Manuel Silveira da Cunha

António Costa, primeiro-ministro, sacou da cartola seis estações de Metro para Lisboa.

É conveniente situar: a capital é uma cidade parada, imóvel, encravada pela loucura anti-automóvel que atacou todos os políticos da esquerda militante que ocupa a sede municipal, epidemia que começou com a própria vereação Costa. De facto, o despejar de muitíssimos milhões de euros de dinheiros dos turistas e dos lisboetas, despojados da sua própria cidade pelas negociatas associadas ao boom do turismo, no sistema de trânsito da cidade destina-se, sobretudo, a impedir o automóvel de circular.

Esqueceram-se os senhores que governam a cidade de Lisboa que seria conveniente melhorar o sistema de transportes públicos antes de acabar com o automóvel. As dezenas de milhões de euros gastos nos eixos centrais e previstos para a segunda circular, que se seguirá após as eleições, teriam sido muito mais proveitosos se gastos no Metropolitano de Lisboa, de forma a recuperar a circulação na casa dos mais de setenta quilómetros por hora (que, por razões de segurança, não passa agora dos quarenta e seis por hora), modernizar o material circulante, recuperar as composições avariadas, repor as seis carruagens onde agora apenas circulam quatro ou três. A prioridade deveria ter sido recuperar os mais de cem milhões de passageiros perdidos.

Depois de recuperar esses passageiros, lisboetas e portugueses que precisam do Metro para ir para o trabalho ou levar os filhos à escola ou para fazer compras, o objectivo seria dotar o Metro de condições para transportar pessoas e bagagens, uma vez que agora os turistas que assaltam Lisboa também assaltam o Metro e os lugares disponíveis com milhares de malas, sacos e volumes diversos que impedem a circulação dos habitantes locais. Recuperar estações, arranjar (entre outras coisas) infiltrações, escadas rolantes, elevadores avariados, cuidar da higiene, limpar grafitis, tirar o cheiro a urina que conspurca os corredores, isso sim, seria um plano verdadeiramente ambicioso!

Dotar a cidade de transportes rodoviários decentes e confortáveis, incluindo o autocarro e o eléctrico, que seria reposto em grande parte da cidade, fiscalizar a sério o estacionamento selvagem e em segunda fila, permitiria a circulação destes transportes e levaria a uma enorme recuperação de público nos transportes públicos, sem esquecer uma rede séria, digna e eficiente de transportes escolares.

Depois de dadas alternativas dignas é que faria sentido atacar o excesso de circulação automóvel. Começou-se pelo telhado da casa, primeiro faz-se a vida de toda a gente um inferno. Apenas os atletas sem filhos para deixar nas escolas se podem dar ao luxo da alternativa que Medina quer obrigar todos a usar: a bicicleta. Num acto de verdadeiro autismo que esquece os declives acentuadíssimos da cidade e a ausência de condições para parquear os velocípedes e para tomar banho e mudar de roupa nos empregos, constroem-se ciclovias que quase ninguém usa e fazem-se planos para bicicletas partilhadas que custam mais de duas dezenas de milhões de euros.

Vem agora, em vésperas de eleições, o amigo Costa prometer seis estações novas de Metro, quando tem o sistema actual avariado e sem composições para as estações que já existem. Logo a seguir, para esmagar a concorrência, Assunção Cristas manda para o ar vinte estações de Metro. Atendendo a que os políticos estavam todos em Fátima, será que foram pedir aos novos santos Jacinta e Francisco o milagre da multiplicação dos Metros?

Quando o Papa Francisco chegar a Fátima, na próxima sexta-feira, verá iluminar-se a peça de Joana Vasconcelos intitulada “Suspensão”. É feita de contas brancas, tem 26 metros e vai ser iluminada pela primeira vez precisamente na noite de 12 de Maio, quando o Papa Francisco entrar no recinto do santuário.

A questão é a fealdade do objecto, a sua classificação como arte, a sua originalidade. Questões que têm uma importância fundamental naquilo que se define como arte hoje em dia. É nesta classificação que a discussão sobre o Terço da Joana se deve fixar, e não noutras.

