HUMBERTO NUNO DE OLIVEIRA

Os ataques em Paris foram um massacre que vitimou 130 pessoas. A escalada de violência só espanta os tolos e os neo-rousseauianos e os defensores de teses espúrias e manifestamente divergentes da realidade. O cuidado foi a nota dominante, quando todos – dotados de um palmo de testa – já o tinham percebido dominavam os eufemismos sobre o desconhecimento dos motivos… É a expansão e domínio do Islão em curso, cretinos (ou mentirosos, ou manietados)? 

Passado o choque advêm as “discursatas” de circunstância, como anfitrião dos massacres a dizer que vai fechar as fronteiras. É tarde senhor Hollande! Sempre o dissemos mas o politicamente correcto não o quis ouvir… Deixaram entrar os ovos, a casca quebrou e as serpentes estão dentro de fronteiras, já não apenas fora. Quanto muito entre os muitos invasores que demandam a Europa, virão quem as acarinhe e novos ovos…

É esta a verdade que não querem ouvir. O Islão não é tolerante, nem nunca o foi e previsivelmente não será… Bem sei que dizem que evoluirá, que tendo a Hégira começado em 622, ultrapassarão a Idade Média e lá para 2600 estarão ao nível de tolerância dos cristãos. O problema é que eu já cá não estarei para fazer essas contas e temo, muito justificadamente, que os meus descendentes, integrados num qualquer intolerante califado, estejam já submetidos à mais ditatorial ‘sharia’, a lei islâmica.

Na Europa, em expansão portanto, o Islão só é submisso quando fraco e pouco implantado, então entra de mansinho. Quando esse panorama se inverte começam as exigências, as imposições e a arrogância. Ainda não tiveram tempo para observar?

Quando o “aliado do Ocidente” (não deve ser o meu garantidamente), Reino da Arábia Saudita paga e suporta escolas corânicas, ou “madrassas”, na Europa, quando proíbe qualquer igreja ou escola no seu reino aos seus aliados cristãos, o que visa? Não se querem indagar?

O salafismo há muito abandonou os seus propósitos “reformistas” do século XIX, tornando-se seu escopo recuperar os princípios fundamentais do Islão desde a sua fundação, ou seja regressar ao rigor interpretativo do Alcorão e daqui ao “jihadismo” é um passo. Bem sei que vos dirão, “associar jihadismo a guerra santa é um erro Ocidental”, o que até poderá ser verdade mas sendo certo que este conceito essencial da religião islâmica, significa “empenho” e/ou “esforço” e assim entendível, como uma luta pessoal de se buscar e conquistar a fé perfeita, a verdade é que para uma religião que considera todos os não crentes em Alá como ‘Kafir’ prontos para o abate, “matai-os onde quer se os encontreis e expulsai-os de onde vos expulsaram, porque a perseguição é mais grave do que o homicídio. Não os combatais nas cercanias da Mesquita Sagrada, a menos que vos ataquem. Mas, se ali vos combaterem, matai-os. Tal será o castigo dos incrédulos. Porém, se desistirem, sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo. E combatei-os até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Deus. Porém, se desistirem, não haverá mais hostilidades, senão contra os iníquos” (Alcorão 2:191-193), dando “deliciosos” pormenores de sadismo, “e de quando o teu Senhor revelou aos anjos: Estou convosco; firmeza, pois, aos fiéis! Logo infundirei o terror nos corações dos incrédulos; decapitai-os e decepai-lhes os dedos!” (Alcorão 8:12) e prometendo aos prosélitos a sua recompensa, “que combatam pela causa de Deus aqueles dispostos a sacrificar a vida terrena pela futura, porque a quem combater pela causa de Deus, quer sucumba, quer vença, concederemos magnífica recompensa” (Alcorão 4:74).

Convirá aqui recordar que, de acordo com a ‘sharia’ (no fundo, o corpo de normas jurídicas que define como um muçulmano deve se comportar em todas as circunstâncias), o acto de enganar não é apenas permitido em determinadas situações, mas pode mesmo ser considerado obrigatório noutras (o que é claramente contrário à tradição cristã). São bastos os casos em que muçulmanos que foram forçados a escolher entre deixar o Islão ou sofrer perseguição foram autorizados a mentir e fingir apostasia havendo mesmo situações em que se decretou que os muçulmanos são obrigados a mentir a fim de se preservarem, com base em versos do Alcorão (2:195, 4:29), proibindo os muçulmanos de serem os instrumentos das suas próprias mortes.

