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Planos técnicos que foram metidos na gaveta. Falta de coordenação entre os serviços de emergência. Uma regionalização encapotada e ideológica que pode ajudar à tragédia na floresta. Caos e negociatas na gestão dos meios aéreos. Extinção da Guarda Florestal. De tudo isto se fez o dramático início da “época dos fogos 2017”. Ainda o incêndio de Pedrógão ardia e já os bombeiros da assessoria de imprensa tentavam apagar o fogo da opinião pública, mas é impossível fugir ao facto estatístico de que Portugal arde hoje mais do que nunca na sua história, e o povo português começa a exigir responsabilidades à classe política por décadas de má gestão.

Todos os anos Portugal é flagelado por vastos incêndios, todos os anos se discute a questão, todos os anos a sociedade aplaude o sacrifício dos bombeiros e, sem excepção, todos os anos a classe política pouco ou nada faz para diminuir a intensidade dos incêndios.

Os fogos à escala que Portugal enfrenta hoje não são uma inevitabilidade histórica, ao contrário do que alguns sectores da sociedade nos querem ‘vender’. Segundo estimativas oficiais, em Portugal ardiam em média entre 5 mil e 10 mil hectares por ano nos anos entre 1950 a 1975. Em comparação, só o incêndio de Pedrógão Grande e Góis, que vitimou dezenas de pessoas, consumiu mais de 50 mil hectares de floresta, o equivalente a vários anos de incêndios de décadas anteriores.

Desde 1975 que a situação dos incêndios em Portugal se descontrolou por completo. Só nesse fatídico ano, em plena instabilidade do PREC, arderam 89 mil hectares e nos anos seguintes as médias não pararam de aumentar. Nos anos 80 entrámos na era dos grandes fogos, e novos ‘recordes’ têm sido sucessivamente ultrapassados: em 1985 superou-se os 100 mil hectares ardidos num ano e em 2003 alcançou-se o ‘recorde’ de 425 mil hectares.

A mortalidade entre os civis, essa, também não pára de aumentar. Em 2003 morreram 18 pessoas, o País chorou e a classe política prometeu acção, mas efectivamente nada fez. E a tragédia deste ano é a consequência lógica tanto das suas más decisões como da sua inexplicável inacção.

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A campanha eleitoral em Sintra está a ser marcada por uma questão pessoal: o percurso político do candidato socialista, antigo fundador do CDS e ex-defensor dos patrões da Indústria.

Sintra sociedade sem classes? Monserrate a caminho da gestão socialista? Maddona e o proletariado a tomarem conta do Lourel? A aliança operário-camponesa instalada a banhos na Praia das Maçãs? Se acreditássemos nas coisas espantosas que os homens dizem, todos estes cenários seriam plausíveis – agora que estamos à beira de umas eleições autárquicas em que um dos principais concorrentes à Câmara sintrense é o actual autarca, Basílio Horta, carente de mais um mandato.

Mas O DIABO anda cá há muitos anos e já não acredita nas coisas espantosas que os homens dizem. Basílio Horta, por exemplo.

Basílio Adolfo de Mendonça Horta da Franca já tinha 31 anos feitos quando, em 19 de Julho de 1974, ajudou a fundar o CDS: não se pode dizer que tenha sido levado por um impulso irreflectido de adolescente. Jurista com Curso Complementar da Universidade de Lisboa, encetara uma circunspecta carreira em cargos públicos e posicionava-se, nesse momento, como um dos três dirigentes máximos da Direita parlamentar portuguesa.

Foi nessa presunção, pelo menos, que muitos portugueses lhe deram o seu voto, ao longo de anos, elegendo-o deputado à Assembleia Constituinte e à Assembleia da República. Nessa qualidade foi ministro do Comércio e Turismo dos II e VII Governos Constitucionais, ministro de Estado e Adjunto do Primeiro-Ministro do VII Governo Constitucional e ministro da Agricultura, Comércio e Pescas do VIII Governo Constitucional. Foi vice-presidente e secretário-geral do CDS, vice-presidente da Assembleia da República e membro do Conselho de Estado em representação do seu sector de opinião. Tendo sido secretário-geral da Corporação da Indústria nos tempos da outra senhora, foi-lhe entregue o cargo de director-geral da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), o que pressupõe a confiança do patronato industrial, nesses tempos apodado de “fascista” e “monopolista”. E em 1991, coroando uma carreira de serviço à Direita e à Propriedade Privada, foi candidato a Presidente da República com o apoio do CDS.