Existe velho um ditado português que diz que “gostos não se discutem”; esse adágio é fruto de uma enorme contradição portuguesa, a velha luta entre a piolheira popular e o advento do Quinto Império. Para fixar ideias: o cantor Quim Barreiros representa o primeiro Portugal, os pensadores Agostinho da Silva e António Quadros ou o poeta Fernando Pessoa, entre tantos outros, representam o segundo. Esta é uma visão simplista, pois figuras nobres e dignas como o Velho do Restelo são difíceis de catalogar. O Velho do Restelo é uma figura conservadora, temerosa, ancestral, uma figura que abomina certamente o Quim Barreiros, mas que não abraça Camões ou Pessoa. Como Roger Scruton já nos ensinou bastas vezes, os gostos discutem-se e discutem-se fortemente. Essa discussão chama-se Estética.

Segundo o jornal ‘Observador’, o reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, referiu que quando foi lançado o desafio à artista para realizar uma obra que marcasse o centenário tinha a noção “da enorme dificuldade que representava”, “criar uma obra de arte à escala deste enorme recinto era um desafio fora do comum”. “Este desafio foi felizmente aceite”, adiantou Carlos Cabecinhas que, dirigindo-se a Joana Vasconcelos, deu os parabéns, dizendo-lhe que “criou uma peça extremamente fotogénica” que “consegue dominar este enorme recinto de oração”. Lá que domina, domina!

A questão muito abordada pelo sacerdote é que se trata de uma encomenda de uma putativa “obra de arte”, uma obra de arte que vai emoldurar a entrada daquela que é, indiscutivelmente, uma verdadeira obra de arte, a extraordinária Basílica da Santíssima Trindade! Desenhada por um artista, o grande arquitecto grego Alexandros Tombazis, tem o desenho de engenharia de José Mota Freitas que lhe valeu o maior galardão internacional de engenharia do Mundo.

Próximas da Basílica há esculturas de artistas a sério como Domingos Soares Branco e Joaquim Correia, na própria Basílica situam-se os Painéis do Rosário de Pedro Calapez, e há intervenções dos artistas Kerry Joe Kelly, Francisco Providência, Catherine Green, Vanni Rinaldi, Benedetto Pietrogrande, Marko Ivan Rupnik, Czeslaw Dzwigaj. A notabilíssima execução da Cruz Alta, localizada no exterior da igreja, em ferro, com 34 metros de altura, é do grande escultor alemão Robert Schad. A escultura suspensa no pórtico de entrada é da autoria da artista cipriota Maria Loizidou. E há ainda um notável conjunto de painel de azulejos da autoria de Álvaro Siza Vieira.

É junto deste conjunto de artistas, representações dignas do Portugal do Quinto Império, encomendas esclarecidas da Igreja, que figura o Terço da Joana, uma lídima representação do outro Portugal, não menos Portugal, não menos típico, um Portugal que o Velho do Restelo também abominaria, mas um Portugal menor, o Portugal da sardinha assada e do chouriço na brasa que tem o seu lugar num parque de merendas. Terá lugar num altar do Mundo? A Igreja antes contratou Miguel Ângelo, Caravaggio, Palestrina, Mozart ou o Schad que realizou o Cristo lindíssimo da Cruz Alta que será eternamente posto ao mesmo nível dos ‘leds’ e bolas da Joana.

É caso para invocar um raio divino, uma aparição colérica do Senhor dos Exércitos, que dê utilidade ao Terço.

Resolvemos plasmar neste texto os artigos do Código Penal Português relativos à questão da vacinação e da sua ausência. Consideramos que a proibição de vacinação de crianças a cargo de progenitores ou tutores legais constitui um facto de extrema gravidade que, além de deixar expostas crianças a doenças potencialmente fatais, também concorre para a propagação, de forma negligente, de doenças muito graves no seio da comunidade, sendo um crime contra a vida em sociedade.

Decorre da atitude de não vacinar uma tipificação que, vista em sentido lato, constitui crime contra as pessoas e a sua integridade física e, ao mesmo tempo, crime contra a vida em sociedade. Os artigos 144º e 148º estão na primeira categoria e os artigos 283º e 285º na segunda categoria.

«Artigo 144.º

Ofensa à integridade física grave

Quem ofender o corpo ou a saúde de outra pessoa de forma a:

a) […]; b) […]; c) Provocar-lhe doença particularmente dolorosa ou permanente, ou anomalia psíquica grave ou incurável; ou d) Provocar-lhe perigo para a vida;

é punido com pena de prisão de dois a dez anos.

Artigo 148.º

Ofensa à integridade física por negligência

1 – Quem, por negligência, ofender o corpo ou a saúde de outra pessoa, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias.

Artigo 283.º

Propagação de doença, alteração de análise ou de receituário

1 – Quem:

a) Propagar doença contagiosa; b) […]; c) […];

e criar deste modo perigo para a vida ou perigo grave para a integridade física de outrem é punido com pena de prisão de 1 a 8 anos.

