João Paulo II encorajou a luta contra o comunismo no PREC

João Paulo II encorajou a luta contra o comunismo no PREC

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Em 1975, quando o então Bispo de Aveiro lhe contou o que se passava em Portugal, Karol Wojtyła encorajou-o à resistência: “Os católicos têm de sair à rua, e já!”.

O Papa João Paulo II teve uma relação especial com o nosso País. Karol Wojtyła fez a Portugal três visitas oficiais, em 1982, 1991 e 2000, e levou o nome de Fátima a todo o planeta. A sua vida, enquanto Pontífice, esteve ligada às revelações da Cova da Iria, que a Igreja associa ao atentado a tiro de que foi vítima a 13 de Maio de 1981, na Praça de S. Pedro, em Roma.

O que poucos portugueses saberão é que Wojtyła, que ocupou o sólio papal entre 1978 e 2005, teve um papel decisivo no encorajamento da Igreja na sua cruzada de resistência ao comunismo durante o PREC. Esse papel é revelado pelo investigador José Carvalho no seu livro “João Paulo II e Portugal”.

A história é breve e leva-nos ao Portugal de Julho de 1975. Um ano após o golpe de Estado de 25 de Abril, o País encontrava-se em “processo revolucionário” e o Movimento das Forças Armadas (MFA) desvalorizava o resultado das eleições. Ao contrário do que os radicais de esquerda esperavam, as primeiras legislativas depois do golpe, em Abril de 75, tinham dado uma vitória estrondosa aos partidos do centro (PS, PSD e CDS), que averbaram mais de quatro milhões de votos, contra os escassos 700 mil do PCP. Mas os militares do MFA, que através do Conselho da Revolução dominavam a vida política nacional, acharam melhor ignorar a vontade do povo e contrapuseram-lhe a sinistra “dinâmica da luta de classes” de inspiração marxista-leninista. Uma ditadura comunista ameaçava o País.

Nessa altura, em Portugal, faltavam bens essenciais. Os serviços públicos funcionavam nos intervalos das greves. A tropa levava o dia em plenários. A economia entrara em colapso e uma tragédia de proporções dantescas abeirava-se das colónias portuguesas em África. Apesar de tudo isto, nada parecia mais importante do que correr atrás dos “fascistas” – isto é, todos aqueles (a esmagadora maioria) que queriam impedir que o comunismo tomasse conta de Portugal.

“Caixões com armas”

A Igreja Católica, essa, não tinha muitas ilusões sobre o que se seguiria. Estava o País nesta situação quando o então Bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade, se deslocou a Roma. Aí, num encontro com outros prelados, foi dando conta, num tom moderado, quase tímido, que dizem ter sido o seu, do que se passava em Portugal. Fosse porque tanta moderação lhe deu que pensar ou por qualquer outra razão, um dos dignitários presentes perguntou a D. Manuel se a Portugal já tinham chegado os “caixões com armas”. Ou seja, se os sectores não comunistas já tinham sido acusados de conspirar contra a revolução e de nessa actividade conspirativa terem perdido o respeito pelos mortos, transportando armas “contra-revolucionárias” em caixões. Surpreendido, o Bispo de Aveiro respondeu que sim – que, de facto, os “caixões com armas”, ou, melhor dizendo, o boato acerca deles, já tinha chegado a Portugal. Ao que o Pastor que o interrogara lhe disse peremptoriamente: “Os católicos têm de sair à rua, e já!”.

O homem que tão aguerrido conselho deu ao Bispo de Aveiro era o cardeal polaco Karol Wojtyła, o futuro Papa João Paulo II. Ele sabia, por experiência própria, dos seus longos anos de vida sob um regime leninista, que a acusação dos “caixões com armas” era recorrente em todos os processos de conquista do poder pelos partidos comunistas e que seria isso que iria acontecer em Portugal caso os democratas, e entre eles os católicos, não fossem para a rua defender as suas convicções.

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Como se vê, além de ter operado milagres que aos olhos dos católicos o fazem merecer a santidade, Karol Wojtyła era também um homem de grande intuição política e um orador com invejáveis dotes de persuasão, pois a verdade é que o Bispo de Aveiro, uma vez regressado a Portugal, abandonou quaisquer reservas e foi mesmo para a rua: a 13 de Julho de 1975 (data do aniversário da terceira aparição de Nossa Senhora em Fátima) teve lugar em Aveiro a grande Manifestação dos Cristãos, e desde essa data o Bispo de Aveiro e uma boa parte dos dirigentes católicos nacionais não mais saíram da rua até Novembro de 1975, quando a ordem foi restaurada.

Mais: sabe-se hoje, pela boca de Mário Soares, então líder político socialista em guerra com o PCP, que foram efectuadas algumas reuniões de “conspiração” entre o Cardeal-Patriarca de Lisboa da época, D. António Ribeiro, e o próprio Mário Soares, com vista a combater o comunismo em Portugal. Sem a cooperação da Igreja, afirmou recentemente Soares, “nós não teríamos conseguido aquela manifestação que derrubou, no fundo, o caminho para onde se estava a dirigir o país”.

“Bardamerda mais o fascista”

As manifestações de católicos repetiram-se em Coimbra, Lamego, Leiria e Braga, tornando-se evidente que a Igreja não estava com o MFA e muito menos com a revolução. A Igreja, em peso, desde os mais altos dignitários até ao mais simples dos fiéis, permaneceu na rua, fazendo crescer uma vaga que culminou na Fonte Luminosa, em Lisboa, com Mário Soares a apropriar-se do movimento genuína e radicalmente católico. A Igreja seguiu a evolução política de Portugal e apoiou o socialista e (nesse tempo) moderado Mário Soares, fazendo com que os católicos alinhassem ao lado do PS para refrear os comunistas portugueses.

Em Novembro de 1975, estávamos nós naquele nunca-mais-acabar de perseguições aos “fascistas”, quando o Almirante Pinheiro de Azevedo, tendo sido ele próprio apelidado de “fascista” pelos operários que cercavam a Assembleia Constituinte, se saiu com o célebre grito de alma de “bardamerda mais o fascista” que deu conta do cansaço de um País farto de comunistas até 
à raiz dos cabelos. Quando, semanas depois, um golpe militar mandou as armas para os quartéis, as pessoas para casa e os caixões para os cemitérios, o que nos sobrou foi um Portugal cheio de boa gente desejosa de levar uma vida normal e de ser governada por quem se preocupasse em assegurar um futuro melhor ao País e ao povo. Infelizmente, muito do mal já estava feito – e ainda hoje Portugal anda a pagar os desvarios esquerdistas do PREC de má memória.

Em suma: ainda que de forma indirecta, foi o então Cardeal Karol Wojtyła quem espoletou aquela mobilização imensa da Igreja Portuguesa: bispos, sacerdotes, fiéis leigos, religiosos e consagrados varreram o assalto ao poder do totalitarismo comunista em Portugal em 1975.

E esta é, entre tantas outras, uma das melhores provas de que João Paulo II, que agora estamos a ver elevado às honras dos altares, não foi apenas Papa. Foi também um homem do seu tempo, empenhado na luta da Igreja pelos valores cristãos do Ocidente.

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