Mas em 2001, aos 58 anos, Basílio Horta decidiu mudar de vida. Começou por abandonar o CDS para aderir ao Partido Socialista, cujos princípios doutrinários tinha passado a vida a combater.

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“O mais grave na gestão camarária de Leiria é o compadrio”, afirma. Sempre polémico, Fernando Costa foi Presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha durante longos anos em que pura e simplesmente revolucionou a cidade. “Apanhado” na guilhotina da limitação de mandatos – medida com que nunca concordou –, nas últimas autárquicas candidatou-se a Loures e ajudou a geriu uma Câmara ganha pelo comunista Bernardino Soares. Este ano é o cabeça de lista do PSD a Leiria. Fernando Costa respondeu a um questionário elaborado por Eva Cabral , e dividido claramente em duas partes: A Política e A Vida. Diz “ter uma convicção muito forte” de que pode ganhar Leiria.

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É cabeça de lista a Leiria pelo PSD. Como tem visto a actual vaga de incêndios no distrito de Leiria? O que preconiza para actuação dos bombeiros?

Daqui a umas semanas, com os mortos esquecidos dos noticiários, tudo ficará na mesma: agora, é a hipocrisia política ao melhor nível. As causas e os problemas vão continuar nas próximas décadas. Também não é fácil de resolver, confesso. A desertificação do Interior e a falta de políticas florestais correctas são muito prejudiciais. Há mato a mais, e o mato é que vai continuar a matar os inocentes destas tragédias. Os criminosos, entre eles os políticos, não se vão “demitir”. Uns têm nisto, nas cenas dantescas, prazer, outros interesses económicos e outros falta de ética. Os bombeiros, jovens cheios de ideal, e os mais velhos, homens respeitáveis, merecem toda a minha admiração pelo seu heroísmo. Um dia vão desaparecer, cansados da incompetência e da falta de ética dos altos dirigentes, dos políticos e dos que vivem dos negócios à volta deste “fogo infernal”. Por que demitiram um homem altamente competente, José Manuel de Moura?

 

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EVA CABRAL

É líder do CDS-PP e encabeça a coligação “pela Nossa Lisboa” que junta CDS-PP, MPT e PPM na corrida à Câmara da capital. Há meses no terreno, Assunção Cristas respondeu a um questionário elaborado por Eva Cabral, e dividido claramente em duas partes: a Política e a Vida. São vinte perguntas sobre um exercício de equilíbrio que uma determinada e sorridente mulher escolheu para a Política e para a Vida.

  • Está no terreno há meses, à frente de uma coligação que une CDS-PP, MPT e PPM na corrida à Câmara de Lisboa, intitulada “pela Nossa Lisboa”. Se for eleita Presidente da CML qual a sua primeira prioridade?

Para mim, há dois temas que ocupam ‘ex æquo’ o primeiro lugar: a mobilidade na cidade, que toca a todos (desloquemo-nos em transporte colectivo ou individual), é caótica e responsável por uma grande perda de qualidade de vida; e a inclusão social, porque me chocam de forma muito particular os inúmeros relatos que tenho ouvido nos bairros sociais, onde abundam casas por atribuir e há muitas famílias em casas sobrelotadas e/ou à espera de uma casa.

  • A pressão turística descontrolada não está a matar Lisboa?

Há gestão urbana a menos em áreas cruciais, muito afectadas pelo turismo, nomeadamente: mobilidade, higiene urbana, habitação. A CML tem um papel a desempenhar em todos estes domínios e pouco ou nada tem feito. É preciso encontrar um são equilíbrio na convivência entre residentes e turistas. O turismo traz emprego, riqueza, cosmopolitismo à cidade, mas é preciso dar atenção particular aos residentes. Até porque sem nós os próprios turistas, que tanto referenciam a autenticidade de Lisboa, perderão o interesse em visitar-nos

  • O CDS-PP sempre foi contra as “taxas e taxinhas”. Quais vai eliminar?