2 – […]. 3 – Se a conduta referida no n.º 1 for praticada por negligência, o agente é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa.

Artigo 285.º

Agravação pelo resultado

Se dos crimes previstos nos artigos 272.º a 274.º, 277.º, 280.º, ou 282.º a 284.º resultar morte ou ofensa à integridade física grave de outra pessoa, o agente é punido com a pena que ao caso caberia, agravada de um terço nos seus limites mínimo e máximo.»

Da análise deste articulado compreende-se que a ausência de vacinação de uma criança que resulte na sua posterior morte ou grave doença pode ser entendida como uma forma de infligir/praticar um dos crimes referidos acima por negligência e, salvo melhor opinião, deveria ser objecto de estudo por parte do Ministério Público.

A não vacinação dentro dos prazos estipulados, quando não existir razão médica, deve também ser encarada como uma forma de propagação de doença grave, quando existir um nexo de causalidade entre a doença contraída pela pessoa em causa e a propagação da mesma a outras pessoas na sua vizinhança, se se provar que se deu esta propagação por falta do dever de vacinação.

A vacinação é, sabe-se hoje, e a ciência confirma-o, uma forma de higiene crucial na prevenção e erradicação de doenças gravíssimas. A sua ausência generalizada seria um retorno à barbárie em que existiam taxas de mortalidade infantil de mais de cinquenta por cento. Quem não vacina os seus é triplamente insidioso, expõe os seus rebentos à morte de forma horrível, concorre para a propagação de doenças potencialmente fatais e, de forma egoísta, fia-se em todos os outros que vacinam as suas crianças para não serem expostos aos agentes que, sem uma vacinação generalizada, pululariam. Os exemplos recentes que expõem muitos casos de não vacinação são um sintoma do que aconteceria se todos agissem de forma ignorante e malévola: a protecção que agora existe desapareceria e muitos milhares de crianças, e adultos, morreriam de tétano ou ficariam irremediavelmente marcados pela poliomielite, para não ir mais longe.

Não deverá ser necessário fazer mais alterações à lei, o Código Penal já dispõe de meios punitivos para quem veja a não vacinação ser a causa de propagação de doença grave. Falta a medida pedagógica, que já vigorou em tempos, de impedir que quem não esteja vacinado não possa ter acesso à escola.

José António Cerejo denunciou em tempos Sócrates, e bem. Agora anda obcecado com a Igreja Católica. Escreve um artigo, este Sábado de Páscoa, a denegrir a instituição e as suas finanças. O visado é o cónego Álvaro Bizarro, que gere o património e finanças do Patriarcado de Lisboa há mais de duas décadas. Como católico, acho profundamente errado que um mesmo homem se eternize num lugar chave. No entanto, o ataque soez contra uma instituição que assegura mais de setenta por cento da assistência social em Portugal é vergonhoso.

Numa enorme confusão de números que Cerejo não consegue entender, nem explicar, percebe-se que uma das verbas que dá é a de que um seminarista estrangeiro em pensão completa em Lisboa, incluindo roupa, alojamento, comida, estudos, livros, papel, computador, viagens, não pode custar mais de 333 euros por mês ao Patriarcado. O que faria o Patriarcado ao resto do dinheiro das dádivas quaresmais que são mais de duzentos mil euros? Esquece-se de que há mais dádivas para além dessa e espanta-se que a Igreja gaste muito mais em assistência, seriam uns oitocentos mil; mas por outro lado falta dinheiro, afirma Cerejo! Talvez seja da veterania, que Cerejo é jornalista há mais tempo do que Bizarro é ecónomo, mas as confusões do jornalista são muitas e muito pouco explicadas.

Não sei se Cerejo tem filhos, mas ele que ponha a receita para gastar 10 euros por dia com um estudante universitário ou liceal em Lisboa, incluindo duas viagens por ano para a Índia ou Mindelo ou outra localização intercontinental, que o povo agradece. Eu penso que nem o Salazar, reconhecidamente económico, conseguiria tal milagre. Talvez a Igreja Católica o consiga, mas se assim for, aqui fica o elogio a esta instituição.

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Várias semanas após a escolha de Teresa Leal Coelho para encabeçar a lista do PSD em Lisboa, confirma-se o anunciado desastre que conduzirá Medina de novo ao poder, levado ao colo pela antipatia da senhora e pela sua história recente.

