgo centrão) e que também encabeçou um império da comunicação social – hoje reduzido a uma pálida imagem daquilo que foi e entregue a um consórcio em que se destacam o angolano António Mosquito e o genro de Cavaco, além do ex-patrão Joaquim Oliveira -, já viu dias melhores. No fim da semana passada foi anunciado o golpe mais recente na PT – e bem duro, por sinal: a perda de um dos maiores clientes, a Caixa Geral de Depósitos (CGD).

CGDMais do que cliente, até há pouco a Caixa era um dos grandes accionistas da PT. Só que, com a chegada da troika, o banco do Estado foi obrigado a vender a sua participação na empresa. Apesar disso, a CGD manteve a PT como fornecedora dos serviços de telecomunicações, uma carteira que, segundo o semanário ‘Expresso’, valerá perto de 30 milhões de euros por ano, incluindo comunicações fixas, móveis e de dados.

Só que a Caixa decidiu abrir concurso para garantir a prestação daqueles serviços por melhor preço… e quem ganhou foi a concorrência. A partir do começo do próximo ano, a NOS será o novo parceiro da CGD na área das telecomunicações.

Mas um azar nunca vem só. Esta nova machadada na PT surge não muito depois da perda de outro cliente milionário: o BPI. Observadores atentos do mundo da alta finança nacional garantiram a O DIABO que a troca da PT pela NOS estava escrita nas estrelas desde o momento em que a empresária angolana Isabel dos Santos (filha do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos) se tornou a segunda maior accionista do BPI (com 18,6 por cento)… É que Isabel dos Santos é também uma das principais accionistas da NOS, juntamente com o grupo Sonae.

Dano colateral

A PT sofreu um forte abalo com as ondas de choque do escândalo financeiro que ditou a queda do império Espírito Santo, sobretudo desde que transpirou para a opinião pública a notícia de que, ainda durante o consulado de Henrique Granadeiro (‘chairman’) e Zainal Bava (presidente executivo), a empresa tinha investido 897 milhões de euros na Rioforte, a ‘holding’ do Grupo Espírito Santo (GES), o qual, por sua vez, chegou a deter 10,05 por cento do capital da PT.

Esse investimento – cuja divulgação arrastou a queda de Granadeiro – deu origem a uma auditoria da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), com o objectivo de determinar se houve irregularidades e, em caso afirmativo, atribuir responsabilidades. De acordo com o ‘Expresso’, a “polícia da Bolsa” já terá encontrado matéria suficiente para avançar com um processo de contra-ordenação, podendo aplicar coimas outras sanções aos visados.

Em fusão

 O que está por esclarecer é o próprio futuro da PT, agora presidida por Armando Almeida. A grande aposta da anterior administração foi a fusão com a operadora brasileira Oi, apresentada na altura à opinião pública portuguesa como um investimento destinado a internacionalizar a empresa. A PT ia comprar a Oi – dizia-se então. Na prática, depois de ter rebentado a bronca do investimento na Rioforte, o processo de fusão em curso significa o domínio da PT pelos brasileiros da Oi, agora presidida por Zainal Bava.

Isto se ambas as empresas em vias de ficarem fundidas não forem por sua vez engolidas pelos italianos da Telecom Italia, que, segundo foi noticiado recentemente, poderá estar a preparar uma OPA (oferta pública de aquisição) sobre a Oi.

Preocupados com o futuro estão, naturalmente, os 12 mil trabalhadores da PT no activo e os cinco mil em situação de pré-reforma. O triplo dos funcionários da NOS, que, como se viu, acaba de “roubar” à PT dois super-clientes.

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“Portugal é um dos melhores mercados para a Bimby”

Como explicar a atracção fatal dos portugueses por aparelhos sofisticados de última geração? Telemóveis que são computadores e aparelhos de cozinha que “fazem tudo” estão entre as nossas maiores tentações…

“Portugal gosta de brinquedos caros”, escrevia o embaixador norte-americano em Lisboa num relatório que só veio a público devido ao escândalo ‘wikileaks’. Neste caso concreto, o que estava em causa era a despesa portuguesa com as suas forças armadas: os americanos achavam curioso Portugal ter gasto milhares de milhões a adquirir tanques, caças e submarinos caríssimos (mas de utilidade muito discutível), ao mesmo tempo que a infantaria continuava armada com a velha, pesada e obsoleta G3 do tempo da guerra do Ultramar e faltavam (e ainda faltam) navios de patrulha oceânica. A razão apontada pelo embaixador: “complexo de inferioridade”.

Tivesse ou não razão nas suas observações técnicas, o diplomata punha o dedo na ferida ao referir-se a “brinquedos caros” – ou, por outras palavras, a “luxos de rico”. É precisamente nesses luxos que muitos portugueses perdem a cabeça quando, a uma outra escala, gastam o que têm e o que não têm para parecerem ser o que não são: ricos, modernos e poderosos.

Os telemóveis são um exemplo flagrante dos nossos dias. Às portas das lojas da especialidade formam-se filas de compradores impacientes sempre que são lançados modelos novos, tal é a vontade de consumir que tem de ser satisfeita. Não, não estamos a referir-nos aos tradicionais aparelhos com teclado numérico e que servem simplesmente para telefonar: falamos dos “smartphones”, o último grito da moda em telemóveis que podem também ser usados como computadores.

