Até que ponto é tolerável o “julgamento antecipado” de quem, por lei, é inocente até prova em contrário? O caso “Ajuste Secreto” chegou a ameaçar as esperanças do centro-direita no concelho de Oliveira de Azeméis, mas o PSD afiança agora: “Estamos mais unidos do que nunca”.

O caso “Ajuste Secreto” rebentou na praça pública precisamente quando a máquina concelhia do PSD se preparava para iniciar a campanha eleitoral em Oliveira de Azeméis. O processo está em investigação, o julgamento nem sequer ainda começou – mas a simples divulgação de nomes quase constitui uma “sentença antecipada” para uma opinião pública nem sempre esclarecida. Estragar uma reputação é fácil. Mas limpá-la depois, em caso de inocência, é muito mais difícil.

Em causa estão alegadas práticas de corrupção no ajuste directo de obras em equipamentos desportivos locais. Sete arguidos aguardam agora julgamento em liberdade: Hermínio Loureiro, ex-autarca de Oliveira de Azeméis; Isidro Figueiredo, o actual presidente da Câmara Municipal e recandidato ao cargo; José Francisco Oliveira, presidente da concelhia local do PSD; João Sá, ex-presidente do conselho de administração da Assembleia da República; e ainda três empresários da construção civil.

Houve quem chegasse a pensar que o centro-direita tinha arrumado as botas e desistido da corrida autárquica do próximo dia 1 de Outubro. Mas não é esse o caso. Em comunicado divulgado nos últimos dias, o PSD de Oliveira de Azeméis (agora liderado pelo vice-presidente concelhio, José Campos) afirma: “Estamos mais unidos do que nunca e profundamente empenhados em vencer as próximas eleições autárquicas”.

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