Opinião

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O debate ideológico, os interesses deixados criar pelo sistema político e as culpas acumuladas estão a impedir a avaliação rigorosa do que aconteceu ao sistema financeiro português na última década, e isso está na base dos erros sucessivos que têm sido cometidos por administrações, governos e reguladores.

Desde o caso do BPN até ao do Montepio, passando pelo Millennium, BES, Banif e Caixa Geral de Depósitos, nunca foi feita uma avaliação rigorosa e competente sobre o que correu mal, isto é, nenhum dos casos serviu para evitar os seguintes.

As comissões de inquérito da Assembleia da República, como as auditorias feitas pelas mesmas empresas que coexistiram com a devastação feita, não fizeram mais do que arranhar a superfície do problema e cada partido procurou, procura ainda, evitar que as suas culpas, as culpas dos seus dirigentes e dos seus ex-dirigentes, sejam conhecidas, com o objectivo de evitar que sejam condenados na justiça e na opinião pública.

As actuais manobras do PS na Assembleia da República para evitar que se conheça o desastre em toda a sua extensão do caso da CGD e avaliados os manobrismos de José Sócrates e de Armando Vara, bem como as culpas de sucessivas administrações, são parte do ‘cover up’ realizado desde há pelo menos dez anos e que faz dos executores norte-americanos de Watergate um bando de amadores.

O caso do Montepio é agora a cereja em cima do bolo e vale a pena ler o excelente texto de José Manuel Fernandes no “Observador” para se ficar aterrado e revoltado. Gestores a contas com a justiça, relações com o BES e com Ricardo Salgado e os favores mútuos, as matrafices da OPA sobre o Finibanco, as Assembleias-Gerais com votações totalmente viciadas; e, acima de tudo isso, paira a figura sinistra de Tomás Correia e dos seus diversos acompanhantes.

Sobre esta questão, que afecta as poupanças de mais de quinhentos mil portugueses, o Primeiro-Ministro diz-se tranquilo; o Ministro Vieira da Silva, a quem cabe regular a Associação Mutualista, dona do Montepio, está calado que nem um rato; e Carlos Costa, do Banco de Portugal, como bom burocrata, lá vai adiando o inevitável com panaceias e panos quentes.

Por sua vez, o Presidente da República anda feliz e contente a contentar os portugueses com afectos e ‘selfies’.

Ora, onde será que os portugueses já viram e pagaram – de facto, vão pagar os filhos e os netos – este filme?

Entretanto, a Procuradoria-Geral da República resolveu arquivar o processo de Dias Loureiro no BPN, o qual se declarou chocado com as insinuações feitas pelos juízes.

Vejam os leitores que choque devem sentir os portugueses em presença dos ruinosos “actos de gestão” praticados por este ex-ministro e ex-conselheiro de Estado.

Em resumo, para quando a limpeza do nosso sistema político e começar a construir uma nova democracia com seriedade e verdade?

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RENATO EPIFÂNIO

Menos de um ano após ter decorrido, por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, um Colóquio sobre “A Obra e o Pensamento de Amorim de Carvalho”, é agora lançado o volume que resultou desse evento (MIL/DG Edições), assim justificado, na contracapa: “Nascido, no Porto, duas semanas antes de José Marinho (1904-1975), a quem sobreviveria alguns meses, e mais velho um ano do que Álvaro Ribeiro (1905-1985), em cujas tertúlias lisboetas participou regular e activamente, até se ter fixado em Paris, em meados dos anos 60 da passada centúria e onde a morte o veio surpreender faz, agora, precisamente, quarenta anos, José Maria Caldas de Matos Amorim de Carvalho (1904-1976), que, literariamente, se identificava pelos dois últimos apelidos, foi uma singular figura da nossa reflexão contemporânea a que, até hoje, não fora conferida a atenção de que, inquestionavelmente, é merecedor, lacuna que o presente colóquio pretendeu começar a preencher”.

O volume inicia-se com uma panorâmica da vida e obra de Amorim de Carvalho, realizada pelo seu filho, Júlio Amorim de Carvalho, seguida de uma série de mais de uma dúzia de ensaios, que abordam as várias facetas do seu pensamento: J. Pinharanda Gomes, “A crítica dos filósofos portuenses – Amorim de Carvalho”; Afonso Rocha, “A metafísica de Sampaio (Bruno) segundo Amorim de Carvalho: um ‘positivismo metafísico’”; António Braz Teixeira, “A ontognosiologia de Amorim de Carvalho”; Artur Manso, “Amorim de Carvalho e a missão universalista de Portugal”; Filipe Delfim Santos, “A correspondência entre Amorim de Carvalho e Delfim Santos”; Joaquim Pinto, “Amorim de Carvalho e a intimação ontológica ao(s) ‘eu(s)’ orteguiano(s)”; José Almeida, “Amorim de Carvalho: entre o exílio e O fim histórico de Portugal”; Júlio Amorim de Carvalho, “Da noção de poesia à métrica na obra de Amorim de Carvalho”; Manuel Cândido Pimentel, “A dialéctica mononómica de Amorim de Carvalho”; Mário Carneiro, “Amorim de Carvalho, crítico de Fidelino de Figueiredo”; Renato Epifânio, “Para além d’O fim histórico de Portugal”; Samuel Dimas, “O problema de Deus na filosofia de Amorim de Carvalho: necessidade e liberdade, emanação e criação”.

