diabo

 

 

Portugal é o 12º Produtor Nacional de Vinho
Portugal é o 12º Produtor Nacional de Vinho

Portugal vendeu 89 milhões de pares de sapatos ao estrangeiro
Portugal vendeu 89 milhões de pares de sapatos ao estrangeiro

O sector da metalurgia e da metalomecânica já vendeu 7 mil milho_es de euros ao estrangeiro desde o inicio do ano...
O sector da metalurgia e da metalomecânica já vendeu 7 mil milhões de euros ao estrangeiro desde o inicio do ano…

 

Indiferentes ao “bota-abaixo” da ideologia dominante, muitos portugueses labutam arduamente para voltar a pôr a economia nacional acima da linha de água. Esse trabalho começa agora a ser reconhecido pelo mundo fora.

A ideia de que Portugal está destinado a ser eternamente pobre é um dos muitos mitos da actualidade, fruto da ideologia dominante entre políticos e ‘opinion makers’: o “nacional-derrotismo”. Mas o sangue mercador e industrial da Nação que construiu um dos maiores impérios universais nunca desapareceu, apenas esteve adormecido durante algum tempo.

Desde que os eleitores apearam a governação do PS e a União Europeia fechou a torneira à “festa socialista”, Portugal tem tido de produzir. O esforço de trabalhadores e empresários começa a dar os seus frutos e são visíveis os sinais de se querer trabalhar mais e melhor. Apesar de as forças da esquerda continuarem a duvidar dos números das exportações, denegrindo o trabalho árduo dos muitos portugueses que se levantam todos os dias para produzir riqueza, os números não mentem: Portugal cada vez vende mais, produz mais, e volta a mostrar o que pode fazer quando não sucumbe ao negativismo.

Calçado em alta

No início deste novo século XXI, muitos consideravam a indústria nacional do calçado praticamente morta (ou, na melhor das hipóteses, moribunda), mero resquício de uma época irremediavelmente perdida. Hoje, é dos sectores com maior valor adicionado na economia portuguesa, e um dos mais valiosos em termos de exportações: somos mesmo o 7o maior exportador a nível mundial.

Em 2014, Portugal vendeu 89 milhões de pares de sapatos ao estrangeiro, cerca de 95% de todos os sapatos que saíram das nossas fábricas. E diz-se mesmo as “nossas” fábricas, pois a generalidade do sector do calçado ainda se encontra nas mãos de portugueses, sendo a reviravolta do sector uma obra nacional que pouco reconhecimento recebe.

No total, foram 2 mil milhões de euros que o calçado trouxe para Portugal, contribuindo para a estabilização da balança comercial. Em vez de aderirem ao derrotismo, os empresários do calçado investiram em inovação nacional, apostaram numa imagem forte, criando marcas valiosas que são extremamente valorizadas lá fora. Ao estabelecerem-se no segmento de luxo, várias empresas portuguesas conseguem competir pela qualidade – em vez de se nivelarem por baixo com países que, como a China, produzem apenas na quantidade com base em políticas salariais miseráveis.

Têxteis com ano excepcional

Já os têxteis tiveram o melhor ano desde o início do século. As exportações subiram 8% para um total de 4,6 mil milhões de euros. Só em vestuário, isto é, em produto final com um maior valor acrescentado, as empresas portuguesas trouxeram de volta para o nosso país cerca de 2,8 mil milhões de euros.

A internacionalização também é uma das grandes preocupações do sector, que no ano passado aumentou as suas vendas para países fora da União Europeia, como os Estados Unidos. O saldo da balança comercial em termos de têxteis, portanto, é positiva, com mil milhões que ficam em Portugal. Valor que poderia ser maior, caso os portugueses não comprassem tanto produto estrangeiro, muitas vezes de baixa qualidade em relação ao produto nacional.

Móveis e produtos para a casa

Em termos de mobiliário e produtos para a casa, os portugueses mostram vontade de competir com as Finlândias e Suécias deste mundo. O sector já vale 2,4 mil milhões de euros para a nossa economia, representando 4,7% das vendas externas. Só em candeeiros portugueses vendemos 120 milhões de euros por ano. Em cutelaria vendemos 45 milhões de euros. E em móveis vendemos mais de mil milhões de euros. Os consumidores de 174 países fazem fila para comprar o produto português, ao mesmo tempo que continua a haver consumidores nacionais que só dão valor ao que vem de fora.

Quem se queixa do desemprego e depois vai comprar móveis nórdicos que tem de montar à mão, bem pode parar de chorar lágrimas de crocodilo: o sector já emprega 56 mil pessoas, e continua a crescer. A maior parte da produção tem origem do Norte do País, uma das regiões mais atingidas pela longa estagnação económica que Portugal viveu desde o virar do século. O “Móvel do Norte”, historicamente, foi uma marca de qualidade, mas o deslumbramento de alguns portugueses perante tudo o que vem de fora denegriu uma indústria que, felizmente, foi agora redescoberta pelos estrangeiros.

Indústria de qualidade

Em termos de indústria pesada, Portugal também mostra que os engenheiros e profissionais formados nas nossas Faculdades não ficam atrás de ninguém. O sector da metalurgia e da metalomecânica, por exemplo, já vendeu 7 mil milhões de euros ao estrangeiro desde o início do ano, e ambiciona conseguir vender 15 mil milhões de euros até Dezembro. É o segundo maior exportador a seguir ao turismo.

O produto industrial português é de alta qualidade, baseado em investigação nacional. Os comboios alemães, por exemplo, estão dependentes de peças portuguesas para funcionarem, e encontra-se localizada em Portugal uma de apenas duas empresas com conhecimentos técnicos para produzir peças de exploração de petróleo em grande profundidade.

