Mira Amaral: Cenários de futuro para o Brexit

Mira Amaral: Cenários de futuro para o Brexit

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LUÍS MIRA AMARAL

Engenheiro (IST), Economista, Professor Catedrático

Ministro do Trabalho e Segurança Social e da Indústria e Energia nos X, XI e XII Governos Constitucionais

O resultado do referendo sobre a permanência do Reino Unido (RU) na União Europeia (UE), levando ao “Brexit”, surpreendeu os meios económico-financeiros, provocando a depreciação da Libra e uma elevada volatilidade nos mercados financeiros, com correcções significativas dos activos de risco e consequentes valorizações dos activos de refúgio, tais como a dívida pública americana, a dívida dos países europeus do centro e ainda do ouro.

Apesar dessas fortes quedas nos primeiros momentos, os activos de risco acabaram por recuperar, para o que contribuiu em parte o suporte dos Bancos Centrais, designadamente Banco de Inglaterra (BOE) e BCE. No que toca aos mercados emergentes (EMs), espera-se também maior flexibilidade dos Bancos Centrais para acomodarem o choque, e isso é evidente na Reserva Federal Americana com a redução ou abrandamento do ciclo de subidas das taxas de juro que tinha começado, aliviando assim a pressão para a valorização do dólar. Neste contexto, os investidores tinham fugido das moedas ligadas aos emergentes e refugiaram-se em moedas como a norte-americana.

A estratégia suicida de David Cameron e a City de Londres

Nas últimas eleições gerais, que ganhou com maioria absoluta, o que lhe permitiu dispensar os liberais como “junior partner” no Executivo, Cameron, para calar a ala direita dos “Tories” e os adeptos do “Leave” liderados por Boris Johnson, o ex-mayor de Londres, prometeu o referendo.

Como seria de esperar, a demagogia campeou na campanha, ameaçando os adeptos do “Leave” com a entrada duns milhões de turcos e dizendo que a contribuição do RU para a UE permitia financiar facilmente o Serviço Nacional de Saúde (NHS).

O espantalho dessa emigração maciça, agitada demagogicamente, deve ter contribuído, e muito, para o resultado.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.

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