Saiu no Diário de Notícias uma entrevista a Teixeira dos Santos, ex-ministro das Finanças de José Sócrates Pinto de Sousa, um dos responsáveis pela situação actual da Caixa-Geral de Depósitos e que nós prevíamos neste mesmo jornal, em artigo publicado em 2012, que iria dar em catástrofe.

Segue textualmente com perguntas e respostas e a devida vénia ao DN o texto da entrevista no ponto em que interessa. A ortografia é do DN, que segue o acordês em vez do Português.

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“Teve responsabilidades diretas sobre a Caixa quando era ministro das Finanças, e escolheu um conselho de administração para a Caixa…

Escolhi dois, até.

Quando escolheu Armando Vara fê-lo por considerar que era um bom gestor bancário?

Sim.
E não se arrepende disso?
Não… Atenção! Eu acho que – e não tenho, para já, motivos, e as questões que têm vindo a ser levantadas, para mim, ainda estão por esclarecer -, neste momento, não tenho razões para dizer que foi uma má escolha. Naquele momento era uma pessoa que conhecia, com quem tinha trabalhado no governo, uma pessoa que conhecia a Caixa, porque tinha lugares de elevada responsabilidade na Cai- xa e, portanto, era uma pessoa que me dava con ança para cumprir um cargo: o cargo para que foi, ao m e ao cabo, convidado e que aceitou. Não tive, na altura, quaisquer dúvidas quanto à sua capacidade, que aliás revelou durante o período que esteve na Caixa, a ponto de o doutor Santos Ferreira, quando foi convidado para o BCP, entender convidar o Dr. Armando Vara para o levar consigo para o BCP, porque lhe reconheceu capacidade e competência, porque o mostrou enquanto esteve como administrador da Caixa. Portanto, isso, para mim…”

*

Há pouco mais a dizer. Teixeira dos Santos nomeou Armando Vara porque o conhecia! Tinha tido lugares de elevada responsabilidade, creio que um desses lugares de grande responsabilidade teria sido o de caixa num balcão remoto da instituição, o que é realmente algo de muito importante e que valoriza o currículo de qualquer gestor bancário. Uma das razões porque Teixeira dos Santos convidou Armando Vara foi porque “ao fim e ao cabo” ele o convidou e o sr. Vara aceitou!

Uma das grandes valias do sr. Vara foi ter sido reconhecido por um dos homens que conduziu o chamado “assalto do PS ao BCP” (que, entre outras coisas, quase culminava com falência deste banco), o também extremamente competente “doutor” Santos Ferreira!

Felizmente o jornal não cortou as hesitações, engasgos e soluços do Sor doutor Teixeira dos Santos para se perceber o embaraço. O que é espantoso é que Vara foi responsável pelas participações financeiras da Caixa, sector que se revelou catastrófico para a CGD e fantástico para alguns devedores que embolsaram os capitais e que nunca pagaram. O senhor doutor Teixeira dos Santos, que agora trabalha para os angolanos do BIC que lhe compraram o nosso BPN a si mesmo, “não tem, para já, motivos” para duvidar da escolha de Armando Vara e dois conselhos de administração que escolheu para a Caixa, onde aliás pontificavam outras sumidades do nosso sistema bancário como Celeste Cardona, nomeada precisamente em 2005.

Será que mais de quatro mil milhões de motivos não lhe bastam?

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Comemoram-se os sessenta anos do Tratado de Roma e fazem-se as mais diversas avaliações sobre o futuro da União Europeia, por vezes as mais delirantes. Pessoalmente, interessa-me principalmente o caso português e, nele, o mal-entendido que resulta de os Governos portugueses explicarem as suas incompetências e mal-aventurança com as falhas da União Europeia. O contexto das declarações parvalhonas de Jeroen Dijsselbloem, que tanto têm excitado os governantes e os mal governados portugueses, serve-me de deixa.

Aparentemente, não compreendemos ainda que existe um mal-entendido entre Bruxelas e Lisboa que urge esclarecer: os países do Norte da Europa não acreditam que nós nos saibamos governar e nós tudo fazemos para lhes dar razão e batemo-nos galhardamente para que eles nos ponham por conta, que é como quem diz que nos paguem as dívidas e não nos peçam nada em troca. Tudo em nome da solidariedade.

