dbDUARTE BRANQUINHO

Daniel Pavão tem 29 anos, é licenciado em Ciências da Saúde e pós-graduado em Ciências Biomédicas pela Universidade dos Açores. Profissionalmente é gestor e coordenador de formação numa empresa regional do ramo da educação e formador na mesma, para além de consultor de uma empresa de estudos de mercado para os Açores. É o Presidente da Juventude Social Democrata dos Açores. O DIABO entrevistou-o a propósito de Carlos César, antigo Presidente do Governo Regional dos Açores e actual líder da bancada parlamentar dos socialistas na Assembleia da República.

  • O DIABO – Como comenta as críticas de Carlos César à “demora” do primeiro-ministro em anunciar a composição do Governo e em apressar a apresentação do respectivo programa?
Daniel Pavão considera que Carlos César utiliza a táctica de descredibilização dos adversários
Daniel Pavão considera que Carlos César utiliza a táctica de descredibilização dos adversários

Daniel Pavão – Como já o tinha feito anteriormente em comunicado à Imprensa regional açoriana e relembrei que Carlos César não se lembra, por exemplo, que em 2008 apresentou o seu governo ao Representante da República um mês depois das eleições. Agora critica a demora de uma semana, ou menos do que isso, tendo em conta a indigitação.

  • Carlos César também criticou o Presidente da República…

Sim, atacou com a única intenção de o descredibilizar. Carlos César durante os seus 16 anos de governo tudo fez para descredibilizar todos aqueles que discordaram dele. Foi uma arma muito utilizada durante os seus 16 anos de presidente do governo regional e que deixou seguidores o actual.

  • Ataca em todas as frentes?

Ataca todas as frentes pois perdeu na frente que deveria ter ganho. Ataca tudo e todos menos os portugueses que escolheram livremente dar o seu voto à coligação Portugal à Frente (PàF). Durante a campanha eleitoral às legislativas no círculo dos Açores César nunca apresentou uma proposta sequer, apenas tentou descredibilizar a candidata do PSD. É uma táctica amplamente utilizada por Carlos César. O que ele não contava é que teria uma Imprensa com mais meios e com maior liberdade daquela que encontrou nos Açores durante quase 20 anos.

  • No comunicado da JSD/Açores afirma que Carlos César “envergou em definitivo a sua farda de golpista”. O PS está a fazer um “golpe de Estado”?

Utilizei o termo depois dos acontecimentos e atitudes de Carlos César desde as eleições primárias no PS, onde esteve desde a primeira hora ao Lado de António Costa com a enorme cumplicidade do PS nos Açores. Desde o dia 4 de Outubro César tudo fez para que o PS forme governo aliado à esquerda, mas até hoje ainda não assumiu nem a derrota do PS, do qual é presidente, nem a vitória eleitoral da PàF. Para além disso está a dizer perfeitamente o contrário do que disse na campanha em relação ao Bloco e ao PCP. Não está a fazer um golpe de Estado tradicional mas está a quebrar todas as regras da democracia e aquilo que o PS sempre defendeu. Pois sabe que se o PS não for Governo, a sua carreira política termina e não chegará ao patamar de outros políticos açorianos como Mota Amaral, Jaime Gama, Costa Neves ou Berta Cabral, que tiveram elevadas responsabilidades a nível nacional. E isso é o que lhe custará mais.

  • Como avalia Carlos César enquanto Presidente do Governo Regional dos Açores?

Para responder a essa pergunta tenho que dividir a sua governação em duas partes. Nos primeiros oito anos trouxe uma nova vitalidade à política e à economia depois de 20 anos de Governo Regional de Mota Amaral. A revisão do estatuto político e administrativo dos Açores foi outra conquista sua. Mas nos segundos oito anos começou a governar apenas pela manutenção do poder. A multiplicação das empresas públicas regionais, os falhanços sucessivos das políticas governativas, as PPP que custam milhões à região e as sucessivas nomeações para cargos políticos e administrativos marcaram a sua governação pela negativa. Para além disso, criou uma dependência económica do Governo Regional, onde quem ousa criticar é fortemente penalizado. Isso levou ao um aumento do medo de represálias por toda a região. Isso não é um mito, é uma realidade cada vez maior. Felizmente começam a surgir alguns que ousam desafiar o poder instalado. E o aparecimento das redes sociais não controladas ou dependentes dos apoios governamentais facilita essa ousadia.

  • O caso das nomeações polémicas foi noticiado pela Imprensa…

Sim, foi noticiado pela Imprensa e caiu no esquecimento. As nomeações feitas à família César ultrapassam toda e qualquer ética politica. E pior do que isso é que o actual governo regional é conivente com as mesmas. A criação do museu da autonomia com cerca que irá ser gerida pela esposa de Carlos César é um exemplo paradigmático de que o actual governo e o seu novo presidente continuam a ser coniventes com estas situações. Para além da família César, muitos outros altos dirigentes socialistas açorianos e as suas famílias foram e continuam a ser nomeados sucessivamente.

Sem falar nos concursos públicos nos Açores que são uma farsa, ninguém os contesta com receio de represálias. Ainda há pouco tempo decorreu um concurso público onde que o venceu foi o filho do antigo numero dois de Carlos César. Muitos jovens que se candidataram ao cargo denunciaram o caso mas, mais uma vez desistiram de contestar o resultado do concurso com medo de ficarem automaticamente excluídos de futuros concursos. O mesmo acontece em todo o sector público, e empresarial público regional.

  • Carlos César é o novo líder parlamentar dos socialistas. O que podemos esperar?

Vamos continuar a assistir ao que temos assistido. Carlos César irá continuar a ser o porta-voz do PS e disparar em todos os sentidos até ao momento em que Cavaco Silva der posse a António Costa. Irá continuar a representar tudo o que de negativo este PS tem demonstrado desde a tomada de posse de António Costa como secretário-geral do PS. Se o Presidente da República indigitar António Costa como primeiro-ministro, Carlos César irá assumir o cargo de ministro desse próximo governo e constataremos que esta sua eleição para líder parlamentar foi uma encenação e uma perda de tempo.

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