O DIABO continua a sua ronda de entrevistas aos intervenientes da Concertação Social. Esta semana conversámos com Carlos Silva, secretário-geral da União Geral dos Trabalhadores.

  • Referiu recentemente que gostaria de que as empresas vissem os sindicatos como parceiros em vez de como inimigos, algo que é corrente no Norte da Europa. Considera que existem condições para que se mude a cultura do sindicalismo e dos empresários em Portugal?

Considero que sim, e que existem condições de aculturação em Portugal e nos sindicatos. Essa é a minha função, eu sou líder de uma organização sindical, sei que tenho algum mediatismo, e sei que promover a paz social e a estabilidade social leva hoje as empresas a olhar para nós de outra forma. Olhar para os sindicatos como inimigos é um paradigma que devia estar ultrapassado há muitos anos. Quando o António Chora abandonou a comissão de trabalhadores da Autoeuropa, referiu que muita da causa da baixa taxa de sindicalização se deve a um sindicalismo agressivo do “bota-abaixo”. Mas isso não é o sindicalismo da UGT.

  • O sindicalismo do “bota-abaixo” ainda existe…

Claro que existe, e isso penaliza muito a evolução do movimento sindical, porque muitos empresários têm medo dos sindicatos. Os sindicatos devem existir para reivindicar, de forma justa, a existência de trabalho digno e de boas condições de trabalho. E, diga-se, as empresas também têm responsabilidades sociais, não é só ter lucro! Mas seria importante todo o movimento sindical perceber que tem de se articular melhor com os empresários, não considerar o empresário como um inimigo, mas sim como um parceiro. O empresário quer lucro, quer corresponder às exigências dos clientes, quer criar riqueza, e quer ser rico, o que não é nenhum problema. No entanto, o empresário também tem responsabilidades sociais. Alguns chamam-lhe o “capitalismo consciente”, e baseia-se naquilo que há já mais de um século o papa Leão XIII escreveu na encíclica “Rerum Novarum: sobre a condição dos operários” e que deu origem à Doutrina Social da Igreja.

 

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.
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