A Alemanha, país que depois da última guerra europeia se tem sabido governar bem e está em forma economicamente, representa para governantes e cronistas portugueses o mau da fita e a senhora Merkel o vilão a abater. As críticas têm como base o conceito de solidariedade dos países mais ricos para com os mais pobres, ideia defensável, não se desse o caso de já termos espatifado uns larguíssimos milhares de milhões de euros de ajudas ao desenvolvimento com o resultado que está a vista. Ou seja, enquanto nós pretendemos mais solidariedade, os alemães querem mais disciplina e por isso não nos entendemos, uma situação semelhante à que existiu entre Mário Centeno e António Domingues – trata-se aqui também de um erro de percepção mútua.

Se não nos tivéssemos endividado até ao tutano, se não tivéssemos feito investimentos ruinosos, se não tivéssemos deixado que os corruptos e os incompetentes dessem cabo do sistema financeiro e se os partidos políticos se tivessem entendido sobre a melhor estratégia para o desenvolvimento do País, teríamos certamente todas as razões para falar grosso na União Europeia. Infelizmente, apenas sabemos justificar as nossas desgraças com a crise internacional de 2008, fazendo por esquecer o pequeno problema de que a maioria dos outros países europeus soube ultrapassar a crise e, ao mesmo tempo, melhorar a vida dos seus cidadãos. A Irlanda, cuja economia cresce na casa dos 6% e onde o salário mínimo é o dobro do nosso, é disso o exemplo mais à mão.

A governação em Portugal é atrabiliária, a geringonça não se entende quanto ao futuro do País, os partidos têm entre si ideias diferentes quanto à União Europeia e à NATO, consomem-se a dialogar se é melhor nacionalizar ou privatizar, se devem aumentar os salários e o consumo ou fazer crescer o investimento e as exportações, ou tudo isso e o seu contrário ao mesmo tempo. Mas numa coisa há acordo: insultar o senhor holandês tanto quanto ele nos insultou, além de reivindicar que alguém nos perdoe as dívidas, com a probabilidade de nos continuarmos a endividar no futuro próximo.

Finalmente, e para que conste: os portugueses são tão ou mais trabalhadores do que os cidadãos dos outros países europeus; também é verdade que têm feito enormes sacrifícios para sobreviver; obviamente não são gastadores, o que seria difícil dada a média dos salários nacionais; e quanto ao álcool e a sexo, não são nem mais nem menos do que os holandeses, suponho. Por isso, o problema de Portugal, a razão dos nossos problemas e dos atrasos de muitos anos, reside na indisciplina e na má governação, nos interesses ilegítimos criados e sustentados no interior dos partidos políticos e na promiscuidade entre os negócios e a política. Porventura, tal como os gregos e os italianos.

Claro que podemos negar esta realidade, podemos mesmo continuar a diabolizar a União Europeia, mas o resultado será apenas o de esconder a incompetência e a venalidade dos responsáveis políticos e não porque essa seja a via adequada a melhorar Portugal e a construir um futuro melhor para os portugueses.

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Brandão Ferreira

“Muito honrado Capitão Paxá, bem vi as palavras da tua carta. Se em Rhodes tivessem estado os cavaleiros que estão aqui neste curral podes crer que não a terias tomado. Fica a saber que aqui estão portugueses acostumados a matar muitos mouros e têm por Capitão António da Silveira, que tem um par de tomates mais fortes que as balas dos teus canhões e que todos os portugueses aqui têm tomates e não temem quem não os tenha!” (Gaspar Correia, “Crónica dos Feitos da Índia”, Vol. IV, pág. 34-36).

Esta foi a resposta que deu António da Silveira, Capitão de Diu, à carta que Suleimão Paxá, Comandante turco (que era eunuco), que com 70 galés e 23.000 homens cercava a cidade, defendida por 600 portugueses.

Nessa carta, Suleimão prometia livre saída de pessoas e bens, desde que entregassem a fortaleza e as armas. E prometia esfolar vivos todos os que não o fizessem, gabando-se de ter com ele muitos guerreiros que ajudaram na conquista de Belgrado, a Hungria e a Ilha de Rhodes. Perguntava no fim a Silveira, como se iria defender num “curral com tão pouco gado!”

Recep Tayyip Erdogan, 63 anos, é o Chefe de Estado de um país chamado Turquia, membro da NATO, aspirante frustrado a membro da UE e herdeiro de um dos mais temíveis impérios existentes à face da terra, no segundo milénio da era de Nosso Senhor Jesus Cristo. Império que ganhou projecção mundial após conquistar Constantinopla em 1453, data que marca o fim do Império Romano do Oriente e tida como marco inicial para o que se convencionou chamar “Idade Moderna”.