Teresa Leal Coelho não faz declarações, não aparece no combate político, não denuncia nem capitaliza a pouca-vergonha da gestão Medina em Lisboa. Teresa Leal Coelho é o vácuo, o nulo, sem ideias, sem plano, escrito sem convicção pela mão alheia de José Eduardo Martins, e não tem qualquer hipótese, também devido à sua figura desgastada e antipática de defensora número um da troika e de Passos Coelho que desagrada visivelmente ao eleitorado.

Medina, que chegou a presidente de câmara sem ir a votos, continua com sorte: com tal escolha é inevitável uma derrota esmagadora do PSD. A única vantagem é que uma derrota estrondosa do PSD perante um fraco Medina em Lisboa deverá levar a uma rápida substituição de Passos Coelho por alguém capaz como Rui Rio. Marcelo, “o catavento político” de Passos Coelho, agradece, mais uma vez, a pouca inteligência da escolha.

Entretanto, no Porto, o PSD anuncia uma campanha em que vai tentar provar que “Rui Moreira é um bom presidente de Câmara” é um mito! Meu Deus! Será que ninguém consegue ensinar àquelas cabecinhas que fazer uma campanha já de si negativa, e ainda por cima afirmando peremptoriamente no princípio estratégico fundamental a negação do que querem provar usando o termo “bom presidente de câmara”, vai reforçar a imagem positiva de Rui Moreira junto da população? A mensagem é muito complicada e não passa para o público. Lembram-se da fase de Guterres “No jobs for the boys”? O “não” caiu e ficou apenas a parte dos “boys” do PS e de tachos para a rapaziada.

Recentemente começou a circular uma petição para incluir D. Duarte Nuno no protocolo de Estado. Sua Alteza Real não tem qualquer reconhecimento oficial do Estado português, apesar de ser o herdeiro do Trono de Portugal, descendente e herdeiro dos reis que governaram o país durante quase oitocentos anos, de estar depositado sobre a sua figura a tradição e representação dos reis que fundaram a Pátria. Portugal esqueceu-se da sua história.

Os arrivistas que desempenham o lugar que cabe por direito ao rei, o lugar de representação e de cabeça da Nação, os mesmo arrivistas que desbarataram a herança da Monarquia Portuguesa, a mesma monarquia de nos deixou a língua portuguesa, que nos deu Camões e Pessoa, monárquico nascido em 1888, a mesma monarquia que fez de Portugal maior entre os grandes, esquecem-se de que os despojos que agora disputam, os despojos de um Portugal a esvair-se no nevoeiro, são restos da herança da Coroa de Portugal.

A ingratidão da putativa democracia portuguesa republicana e laica é directamente proporcional à avidez cúpida dos devoristas que hoje sangram o país e os portugueses esquecendo que Portugal já foi uma verdadeira democracia em tempos finais da monarquia, como monarquias são os países mais desenvolvidos do Mundo, como a Noruega ou a Suécia.

Honrar Dom Duarte não é honrar o homem, é honrar a memória, a história, a memória e os genes dos nossos antepassados. Esquecer o príncipe que ocupa o lugar de herdeiro ao Trono de Portugal é cuspir em Portugal e na sua fundação e apogeu.

É evidente que Sua Alteza Real está acima de quaisquer que ocupem transitoriamente os poderes políticos efémeros e corruptos de hoje em dia. É evidente que no coração de Portugal D. Duarte Nuno tem um lugar especial. É evidente que mesmo que seja reconhecida a sua posição no protocolo de Estado não lhe será dado o lugar de primazia a que tem direito como representante da Nação Portuguesa. Mas será o mínimo dos mínimos para respeitar a memória de um país.

D. Duarte não precisa de um lugar atrás de duzentos ou trezentos sobas do regime, esse lugar primacial é seu por direito. Mas reconhecer a sua figura, e a figura de qualquer dos seus filhos ou netos que ocupe o seu lugar no futuro é essencial para a reconciliação entre o triste Portugal de hoje e o Portugal Eterno que perdurou por setecentos anos e que voltará um dia, quando finalmente se realizar o Quinto Império neste país.

Saiu no Diário de Notícias uma entrevista a Teixeira dos Santos, ex-ministro das Finanças de José Sócrates Pinto de Sousa, um dos responsáveis pela situação actual da Caixa-Geral de Depósitos e que nós prevíamos neste mesmo jornal, em artigo publicado em 2012, que iria dar em catástrofe.

Segue textualmente com perguntas e respostas e a devida vénia ao DN o texto da entrevista no ponto em que interessa. A ortografia é do DN, que segue o acordês em vez do Português.