São produtos caros: alguns rondam os 700 euros, o ordenado mensal de muitos portugueses. Mas, tal como sucedeu no início deste século XXI, quando os portugueses se tornaram um dos povos do mundo com mais telemóveis per capita, os consumidores nacionais de “smartphones” estão mais do que determinados a adquirir um, façam que sacrifícios fizerem.

De facto, embora as vendas de telemóveis “comuns” (o primo barato do “smartphone”) tenham caído, as vendas de “smartphones” subiram significativamente: só no primeiro trimestre de 2013 venderam-se mais 29% unidades do que no mesmo período do ano anterior.

Dois milhões de “smartphones”

Curiosamente, as vendas de computadores a sério, máquinas que podem ser usadas para trabalhar, caíram. Em 2012, as vendas de computadores portáteis desceram 30%, mas as vendas de “tablets”, pequenos acessórios electrónicos que são manuseáveis com o dedo, dispararam.

No total, foram vendidos mais de 2 milhões de “smartphones” durante todo o ano de 2013 – um custo de milhares de broken-72161milhões de euros para os consumidores, e por arrasto para a economia, visto que todos estes aparelhos são importados. Ao longo desse ano, os portugueses gastaram 400 milhões de euros somente em manutenção destes equipamentos.

O telemóvel continua a ser um símbolo de status, e quem não tem o modelo mais recente é considerado “pobre”. Na internet e fora dela travam-se debates intensos, com insultos à mistura, sobre quem tem o melhor telefone. Chega-se ao ridículo de discutir sobre que sistema operativo será melhor, quando até o modelo mais modesto vem já equipado com funcionalidades que nunca chegarão a ser utilizadas. Quem sabe como estaria Portugal se esta dedicação ao debate fosse aplicada aos problemas nacionais?

Quem fica bem, no fim, são as operadoras de telecomunicações. Apesar de termos menos de metade do poder de compra dos norte-americanos, pagamos bem mais pelo uso dos telefones. As receitas médias por utilizador são mais elevadas do que no país do Tio Sam, o que rende uma margem de lucro bem generosa às operadoras. Uma chamada por minuto em Portugal custa 0,07 euros, enquanto nos EUA custa 0,02.

O factor Bimby

Enquanto os orgulhosos donos de telefones inteligentes discutem quem tem o melhor, existe um produto que sozinho domina um sector do mercado: a Bimby.

Portugal é, a nível mundial, um dos melhores mercados para este robot de cozinha. O fenómeno é de tal forma surpreendente que chamámos a atenção aos norte-americanos: o sisudo ‘Wall Street Journal’ chegou a publicar um artigo sobre como os portugueses são viciados na máquina produzida na Alemanha. Não era uma reportagem inocente e desprovida de crítica: os jornais americanos, especialmente os conservadores, tendem a apenas falar em Portugal quando nos encontramos no meio de profundas crises financeiras.

Portugal ainda se encontrava no meio de um resgate financeiro, mas em 2012 mais de 35 mil cidadãos despenderam o equivalente a dois salários mínimos para comprar uma Bimby. Foi esta discrepância, um país resgatado cujos cidadãos tanto protestam pela sua miséria para depois comprarem milhares de acessórios caríssimos, que chamou a atenção dos jornalistas do outro lado do atlântico.

E realmente a discrepância é interessante. Vários relatórios assinalam que os portugueses se tornaram mais frugais nuns aspectos, ao mesmo tempo que gastam fortunas em outros. As viagens para destinos de férias voltaram a aumentar, mas ao mesmo tempo passámos a viajar menos para visitar a família. De novo lemaos a marmita para o trabalho, de forma a pouparmos na comida, mas depois compramos telefones e acessórios de cozinha de milhares de euros. Há de facto há muita fome… mas de cultura.

Taxa medieval

Nas prioridades de compra dos portugueses não há livros, não há espectáculos de teatro ou dança. Somos o pior país da Europa neste aspecto, batidos por todos os Estados da União Europeia, segundo dados do ‘eurobarómetro’.

Mas vemos muita televisão, e também aqui não fazemos a coisa por pouco: as vendas de televisores de preço muito elevado continuam a subir de ano para ano. O dinheiro parece não ser a única causa do problema…

No caso da televisão, e chegados ao século para o qual se previa a “democratização” final e total das comunicações, os portugueses têm ainda de pagar pelo privilégio de a receberem em casa, qual taxa medieval para se atravessar uma ponte. Em vez de carregarmos num botão e encontrarmos gratuitamente o mundo no ecrã, em Portugal a “portagem” inclui caixas digitais e facturas da operadora do serviço. Facturas que, por sinal, são das mais altas do mundo.

Sim, talvez o diplomata norte-americano fosse certeiro ao falar de “brinquedos caros”. Que estamos dispostos a sacrificar muito para os ter, disso não restam dúvidas…

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Desengane-se quem espera um raio de sol por detrás da nuvem negra que paira sobre o Sul da Europa: a tempestade económica amainou, mas o céu vai continuar muito nublado...