O Império Otomano (1299-1923), que tinha o seu núcleo original no Planalto da Anatólia, quis expandir-se em todas as direcções, nomeadamente para Oeste, tendo progredido perigosamente no Norte de África, nos Balcãs e no Mediterrâneo Oriental. Este império foi finalmente sustido no Norte de África, quando já estava em Argel (porventura a maior motivação para D. Sebastião ter querido ir a Larache, principal objectivo a preservar e que não incluía a surtida que acabou tragicamente em Alcácer Quibir); no Mediterrâneo Oriental foram derrotados na batalha naval de Lepanto, em 1571, mas nunca se conformaram. Note-se que foi graças à esquadra portuguesa que foram batidos novamente em Matapão, em 19 de Julho de 1717, faz este ano 300 anos.

Finalmente progrediram nos Balcãs, em direcção à Europa Central, até efectuarem dois terríveis cercos a Viena, coração do Império Austro-Húngaro, dos Habsburgo, em 1529 e 1683, data em que foram inexoravelmente derrotados.

O “croissant”, massa folhada em forma de “crescente vermelho”, que se passou a comer ao pequeno-almoço e ao lanche, aí está a ilustrar a vitória. Ou seja, cada vez que se come um “croissant”, quer dizer que se “come” um turco ao pequeno-almoço… É possível que os turcos, desde então, não achem graça à coisa.

No fim da I Guerra Mundial, a Dinastia Otomana desapareceu e o seu império desagregou-se, tendo grande parte dos seus territórios ficado debaixo do controlo de potências ocidentais vencedoras da guerra, sob mandato da então Sociedade das Nações, nomeadamente a França e a Inglaterra. Mais tarde, a maioria destes territórios veio a adquirir, sucessivamente, a independência. A criação do Estado de Israel, em 1948, veio baralhar e complicar ainda mais a complexa geopolítica da região.

Em 1923, o General Mustafá Kemal Atatürk assumiu o cargo de primeiro Presidente da República da Turquia, até à sua morte em 10/11/1938, e transformou o país num estado laico, onde os militares tinham um peso desproporcionado. A necessidade de conter a URSS no início da Guerra-Fria, no fim da Segunda Guerra Mundial, e arranjar um Estado-tampão no Cáucaso e Oriente Médio, fez com que a Turquia fosse convidada a aderir à NATO, o que aconteceu em 1952.

A Turquia, apesar de tudo, dos problemas internos – onde se destaca a questão curda – e dos ódios figadais e seculares (por vezes milenares) entre todos os povos daquela região, teve um papel mais estabilizador do que o contrário. Seria ocioso explicitar tudo o que se passou. A Turquia tirou partido da sua participação na NATO (onde a quezília secular com a Grécia, agravada pelo conflito cipriota, constituiu sempre uma dor de cabeça para a Aliança – e agora é também para a UE), recebeu armamento moderno, acesso a tácticas, doutrinas e logística, e permitiu trocas comerciais com os países do Ocidente, facilitando a emigração de largas massas de turcos e curdos para a Europa. O ovo da serpente começou a crescer desmesuradamente… E pertencer à NATO ajudava a conter um dos seus ancestrais inimigos, o Império Russo!

Quando Erdogan chega a Chefe do Governo (2003-2014) e a Presidente, logo de seguida, tudo muda: cada vez há maior oposição na UE, nomeadamente em França (melhor dizendo, no Grande Oriente Francês…) relativamente à entrada da Turquia na UE. Chegaram, inclusive, ao ponto de assumir como “dogma de fé” que na Arménia tinha havido um genocídio de cristãos, feito pelos otomanos, entre 1915 e 1923, onde se estimam tenham perecido entre 800.000 e 1.800.000 pessoas (o que por acaso até é verdade). Ankara, obviamente estrebuchou.

Erdogan – que em 1994 proferiu uma frase algo premonitória, “a Democracia é um comboio: quando se chega ao nosso destino, saímos” – começou paulatinamente a por de lado a herança de Atatürk e a retirar poderes aos militares. A seguir entrou numa deriva islamita, torpedeando o laicismo e aproximando-se de tudo o que preconiza o Corão. Finalmente envolveu-se no conflito sírio e ficou submerso de refugiados.

Em 15/7/2016 deu-se um estranhíssimo caso de tentativa de golpe de Estado. O que se passou parece um decalque do “11 de Março de 75” português. Erdogan não perde tempo e parte à perseguição dos seus opositores. Prendeu-os e “saneou-os”, às dezenas de milhar, e insiste para que os EUA extraditem um conterrâneo seu (de que ninguém ouvira falar até então) como suposto cabecilha do frustrado golpe de estado. O homem – Fethullah Gülen – ainda vive nos EUA, mas as principais potências ficaram quedas e mudas, a olharem para ontem, sem saberem o que fazer ou dizer.

Erdogan tarda, mas arrecada. Com estes trunfos na mão, embala para mudar a Constituição, a fim de reforçar o seu poder. Pelos vistos, a eternizar-se nele. Estamos pois em vista de um potencial “Califa”, que a seu tempo ocupará o palácio de Topkapi. Só falta organizar o Serralho e o Regimento de Janízaros.

