Uma aula d’O DIABO

Uma aula d’O DIABO

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A convite do Professor Doutor Adelino Maltez, o nosso director, Duarte Branquinho, apresentou o nosso jornal, as suas raízes e a sua missão, numa breve aula no Laboratório de Análise de Política Interna, uma disciplina do 3.º ano do curso de Ciência Política leccionado no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Damos aqui conta essa apresentação, para partilharmos com os nossos leitores os ideais por detrás deste augusto semanário. Foi uma verdadeira aula d’O DIABO!

Os jovens nascidos na década de 90 lêem mais em média do que as outras gerações, revelam os estudos. Ao mesmo tempo, são das gerações com maior acesso a informação, mas também são uma geração que se está a chegar à idade de poder votar quando o sistema político e a informação estão cada vez mais “cinzentos” e monolíticos, para além de controlados pelo politicamente correcto, do que nunca.

O sinal claro da procura de algo diferente do que é “oficialmente oficial” são os recentes resultados eleitorais em toda a Europa. Urge-se um jornalismo diferente e que dê voz a quem não a tem. O DIABO ainda hoje tem essa missão, mas será que os jovens de hoje conhecem O DIABO e a sua missão?

Direita? Esquerda? Importa?

A posição política d’O DIABO foi o tema de abertura, logo após uma breve apresentação histórica do nosso semanário, e da influência que teve noutras épocas da recente história lusitana. O DIABO é de direita? Foi o que se interrogou Duarte Branquinho antes de afirmar que “O DIABO está à direita, mas é uma classificação fácil” proclamou, considerando que o conceito de direita e esquerda é altamente flutuante e que “posições à direita podem passar à esquerda” com o passar do tempo.

No entanto, ficaram os alunos esclarecidos de que O DIABO é um “jornal de direitas”, ou seja, um “pólo agregador de várias tendências”, não havendo uma que domine. Principalmente, considerou o nosso director, o jornal tenta ser “diferente”, procurando as “pessoas que não são as mais ouvidas”, algumas “que até parece que são censuradas” pelos ‘media’ portugueses, que critica pelo facto de parecer que estamos a ouvir “sempre o mesmo”. O DIABO é o “pesadelo dos politólogos das rotulagens políticas” na opinião de Duarte Branquinho, visto que tem “colunistas de várias tendências” incluindo, em tempos, algumas menos ortodoxas, como “comunistas monárquicos”, ou socialistas. Não faltou também um pequeno esclarecimento sobre as múltiplas “alianças” temporárias por causa de causas superiores. Como exemplo de uma causa transversal, na qual a direita e a esquerda não importam, recordou o combate ao dito Acordo Ortográfico, contra o qual O DIABO se bateu desde a primeira hora, dando voz a todos os que a ele se opõem.

Muitas vezes “baralhamos a esquerda e a direita” admitiu Branquinho, afirmando que “somos um jornal de causas”, mas com a ressalva de que “não fingimos”, ou seja, O DIABO não finge ser imparcial, quando não o é. Quais são as causas que O DIABO defende? Segundo o seu director, a causa central é “a defesa intransigente de Portugal” que considera uma Nação independente, milenar, herdeira de uma História, das suas tradições e do Povo e “nunca um pequeno rectângulo no meio de um mundo massificado”.

Quanto à ausência de mais conteúdos de esquerda, Duarte Branquinho considera que se deve mais à falta de participação da mesma, do que propriamente uma censura prévia feita. “A esquerda às vezes não consegue esquecer os preconceitos com a direita, é uma perspectiva quase teológica, uma luta entre o bem e o mal”, afirmou, dizendo ainda que várias figuras da ala esquerda da política nacional já tiveram espaço para falar e expor as suas ideias. Os poucos que decidiram arriscar chegaram a reconhecer que “afinal há um sítio onde posso escrever livremente”, afirmou Branquinho. Não deixa, no entanto, de rejeitar completamente “a posição de superioridade moral, de evitar o debate” de um largo sector da esquerda que, na opinião do director do nosso jornal, acabam por compor uma barreira político-social fortíssima. “A esquerda, por muito que diga que é anti-sistema, faz parte dele. É o sistema”, declarou.

Independente e livre

Sobre a Imprensa nacional, ficou a crítica aos jornais ditos de referência, que o director d’O DIABO considerou afastarem-se muitas vezes da realidade nacional, mais parecendo fazerem publicidade a quem os financia, notando que, durante os momentos mais negros da austeridade imposta por Bruxelas após a bancarrota de Sócrates, “abria um jornal nacional, dito de referência, e parecia que estava a ler o jornal de outro país”. Em relação a O DIABO, Duarte Branquinho rejeita a associação que é feita entre o nosso semanário e o jornal “Avante!”, considerando ser o pior insulto que podem fazer ao nosso semanário. “Há quem nos chame o ‘Avante!’ da direita, o que não é verdade, o ‘Avante!’ é um jornal oficial de um partido, O DIABO é um jornal livre e independente”. É essa independência que Duarte Branquinho considera que cria a diferença entre O DIABO e os restantes, visto que é “um jornal que não depende de partidos, ou do poder económico” e que, por isso, pode analisar temas “incómodos”, como a correspondência de Salazar, o passado do pai de Mariana Mortágua, a saga de Daniel Roxo ou mesmo a controversa história de Aristides Sousa Mendes.

“Há dificuldade em escrever para alem do politicamente correcto?”, questionou um dos alunos depois da breve, mas esclarecedora, palestra. “Hoje é muito mais difícil de se escrever, e há muito menos coragem” admitiu o nosso director, adicionando que “lemos certos artigos antigos d’O DIABO, ou vemos certos ‘cartoons’, e sabemos que não podemos publicar coisas assim hoje”. Questionado sobre a actual direita em Portugal, fez também a crítica ao abandono da direita dos assuntos sociais, em prol de um modelo que considera anglo-saxónico e que se “centra demasiado na economia”.

Mudança no horizonte? Duarte Branquinho não acredita que seja fácil, pois os “partidos fizeram o sistema, e vivem dele” algo que impede que os jovens os alterem por dentro. Regenerar a pátria? Talvez um dia, com esperança de que O DIABO cá esteja para o noticiar.

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