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“Teve responsabilidades diretas sobre a Caixa quando era ministro das Finanças, e escolheu um conselho de administração para a Caixa…

Escolhi dois, até.

Quando escolheu Armando Vara fê-lo por considerar que era um bom gestor bancário?

Sim.
E não se arrepende disso?
Não… Atenção! Eu acho que – e não tenho, para já, motivos, e as questões que têm vindo a ser levantadas, para mim, ainda estão por esclarecer -, neste momento, não tenho razões para dizer que foi uma má escolha. Naquele momento era uma pessoa que conhecia, com quem tinha trabalhado no governo, uma pessoa que conhecia a Caixa, porque tinha lugares de elevada responsabilidade na Cai- xa e, portanto, era uma pessoa que me dava con ança para cumprir um cargo: o cargo para que foi, ao m e ao cabo, convidado e que aceitou. Não tive, na altura, quaisquer dúvidas quanto à sua capacidade, que aliás revelou durante o período que esteve na Caixa, a ponto de o doutor Santos Ferreira, quando foi convidado para o BCP, entender convidar o Dr. Armando Vara para o levar consigo para o BCP, porque lhe reconheceu capacidade e competência, porque o mostrou enquanto esteve como administrador da Caixa. Portanto, isso, para mim…”

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Há pouco mais a dizer. Teixeira dos Santos nomeou Armando Vara porque o conhecia! Tinha tido lugares de elevada responsabilidade, creio que um desses lugares de grande responsabilidade teria sido o de caixa num balcão remoto da instituição, o que é realmente algo de muito importante e que valoriza o currículo de qualquer gestor bancário. Uma das razões porque Teixeira dos Santos convidou Armando Vara foi porque “ao fim e ao cabo” ele o convidou e o sr. Vara aceitou!

Uma das grandes valias do sr. Vara foi ter sido reconhecido por um dos homens que conduziu o chamado “assalto do PS ao BCP” (que, entre outras coisas, quase culminava com falência deste banco), o também extremamente competente “doutor” Santos Ferreira!

Felizmente o jornal não cortou as hesitações, engasgos e soluços do Sor doutor Teixeira dos Santos para se perceber o embaraço. O que é espantoso é que Vara foi responsável pelas participações financeiras da Caixa, sector que se revelou catastrófico para a CGD e fantástico para alguns devedores que embolsaram os capitais e que nunca pagaram. O senhor doutor Teixeira dos Santos, que agora trabalha para os angolanos do BIC que lhe compraram o nosso BPN a si mesmo, “não tem, para já, motivos” para duvidar da escolha de Armando Vara e dois conselhos de administração que escolheu para a Caixa, onde aliás pontificavam outras sumidades do nosso sistema bancário como Celeste Cardona, nomeada precisamente em 2005.

Será que mais de quatro mil milhões de motivos não lhe bastam?

O portuense Fernando Medina, agora e por mercê da sua ambição e sorte presidente da Câmara Municipal de Lisboa, tem-se encarregue de fazer a vida negra aos lisboetas, agora que herdou o que ele usa como trono municipal. O turismo e o Sol são as mercadorias que usa para correr com os lisboetas da sua cidade, substituindo-os por turistas.

Os preços elevadíssimos praticados no centro, os despejos para arranjar quartos para os turistas estrangeiros, as casas vendidas a preço de ouro aos franceses envelhecidos ou aos chineses ricos lembram um pensamento do gigante intelectual que foi Marcello Caetano, autor de mais de cem trabalhos de grande vulto na área do Direito e que escreveu em poucos meses o Código Administrativo, o último dos presidentes do Conselho de Ministros da segunda república. Um legalista que não teve a força para impor a sua vontade reformadora aos ultras do regime em termos políticos, mas que teve o engenho para acelerar o crescimento de Portugal, apesar da guerra, para números superiores a 10 por cento ao ano. O pensamento, proferido depois do vinte e cinco de Abril de 1974 diz:

“Sem o Ultramar estamos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade das nações ricas, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma nação que estava em vésperas de se transformar numa pequena Suíça, a revolução foi o princípio do fim. Restam-nos o Sol, o Turismo, a pobreza crónica, a emigração em massa e as divisas da emigração, mas só enquanto durarem. As matérias-primas vamos agora adquiri-las às potências que delas se apossaram, ao preço que os lautos vendedores houverem por bem fixar. Tal é o preço por que os Portugueses terão de pagar as suas ilusões de liberdade.”