Porém, para obter estes poderes, necessita de votos para um referendo que quer fazer, prestes. Os turcos existentes nos seus domínios não lhe chegam e pretende catequizar a diáspora. E não se fez rogado: país onde houvesse comunidade que valesse a pena influenciar, seria “invadido” por comparsas seus, a começar por membros do seu próprio Governo! Não sabemos exactamente o modo como informou os Governos dos países visados ou sequer se se deu ao trabalho de o fazer; queria ir e pronto!

Quando os Governos e as opiniões públicas de alguns dos países europeus visados souberam da trama, dispuseram-se a contestar tais desejos/ordens. O que espoletou a ira do putativo otomano e foi um ver se te avias de guerra de palavras, ameaças e despautérios. O que encontra amplos antecedentes nos devaneios democráticos e cobardia dos países europeus e da UE, a que têm o despautério de apelidar de “superioridade moral da democracia”! Chamam-lhe um figo…

Os países europeus reagiram individualmente, de um modo frouxo, cobardolas e apaziguador, o que denota o estado de degenerescência política, social e anímica em que a Europa se encontra (para já não falar na incapacidade militar, que é consequência daquelas…). A UE como tal, não reagiu e por cá ouviram-se umas frases de circunstância circunspecta. Ou seja, os europeus viraram uns verdadeiros eunucos…

Entretanto, o grão-turco profere ameaças e manda, filantropicamente – só pode – as famílias turcas emigradas terem cinco filhos. Compreende-se: enquanto não têm balas, disparam rebentos.

Como fazem cá falta os tomates do Capitão António da Silveira e dos cavaleiros que estavam com ele em Diu!

O portuense Fernando Medina, agora e por mercê da sua ambição e sorte presidente da Câmara Municipal de Lisboa, tem-se encarregue de fazer a vida negra aos lisboetas, agora que herdou o que ele usa como trono municipal. O turismo e o Sol são as mercadorias que usa para correr com os lisboetas da sua cidade, substituindo-os por turistas.

Os preços elevadíssimos praticados no centro, os despejos para arranjar quartos para os turistas estrangeiros, as casas vendidas a preço de ouro aos franceses envelhecidos ou aos chineses ricos lembram um pensamento do gigante intelectual que foi Marcello Caetano, autor de mais de cem trabalhos de grande vulto na área do Direito e que escreveu em poucos meses o Código Administrativo, o último dos presidentes do Conselho de Ministros da segunda república. Um legalista que não teve a força para impor a sua vontade reformadora aos ultras do regime em termos políticos, mas que teve o engenho para acelerar o crescimento de Portugal, apesar da guerra, para números superiores a 10 por cento ao ano. O pensamento, proferido depois do vinte e cinco de Abril de 1974 diz:

“Sem o Ultramar estamos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade das nações ricas, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma nação que estava em vésperas de se transformar numa pequena Suíça, a revolução foi o princípio do fim. Restam-nos o Sol, o Turismo, a pobreza crónica, a emigração em massa e as divisas da emigração, mas só enquanto durarem. As matérias-primas vamos agora adquiri-las às potências que delas se apossaram, ao preço que os lautos vendedores houverem por bem fixar. Tal é o preço por que os Portugueses terão de pagar as suas ilusões de liberdade.”

Há outros que seguem a via fácil do Sol e do turismo, agora quase quarenta anos volvidos sobre o desaparecimento de Marcello Caetano no seu exílio no Brasil em 1980, país do qual nunca foi autorizado a regressar pela “democracia”, apesar de nunca ter sido condenado por qualquer tribunal. Bem entrados no século XXI, o modelo de desenvolvimento dos Fernandos Medinas deste país de chico-espertos assenta precisamente no turismo que não erradica a “pobreza crónica e a emigração” tão (in)felizmente enunciadas por Marcello. No caso de Marcello, a desilusão apontava estes como os únicos caminhos, no caso dos Medinas, é mesmo o interesse que lhes aponta essa solução fácil. A minha grande amargura como lisboeta é que, infelizmente, por grande falta de inteligência e inacção política de Passos Coelho, o medíocre Medina das soluções fáceis continuará a governar e a destruir sistematicamente Lisboa e a sua base populacional substituindo-a por alojamentos de curta duração para turistas de classe média baixa e de pé descalço, mesmo assim mais ricos do que os lisboetas.

E o dinheiro obtido assim servirá apenas para comprar petróleo e outras matérias-primas que as potências ricas ocidentais continuam a controlar depois de terem obtido o domínio do antigo espaço ultramarino português, esmagado pelas jogadas da guerra-fria. Se a Inglaterra manteve os seus interesses através da Commonwealth, se os EUA conseguiram obter esse domínio por força de se terem assumido como super-potência, Portugal deixou-se iludir por vãs ideias de liberdade sem dinheiro, que significa, de facto, escravidão. Escravidão da qual sairemos não pelo turismo, como bem sabia Marcello Caetano, mas pelo desenvolvimento cultural e intelectual da Nação.

