Caso António Mexia/EDP: onde está a surpresa?

Caso António Mexia/EDP: onde está a surpresa?

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HENRIQUE NETO

Não se compreende que possa haver surpresa com a decisão da Procuradoria Geral da República de acusar alguns dirigentes da EDP e da REN, por actos de duvidosa legalidade e de mais do que duvidosa seriedade, realizados no intuito de favorecer a EDP e prejudicar os consumidores e o Estado.

De facto, a acusação só peca por tardia, em vista de muitos factos conhecidos e publicados, bem como pelo percurso de alguns dos acusados na sua viagem entre os cargos políticos e os diferentes lugares em empresas públicas e privadas, estas apoiadas politicamente.

Ou seja, são pessoas que há muito habitam no que se convencionou chamar a promiscuidade entre a política e os negócios; e o resultado, mais tarde ou mais cedo, só poderia ser este.

Na recente conferência de imprensa, António Mexia centrou a sua defesa na ideia, repetida vezes sem conta, de que os famosos apoios do Estado se limitaram ao cumprimento da lei, sendo de espantar que nenhum jornalista tenha perguntado quem fez as leis e se estas não foram feitas à medida dos interesses da EDP pelos agora acusados, ou pelos seus parceiros nos governos e na Assembleia da República, como José Sócrates e Manuel Pinho.

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