À cabeça, a taxa de protecção civil, que é ilegal e porventura inconstitucional (o Provedor de Justiça, aliás, acabou de enviá-la para o Tribunal Constitucional). Mas identificámos mais de 200 taxas aplicáveis em Lisboa. Proponho um “simplex” neste domínio, de forma a organizar, fundir e eliminar na medida do possível e razoável. A taxa turística, que mereceu o voto contra do CDS, está hoje bem absorvida pelo sector, pelo que neste caso a nossa preocupação centra-se na utilização das verbas arrecadadas. Vários aspectos da tal gestão urbana mais eficaz que a pressão do turismo reclama podem ser financiados por esta taxa, em estreito diálogo com o sector.

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O ‘spin’ feito com os pés tem destas coisas. António Costa resolveu pôr a circular que lutou até ao fim para que a Agência Europeia do Medicamento (EMA) ficasse no Porto. Mas neste caso estrambólico, em que um “conflito Norte-Sul” encobre uma guerra política que agitou a última semana, Rui Moreira desmente sem margem para dúvida: a comissão que supostamente avaliou a candidatura tinha na designação uma referência inequívoca à instalação “na cidade de Lisboa”.

O ‘spin’ de Costa é passado a ferro pelo autarca do Porto. Rui Moreira afirma ter sido uma “enorme surpresa” o facto de fonte oficial do gabinete do primeiro-ministro ter dito que este tentou que a Agência Europeia do Medicamento (EMA) ficasse no Porto, e que Costa só mudou a posição depois de a comissão da candidatura portuguesa se ter deslocado ao Reino Unido para analisar as condições de sucesso nesta corrida.

O autarca lembra que a designação desse organismo nacional é, precisamente, “Comissão de Candidatura Nacional para a instalação da Agência Europeia do Medicamento na cidade de Lisboa”. A revolta do Porto e de outras cidades do País tem sido enorme.

Refira-se que a decisão sobre a relocalização das duas agências europeias com sede em Londres só deverá ser tomada no Outono, como adiantou há dias fonte da presidência maltesa do Conselho da União Europeia (UE). O processo de decisão, que estará na agenda do Conselho de Assuntos Gerais, de hoje, na terça-feira, no Luxemburgo, passa para já pela definição de critérios para a escolha da futura localização das agências que deixarão a capital britânica na sequência do ‘Brexit’ (saída do Reino Unido da UE).

 

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EVA CABRAL

Os senhorios vão ser prejudicados mais oito anos, por alterações legais agora introduzidas por óbvias intenções eleitorais, com as autárquicas marcadas para 1 de Outubro

As inadmissíveis e injustificadas alterações ao Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU) entraram em vigor na passada quinta-feira, 15 de Junho, permitindo a prorrogação por oito anos do período transitório de actualização das rendas antigas, segundo um diploma publicado no Diário da República. Além do NRAU, sofreram alterações a partir do mesmo dia o Regime Jurídico das Obras em Prédios Arrendados (RJOPA) e o Código Civil em artigos relacionadas com o arrendamento.

É uma verdadeira vergonha. A principal alteração introduzida ao NRAU foi a prorrogação por oito anos (mais três anos em relação aos cinco anos estabelecidos inicialmente) do período transitório de actualização das rendas antigas.

Neste âmbito, o período transitório de actualização das rendas dos contratos anteriores a 1990 vai prolongar-se até 2020 e aplica-se a todos os arrendatários com Rendimento Anual Bruto Corrigido (RABC) inferior a cinco Retribuições Mínimas Nacionais Anuais (RMNA) – 38.990 euros -, independentemente da idade.

Ou seja: o Estado tem pena dos inquilinos, mas “obriga” os senhorios a terem de abrir o porta-moedas para, por “caridade”, aguentarem rendas baixas mais anos. O Estado tem pena mas não é ele que paga. Uma República das bananas, o reino da geringonça.

 

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Digam lá quem é amiguinho, quem é? O Partido Socialista, que há dois anos estava à beira da bancarrota, já “só” deve 20,7 milhões de euros aos credores, graças a uma “renegociação da dívida” feita por Luís Patrão, ex-chefe de gabinete de José Sócrates e hoje o homem-forte do cofre socialista.

Deram há dias entrada na Entidade das Contas e Financiamentos Políticos do Tribunal Constitucional as mais recentes informações sobre a vida financeira do Partido Socialista. Sem querer entrar em detalhes, o secretário nacional para a organização do PS e responsável pelas contas do partido no poder, Luís Patrão, confirmou à imprensa que o PS está “a reduzir o défice” e que terminou o exercício de 2016 com “resultado positivo”.