Desengane-se quem espera um raio de sol por detrás da nuvem negra que paira sobre o Sul da Europa: a tempestade económica amainou, mas o céu vai continuar muito nublado…


Estão desempregados 45 milhões de trabalhadores nos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, ou seja, nos países ditos “desenvolvidos”. E é pouco provável que este número desça significativamente. Quem o afirma é a própria OCDE, no seu relatório sobre emprego lançado esta semana.

O problema reside numa economia europeia que não consegue criar novos empregos, mesmo estando em processo de retoma. De especial preocupação é a ausência de empregos estáveis e bem remunerados. Este não é, contudo, um problema generalizado a todas as nações da organização: o “olho da tempestade” parece estar mesmo nos países do Sul europeu.

Os Estados Unidos da América, que possuem um mercado mais dinâmico e livre, já conseguiram começar a sarar as feridas da grande recessão de 2008. A taxa de desemprego nos EUA é hoje de apenas 6,1 por cento. No Japão, um país onde tradicionalmente o mercado de trabalho é altamente protegido por convenções sociais e legislação nacional, o desemprego já só afecta 3,7 por cento da população, número que fica perto do pleno emprego. Estes dois países estão consideravelmente abaixo da média da OCDE de 7,3 por cento, e muito abaixo dos 14 por cento portugueses, ou dos tenebrosos 24% espanhóis, ou catastróficos 27% gregos.

Alguns são mais iguais que outros

No Sul europeu, o problema do desemprego adensa-se devido, em parte, às desigualdades do mercado de trabalho. Enquanto que outros países já adoptaram soluções em que foi encontrado um meio caminho entre a flexibilidade e a segurança laboral, em Portugal uma fatia considerável da população continua extremamente protegida por um sistema de trabalho inflexível, em detrimento de outra que está quase completamente desprotegida e numa situação de grande insegurança social.

Vejamos um exemplo prático: o caso dos funcionários públicos que não podem ser demitidos enquanto que, em contrapartida, os trabalhadores independentes, através do infame sistema de recibos verdes (criado por um governo de Mário Soares), se encontram numa situação de enorme instabilidade.

Mesmo vivendo com a adaga por cima da cabeça, estes trabalhadores têm de enfrentar uma forte carga tributária, em cuja factura avulta a contribuição para a Segurança Social, que é uma taxa não progressiva. E aqui reside outro problema. Várias organizações mundiais, incluindo a própria OCDE, consideram que as taxas não progressivas são uma séria barreira ao emprego e ao desenvolvimento económico, até porque o valor cobrado às empresas encarece consideravelmente o preço do trabalho.

No caso português, cada empresa privada tem de despender o equivalente a quase um quarto do salário do empregado (a “contribuição” para a segurança social é de 23,75%) para o manter. Já os trabalhadores independentes pagam à segurança social entre 28,3% e 34,75% dos seus rendimentos, quer ganhem miseravelmente ou abundantemente. E ainda há que pagar muitas outras taxas, como o IRS. Sai caro trabalhar em Portugal.

É compreensível a revolta contra este sistema injusto: estes trabalhadores, depois de devidamente “sangrados”, beneficiam de muito poucas garantias sociais. Isto apesar de pagarem bastante mais para sustentar o Estado do que os seus congéneres do sector público. Cada funcionário público desconta apenas 11 por cento do seu salário para a Segurança Social, sendo que os restantes 23,75 por cento são pagos pela empresa financiada por todos nós: o Estado.

A OCDE avisa que casos como o acima descrito criam sérios desequilíbrios no mercado de trabalho. Desequilíbrios que o Estado tem por obrigação resolver, sob pena de as taxas de desemprego continuarem elevadas. Em muitos casos, devido a situações de taxação não progressiva (em especial a Segurança Social), o pacato cidadão arrisca-se a trabalhar quase apenas para pagar impostos.

Em certos casos extremos, o rendimento que lhe propõem nem sequer paga na totalidade o imposto correspondente. Em contrapartida, o funcionário público recebe um rendimento certo e garantido ao fim do mês, com enormes benesses e privilégios. Rendimento garantido que o sector privado deve subsidiar através de impostos, nos bons tempos e nos maus tempos.

Não havia uma certa Constituição que garantia equidade entre todos os trabalhadores?

Políticas actuais prejudicam economia

A OCDE é clara nas suas recomendações para se reformar o mercado laboral: “reformas apontadas a incentivar a competição e a produtividade em mercados para bens e serviços, facilitando a mobilidade dos trabalhadores para empregos mais produtivos e satisfatórios, protegendo os rendimentos dos trabalhadores mais mal pagos e reforçando a formação e reformação dos trabalhadores”.

A recente queda do desemprego não pode ser vista como sinal de que o desemprego vai continuar a baixar, afirma esta organização, visto que a maioria dos postos de trabalho criados é de fraca qualidade laboral: mal remunerados, sem perspectivas de promoção, de fraca produtividade.

