EVA CABRAL

Bicicletas, ciclovias e canteiros são uma obsessão de Fernando Medina. Como as ciclovias estão às moscas, e o presidente da autarquia lisboeta quer alimentar a sua obsessão anti-carros e a favor das bicicletas, deu mais um passo nesta loucura que está a custar milhões aos lisboetas, sobrecarregados de taxas e taxinhas.

A rede de bicicletas partilhadas da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) começou na quarta-feira a ser testada por voluntários e convidados, que darão sugestões ao projecto, numa fase piloto que deveria ter arrancado em Março.

E como na cidade das sete colinas e à torreira do Verão ninguém quer morrer em cima de uma bicicleta, Medina despeja milhões. O investimento da EMEL no projecto é na ordem dos 23 milhões de euros, através de um contrato de prestação de serviços celebrado com a empresa portuguesa Órbita, para um período de oito anos.

De acordo com fonte da EMEL, durante a manhã de quarta houve uma apresentação do projecto aos jornalistas, enquanto à tarde este foi explicado aos voluntários que se inscreveram para o testar e aos convidados da empresa que também o farão. Esta fase deverá durar um mês.

Em meados de Fevereiro passado, a EMEL divulgou que iria abrir candidaturas para os voluntários que quisessem, durante o mês de Março, testar a rede de bicicletas partilhadas no Parque das Nações.

Porém, a introdução “de melhoramentos” na rede e a “instalação das infra-estruturas” originaram atrasos no arranque, apontou a fonte da empresa.

Em causa está uma rede de 1.410 bicicletas (940 eléctricas e 470 convencionais) distribuídas por 140 estações: 92 no planalto central da cidade, 27 na baixa e frente ribeirinha, 15 no Parque das Nações e seis no eixo entre as avenidas Fontes Pereira de Melo e da Liberdade.

Inicialmente, avançará apenas uma fase piloto com 10 estações e um máximo de 100 bicicletas no Parque das Nações. Todas as bicicletas estarão associadas a uma aplicação móvel (intitulada Lisboa Bike Sharing), através da qual será possível utilizar a rede.

De acordo com o plano de negócio do projecto, divulgado em Fevereiro do ano passado, o passe anual deverá custar 36 euros e o bilhete diário dez euros, pelo que a empresa perspectiva uma receita de 897.321 euros por ano.

Relativamente à publicidade, o plano de negócio prevê a cobrança de 350 euros por bicicleta, o que deverá representar um encaixe financeiro anual superior a 400 mil euros.

SE mesmo com todos estes incentivos os portugueses continuarem a não aderir, o Medina tem solução. Se o problema está nas sete colinas, pode-se terraplanar Lisboa. E o caso não é para rir. Em regimes mais musculados, como o chinês, e com autarcas com mais peso político, terraplanaram zonas significativas para construírem em plano.

Espero que os lisboetas arredem a criatura Medina da coisa pública. Ou, pelo menos, só o deixem ficar pelos canteirinhos, apesar de também estarem a custar milhões aos contribuintes.

  • Virtualix

    Um artigo de opinião, mascarado de noticia….