Tão amiguinhos do proletariado! Extrema-esquerda já iniciou caça ao voto

Tão amiguinhos do proletariado! Extrema-esquerda já iniciou caça ao voto

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Com eleições à porta, os partidos de extrema-esquerda que apoiam a ‘geringonça’ estão a colocar-se em bicos dos pés para chamarem a si os louros de quem mais defende os trabalhadores. 

Estamos na fase do leilão eleitoral, sem qualquer subtileza da linguagem. “A CDU foi a responsável pela reposição de direitos dos trabalhadores”, clamou Jerónimo de Sousa durante o encerramento de um jantar de apresentação da lista de candidatos da CDU aos órgãos autárquicos de Setúbal.

Com eleições ao virar da esquina, o PCP volta a falar sempre em CDU e deixa cair a bandeira vermelha que sabe ter anti-corpos. Desta feita, o líder do PCP reclamou para a CDU a responsabilidade pela reposição de direitos dos trabalhadores na actual legislatura, e exortou o PS a não inviabilizar as propostas do PCP a favor da contratação colectiva.

“Quando o PS se recusa a admitir o fim da caducidade da contratação colectiva e o tratamento mais favorável dos trabalhadores, é preciso lembrar que os direitos dos trabalhadores são zona de fronteira entre a esquerda e a direita”, disse Jerónimo de Sousa.

A lógica discursiva é simples: “a esquerda está com os trabalhadores; a direita está com o capital. O PS tem de se decidir, ficando do lado dos trabalhadores e não derrotando as nossas propostas por mais justiça no trabalho, pelo respeito e valorização dos direitos individuais e colectivos dos trabalhadores”.

Para o secretário-geral do PCP, “hoje está cada vez mais claro que as novas aquisições, os avanços, os progressos conseguidos, mesmo que limitados, só foram possíveis no quadro da alteração da correlação de forças na Assembleia da República”. Ou seja, “tivesse sido possível a formação de um governo maioritário do PS, com uma outra correlação de forças na Assembleia da República, que não existe, e muitos dos avanços conseguidos não estariam concretizados”.

Jerónimo frisou que o PCP não gostou de ver o grupo parlamentar do PS a votar ao lado do PSD e do CDS, para inviabilizar as propostas apresentadas pelos comunistas na Assembleia da República contra a caducidade da contratação colectiva.

“Vimos isso em relação à proposta do PCP votada há dias na Assembleia da República com o PS, PSD e CDS unidos contra as propostas de fim das normas que impõem a caducidade da contratação colectiva de trabalho, bem como a reposição do princípio de tratamento mais favorável dos trabalhadores”, acrescentou Jerónimo de Sousa, lembrando que a própria Constituição da República “tomou partido pelos trabalhadores, considerando-os como a parte mais frágil”.

E como o PCP não gostou da atitude do PS, as greves regressaram à rua.

O regresso à greve

A Frente Comum, que representa os 35 Sindicatos da Administração Pública, entregou um pré-aviso de greve de forma a permitir que os trabalhadores pudessem participar na manifestação de sexta-feira.

Dinossauro do sindicalismo, Ana Avóila disse desde logo esperar uma forte adesão e indicou que escolas, tribunais e repartições de finanças devem ser os serviços mais afectados por este protesto para reivindicar aumentos salariais e o descongelamento das progressões nas carreiras.

Segundo números dos sindicatos, a greve nacional da Função Pública teve uma adesão que ronda os 90% a nível nacional, disse o dirigente sindical Artur Sequeira.

“Os números [da paralisação] aproximam-se dos 90% a nível nacional”, disse Artur Sequeira, da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, numa conferência de imprensa realizada na escola Passos Manuel, em Lisboa, que não abriu.

Também presente no local, o líder da CGTP, Arménio Carlos, considerou que os valores da adesão fizeram da greve uma “jornada memorável”. O poderoso líder da CGTP – na linha do que defende Jerónimo de Sousa – afirmou que “ o Governo vai ter de tirar ilações desta jornada de luta”.

Convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS), a greve nacional foi anunciada no início de Abril para reivindicar aumentos salariais, pagamento de horas extraordinárias e as 35 horas de trabalho semanais para todos os funcionários do Estado.

Recorda-se que o regime das 35 horas foi reposto em Julho de 2016, deixando de fora os funcionários com contrato individual de trabalho, sobretudo os que prestam serviço nos hospitais EPE.

A FNSTFPS, afecta à CGTP, é composta pelos sindicatos do Norte, Centro, Sul, Regiões Autónomas e consulares, e representa 330 mil funcionários.

A última greve geral convocada pela FNSTFPS com vista à reposição das 35 horas semanais realizou-se em Janeiro do ano passado, e teve, segundo a estrutura, uma adesão média entre 70% e 80%, incluindo os hospitais.

BE também se cola

A deputada do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua, também se colou ao protesto, e classificou a greve da Função Pública como um aviso dos trabalhadores ao Governo do PS no sentido da reposição de direitos perdidos.

Mortágua também esteve presente no balanço feito à porta do Liceu Passos Manuel.

“Este é um sinal claro ao Governo de que o País reconhece os passos que foram dados mas acha que há muito mais para fazer, para recuperar rendimentos e cumprir a expectativa”, disse aos jornalistas Joana Mortágua.

A deputada bloquista recordou que os trabalhadores da Administração Pública tiveram uma “longa década” de cortes nos direitos e nos vencimentos e que muitos têm os salários congelados desde 2009. Para a deputada, apesar de já ter havido uma recuperação, nomeadamente nos cortes directos no rendimento, há um conjunto de matérias – como o congelamento das carreiras – que os trabalhadores querem ver resolvidas.

“É uma promessa do Governo; está no programa do Governo; está nos acordos que o Governo fez com o Bloco de Esquerda e é importante que o Governo dê um conjunto de sinais aos trabalhadores da administração pública”, frisou.

Para o Bloco de Esquerda, “quando o País consegue dar a volta”, os processos que envolvem os trabalhadores têm de ser profundos no sentido de se resolverem os “danos” provocados pela troika e pelo Governo do PSD/PP. Para a deputada do BE, é “urgente” encontrar uma solução.

“É urgente porque vem tarde; é urgente porque estes trabalhadores tiveram muita esperança quando o Governo do PSD/PP foi afastado. E, depois de tantos anos, de tanta violência, de tantos ataques aos serviços públicos, o que estes trabalhadores querem é a reposição dos seus direitos. Entendem-no como justiça”, defendeu Joana Mortágua.

  • PAFioso Mentiroso

    Quando o meu PSD voltar para o poleiro eu vou castigar os Tugas com uma overdose de austeridade por terem votado na geringonça!