A economia ressente-se do facto de existir uma grande fatia de pessoas nesta situação. Os especialistas avisam: a ausência de postos de trabalho bem remunerados significa que haverá menos transacções, tendo o efeito causativo de que, a longo prazo, a economia não vai ter capacidade de absorver toda a mão-de-obra existente.

A organização deixou, assim, um forte aviso contra as políticas de redução dos custos do trabalho através do que foi eufemisticamente chamado “ajuste de ordenados” – uma política que teve a sua utilidade durante o pico da crise, mas que agora pode prejudicar o crescimento económico e aumentar o desemprego em vez de reduzi-lo. A situação torna-se ainda mais gravosa quando se considera que os rendimentos médios caíram de forma muito considerável durante este período, graças à inflação.

Portugal não conseguirá competir através de ordenados baixos enquanto existirem países onde se paga parcas dezenas de euros por mês aos trabalhadores. O máximo que os cortes nos salários conseguem fazer a partir deste momento é diminuir o poder de compra dos portugueses, acentuando os nossos enormes problemas estruturais.

Uma consequência imediata é o desincentivo ao ensino superior, num País onde apenas 21 por cento dos jovens têm diploma, enquanto que a média nos países desenvolvidos é 43 por cento.

Ironicamente, o mesmo país que durante anos foi visto como “a grande ameaça” às indústrias nacionais, a China, começa a ver aumentos de ordenados à medida que a sua economia se terciariza e os seus cidadãos se tornam mais afluentes e mais formados. Os ordenados chineses cresceram, em média, 11 por cento só neste ano, dinamizando o consumo e, por arrasto, toda a economia.

As indústrias que se baseiam na baixa remuneração já começaram a abandonar a China com rumo a novos territórios que fornecem mão-de-obra (ainda mais) barata. África, Bangladesh e Vietnam são os destinos mais comuns. Para que um país como o nosso pudesse tornar-se “apetecível”, deste ponto de vista, muito português teria de literalmente morrer à fome.

O desemprego elevado é algo que requer uma solução mais urgente do que se pensa, diz a OCDE. Cada ano em que um trabalhador está inactivo é um ano em que a sua formação fica estagnada e é um ano em que o trabalhador perde ritmo de trabalho. Quanto mais tempo um profissional se encontra numa situação de desemprego, menor é a hipótese que tem de encontrar emprego no futuro: um grande espaço em branco num currículo é geralmente mal visto por empregadores.

E alguns especialistas na área avisam: o custo de subsidiar estágios e contratações (como o Estado atualmente já faz) pode ser muito menor do que o custo, a longo prazo, do desemprego estrutural. Mesmo assim, o governo português fez recentemente cortes nestas iniciativas, reduzindo, por exemplo, o tempo dos estágios de introdução ao mercado de trabalho de 12 meses para apenas nove.

Tudo dito, ainda há reformas muito significativas a fazer, e nem todas elas são claras, simples ou fáceis. No nosso País, a folga orçamental para novas iniciativas é muito reduzida, a situação demográfica é trágica, e todos os dias perdemos alguns dos nossos trabalhadores mais bem formados. A tempestade passou, mas o mau tempo continua…

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John C. Edmunds e Frédéric Chartier

Dois especialistas em finanças fazem as contas e trocam por miúdos o que significa a saída da moeda única, pegando na França como exemplo. Se os cortes impostos pela austeridade actual lhe deram cabo da vida, prepare-se para um autêntico filme de terror e miséria…

A crise das dívidas soberanas europeias, iniciada em 2009, mergulhou o continente numa severa recessão económica, sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial. Os governos a braços com a dívida foram obrigados a adoptar programas de austeridade, uma mistura de aumentos de impostos com cortes na despesa pública que fez disparar o desemprego e aumentar as tensões sociais.

O euro preenche vários critérios para poder ser considerado um demónio vindo de longe. Vem de Bruxelas, ou de Frankfurt, e parece ter sido feito de encomenda para ser o mau da fita, um cavalo de Tróia destinado a sabotar a força da República em benefício dos estrangeiros e da alta finança.

A França, segundo a maior economia da Zona Euro e membro fundador da União Europeia (UE), é um exemplo deste fenómeno. Atolada num desemprego crescente, impostos cada vez mais altos e benefícios sociais cada vez mais baixos, os eleitores franceses tornaram-se progressivamente receptivos à retórica anti-Europa e anti- -globalização da extrema-direita e da extrema-esquerda. A Frente Nacional, o partido de extrema-direita liderado por Marine Le Pen, conquistou recentemente 25% dos votos nas eleições para o Parlamento Europeu, o melhor resultado na sua história, acima dos partidos tradicionais do centro-direita e do centro-esquerda.

A solução proposta pela Frente Nacional é a saída do euro e a reintrodução do franco francês. A soberania regressaria às mãos dos eleitos no país, que mandariam imprimir francos para criar emprego e pagar os serviços sociais. A consequência seria a necessidade de um ajustamento da velha taxa de câmbio de modo a sustentar a nova política monetária – mas a economia deveria recuperar fortemente, ao mesmo tempo que seria mais fácil conseguir emprego.

