diabo

Apresentavam-se como “a grande alternativa”, mas em poucos anos o descalabro económico tomou conta dos mais famosos regimes de esquerda: China, Brasil e Venezuela aterraram de nariz na dura realidade.

Em bancarrotas e pântanos já os portugueses são especialistas. Por isso, é difícil resistir a um sorriso ao ler-se na revista inglesa ‘The Economist’ que o Partido dos Trabalhadores conduziu o Brasil a um “pântano económico”. Nós sabemos o que isso é: sofremos na carne o fracasso das políticas económicas socialistas – não apenas as dos tresloucados tempos do PREC, mas também as dos desvarios mais recentes.

O caso do Brasil toca-nos mais de perto. Mas que dizer do desmoronamento do poder da China, onde uma clique toda-poderosa conduziu o país à beira do abismo? Nas últimas semanas, o governo comunista de Pequim foi obrigado a intervir para estabilizar o mercado accionista, impedir os cidadãos de venderem propriedade que seria supostamente sua e a desvalorizar drasticamente a moeda.

A economia socialista chinesa, baseada na miséria humana dos ordenados muito baixos, não está a conseguir dar o “grande salto em frente” do desenvolvimento: pelo contrário, o mais que consegue fazer é regredir. Segundo dados divulgados pelo ‘New York Times’, os chineses esconderam durante anos que quase toda a sua economia assentava em investimento público, e muito pouco em consumo.

O investimento parou porque o consumo ocidental estagnou, e os investidores estão a fugir. As grandes obras públicas foram-se tornando cada vez maiores, mas não resultaram em melhores condições de vida para o povo, nem numa economia mais vigorosa. Bastava aos chineses terem perguntado aos portugueses – e teriam evitado todo este imbróglio: a maior parte das auto-estradas nacionais estão desertas, custam uma fortuna a manter, e as PPPs ainda hoje nos custam os olhos da cara.

Sambar direito ao abismo

Mas é num dos antigos territórios portugueses que o socialismo está a bater de forma mais dura com o nariz na realidade. O ex-presidente Lula da Silva, durante anos, gastou o que tinha e o que não tinha. Similar ao “rendimento mínimo” da nossa praça, o programa “Bolsa Família” consumiu milhares de milhões ao Estado brasileiro com efeitos muito reduzidos – para além da propaganda, que apregoava que Lula estava a “ajudar os pobres”.

Mas essa “ajuda” é mais do que duvidosa. Um dos símbolos desse programa, um jovem brasileiro que Lula encontrou a tentar nadar numa poça imunda, morreu de overdose de heroína aos 15 anos. Sem controlo, como cá, o subsídio financiou directamente o tráfico de droga. Hoje, são 50 milhões de subsídio-dependentes que os contribuintes financiam, tal como uma reportagem da Globo noticiava: “Grávida de seis meses, Danielle estuda à noite, no 1º ano do ensino médio, e diz que só espera a criança nascer para solicitar o benefício. Ela está fazendo a família dela e vai ter o próprio Bolsa Família, diz a mãe”.

As grandes obras públicas, essas, pouco ou nada contribuíram para a prosperidade nacional. O campeonato do mundo foi uma festa “bacana”, mas terminou sem adicionar grande coisa ao Brasil. As olimpíadas estão a custar uma fortuna, mas certas obras, as que mais beneficiariam a infra-estrutura nacional, estão tão atrasadas que não vão ficar concluídas a tempo. Muitas provavelmente, nunca serão concluídas. Como afirmou José Augusto Coelho Fernandes, da Confederação da Indústria Nacional, “não é apenas um problema de dívida, mas um problema da qualidade dos gastos”.

O Brasil tem, por agora, dinheiro suficiente em reserva para evitar a bancarrota total, mas a campanha de despesismo público teve o efeito inesperado de fazer disparar a inflação, o que está a devorar as parcas poupanças da classe média e dos reformados.

A mais célebre empresa nacionalizada dos últimos tempos, a Petrobras, foi mais usada para financiar a corrupção no Brasil do que para desenvolver a nação sul-americana. Dilma, implicada no escândalo da Petrobras e com a espada de Dâmocles sobre a sua cabeça (ou, mais precisamente, a espada do “impeachment”), tenta dar novo ânimo a uma economia que entrou em recessão, após anos de triunfalismo esquerdista. A uma certa altura, o Partido dos Trabalhadores chegou a enviar aos seus apoiantes propaganda em que se regozijava por “ter ultrapassado a Inglaterra” – uma patranha que só poderia ser levada a sério se limitada ao samba ou ao jogo da bola…

Lula e a sua sucessora, Dilma, nunca dotaram o Brasil de mecanismos da modernidade económica: um sistema judicial competente, legislação de concorrência eficaz, etc. O que se veio a descobrir é que a esquerda brasileira apenas conseguiu bons resultados enquanto o petróleo e as matérias-primas registaram preços elevados. Retirado esse balão de oxigénio, a economia está em queda desde o inicio de 2014. Não é um caso isolado…

Petroditadura

A esquerda portuguesa venerava Hugo Chávez como um “herói do povo”; hoje, é difícil dizer que o tenha sido. A miséria e a fome na Venezuela dispararam com a queda abrupta dos preços do petróleo. Sem este recurso, a economia, controlada centralizadamente por Caracas, pouco ou nada tem para oferecer. Hoje, o governo “chavista-bolivariano” de Nicolás Maduro não consegue importar os bens mais essenciais para o seu povo.