Há outros que seguem a via fácil do Sol e do turismo, agora quase quarenta anos volvidos sobre o desaparecimento de Marcello Caetano no seu exílio no Brasil em 1980, país do qual nunca foi autorizado a regressar pela “democracia”, apesar de nunca ter sido condenado por qualquer tribunal. Bem entrados no século XXI, o modelo de desenvolvimento dos Fernandos Medinas deste país de chico-espertos assenta precisamente no turismo que não erradica a “pobreza crónica e a emigração” tão (in)felizmente enunciadas por Marcello. No caso de Marcello, a desilusão apontava estes como os únicos caminhos, no caso dos Medinas, é mesmo o interesse que lhes aponta essa solução fácil. A minha grande amargura como lisboeta é que, infelizmente, por grande falta de inteligência e inacção política de Passos Coelho, o medíocre Medina das soluções fáceis continuará a governar e a destruir sistematicamente Lisboa e a sua base populacional substituindo-a por alojamentos de curta duração para turistas de classe média baixa e de pé descalço, mesmo assim mais ricos do que os lisboetas.

E o dinheiro obtido assim servirá apenas para comprar petróleo e outras matérias-primas que as potências ricas ocidentais continuam a controlar depois de terem obtido o domínio do antigo espaço ultramarino português, esmagado pelas jogadas da guerra-fria. Se a Inglaterra manteve os seus interesses através da Commonwealth, se os EUA conseguiram obter esse domínio por força de se terem assumido como super-potência, Portugal deixou-se iludir por vãs ideias de liberdade sem dinheiro, que significa, de facto, escravidão. Escravidão da qual sairemos não pelo turismo, como bem sabia Marcello Caetano, mas pelo desenvolvimento cultural e intelectual da Nação.

Marcello Caetano, fruto da desilusão, não acreditava na viabilidade de um Portugal isolado neste canto da extrema ocidental da Europa. Alguns apostaram na União Europeia, que está a falhar estrondosamente, e erraram. Mercê dos oportunistas, que tão bem conhecia, Marcello foi profético.

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Os pacóvios lusitanos continuam a apostar no turismo, turismo que encarece o custo de vida dos portugueses, que lhes rouba as casas, que expulsa os idosos dos centros urbanos, que invade, polui e destrói, que enriquece uns quantos, ao mesmo tempo que destrói a paz e o sossego de um povo.

Hordas de hunos ululantes, uns de pé descalço, outros atraídos pelas campanhas do turismo homossexual que consideram Lisboa e Porto capitais gays europeias, todos ávidos de agitação, de propostas imaginativas, mas falsas como as do pastel de bacalhau com queijo da serra ou letreiros de falsas lojas históricas para turista ver com datas afixadas também falsas, enquanto o verdadeiro comércio histórico, a começar por livrarias e alfarrabistas, são expulsos por empresários sem escrúpulos, gananciosos alicerçados na lei das rendas da senhora Cristas que tão bem serve os Medinas deste mundo na senda da descaracterização, no desenraizamento, na destruição do verdadeiro tecido urbano, substituindo a população local por turistas de curta duração mais os velhos reformados franceses que deixam de pagar impostos quando se mudam para Portugal, sem no entanto terem contribuído para os sistemas de saúde, de recolha do lixo, dos transportes públicos, de manutenção das ruas ou da segurança de que se servem, sobrecarregando todos os portugueses. Os políticos vão vendendo alegremente Portugal a retalho com a desculpa de aumentarem o emprego desqualificado e mal pago da criadagem que serve o turista.

A Islândia tem dado bons exemplos no passado, nomeadamente na defesa dos costumes e interesses nacionais. Prepara agora um imposto pesado sobre o turismo. Vejamos o que diz Thordis Gylfadottir, ministra do Turismo islandesa, como pudemos ler no ‘Diário de Notícias’:

“O sector, e todos nós, tem de ter cuidado para não se tornar uma vítima do próprio sucesso”. “Para isso, o governo tem em vista duas opções: por um lado, aumentar os impostos aplicados ao sector; por outro, bloquear por completo o acesso aos espaços mais populares do país. A ministra apela aos parceiros do governo e à indústria do Turismo para serem corajosos e lembra que algumas zonas simplesmente não têm capacidade para receber um milhão de turistas todos os anos”. “Se permitirmos estes números em terminadas áreas vamos destruir o que hoje as torna especiais – autênticas pérolas da natureza que fazem parte da nossa imagem e que nos ajudam a vender”.