É modéstia de Patrão, seguramente, pois o que este ex-chefe de gabinete do conterrâneo covilhanense José Sócrates Pinto de Sousa (e, antes disso, do fundanense António Guterres) conseguiu em dois anos foi um verdadeiro “milagre financeiro” para os cofres do PS.

Como O DIABO oportunamente referiu, o Partido Socialista encontrava-se numa situação financeira deplorável quando, em 2015, ao fim de alguns anos na oposição, voltou a perder as eleições legislativas. À sua frente tinha dois caminhos: ou aceitava os resultados e eternizava a sua posição subalterna longe do aparelho do Estado, sem cargos ou benesses para oferecer a camaradas e amigos, condenado a uma bancarrota mais do que certa; ou…

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HENRIQUE NETO

Não se compreende que possa haver surpresa com a decisão da Procuradoria Geral da República de acusar alguns dirigentes da EDP e da REN, por actos de duvidosa legalidade e de mais do que duvidosa seriedade, realizados no intuito de favorecer a EDP e prejudicar os consumidores e o Estado.

De facto, a acusação só peca por tardia, em vista de muitos factos conhecidos e publicados, bem como pelo percurso de alguns dos acusados na sua viagem entre os cargos políticos e os diferentes lugares em empresas públicas e privadas, estas apoiadas politicamente.

Ou seja, são pessoas que há muito habitam no que se convencionou chamar a promiscuidade entre a política e os negócios; e o resultado, mais tarde ou mais cedo, só poderia ser este.

Na recente conferência de imprensa, António Mexia centrou a sua defesa na ideia, repetida vezes sem conta, de que os famosos apoios do Estado se limitaram ao cumprimento da lei, sendo de espantar que nenhum jornalista tenha perguntado quem fez as leis e se estas não foram feitas à medida dos interesses da EDP pelos agora acusados, ou pelos seus parceiros nos governos e na Assembleia da República, como José Sócrates e Manuel Pinho.

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EVA CABRAL

A guerra declarada do Ministério da Educação da era da ‘geringonça’ aos “contratos de associação” com colégios privados é marcadamente ideológica. A esquerda acha que a escola tem de ser toda pública. Pouco interessa se custa mais ao Estado ter um contrato de associação ou uma turma no ensino público.

Com António Costa, a regra é simples: matem-se os contratos de associação e assassine-se a sangue frio colégios, professores, funcionários, alunos e famílias. O que interessa é proteger a FENPROF de Mário Nogueira e as exigências do PCP e do Bloco.

A organização que representa os colégios privados diz que os novos cortes nos “contratos de associação” este ano vão levar 6.000 alunos a mudar de escola, e mais de 600 professores e funcionários ao desemprego. Nada que leve Mário Nogueira a falar, já que a sua clientela é a do sector público.

“Esta decisão corporiza uma atitude persecutória contra este subsector de educação, pois, além de ilegal, carece de fundamento técnico”, denunciou a Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) em comunicado. “Mais uma vez, o Governo corta o acesso das famílias à escola que desejam, gera desemprego e cria precariedade a milhares de trabalhadores, docentes e não-docentes. O Governo reincide numa atitude absolutamente lamentável, que se condena de forma inequívoca, e que é incompreensível no Portugal de hoje”.

Recorde-se que a associação insiste na ilegalidade dos cortes de turmas nos colégios privadas financiadas pelo Estado, depois de o Governo ter divulgado que em 2017-2018 vão ser financiadas menos 268 turmas através dos contratos de associação, e insiste em que os cortes não se traduzem em poupanças, como argumenta o Ministério da Educação, mas sim em despesa.

A AEEP salienta que as turmas têm um custo superior no sector público e que o Ministério teve gastos acrescidos com obras de requalificação das escolas com a transferência de alunos do privado para o público. A associação diz ainda desconhecer os fundamentos para os novos cortes e afirma que “é urgente a publicitação de todo o processo que deu origem a este concurso” de financiamento.

Alunos em causa

No próximo ano lectivo, os colégios com “contrato de associação” vão perder apoios em mais de 268 turmas. Com estes cortes, o Ministério da Educação vai “poupar” mais de 21 milhões de euros, mas a Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo não compreende esta decisão.

“É espantoso o Governo vir agora dizer que como vai abrir mais turmas do 5º ano do que aquelas que queria, vai cortar mais no 7º e no 10º do que tinha pensado fazer. Ora, escolas públicas que iam receber turmas de 5º ano, afinal não recebem do 5º, recebem do 7º e 10º. Isto é absurdo”, comentou Rodrigo Queiroz e Melo, director executivo da associação, fazendo a radiografia das medidas avançadas pelo Ministério da Av. 5 de Outubro.