A crise é tão profunda que apenas vai ser possível fazer compras em dias determinados pelo governo, de acordo com o número do bilhete de identidade. Esta medida surge depois de algumas pessoas terem passado mais de 70 horas em filas para comprar bens tão básicos como arroz.

Confrontados com o fracasso das suas políticas económicas, dependentes de 19 ministérios “populares” diferentes, os chavistas culparam os “sabotadores económicos”. Maduro, sucessor de Chávez à frente do regime ditatorial venezuelano, pode governar por decreto sem sequer consultar o parlamento. As eleições parlamentares estão marcadas para Dezembro deste ano, e a oposição vai bem nas sondagens, razão pelo qual já é dado como certo que Maduro se prepara para suspender o acto eleitoral, se não conseguir impedir um sufrágio livre e democrático. Os últimos, certamente, não foram.

Nas eleições de 2010, a oposição apenas teve menos 100 mil votos do que o partido do regime: mesmo depois de uma fortíssima campanha de terror, mas com 47% dos votos, elegeu apenas 38% dos deputados. O Partido Socialista Unido, de Maduro, conseguiu uma “maioria absoluta” apenas com 48% dos votos. Estranho sistema eleitoral…

Já nas eleições presidenciais foi apenas com recurso à fraude que Maduro manteve o seu mandato, e a oposição nunca o reconheceu como presidente legitimamente eleito da Venezuela, razão alegada pelo PSUV para impedir os deputados da oposição sequer de falarem nas sessões plenárias. Muitos têm sido espancados quando aparecem para honrar o seu mandado.

O regime precisa urgentemente de reformas económicas, mas não quer fazê-las. Tal como no Brasil, tal como em Portugal em 2010, tal como na URSS, os socialistas não querem aceitar que a realidade lhes bate à porta. O preço a pagar será severo, mas a conta vai ser apresentada aos desgraçados do costume: os contribuintes.

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  • José Francisco

    Estes “democratas” do pasquim O Diabo, apagam os comentários…

    • Mafurra

      A censura nunca esquece…

      • Noite Portuguesa

        Vai dizer o que pensas na Coreia do Norte para experimentares a maravilhosa liberdade da censura bem no estômago.

  • José Francisco

    O Diabo faz parte da ditadura mediática internacional contra a República Bolivariana da Venezuela. Eu comentei com factos, este vergonhoso, falso e imparcial artigo. E APAGARAM…

  • José Francisco

    Tristes são voces apoiantes, servidores e lacaios de ditadores, da exploração e da guerra económica e financeira mundial.

    • Noite Portuguesa

      Emigra para lá. De certeza que serás mais feliz na Utopia Socialista da Venezuela

      • José Francisco

        Sabes lá se eu já estive lá a viver, estudar e trabalhar? Falas sem conhecimentos. Porque será que continuam na Venezuela mais de 700.000 madeirenses?!

        • Noite Portuguesa

          Então porque não continuaste lá? Porque voltaste? Alguma razão em especial?

          • José Francisco

            Estás muito interessado no meu relacionamento com a República Bolivariana da Venezuela. Estuda a realidade, mas lendo/ouvindo/escutando as 2 partes. Eu estive na República Bolivariana da Venezuela a fazer trabalho voluntário, estudar e trabalhar, ensinando gratuitamente. Só regressei por razões de doença de m/ Mãe. Contatei com militantes dos partidos da oposição e seus dirigentes partidários, bem como militantes e dirigentes do PSUV (Governo) e tirei as minhas conclusões. Tu falas por falar. Q conhecimentos tens tu da realidade da Venezuela? E os meus contactos foram feitos, na maioria, onde Governa o opositor Capriles governador do Estado de Miranda. Comentar sem conhecimento de causa não é comigo. Eu não posso falar com conhecimento de causa da realidade Brasileira ou Equaroriana, porque apenas conheço muito superficialmente

          • Noite Portuguesa

            Sim e? Ainda não deste UM argumento para justificar a miséria do povo venezuelano ás mãos dos teus heróis.

  • Mafurra

    Esqueceram-se MUITO depressa que os Socialistas só lá estão, porque o povo os pôs lá.
    Muito democraticamente.
    E elegeu-os porque estava FARTO de ser roubado pela “direita”. Só isso…