CECÍLIA ALEXANDRE

O DIABO prossegue a sua ronda de entrevistas aos intervenientes da Concertação Social, e esta semana entrevistou Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo Português em representação da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo. Licenciado em Gestão e Administração de Empresas pela Universidade Católica Portuguesa, Calheiros conta mais de 20 anos de experiência empresarial e de gestão no sector do Turismo.

  • O turismo tem sido um dos motores do desenvolvimento económico e social de Portugal. Considera-o fundamental para a recuperação da economia nacional?

Não posso considerar mais. Os números estão à vista. Eu não gosto de “massacrar” as pessoas com números, mas a realidade é esta: se não fosse o turismo, a partir de 2013, não estava a acontecer a recuperação económica que o País está a ter. Não esquecer que em 2016 tivemos 19 milhões de hóspedes e 53 milhões de dormidas, ambos são um aumento de 10 por cento em relação ao ano anterior. Esta percentagem em cima de um número já de si elevado, é muito. Logo, não estaria a haver um crescimento do PIB tão significativo sem o turismo. E também estamos a ter uma balança comercial positiva — algo que não acontecia há quarenta anos — graças ao turismo.

  • Como assim?

No sector do turismo exportamos 12 mil milhões de euros e importamos três mil milhões. Estamos a falar de um saldo líquido de nove mil milhões de euros. Esse saldo líquido consegue contrabalançar todos os défices das outras actividades.

  • E como é que o turismo tem vindo a reflectir-se a taxa de desemprego?

Tem sido com grande satisfação que tenho visto a taxa de desemprego baixar, e não tenho dúvidas de que o turismo (aliás, tal está publicado nos indicadores) tem sido um dos grandes contribuidores para a descida dessa taxa.

  • Mas este crescimento é sustentável? Estão a ser construídas muitas unidades hoteleiras, mas já se fala numa saturação do mercado…

Não há qualquer saturação no turismo. Zero! Temos 53 milhões de dormidas, e se dividir esse número pelos 365 dias do ano, quer dizer que apenas temos 140 mil turistas a dormir em Portugal por dia. Nem um por cento da nossa população é. Quando falamos em números temos de ter noção que Lisboa tem cinco milhões de visitantes, enquanto que cidades como Barcelona têm 35 milhões! Logo, estamos longe de atingirmos a saturação.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.