Rodrigo Queiroz e Melo acredita que o objectivo do Estado é acabar com todos os “contratos de associação”. “O que está em causa, por um lado, é acabar com o ‘contrato de associação’ e, por outro, é promover uma máquina produtiva e não uma máquina educativa, porque não sei como é que se educam alunos de terceiro ciclo e secundário em escolas de segundo ciclo ou vice-versa. Isto é uma visão muito pobre do sistema educativo. Não nos resta senão lamentar”.

O director executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo diz temer pelos alunos. “Os grandes prejudicados são os alunos e as famílias. Haverá para cima de 20 mil alunos que tinham percursos educativos onde estavam satisfeitos, desejados pelas suas famílias e que agora vêem interrompidos e são obrigados a ir para sítios diferentes”, acrescenta.

Rodrigo Queiroz e Melo frisa que esta não é uma questão de público versus privado. “Felizmente há escolas públicas de altíssima qualidade, não é isso que está aqui em causa. Só as escolas públicas que não têm qualidade é que têm medo dos contratos de associação”, remata.

Concursos até 14 de Junho

Em termos de financiamento, as 1.006 turmas que abrem em 2017-2018 representam uma despesa de 80,9 milhões de euros para o Estado, que compara com os 102,5 milhões de euros do corrente ano lectivo e com os 139,3 milhões de euros de 2015-2016.

A Direcção-Geral da Administração Escolar (DGAE) publicou já o aviso de abertura para celebração de “contratos de associação” para o próximo ano lectivo, tendo os colégios privados até 14 de Junho para se candidatarem ao financiamento do Estado.

Os colégios devem pertencer às áreas geográficas identificadas num anexo do aviso de abertura como sendo aquelas onde existe carência de oferta pública.

“Tal como no ano passado, para determinar quer as áreas da carência, quer o número de turmas a concurso (financiado), o Ministério da Educação desenvolveu um estudo de rede de preparação do próximo ano lectivo, do qual decorre que para 2017-2018 a necessidade de financiamento de turmas ao abrigo de contratos de associação diminui em 268 turmas face ao ano lectivo de 2016-2017”, refere a nota do ME.

O valor de financiamento por cada turma contratualizada com os privados mantém-se nos 80.500 euros.

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EVA CABRAL

Obcecada com obrinhas de fachada e operações de charme, a autarquia socialista deixou chegar à derrocada iminente a mais célebre “varanda” da capital. Agora, é pagar obras de emergência recomendadas pelo eterno Salgado…

Isto é mesmo uma piada de muito mau gosto. O Medina dos canteirinhos e das pistas para biclicletas vazias esqueceu-se do importante. No miradouro de São Pedro de Alcântara surgiram fissuras perigosas; e agora, com o argumento de ser necessário garantir a segurança de pessoas e bens, a Câmara de Lisboa quer contratar, através de ajuste directo, uma empreitada de 5,5 milhões de euros.

Tanto canteirinho a esturricar ridículo ao sol de Lisboa, graças a um autarca que faz da cidade o que muitas velhinhas fazem das escadas dos prédios com intrincados arranjos florias. Claro que os das velhinhas vivem, pois são amorosamente regados. Os do Medina já estão a ser mega-cinzeiros, e a chegada do tempo de Verão lhes dará a machadada final.

Mas vamos às fissuras. De acordo com uma proposta que esteve em discussão na última reunião privada da Câmara, e que foi revelada pela agência Lusa, a intervenção “visa a execução de trabalhos de engenharia geotécnica de carácter definitivo”, de forma a “sanar a situação de instabilidade actualmente verificada e corrigir os danos já identificados nas estruturas existentes, restabelecendo as adequadas condições de funcionamento estrutural deste miradouro centenário e histórico”.

Ao mesmo tempo, “reduzirá, ao máximo, a possibilidade de futuros danos no mesmo, decorrentes dos inevitáveis agentes naturais a que está sujeito, como sejam, entre outros, as águas pluviais e de circulação interna e os sismos, que podem conduzir, rapidamente, a novas situações de instabilidade”, aponta o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado (sempre o Manuel Salgado, pois o Medina deve andar a contar os ciclistas), que assina o documento.