Consideramos as propostas dos islandeses como extremamente acertadas, o mesmo se diria de Lisboa e Porto. O modelo de desenvolvimento do país não deve passar por vender o mesmo aos estrangeiros e a fomentar emprego desqualificado da criadagem. Deve passar pela qualificação, pela investigação de ponta, pelas invenções e patentes, pelas indústrias e serviços tecnológicos de altíssimo valor acrescentado, pela produção de produtos de luxo e de altíssima qualidade, deve passar pela inovação na produção de energia e na tecnologia.

O turismo deve ser apenas e só um complemento não massificado de altíssimo valor acrescentado, dirigido às classes mais elevadas e pequeno número, de forma a não descaracterizar e destruir as cidades expulsando os verdadeiros habitantes para a periferia, para a exclusão e miséria.

Ponham os olhos na Islândia.

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Na terça-feira da semana passada Jaime Nogueira Pinto preparava-se para fazer uma palestra sobre “Populismo ou Democracia: O Brexit, Trump e Le Pen”. O evento estava previsto para a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, na Av. de Berna, em Lisboa, e seria organizado pelo grupo “Nova Portugalidade” cujo presidente é Rafael Pinto Borges, jovem que não esconde a sua admiração por Salazar.

Uma Assembleia Geral de Alunos, com cerca de trinta alunos (!), convocada pela Associação de Estudantes em cima do acontecimento, e provavelmente composta de apaniguados da direcção da mesma Associação, votou uma moção propondo que não se atribuísse uma sala para a realização da palestra do pensador Nogueira Pinto, aliás um confesso admirador de Salazar. Segundo o próprio Nogueira Pinto afirmou, “a Direcção da FCSH da Universidade Nova de Lisboa, perante as ameaças da direcção da Associação de Estudantes, de orientação maoísta, decidiu suspender a Conferência que se ia realizar”.

O director da instituição é o professor Caramelo, que já tem levado demasiada pancada nos órgãos de comunicação social, do ministro Manuel Heitor e do próprio Presidente da República, para que nós nos preocupemos aqui com a sua eventual falta de espinha dorsal.

Os argumentos para a censura dos maoístas da Nova, para a destruição do debate livre, para a cocção sobre a liberdade de expressão estavam relacionados com “colonialismo, fascismo, que a palestra violava a Constituição, etc…”.

A questão para nós mais interessante é outra. As esquerdas encontraram uma fotografia do jovem Rafael Pinto Borges a depositar flores na campa de António Oliveira Salazar. Chamando imediatamente fascista ao jovem da Nova Portugalidade, acharam por bem afirmar que “coarctou-se a liberdade de expressão mas aquilo era organizado por fascistas”… como se a liberdade de expressão não fosse um direito absoluto.

Chegamos assim a Salazar. Basta um jovem depositar flores na campa de alguém que governou Portugal por mais de quarenta anos para imediatamente ter menos direitos do que os outros. A esquerda totalitária quer proibir a memória, o respeito devido aos grandes do passado, com os defeitos que possam ter tido no seu tempo, ou a oração pela sua Alma. O problema é que, com todos os seus defeitos, nomeadamente o seu totalitarismo, o Professor Doutor Salazar foi um governante excepcional e um estadista de grande vulto, um dos três estadistas do século vinte português onde se destaca à frente de El-Rei D. Carlos e do Professor Catedrático de Coimbra e também major Sidónio Paes.

Hoje em dia louva-se a educação do regime pós vinte e cinco de Abril, mas esquece-se a plêiade de excepcionais ministros da educação nacional escolhidos por Salazar e Caetano. Destaco Francisco de Paula Leite Pinto, brilhante cientista e engenheiro, Veiga Simão e Hermano José Saraiva. Salazar combateu radicalmente o analfabetismo em Portugal, mais ainda do que durante a monarquia e que o regime democrático apenas continuou sem acrescentar muito. Veja-se o quadro seguinte em que se mostram os números do analfabetismo desde 1890 até 2011. O número 1 corresponde a 1890 e seguem-se por décadas: 5 corresponde à década de trinta em que Salazar começou efectivamente a governar e 10 a 1981, primeiro dado da democracia. Salazar consegue reduzir o analfabetismo de 65% em 1920 para 25% em 1974.

