Bruxelas não acredita em “milagres”...

 

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HUGO NAVARRO

Os avisos chegam de todos os lados, mas o Governo mantém-se cego e surdo, no seu inexplicável optimismo orçamental.

O Conselho das Finanças Públicas, a Comissão Europeia, o Eurogrupo, as agências de notação, a banca e a imprensa internacional não se cansam de avisar: o orçamento português para 2016 não vai resultar, tal como está elaborado, e Portugal terá de alterar o rumo da sua economia se quer evitar uma nova intervenção de resgate.

Mas de pouco valem os avisos, quando um Governo obstinado insiste numa solução orçamental que é uma manta de retalhos mal cosida ao longo de três penosos meses de “negociações” entre facções radicais da esquerda, qual delas a mais teimosa.

A Comissão Europeia, em Bruxelas, detectou graves entorses no projecto de orçamento e levou António Costa a recuar. O actual primeiro-ministro, que parece ter o orgulho mal colocado, fingiu que obtivera uma grande vitória (daquelas à Varoufakis) sobre a Comissão, mas lá teve de fazer adaptar o orçamento à realidade.

Só assim a agência de notação Moody’s acedeu a não baixar ainda mais a classificação de Portugal, mantendo-nos num piedoso “lixo”. Algo semelhante fez o Barclays, que se congratulou por a esquerda radical portuguesa ter aprovado o orçamento na generalidade (embora se saiba que tentará agora estraçalhá-lo na especialidade).

Em Bruxelas, contudo, e no Eurogrupo, é óbvio que a própria filosofia orçamental de Costa está errada. Um dos sinais mais recentes foi a subida dos prémios de risco exigidos pelos investidores para comprarem dívida pública portuguesa, o que faz prever que o Estado venha a ter, a breve trecho, dificuldades de financiamento nos mercados. Se tal sucedesse, uma crise generalizada de confiança poderia contaminar os países da Europa mais pobre do Sul, como a França e a Itália.

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