Este retrato idílico ignora, infelizmente, uma questão muito importante. A economia francesa criou muitos activos financeiros, incluindo acções e obrigações. Estes valiosos activos financeiros pertencem tanto a cidadãos franceses como a estrangeiros. O valor de mercado desses activos é de cerca de seis vezes Economia Toda a gente iria sofrer, e não só aqueles que ganham à tripa-forra o PIB francês, incluindo obrigações do governo e de empresas no valor de 4,5 triliões de euros e acções no valor de 1,7 triliões de euros. A esses valores devem ainda acrescentar-se activos bancários no valor de 9,5 triliões de euros.

O valor de mercado desses títulos é fortemente influenciado pelas taxas de desconto que os investidores usam para calcular os valores actuais desses instrumentos. Para se ter uma ideia da diferença que pode fazer a taxa de desconto, considere-se uma obrigação que pagará um euro por ano nos próximos dez anos. Se um investidor usa uma taxa de desconto anual de 3%, o seu valor é de 8,53 euros. Mas se o investidor usa uma taxa de desconto anual de 5%, o seu valor é de apenas 7,72 euros, ou seja, cerca de 9,5% menos.

Se a França saísse do euro e regressasse ao franco, muitas pessoas poderão pensar que a transição seria suave e sem custos. Lembram-se da transição em 2002, quando chegaram as novas moedas e notas de euro. Também se lembrarão de que, nessa altura, não houve qualquer efeito visível na actividade económica. Mas houve um efeito – apesar de os observadores em França não terem dado por ele. O valor de mercado das obrigações da dívida pública a 10 anos caiu. A queda não foi súbita, e muitos observadores dariam outras explicações, mas esse valor caiu de 5,5% em 2002 para cerca de 3,5% em 2008. Depois disso continuou a cair e, hoje em dia, é de uns meros 1,8%. O que isso significa é que os preços das obrigações subiram e que as taxas de juro do crédito à habitação baixaram. Uma família da classe média que pudesse comprar uma casa de 200.000 euros em 2002 poderia hoje, com um rendimento similar, comprar uma casa de 400.000 euros.

Se a França saísse do euro, a transição seria muito mais atribulada. Os preços das obrigações cairiam abruptamente. Essa queda, aplicando o mesmo cálculo simples usado acima, seria de cerca de 450 biliões de euros, o equivalente a cerca de 17% do PIB de França. A perda acentuada de valor repercutir- se-ia nas poupanças dos particulares. Quem possui actualmente obrigações no valor de 500.000 euros descobriria que, de um dia para o outro, teriam passado a valer apenas cerca de 450.000 euros. Essa queda abrupta poderia desincentivá-los de gastar – não totalmente, mas o suficiente para fazer mossa nos comerciantes dos locais onde essas pessoas vivem.

Também o crédito à habitação ficaria mais caro – não é que se tornasse mais difícil de obter, mas a mensalidade da hipoteca subiria de forma acentuada. Isso significa que, se quisesse vender a sua casa, menos compradores teriam dinheiro para pagar a mensalidade. Por isso, os preços das casas cairiam até se tornarem compatíveis com as mensalidades que os compradores pudessem pagar. Um efeito ainda mais prejudicial atingiria as empresas francesas. Poderiam emitir obrigações, como têm feito recentemente, mas essas novas obrigações teriam de pagar um juro superior, por serem emitidas em francos.

As empresas rivais da Alemanha, Holanda, Suíça ou de outros países ver-se-iam de repente com uma maior vantagem competitiva: teriam que pagar menos pelo dinheiro. E algumas dessas empresas rivais poderiam até abalançar-se a tentar controlar empresas francesas. Outra consequência quase certa da saída do euro seria a depreciação abrupta do franco francês (inicialmente convertido à razão de 6,55 francos por euro), à medida que os investidores dentro e fora de França corressem em massa a vender os seus bens em francos franceses, perante a incerteza económica. Se bem que um franco fraco fosse um trunfo competitivo para as exportações, por outro lado tornaria as importações muito mais caras. Mas mais preocupante ainda seria a situação da dívida externa francesa (quase 95% do PIB), que continuaria a ter de ser paga em euros (e noutras moedas estrangeiras).

O serviço da dívida tornar-se-ia proibitivo, com as divisas estrangeiras a terem que ser compradas com os muito debilitados francos franceses. Os efeitos financeiros da saída do euro teriam, em termos de resultado total, consequências muito mais graves do que uma estimativa razoável do crescimento da actividade económica pode prever. Em última análise, a França não deveria abandonar o euro, mesmo que, à primeira vista, a saída só prejudicasse meia dúzia de burocratas arrogantes. Na verdade, os efeitos dessa saída seriam devastadores e generalizados.

Toda a gente iria sofrer, e não só aqueles que ganham à tripa-forra pela sua participação em transacções que deitam abaixo grandes instituições financeiras.

  • John C. Edmunds é Professor de Finanças e director de Investigação no Babson College, Massachusetts, EUA, doutorado pela Universidade de Harvard
  • Frédéric Chartier é Professor de Finanças, doutorado pela Universidade do Texas em Austin.

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A primeira eólica ‘offshore’ do mundo foi inaugurada na vila de Aguçadoura e é notícia na imprensa internacional. Está instalada ao largo da Póvoa de Varzim, é flutuante e na fase experimental já abastece mais de mil lares.