Tabela do autor

O regime passa de uma população brutalmente analfabeta para uma pequena minoria constituída sobretudo por idosos que já não podiam regressar à escola. Afinal, a grande surpresa é esta: Salazar foi um paladino da educação. Note-se que Álvaro Cunhal conseguiu, enquanto preso, defender uma tese em Direito em que defendia teses opostas às preconizadas pelo regime. Hoje em dia, uma tese a defender Salazar seria simplesmente banida pelos caramelos do politicamente correcto.
Agradeço a conversa com António Brotas, antigo secretário de Estado do Ensino Superior, socialista, que me indicou estes factos e números.

Segundo o INE em 2010 o Metropolitano de Lisboa transportou 183 milhões de passageiros, em 2016 transportou 153 milhões. Apesar de abertura de mais estações e linhas como Moscavide, Encarnação e Aeroporto em 2012, mais 3.3 quilómetros de via, ou da abertura em 13 de Abril último da estação da Reboleira, o número de passageiros transportado tem caído face ao número de quilómetros e estações servidas pelo Metro de Lisboa.

Este fenómeno agravou-se drasticamente com o aumento dos preços de bilhetes e de passes desde os tempos dos Governos Passos Coelho, mas também não houve quaisquer melhorias significativas desde que Costa chegou ao poder, antes pelo contrário: em finais de 2016 deu-se uma invulgar crise com carências de bilhetes em todas as estações da rede, causando incómodos e transtornos inimagináveis aos utente, nomeadamente aos turistas que parece serem a galinha dos ovos de ouro para autarcas e governantes socialistas.

Vem isto a propósito de uma inspecção pela Autoridade da Mobilidade e Transportes feita após queixas de muitos cidadãos e de repetidas notícias na imprensa com um elevado número de notícias sobre degradação dos sistemas de segurança do Metro, nomeadamente nos sistemas de travagem das composições, degradação e antiguidade do material circulante, redução do material circulante devido a repetidas avarias que nunca se conseguem reparar, canibalização de locomotivas e carruagens para tirar peças para reparar as que ainda têm arranjo, avarias constantes, repetidas ou mesmo permanentes, das escadas rolantes, incluindo as das estações centrais mais movimentadas, como as da Baixa Chiado, ausência de apoio a cidadãos deficientes, nomeadamente com elevadores em mau estado, avariados, sem conservação, fechados e abandonados ou que nunca chegaram a entrar em funções, altos tempos de espera, composições superlotadas, atrasos constantes, sujidade e vandalismo.

Chegam agora os resultados dessa “inspecção”. A “autoridade” avisou que a iria realizar com alguma antecipação, o que começa por ser mau profissionalismo e até mesmo ridículo; anunciada para Dezembro, a 12, 14 e 18 do mesmo mês, a conclusão é surpreendente e seria motivo para profunda chacota se não fosse tão trágica para o cidadão que utiliza os transportes públicos em Lisboa: não há “insuficiências substanciais no atendimento ao cliente”, isto apesar de não haver bilhetes nas estações, de haver atrasos significativos, apesar da redução da velocidade do Metro de uns possíveis 76 km em boas condições para uns penosos 46 km hoje em dia – trinta anos mais tarde, o Metro anda trinta quilómetros mais devagar – apesar de um brutal aumento dos intervalos entre composições, apesar de apertos em horas de ponta nas estações periféricas, a inspecção acha que está tudo bem e que o problema é que “o contrato não é adequadamente objectivo, de forma a permitir a medição detalhada de indicadores de performance”. Acrescenta a “autoridade” que  “nem todas as obrigações de serviço público são quantificáveis ou mensuráveis”, o que “inviabiliza a precisa aferição de eventuais incumprimentos e aplicação de eventuais sanções/penalidades”.

A pergunta que se impõe é esta: se a autoridade da mobilidade e transportes não sabe qual é a quantificação ou mensuração das obrigações do serviço público, por que razão anunciou esta pretensa inspecção? Foi apenas uma manobra de marketing para fingir que existe e dar tempo a que as queixas se calassem? Foi uma manobra de encobrimento da péssima gestão do Metropolitano nos últimos anos?

Esta autoridade existe para definir o padrão, se não o faz, se anuncia inspecções, que deveriam ser feitas de surpresa, e depois tira conclusões branqueadoras quando a evidência salta aos olhos do contrário do que conclui, a questão que se impõe será: esta autoridade é mesmo um regulador independente ou é apenas mais um instrumento tutelado pelos mesmos governantes que tutelam o Metro? Fica a questão, o leitor que anda de Metro e sofre os horrores do que lá se passa, que tire as suas conclusões. Trinta milhões de passageiros ano tiraram as suas conclusões e passaram a usar outros meios, nomeadamente os automóveis, apesar de haver mais linhas e estações.

CAPA

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