Marcello Caetano, fruto da desilusão, não acreditava na viabilidade de um Portugal isolado neste canto da extrema ocidental da Europa. Alguns apostaram na União Europeia, que está a falhar estrondosamente, e erraram. Mercê dos oportunistas, que tão bem conhecia, Marcello foi profético.

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RENATO EPIFÂNIO

Era, dir-se-ia, fatal como o destino. Depois de já ter contaminado todas as demais expressões da cultura, a peste do politicamente correcto ameaça agora invadir em força a área do pensamento filosófico. Na edição do Jornal PÚBLICO de 19 de Março, destaca-se que “em Londres, alunos universitários [ligados a um grupo denominado “Decolonizing Our Minds Society” (DOMS), com “mais de 12 mil seguidores no facebook” (sic)] questionaram o estudo de filósofos brancos como Kant”, por “defender a superioridade europeia”.

Que esta campanha tenha começado por visar, entre outros, Immanuel Kant (1724-1804), eis a prova da estupidez intrínseca da peste do politicamente correcto, ou não tivesse sido o filósofo alemão um dos pensadores mais progressistas da história universal – sendo que a pessoa que aqui o afirma não se considera propriamente um kantiano (por uma série de outras razões que não são aqui pertinentes).

Sim, é verdade que Kant defendeu, desde logo ao falar da história da filosofia, uma “superioridade europeia”, mas essa tese não tem que ser interpretada a partir de razões genéticas ou raciais, como pretende a DOMS. A ser assim, o próprio Kant teria sido incoerente: porque, decerto, quando ele celebra o alvor da filosofia na Grécia Antiga, ele não o faz atendendo a esse tipo de razões. Platão e Aristóteles tinham o mesmo tom de pele dos restantes europeus da época – seriam, quanto muito, um pouco mais morenos. E, no entanto, foi na Grécia Antiga que a filosofia nasceu. A tese genética ou racial não explica, pois, nada.

A explicação é bem mais prosaica: a filosofia, como uma das mais altas expressões da cultura humana, pressupõe um contexto social propício – nomeadamente, a existência de cidades, ou seja, de agregados sociais com escala, e de instituições que promovam expressões culturais com maior densidade. Na Grécia Antiga, esse contexto social propício existia, com as Cidades-Estado e as suas Escolas. Como depois veio a existir nos Burgos europeus e nas suas Universidades, durante a Baixa Idade Média e a Modernidade. Se, depois, grande parte da filosofia foi expressa em língua alemã, a explicação é igualmente essa.

A uma escala global, reconhecer a evidência de que a Europa foi, durante séculos, para o bem e para o mal, uma espécie de locomotiva intelectual do mundo, tal como a Grécia Antiga o foi, na Antiguidade, em relação à restante Europa (no essencial, é isso o que Kant defende), não significa pois, de todo, sustentar uma posição racista. Negar essa evidência em nome do “politicamente correcto” é que será, tão-só, estúpido. Iguais em potencial à partida, as línguas e as culturas não têm que ter depois, por razões várias, o mesmo ritmo de desenvolvimento. Na época de Platão e Aristóteles, grande parte da restante Europa estava ainda muito atrás (atraso que veio depois a recuperar). E o mesmo aconteceu, naturalmente, em África, na Ásia e nos restantes continentes. É assim tão politicamente incorrecta esta evidência?

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A corrupção não é um fenómeno novo em Portugal. Depois do período dos descobrimentos, que foi antecedido por um rico período de introspecção nacional centrada na procura do conhecimento, de D. João I a D. João II, foi a corrupção que perdeu Portugal e conduziu à sua decadência. Apesar disso, talvez nunca como hoje a corrupção tenha sido entre nós um fenómeno tão generalizado e tão transversal às elites políticas e empresarias, mas também ao funcionalismo, ou tenha sobrevivido tanto tempo e com tamanha protecção e impunidade.

Refiro-o para afirmar a importância da decisão que agora se aproxima, no caso do processo Marquês e do julgamento de José Sócrates, Ricardo Salgado e companhia, que espero se siga. Não sendo jurista, mas estando razoavelmente bem informado, acredito que a maioria dos réus serão considerados culpados e espero pelos santinhos que as penas sejam de tal forma pesadas que resultem num forte efeito pedagógico sobre a sociedade e sobre a política portuguesa no sentido da mudança. Caso contrário, na possibilidade de o julgamento se enredar na teia das controvérsia jurídicas, uma possibilidade não desprezível, o País ficará desprotegido por muitos anos, bem como a esmagadora maioria dos portugueses que sofrem nas sua vidas os efeitos da corrupção e das crises mais ou menos permanentes em que temos vivido.

