MIGUEL MATTOS CHAVES*

No dia 13 de Janeiro adverti o Governo de Portugal da possibilidade de se observar um novo quadro na Europa, em consequência do resultado das eleições gregas. Salvo o Gen. Loureiro dos Santos que me escreveu a concordar com o cenário que então propus para análise e prevenção, e o Prof. Adriano Moreira que dias depois falou nessa possibilidade embora de forma pouco clara, poucas pessoas ligaram e os “doutos” comentadores das televisões (em quem os portugueses parecem continuar a acreditar piamente) entretiveram-se a descartar as hipóteses que então levantei publicamente.

Entretanto, o primeiro-ministro grego reuniu-se em Moscovo com Putin. A Cimeira Grécia-Rússia, na minha opinião, não foi inócua.

Na verdade com o acordo, assinado, com a Rússia, a Grécia, fica como parte importante do controlo da energia, na Europa! Tal facto não é de somenos importância e poderá ser um primeiro passo para algo de mais profundo.

O que é realmente importante é sempre discutido longe das câmaras de televisão e longe dos jornalistas, como bem sabem.

O futuro da Moeda Única e da União Europeia

O Futuro do Euro, e até da União Europeia (UE), está a jogar-se, em torno da Grécia!

Se a UE, leia-se Alemanha, persistir no “braço de ferro” e continuar inflexível para com este país, temo que as negociações se rompam e isso crie de facto “o inimigo comum” que ajuda, sempre ajudou, nas Relações Internacionais à formação de blocos antagónicos.

E mesmo sem sair do Euro ou da União Europeia a Grécia poderá provocar muitos estragos, a saber:

a) Usar o seu direito de veto nas sanções à Rússia, dado o seu comércio externo valer mais de 10 mil milhões com este país;

b) Passar a bloquear através do mesmo instrumento todas as decisões da União que considere ofenderem os interesses gregos.

Se assim for, a União ficará com um problema muito grave que poderá desembocar na sua dissolução, como já o referi em vários escritos.

A posição portuguesa

No que reporta à posição portuguesa e como nota final, e perdoem-me a imodéstia, se seu fosse primeiro-ministro de Portugal o que teria feito, seria o tentar efectuar todas as diligências necessárias, (numa primeira fase através do nosso Corpo Diplomático e numa segunda fase através da diplomacia directa), conquistar uma posição de Mediador do Conflito (UE/Grécia) opondo à palavra da força, a Força da Palavra (como bem tem dito o Prof. Adriano Moreira) tentando que ambas as partes chegassem a uma posição de acordo, em que ninguém perdesse totalmente a face.

Um médio país como o nosso, excêntrico face ao centro da Europa, mas no Centro do Mundo do Atlântico, tem capacidade e força para tal.

Bastaria termos dirigentes/governantes esclarecidos, com noções básicas de geopolítica e geoestratégia, e com vontade política suficiente para levar a cabo tal empresa.

Não foi assim e infelizmente estamos, ou continuamos, num quadro de irrelevância total.

Mas creio que, ao contrário de muitas opiniões, ainda estamos (UE e Grécia) no “adro” das negociações e que ainda se poderá atingir um acordo, mesmo sem a nossa intervenção, o que lamento.

Se assim não for, se não se encontrar uma plataforma de entendimento razoável, creio bem que não haverá vencedores e todos perderão – a União e a Grécia.

Veremos até Junho do corrente ano a marcha dos acontecimentos.

ARTIGOS SIMILARES