O sistema Windfloat, projecto da EDP Inovação, instalado a seis quilómetros da costa portuguesa, na praia de Aguçadoura, desde o ano passado, já produz energia para 1.300 habitações, sendo a primeira plataforma ‘offshore’ do mundo, num investimento de mais de 20 milhões de euros.

Um ano depois de ter começado a produzir energia, a eólica experimental instalada em Aguçadoura, Póvoa de Varzim, abastece mais de mil casas e provou resistir a ondas grandes. Trata-se de uma estrutura eólica única no mundo porque flutua e, assim, não tem os alicerces presos ao fundo do mar.

A EDP está convencida de que, mais tarde ou mais cedo, estas eólicas flutuantes vão ser úteis em zonas de maior profundidade e uma mais valia no mercado internacional. Para já, é preciso continuar os testes, mas em 2015 ou 2016 poderão ser instaladas mais eólicas deste tipo no mar português.

O Mundo está de olhos postos neste projecto. É de extrema importância que tudo corra pelo melhor. Até porque a Inglaterra se mostra interessada em adoptar o projecto português já em 2015. A imprensa mundial dá eco deste avanço nacional que, a resultar, poderá virar mais uma página na política de energias renováveis, mas também na melhoria da economia.

Por cá, estaremos a falar na criação de cerca de “oito mil postos de trabalho”. A convicção é do director do departamento EDP Inovação. Além de “mudar a forma como Portugal tira proveito da sua costa marítima”, João Gonçalo Maciel acredita que a energia eólica poderá ainda “revitalizar vários sectores da economia nacional”, como a “construção e a reparação naval”, ao criar milhares de postos de trabalho, “valorizando ainda as empresas nacionais e internacionais”.

Já a nível europeu, prevê-se que esta indústria sustente, nos próximos anos, cem mil empregos.

Após a sua instalação ao largo da costa da Póvoa de Varzim, o “WindFloat” será “monitorizado” por um período de cerca de dois anos, de forma a “garantir a sua operacionalidade”, frisou João Gonçalo Maciel.

Direito de comercializar

Com os primeiros dados bastante positivos, a EDP, que tem os direitos assegurados da comercialização desta tecnologia, pôde avançar para a construção de um mini-parque, com cerca de cinco unidades, que “valide conceitos a uma escala maior”.

O próximo passo será avançar com a “comercialização” do equipamento, uma vez que a EDP está a apostar na “criação de competências que possibilitem iniciar uma capacidade produtiva nesta área”.

Para este projecto, a EDP conta ainda com parcerias da americana Principle Power Inc, do fabricante de turbinas dinamarquês Vestas, da metalomecânica A. Silva Matos S.A., bem como do fundo de capital de risco do Estado português, InovCapital S.A.

O financiamento para a instalação desta estrutura foi assegurado pelas empresas envolvidas e contou ainda com um subsídio a fundo perdido do Fundo de Apoio à Inovação.

O “WindFloat” é uma tecnologia semi-submersível, semelhante a uma plataforma petrolífera com três pilares, sendo que num deles é instalada a torre eólica, com uma turbina.

Tem a vantagem de ser totalmente montada em terra e, posteriormente, rebocada até ao local onde produzirá energia, ou seja, a seis quilómetros da orla litoral, a cerca de 60 metros de profundidade. Para já, só na Póvoa de Varzim.

As freguesias mais próximas desta estrutura são Aguçadoura, na Póvoa de Varzim, e Apúlia, Esposende.

A plataforma permite a produção de energias limpas, gerando energia renovável e, até ao momento, “tem funcionado da melhor maneira”, referiu António Vidigal, administrador da EDP Inovação. Para o futuro, ambiciona-se a construção de um parque com cinco turbinas, gerando uma potência proporcionalmente maior.

Desenvolvimento local e mundial

Durante a inauguração, Macedo Vieira, presidente da Câmara Municipal da Póvoa, destacou a projecção da vila de Aguçadoura a nível nacional, primeiro pela sua actividade hortícola, e agora por ter “a sorte de ter este modelo industrial que eu espero que seja um sucesso para o País, para a EDP, para a Póvoa e Aguçadoura. Dependemos imenso da energia e espero que isto seja um grande contributo para as energias renováveis e para que Portugal possa estar menos dependente”.

Já para Sérgio Cardoso, presidente da Junta de Freguesia de Aguçadoura, este dia foi especial: “Foi a primeira vez que tivemos a visita de um Presidente da República”. O autarca salientou ainda a projecção internacional do projecto, pensando já no futuro: “o conjunto dos cinco equipamentos será rentável e pode ser comercializado. Acho que é uma boa notícia para o futuro do País no campo das energias renováveis. A esperança é que no futuro o investimento aqui continue e do que ouvimos hoje vai tudo nesse sentido”.

O Presidente da República, Cavaco Silva, sublinhou que “a Póvoa ficará ligada a um passo de gigante no aproveitamento das potencialidades energéticas em matéria de energia eólica ‘offshore’, dará um contributo importante a nível de dependência externa e consequentemente para a redução do nosso endividamento externo”, salientando ainda as potencialidades do mar no desenvolvimento do País e apontando-o como o caminho para o futuro.