Na proposta, o autarca explica que o Miradouro de São Pedro de Alcântara, com mais de 250 anos de existência, é composto por três plataformas, cada uma suportada por um muro de alvenaria de pedra.

Contudo, em 2006 verificou-se o “aparecimento de fissuras no pavimento intermédio do Miradouro, de deformação do pavimento da Rua das Taipas, de roturas de infra-estruturas e de movimentos dos bordos das juntas e fendas dos muros de suporte de terras do miradouro”, situação que tem sido objecto de “monitorização e acompanhamento regular” da Direcção Municipal de Projectos e Obras.

Depois de analisar várias soluções e de ter consultado o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), a autarquia resolveu apostar em obras de impacto reduzido, evitando a escavação dos terrenos.

O que são as obras?

Por estarem em causa “valores de ordem pública, relativos à salvaguarda de pessoas e bens, face ao risco iminente de deslizamento de terras locais ou globais”, o município decidiu, também, optar pela contratação de uma empreitada por ajuste directo à empresa Teixeira Duarte Engenharia e Construções. Mais uma vez à Teixeira Duarte.

Os trabalhos, com um valor base 5,49 milhões de euros, têm um prazo de execução previsto de cinco meses.

Tal opção é justificada com a “urgência” e pelo “carácter excepcional da situação verificada”, vinca Manuel Salgado, adiantando que, caso se optasse pelo concurso público, este estaria “sujeito a prazos e formalidades inultrapassáveis, que não se compadecem com a urgência da intervenção”.

Mas se seguia o dossier e é tão especialista, se o PS está na Câmara de Lisboa há uma década, por que raio ninguém fez as obras? Andam antes a destruir calçada portuguesa e a fazerem laguinhos para alindar Lisboa?

As obras visam a execução de cortinas e contrafortes em estacas moldadas e de vigas de travamento, a reabilitação dos muros existentes, a remoção controlada da camada de terras e implementação de plano para medir eventuais deslocamentos horizontais e verticais do talude.

Em comunicado, a autarquia (de maioria PS) informa que, pontualmente, os trabalhos podem vir a condicionar a circulação automóvel nas ruas das Taipas e de São Pedro de Alcântara. Mas lixar os automobilistas é o desporto preferido do Medina. Com fecho de ruas e a EMEL em pleno saque.

Voltando ao comunicado. “As obras terão início com brevidade, pois trata-se da época do ano mais favorável à sua realização por razões climatéricas”, aponta o município, acrescentando que “o acesso ao jardim na parte superior não será condicionado durante a obra, com excepção da protecção de acesso à plataforma superior”.

A saloiice da Maddona

Para além da obsessão das florinhas, o autarca de Lisboa conseguiu ainda a proeza saloia de forçar um encontro com Madonna depois de se especular que a cantora podia vir comprar casa em Lisboa.

Como é republicano e socialista, Fernando Medina esteve à conversa com Madonna em Lisboa no Hotel Ritz, num “encontro de natureza institucional”.

Institucional? Deixem-se de conversas. Medina deve ter sonhado com Madonna em jovem e agora, qual saloio, puxou dos galões e explicou que ele é que é o Presidente da Câmara. Enfim, lá se impingiu.

Num cúmulo da indigência intelectual, em entrevista à TVI, o presidente da Câmara de Lisboa escusou-se a confirmar se a cantora vai ou não comprar casa na capital, mas admite que tal “seria importante para o País”. Um louco. Vá antes pegar num regador e salvar algumas das plantinhas.

“Foi uma conversa muito agradável”, comentou Fernando Medina (talvez para ele), contando que aproveitou para elogiar a “participação cívica” de Madonna contra as políticas de Donald Trump. Ela deve ter ficado extasiada com o elogio do Medina. Qualquer um fica, tal o gabarito do personagem.

“Tive o cuidado de transmitir uma mensagem de boas-vindas. Queremos que as pessoas se sintam bem em Lisboa, em Portugal, em Sintra se for caso disso”, acrescentou o autarca com um sorriso. Um sorriso tonto, acrescenta a escriba, uma vez que ele só é mesmo autarca em Lisboa. O País, caso Medina não saiba, é outra coisa.

A ‘Rainha da Pop’ esteve em Portugal durante uma semana com o filho David e as filhas Esther e Stella. Pode ser que se tenha apaixonado por Lisboa. Ou até pelo Medina…

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