PT sem Caixa

PT sem Caixa

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O fornecimento de serviços de telecomunicações à CGD valia perto de 30 milhões de euros anuais à PT

Já foi um dos ‘jobs’ mais apetecidos pelos ‘boys’ dos sucessivos governos do centrão e dona de um poderoso grupo de comunicação social.

Hoje, a PT anda pelas ruas da amargura e vê fugir para a concorrência alguns dos seus maiores clientes, como a Caixa Geral dept Depósitos e o BPI, enquanto a “polícia da Bolsa” investiga os contornos de um investimento de quase 900 milhões na holding do grupo Espírito Santo.

Ainda não há muitos meses, quando alguém perguntava pelas maiores empresas portuguesas, a PT aparecia com destaque nos lugares cimeiros. Mas o ex-gigante das telecomunicações, um dos ‘jobs’ mais apetecidos pelos ‘boys’ de vários executivos do “arco da governação” (vulgo centrão) e que também encabeçou um império da comunicação social – hoje reduzido a uma pálida imagem daquilo que foi e entregue a um consórcio em que se destacam o angolano António Mosquito e o genro de Cavaco, além do ex-patrão Joaquim Oliveira -, já viu dias melhores. No fim da semana passada foi anunciado o golpe mais recente na PT – e bem duro, por sinal: a perda de um dos maiores clientes, a Caixa Geral de Depósitos (CGD).

CGDMais do que cliente, até há pouco a Caixa era um dos grandes accionistas da PT. Só que, com a chegada da troika, o banco do Estado foi obrigado a vender a sua participação na empresa. Apesar disso, a CGD manteve a PT como fornecedora dos serviços de telecomunicações, uma carteira que, segundo o semanário ‘Expresso’, valerá perto de 30 milhões de euros por ano, incluindo comunicações fixas, móveis e de dados.

Só que a Caixa decidiu abrir concurso para garantir a prestação daqueles serviços por melhor preço… e quem ganhou foi a concorrência. A partir do começo do próximo ano, a NOS será o novo parceiro da CGD na área das telecomunicações.

Mas um azar nunca vem só. Esta nova machadada na PT surge não muito depois da perda de outro cliente milionário: o BPI. Observadores atentos do mundo da alta finança nacional garantiram a O DIABO que a troca da PT pela NOS estava escrita nas estrelas desde o momento em que a empresária angolana Isabel dos Santos (filha do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos) se tornou a segunda maior accionista do BPI (com 18,6 por cento)… É que Isabel dos Santos é também uma das principais accionistas da NOS, juntamente com o grupo Sonae.

Dano colateral

A PT sofreu um forte abalo com as ondas de choque do escândalo financeiro que ditou a queda do império Espírito Santo, sobretudo desde que transpirou para a opinião pública a notícia de que, ainda durante o consulado de Henrique Granadeiro (‘chairman’) e Zainal Bava (presidente executivo), a empresa tinha investido 897 milhões de euros na Rioforte, a ‘holding’ do Grupo Espírito Santo (GES), o qual, por sua vez, chegou a deter 10,05 por cento do capital da PT.

Esse investimento – cuja divulgação arrastou a queda de Granadeiro – deu origem a uma auditoria da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), com o objectivo de determinar se houve irregularidades e, em caso afirmativo, atribuir responsabilidades. De acordo com o ‘Expresso’, a “polícia da Bolsa” já terá encontrado matéria suficiente para avançar com um processo de contra-ordenação, podendo aplicar coimas outras sanções aos visados.

Em fusão

 O que está por esclarecer é o próprio futuro da PT, agora presidida por Armando Almeida. A grande aposta da anterior administração foi a fusão com a operadora brasileira Oi, apresentada na altura à opinião pública portuguesa como um investimento destinado a internacionalizar a empresa. A PT ia comprar a Oi – dizia-se então. Na prática, depois de ter rebentado a bronca do investimento na Rioforte, o processo de fusão em curso significa o domínio da PT pelos brasileiros da Oi, agora presidida por Zainal Bava.

Isto se ambas as empresas em vias de ficarem fundidas não forem por sua vez engolidas pelos italianos da Telecom Italia, que, segundo foi noticiado recentemente, poderá estar a preparar uma OPA (oferta pública de aquisição) sobre a Oi.

Preocupados com o futuro estão, naturalmente, os 12 mil trabalhadores da PT no activo e os cinco mil em situação de pré-reforma. O triplo dos funcionários da NOS, que, como se viu, acaba de “roubar” à PT dois super-clientes.