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Podemos comparar o atentado ao “Charlie Hebdo” com os ataques de Paris de 13 de Novembro? Qual a importância dos serviços de informações para a prevenção do terrorismo, constantemente em mutação? Há uma guerra entre o dito Estado Islâmico e o Ocidente? Para esclarecer o que se passou em França após os massacres de Paris, o jornalista Nicolas Gauthier questionou o filósofo Alain de Benoist para o “Boulevard Voltaire” e O DIABO garantiu o exclusivo de publicação para Portugal.

Nicolas Gauthier – Após os atentados de Janeiro último levados a cabo em Paris, milhões de pessoas desfilaram nas grandes cidades gritando “Eu sou Charlie”. Nos dias que se seguiram aos atentados de 13 de Novembro, assistimos apenas a algumas aglomerações esporádicas, a que se juntou a “homenagem nacional” presidida por François Hollande no pátio de honra dos Inválidos. A que se deve esta diferença?

Alain de Benoist – Os atentados de Janeiro e os de Novembro são muito diferentes. Em Janeiro último os terroristas islamistas massacraram jornalistas a quem acusavam de terem “blasfemado” contra Maomé, de seguida mataram judeus pelo único motivo de o serem. Nessa altura era fácil para os manifestantes, que na sua grande maioria não eram nem judeus nem jornalistas, dizerem-se solidários com “Charlie”! A 13 de Novembro, pelo contrário, os terroristas não visaram alvos específicos. No Bataclan não pediram aos espectadores que declarassem a sua origem ou a sua religião. Massacraram todos os que aí se encontravam sem distinção de idade, sexo, crença, afiliação ou profissão. Chegamos assim à conclusão de que qualquer um pode tornar-se num alvo potencial. O equivalente a um duche frio.

Embora os autores dos ataques, em ambos os casos, obedeçam à mesma tipologia (jovens delinquentes “radicalizados”), os motivos foram igualmente diferentes. O ataque contra o “Charlie Hebdo” foi de natureza “religiosa”, por oposição ao do Bataclan de natureza política. A 13 de Novembro os terroristas queriam retaliar contra o nosso engajamento militar na Síria: visaram a política externa francesa. Hollande compreendeu-o bem, uma vez que ordenou imediatamente à aviação francesa que intensificasse os seus ataques, enquanto ele próprio se empenhava numa vasta ronda diplomática.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.

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