Neste caso do processo Marquês as pressões são enormes, em todos os sentidos, e os portugueses ficam com uma enorme dívida de gratidão aos homens que até agora resistiram e perseveraram na procura da verdade, mas não sabemos ainda nada quanto ao futuro e não podemos estar seguros quanto às fases seguintes. Seja como for, neste meio tempo de expectativa, arrisco-me a usar uma frase batida, para afirmar que nunca tantos deveram tanto a tão poucos.

Se e quando a acusação chegar, como parece certo que chegará, no banco dos réus sentar-se-ão não apenas alguns homens e mulheres, mas o próprio sistema partidário, que tendo concentrado em si todo o poder político, vai agora a julgamento. E no caso de uma condenação, espero que terminemos de vez com a hipocrisia dos que ficaram à porta a trabalhar arduamente para baralhar a opinião pública e evitar o que parece ser razoavelmente inevitável.

Até agora, a defesa de José Sócrates tem-se limitado, essencialmente, a uma frágil e grotesca argumentação processual, que em si mesma é reveladora da incapacidade de justificar e debater os factos conhecidos do processo; e suponho que assim continuará. O que não é pouca coisa, se pensarmos como e por quem são feitas as leis em Portugal e sobre o poder político e económico de muitos daqueles que estão nervosamente de fora a assistir. E se bem os entendo, o ataque à justiça portuguesa continuará a ser a sua única forma de defesa.

É agora absolutamente essencial que todos os erros e todos os crimes que os diferentes poderes partidários trabalham afanosamente para esconder – na Caixa Geral de Depósitos, no BPN, no Banif, no Montepio, na PT, na Ongoing, nas parcerias público-privadas e nas ‘offshores’ – vejam finalmente a luz do dia e os responsáveis sejam acusados e punidos, política e judicialmente. Só assim, depois de uma avaliação livre e suficientemente detalhada, só depois de todos os responsáveis serem conhecidos e julgados, só então a democracia portuguesa poderá ultrapassar as consequências trágicas da promiscuidade entre a política e os negócios e, desejavelmente, entrar numa nova fase, em que o interesse nacional seja finalmente colocado à frente dos interesses particulares.

Será então o tempo certo para a refundação dos partidos políticos portugueses e para criar as novas leis eleitorais há muito devidas, de forma a permitir que os portugueses participem no processo democrático e os governos passem a ser verdadeiramente fiscalizados por deputados livres, honrados e responsáveis.

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Os pacóvios lusitanos continuam a apostar no turismo, turismo que encarece o custo de vida dos portugueses, que lhes rouba as casas, que expulsa os idosos dos centros urbanos, que invade, polui e destrói, que enriquece uns quantos, ao mesmo tempo que destrói a paz e o sossego de um povo.

Hordas de hunos ululantes, uns de pé descalço, outros atraídos pelas campanhas do turismo homossexual que consideram Lisboa e Porto capitais gays europeias, todos ávidos de agitação, de propostas imaginativas, mas falsas como as do pastel de bacalhau com queijo da serra ou letreiros de falsas lojas históricas para turista ver com datas afixadas também falsas, enquanto o verdadeiro comércio histórico, a começar por livrarias e alfarrabistas, são expulsos por empresários sem escrúpulos, gananciosos alicerçados na lei das rendas da senhora Cristas que tão bem serve os Medinas deste mundo na senda da descaracterização, no desenraizamento, na destruição do verdadeiro tecido urbano, substituindo a população local por turistas de curta duração mais os velhos reformados franceses que deixam de pagar impostos quando se mudam para Portugal, sem no entanto terem contribuído para os sistemas de saúde, de recolha do lixo, dos transportes públicos, de manutenção das ruas ou da segurança de que se servem, sobrecarregando todos os portugueses. Os políticos vão vendendo alegremente Portugal a retalho com a desculpa de aumentarem o emprego desqualificado e mal pago da criadagem que serve o turista.

A Islândia tem dado bons exemplos no passado, nomeadamente na defesa dos costumes e interesses nacionais. Prepara agora um imposto pesado sobre o turismo. Vejamos o que diz Thordis Gylfadottir, ministra do Turismo islandesa, como pudemos ler no ‘Diário de Notícias’:

“O sector, e todos nós, tem de ter cuidado para não se tornar uma vítima do próprio sucesso”. “Para isso, o governo tem em vista duas opções: por um lado, aumentar os impostos aplicados ao sector; por outro, bloquear por completo o acesso aos espaços mais populares do país. A ministra apela aos parceiros do governo e à indústria do Turismo para serem corajosos e lembra que algumas zonas simplesmente não têm capacidade para receber um milhão de turistas todos os anos”. “Se permitirmos estes números em terminadas áreas vamos destruir o que hoje as torna especiais – autênticas pérolas da natureza que fazem parte da nossa imagem e que nos ajudam a vender”.

