dbDUARTE BRANQUINHO

Livro

Al J. Venter, conhecido repórter de guerra que cobriu vários conflitos e autor de uma extensa obra publicada, bem como de vários documentários televisivos, foi o único jornalista estrangeiro presente nas três frentes da Guerra de África, testemunhando presencialmente acções militares do Exército, marinha e Força Aérea. o seu livro “Portugal e as Guerrilhas de África” foi recentemente traduzido e publicado no nosso país. O DIABO entrevistou-o.

  • O DIABO – Portugal foi o primeiro país europeu a chegar a África e o último a sair. A presença portuguesa em África foi diferente da de outros países europeus?

Al J. Venter – Durante as décadas que cobri África para publicações e para agências noticiosas visitei todos os Estados africanos. Também fiz dezenas de documentários televisivos. Este processo de “imersão total” deu-me uma perspectiva muito boa de como as coisas eram nos vários países africanos e de como os seus respectivos governos funcionavam. Havia diferenças enormes.

A Libéria, por exemplo, apesar de ser um Estado livre, era mais uma colónia americana que a vizinha Serra Leoa, debaixo da alçada britânica, ou da francófona Costa do Marfim. Durante quase um século a moeda era o dólar americano e só foi depois da morte do Presidente Tubman (durante o sono) e do início dos conflitos que Monróvia teve que criar a sua própria moeda.

As duas principais potências coloniais que se destacavam eram a Inglaterra e a França, ambos bastante benevolentes na sua abordagem imperial. A missão da França sempre foi a de atrair as suas colónias para o que chamava a “pátria-mãe”. Em troca, a África fornecia à França a maior parte das matérias-primas que precisava como potencia comercial e industrial.

Não demorou muito tempo, depois da Segunda Guerra Mundial, para que o Eliseu aceitasse que estas colónias não continuariam subservientes para sempre. A revolta que estalou na Indochina fez com que uma forma de auto-determinação fosse implementada em lugares como Dakar, Yaoundé, Abidjan, Libreville, Bangui, entre outros. Funcionou bem, porque a lei francesa continuou a prevalecer e as pessoas comuns foram protegidas.

Os britânicos foram mais longe. Apesar de terem os seus governadores “todo-poderosos” em capitais como Nairobi, Lagos, Freetown, Dar es Salaam, entre outras, Whiteball não interferia em assuntos tribais. Lord Lugard tinha estabelecido originalmente aquilo que se designava na Nigéria como “indirect rule” para a população muçulmana do Norte. Tal significava que a administração de assuntos correntes era deixada aos líderes tradicionais.

Em relação à África negra em geral, temos que aceitar que a Inglaterra e a França – tal como a Espanha, a Itália e a Bélgica (e a Alemanha antes de perder as suas colónias após a Primeira Guerra Mundial) – eram recém-chegados no que respeita à colonização africana. Apesar de os franceses e os ingleses terem relações comerciais com o continente há duzentos anos, os ingleses só anexaram Lagos em 1961. Nairobi só foi estabelecida em 1899. Portugal, pelo contrário, lançou raízes em África há 500 anos.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.

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