Para o administrador executivo da EDP, António Mexia, é importante “o aproveitamento dos recursos próprios”, como o mar e os estaleiros navais. No mesmo sentido, lembrou que o projecto resultou da parceria de 60 empresas, das quais 40 nacionais, num trabalho global para a primeira plataforma a nível mundial. “Só conseguimos vencer a adversidade quando tomamos medidas para mudar. Estamos a falar daquilo que pode criar a diferença, mais oportunidades para este País”. No seu entender, o futuro de Portugal será determinado por três factores: “ou porque temos recursos próprios, ou porque somos melhores nos processos ou porque temos capacidade de inovação. Neste caso, conseguimos juntar as três coisas”.

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Francisco Lopes Saraiva

As últimas radiografias à economia nacional são animadoras, à superfície – mas retratam um país que pedala em seco para sair da crise. Portugal continua no vermelho, com a economia assente em empresas frágeis e sem dimensão, incapazes de gerarem emprego sólido e duradouro.

Em Junho deste ano, 363 empresas em Portugal pediram insolvência e 887 fecharam as portas. Ainda assim, no mesmo período foram criadas 2.680 novas empresas. A tendência, na primeira metade do corrente ano, parece ter sido positiva: menos empresas portuguesas iniciaram processos de insolvência ou fecharam portas do que em igual período do ano passado, segundo revela o barómetro “Informa D&B”, da conceituada analista internacional Dun & Bradstreet. Tendo em conta a variação dos últimos 12 meses, o número de insolvências caiu 12,8%. O sector da construção continua a ser o mais afectado pelas insolvências e o dos serviços pelos encerramentos.

Das 363 empresas que iniciaram processo de insolvência em Junho, 75 são do sector da construção. Os sectores retalhista e das indústrias transformadoras foram o segundo e terceiro mais afectados, com 74 e 61 empresas, respectivamente. Por outro lado, os menos afectados foram os sectores das indústrias extractivas, gás, electricidade e água e actividades financeiras, com apenas uma empresa, em cada um deles, a pedir insolvência.

Já os encerramentos ou extinções de empresas totalizaram 887 no mês passado, o que eleva para 15,3% a queda acumulada dos últimos 12 meses. De acordo com os dados do barómetro D&B, os sectores em que mais empresas fecharam portas foi o dos serviços, com 212 encerramentos, o retalhista, com 156, e o grossista, com 102.

Em sentido contrário, variaram os nascimentos de novas empresas que, em Junho, totalizaram 2.680, elevando para 0,2% o crescimento do último ano. Se o sector dos serviços foi aquele que viu mais empresas encerrarem, foi também o que assistiu a mais nascimentos em Junho deste ano, com a constituição de 825 novas empresas.

Tendo em conta os últimos 12 meses, o sector da agricultura, pecuária, pesca e caça foi o que registou um rácio mais elevado entre nascimentos e encerramentos. Por cada empresa que fechou portas neste sector, nasceram 6,4.

 Só 1.015 grandes empresas

O retrato da economia portuguesa demonstra claramente que não somos fortes. Somos um País de Pequenas e Médias Empresas, com um Governo que não sabe ou não consegue fomentar a criação de grandes firmas. Apenas 0,3% das empresas em Portugal são de grande dimensão, ou seja, empregam, no mínimo 250 trabalhadores e têm um volume de negócios superior a 50 milhões de euros. Entre 2008 e 2012, e devido à crise financeira, o número de grandes sociedades viu-se reduzido em 9,6% para um total de 1.015, revela o INE.

Apesar de atingidas pela recessão, em termos individuais estas empresas conseguiram resistir melhor do que as pequenas e médias. Em 2012, a dimensão média das grandes organizações era maior do que em 2008, tal como o volume de negócios e a capacidade de gerar valor acrescentado de cada uma das empresas.

Em concreto, empregavam, cada uma e em média, 758 trabalhadores (725 em 2008) e apresentavam um volume de vendas de 136 milhões de euros (128 milhões em 2008). Também o peso das grandes empresas no valor acrescentado bruto (VAB) do sector não financeiro aumentou 3,8 pontos percentuais entre 2008 e 2012 para os 43,7%.

Contudo, olhando para os valores totais, o cenário não é de crescimento. As grandes empresas empregam no total 769.023 pessoas, menos 5,6% do que em 2008. O VAB reduziu 6,6% para 30,6 mil milhões de euros.

A maioria destas sociedades opera nos serviços, mas a maior redução verificou-se na construção (-36,6% para 64), o que reflecte a grave crise que o sector enfrenta.

Emprego que ninguém quer

Os dados, de facto, apenas demonstram uma desaceleração da crise. A taxa de desemprego tem vindo a cair de forma consistente desde Fevereiro do ano passado e o mercado começa a dar sinais de alguma vitalidade. Ainda que se saiba que os números mais recentes do IEFP apontam para uma redução do número de desempregados inscritos nos Centros de Emprego, menos pedidos de emprego, devido em muito à emigração e a jogos de números que se prendem com os chamados Estágios Profissionais.