Consideramos as propostas dos islandeses como extremamente acertadas, o mesmo se diria de Lisboa e Porto. O modelo de desenvolvimento do país não deve passar por vender o mesmo aos estrangeiros e a fomentar emprego desqualificado da criadagem. Deve passar pela qualificação, pela investigação de ponta, pelas invenções e patentes, pelas indústrias e serviços tecnológicos de altíssimo valor acrescentado, pela produção de produtos de luxo e de altíssima qualidade, deve passar pela inovação na produção de energia e na tecnologia.

O turismo deve ser apenas e só um complemento não massificado de altíssimo valor acrescentado, dirigido às classes mais elevadas e pequeno número, de forma a não descaracterizar e destruir as cidades expulsando os verdadeiros habitantes para a periferia, para a exclusão e miséria.

Ponham os olhos na Islândia.

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Na terça-feira da semana passada Jaime Nogueira Pinto preparava-se para fazer uma palestra sobre “Populismo ou Democracia: O Brexit, Trump e Le Pen”. O evento estava previsto para a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, na Av. de Berna, em Lisboa, e seria organizado pelo grupo “Nova Portugalidade” cujo presidente é Rafael Pinto Borges, jovem que não esconde a sua admiração por Salazar.

Uma Assembleia Geral de Alunos, com cerca de trinta alunos (!), convocada pela Associação de Estudantes em cima do acontecimento, e provavelmente composta de apaniguados da direcção da mesma Associação, votou uma moção propondo que não se atribuísse uma sala para a realização da palestra do pensador Nogueira Pinto, aliás um confesso admirador de Salazar. Segundo o próprio Nogueira Pinto afirmou, “a Direcção da FCSH da Universidade Nova de Lisboa, perante as ameaças da direcção da Associação de Estudantes, de orientação maoísta, decidiu suspender a Conferência que se ia realizar”.

O director da instituição é o professor Caramelo, que já tem levado demasiada pancada nos órgãos de comunicação social, do ministro Manuel Heitor e do próprio Presidente da República, para que nós nos preocupemos aqui com a sua eventual falta de espinha dorsal.

Os argumentos para a censura dos maoístas da Nova, para a destruição do debate livre, para a cocção sobre a liberdade de expressão estavam relacionados com “colonialismo, fascismo, que a palestra violava a Constituição, etc…”.

A questão para nós mais interessante é outra. As esquerdas encontraram uma fotografia do jovem Rafael Pinto Borges a depositar flores na campa de António Oliveira Salazar. Chamando imediatamente fascista ao jovem da Nova Portugalidade, acharam por bem afirmar que “coarctou-se a liberdade de expressão mas aquilo era organizado por fascistas”… como se a liberdade de expressão não fosse um direito absoluto.

Chegamos assim a Salazar. Basta um jovem depositar flores na campa de alguém que governou Portugal por mais de quarenta anos para imediatamente ter menos direitos do que os outros. A esquerda totalitária quer proibir a memória, o respeito devido aos grandes do passado, com os defeitos que possam ter tido no seu tempo, ou a oração pela sua Alma. O problema é que, com todos os seus defeitos, nomeadamente o seu totalitarismo, o Professor Doutor Salazar foi um governante excepcional e um estadista de grande vulto, um dos três estadistas do século vinte português onde se destaca à frente de El-Rei D. Carlos e do Professor Catedrático de Coimbra e também major Sidónio Paes.

Hoje em dia louva-se a educação do regime pós vinte e cinco de Abril, mas esquece-se a plêiade de excepcionais ministros da educação nacional escolhidos por Salazar e Caetano. Destaco Francisco de Paula Leite Pinto, brilhante cientista e engenheiro, Veiga Simão e Hermano José Saraiva. Salazar combateu radicalmente o analfabetismo em Portugal, mais ainda do que durante a monarquia e que o regime democrático apenas continuou sem acrescentar muito. Veja-se o quadro seguinte em que se mostram os números do analfabetismo desde 1890 até 2011. O número 1 corresponde a 1890 e seguem-se por décadas: 5 corresponde à década de trinta em que Salazar começou efectivamente a governar e 10 a 1981, primeiro dado da democracia. Salazar consegue reduzir o analfabetismo de 65% em 1920 para 25% em 1974.

Tabela do autor

O regime passa de uma população brutalmente analfabeta para uma pequena minoria constituída sobretudo por idosos que já não podiam regressar à escola. Afinal, a grande surpresa é esta: Salazar foi um paladino da educação. Note-se que Álvaro Cunhal conseguiu, enquanto preso, defender uma tese em Direito em que defendia teses opostas às preconizadas pelo regime. Hoje em dia, uma tese a defender Salazar seria simplesmente banida pelos caramelos do politicamente correcto.
Agradeço a conversa com António Brotas, antigo secretário de Estado do Ensino Superior, socialista, que me indicou estes factos e números.

CAPA

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