Excelente é também a indústria nacional em alguns produtos finalizados, como bicicletas, das quais somos o terceiro maior produtor europeu e que adicionam várias centenas de milhares de euros aos cofres públicos.

Mas não é só nas novidades produtivas que nos destacamos: Portugal, enquanto “marca”, também é poderoso.

O valor da tradição

Portugal voltou a ser “descoberto” pelas grandes publicações internacionais, e o enorme influxo de turistas é visível neste Verão. País de História quase milenar, a nossa cultura é também uma considerável fonte de rendimentos: os museus, monumentos e palácios portugueses estão a lucrar mais de um milhão de euros por mês, sendo que duas em cada três entradas foram vendidas a estrangeiros.

Mas não é só no turismo que a “marca Portugal” se revela forte. O sector dos vinhos voltou a dar cartas. Somos o 12º maior produtor nacional, mas o vinho português tende a diferenciar-se dos outros pela sua qualidade e historial e, por isso, consegue ser vendido a preços substancialmente mais elevados. Portugal exportou quase mil milhões só em vinho. E é nos Estados Unidos e no Canadá que as vendas mais sobem, onde a comunidade portuguesa divulga a boa qualidade do nosso produto.

Também os nossos produtos artesanais estão a ser vendidos por preços elevadíssimos. Neste sector, o problema, muitas vezes, é a produção não conseguir satisfazer a procura. As mantas alentejanas de retalhos, por exemplo, são hoje um símbolo de moda, devidamente assinalado pelo jornal de referência dos EUA, o “New York Times”. O capote alentejano até já aparece, ainda que discretamente, em filmes estrangeiros. E os cobertores de papa nunca desapareceram, continuam até hoje a ser feitos na Guarda, e vendidos para fora.

Distribuição e marketing

Mas nem sempre foi assim. Desde a adesão de Portugal à CEE, o sector foi quase completamente destruído por produtos estrangeiros de qualidade descartável, mas com preços muito baixos.

A competição desleal dos mercados orientais de mão-de-obra barata praticamente arrasou o que ainda sobrava, e as mantas alentejanas chegaram a ser confundidas pela juventude portuguesa como um produto mexicano, por causa das suas cores, e por culpa dos filmes de Hollywood. Felizmente, a tendência no estrangeiro começa a alterar-se.

O sector de produtos artesanais de luxo é um novo foco de formação, para que o conhecimento destas artes não caia no olvido com o desaparecimento dos artesãos originais. Existe a ambição de modernizar a distribuição e o “marketing” deste tipo de produtos, ao mesmo tempo que as técnicas e a qualidade não mudam.

Já não são poucos os jovens desempregados que encontraram uma vocação de vida nesta área. O que não deveria ser surpreendente: também os sapatos italianos de qualidade continuam a ser feitos de forma tradicional, e vendem-se nas grandes praças mundial por preços elevadíssimos, bem como o champanhe francês.

Portugal na moda

O sucesso da “marca Portugal” também é visível na abertura de novos restaurantes de gastronomia nacional nas capitais da cozinha “chique”. Na nova-iorquina Manhattan, por exemplo, chegou a não haver um único restaurante português, lacuna que foi recentemente preenchida pelo “Lupulo”, inaugurado por um ‘chef’ luso-descendente e que é agora o restaurante da moda no país. O espaço é completamente decorado à portuguesa, com azulejos e bancadas feitas em Portugal. Feito em Portugal é também todo o vinho ali servido.

Livros sobre a gastronomia portuguesa são um ‘best-seller’ nos EUA, país onde até há bem pouco tempo Portugal apenas era conhecido pela sua humilhante bancarrota de 2011. Agora, um festival de comida portuguesa em New Bedford, na Nova Inglaterra, encheu de tal forma que o vinho da Madeira e a carne de espeto esgotaram.

No Canadá já existem empresas com acordos de distribuição de produtos nacionais de elevada procura, como o chouriço e o presunto. Não são poucos os críticos culinários que dizem que a comida portuguesa é, provavelmente, a próxima grande moda.

Todos estes esforços de restauração, literatura e divulgação do nosso produto servem como embaixadores não oficiais de Portugal no mundo, com a esperança de que os turistas americanos venham a Portugal em vez de irem direitos a Paris ou Madrid.

Políticos: deixem Portugal em paz

Seria bom que os partidos se cingissem à baixa luta político-partidária que já os caracteriza, e deixassem quem produz riqueza sossegado. O derrotismo da esquerda não ajuda a imagem de qualidade que Portugal quer passar para o mundo, e que tantos empregos poderá gerar. Por outro lado, a euforia da coligação pode esconder a necessidade de crédito e apoios na área tecnológica de que muitas empresas precisam.

A recuperação económica deve-se mais ao trabalho árduo dos trabalhadores e empresários portugueses do que a qualquer política do Estado. Na verdade, a austeridade profunda que nos limita, bem como os impostos elevadíssimos, são condicionantes pesadas à nossa prosperidade enquanto Nação.

Todos os sucessos dos últimos anos foram concretizados apesar do Estado, e não graças ao mesmo. Aliás, o único ministro que teve uma ideia original, a de exportar o pastel de nata, foi ridicularizado e expulso do poder. No fim acabou por ter razão, por estar muitos anos adiantado em pensamento em relação aos seus colegas.

Esperemos que os políticos decidam reservar para si mesmos o discurso derrotista que tanto mal nos tem feito, e deixem o nome de Portugal em paz. Portugal precisa de riqueza, não de baixa política. Não temos de ser um país pobre para sempre.

SIMILAR ARTICLES