Facto é que há mais empregos oferecidos. O problema? É que aumentam também os empregos que ninguém quer. O resultado é simples: há mais emprego, mas também há mais emprego por preencher.

Os números do IEFP mostram que no final de Junho estavam sem emprego 614.982 portugueses, tendo sido registado um total de 870.448 pedidos de emprego – 70,7% por pessoas desempregadas. Por seu turno, as ofertas disponíveis cresceram 24,5% em Junho face ao registado em Maio do ano 2013, ainda que tenha havido menos 2.000 vagas do que em Maio. Mas, de acordo com os mesmos dados de Junho, ficaram por preencher 22.290 ofertas de emprego disponibilizadas pelo IEFP, o que representa uma subida de 38,1% face ao mesmo período do ano passado (relativamente ao mês de Maio, a subida é de 6,2%).

Este aumento das vagas de emprego por preencher é fruto do aumento das vagas disponíveis e de uma redução do número de pessoas que as procuram, mas a oferta ainda está bem longe de se adequar à procura, o que aumenta o peso de um outro factor: a qualidade do emprego oferecido, que se degradou com a crise. São mal remunerados, de curta duração e, muitas vezes, a tempo parcial. Pior: deixam de fora os jovens sem experiência, tal como as pessoas bem qualificadas.

Os números do IEFP mostram que a maior parte das colocações feitas nos últimos meses têm recaído nos trabalhadores não qualificados que, em Junho, representaram 24,4% do emprego criado em Portugal (2.056 empregos criados).

Exemplo disso mesmo é o caso de uma oferta visível no site do IEFP para um Enfermeiro de cuidados gerais, no Barreiro, cujo contracto oferecido é a tempo parcial e a termo certo (6 meses), com uma remuneração mensal de 550 euros. Em Lisboa pode observar-se uma oferta para a área da Publicidade e Marketing em que se exige pelo menos uma licenciatura, se oferece um contrato por 12 meses, a tempo completo – e, em troca, os mesmos 550 euros.

 Só 60% das ofertas preenchidas

Desde o início de 2014 que têm ficado em média, por mês, 5.737 ofertas de emprego por preencher. Os dados, do Instituto de Emprego e Formação Profissional, revelam ainda que, em 2013, das 137.456 ofertas de emprego criadas, só 60% foram preenchidas.

A área da agricultura é uma das mais afectadas pela falta de mão-de-obra, razão pela qual muitos empresários recorrem a estrangeiros para trabalhar – não só agravando as taxas de imigração, mas também contribuindo para um sistema degradante em que os trabalhadores, oriundos sobretudo dos países do Leste europeu, são forçados a uma vida de miséria.

No pico das colheitas, há empresas a empregar 600 pessoas, 90% estrangeiras, pela simples razão de que os portugueses não querem trabalhar nas tarefas disponibilizadas. Não querem perder os subsídios para fazer trabalhos a ‘part-time’ e/ou para receber menos do que estão a receber do Fundo de Desemprego.

O mesmo se passa um pouco em todos os sectores e regiões do País. O ano passado, Eduardo, 57 anos, viu-se perante um processo interno na empresa de cerâmica em que trabalhava. A empresa, comprada pelos angolanos da Prebuilt, foi despedindo pessoal e processando outros com vista ao auto-despedimento. Eduardo – considerando-se injustiçado com o processo – bateu o pé e contratou um advogado para o defender. Acabou por ver reconhecido o facto de ser um trabalhador exemplar, mas não se livrou de ser despedido. Já recebeu toda a compensação acordada com os patrões.

No desemprego desde aí, foi obrigado a ir a cursos do IEFP e a procurar trabalho onde não havia. As ofertas que surgiam no Centro de Emprego eram de valor inferior ao que estava a receber do Fundo de Desemprego, não contemplavam – algumas delas – o subsídio de alimentação e obrigariam a mais de 30 quilómetros de carro todos os dias.

A opção foi simples: ficar desempregado até encontrar uma oferta que cobrisse o que estava a ganhar no desemprego. Começa a trabalhar no início do mês

Crédito às “boas empresas”

Aumentam as vagas de emprego e o número de novas empresas. As que aguentaram a crise também tentam sair do vermelho. O Governo diz estar atento, mas as poucas soluções que apresenta passam todas por linhas de crédito. Redução de impostos, nem pensar.

O presidente da Associação Portuguesa de Bancos considera que actualmente as condições de crédito do sector às boas empresas “melhorou significativamente”, em termos de taxa de juro.

Faria de Oliveira falava no inicio do mês à Lusa, em Lima, no final de um reunião entre representantes da banca portuguesa e peruana, a que também estiveram presentes o ministro da Economia, António Pires de Lima, e o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Miguel Frasquilho.

Instado a comentar declarações recentes do antigo presidente do conselho de administração da Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, que afirmou que a tesouraria da empresa “dentro de um ou dois anos deve estar em Genebra”, já que “é lá que estão os mercados e a banca cá não dá a resposta” necessária, Faria de Oliveira disse que as condições de crédito às boas empresas melhorou.

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