Mas a realidade é que ‘jihad’ não trata de mero “auto-aperfeiçoamento”, mas de guerra e para o Islão a guerra é eterna, a guerra contra os infiéis é perpétua até que, “todo o caos cesse, e toda a religião pertença a Alá” (Alcorão 8:39). Na “Enciclopédia do Islão”, no seu artigo sobre a ‘jihad’, Emile Tyan afirma: “o dever da ‘jihad’ existe enquanto a dominação universal do Islão não tiver sido alcançada. A paz com as nações não-muçulmanas é, portanto, apenas um estado provisório das coisas; a oportunidade das circunstâncias por si só pode justificá-la temporariamente” (“The Encyclopedia of Islam”. Leiden: Brill, 1960, vol. 2, “Djihad”, pp. 538-40).

Todas as quatro escolas de jurisprudência sunitas concordam que “a ‘jihad’ é quando os muçulmanos fazem guerra contra os infiéis, depois de tê-los chamados a abraçar o Islão, ou pelo menos paguem o tributo [jizya] e vivam em submissão, e os infiéis recusem” (Jalil, At-Tarbiya al-Jihadiya fi Daw’ al-Kitab wa ‘ s-Sunna, p. 7).

A ‘jihad’ obrigatória expressa-se claramente pela dicotomia da visão de mundo do Islão que coloca o reino do Islão (‘dar al-Islam’, ou “reino da submissão) contra o reino da guerra (‘dar al-Harb’), o mundo não-islâmico e a luta continuará até que o reino do Islão, subordinado à ‘sharia’, subordine o mundo não-islâmico, claramente enunciada no século XV pelo renomado historiador e filósofo muçulmano Ibn Khaldun (m. 1406), “na comunidade muçulmana, a ‘jihad’ é um dever religioso por causa do universalismo da missão muçulmana e a obrigação de converter todos ao Islão, ou pela persuasão ou pela força. Os outros grupos religiosos não têm uma missão universal, e a ‘jihad’ não era um dever religioso para eles, a não ser para fins de defesa. Mas o Islão está sob a obrigação de ganhar o poder sobre outras nações” (“The Muqadimmah. An Introduction to History”, Nova Iorque: Pantheon, 1958, vol. 1, p. 473), mantém-se um caso perpétuo que continua até aos nossos dias.

Mas ainda que possa parecer estranho que uma fé com milhões de seguidores pretenda esta guerra travada em seu nome, a verdade é que para eles a ‘jihad’ expansionista é vista como um esforço altruísta. Para o Islão qualquer sistema de governo, ditatorial ou democrático (veja-se a inutilidade e estupidez de “primaveras árabes”), se encontra numa situação de cativeiro pois o bem da humanidade só pode advir vivendo-se de acordo com a lei de Alá (nesta mundivisão de novo a dissimulação muçulmana pode ser vista como apenas um meio para um final glorioso).

Iniciado este esforço imediatamente após a morte de Maomé, em 634, é conhecida a resposta a um comandante persa conquistado que perguntou aos muçulmanos invasores o que eles queriam. A memorável e esclarecedora resposta foi a seguinte: “Alá enviou-nos e trouxe-nos aqui para que possamos libertar aqueles que desejam da servidão dos governantes terrenos e torná-los servos de Alá, para que possamos mudar a sua pobreza em riqueza e libertá-los da tirania e do caos das religiões e trazê-los à justiça do Islão. Ele enviou-nos a trazer a sua religião para todas as suas criaturas e chamá-las ao Islão. Quem aceitar isso estará seguro, e vamos deixá-lo em paz; mas para quem se recusar, lutaremos até que seja cumprida a promessa de Alá” (Hugh Kennedy, “The Great Arab Conquests”, Filadélfia: Da Capo, 2007, p. 112).

Quatrocentos anos depois, sem que se note grande evolução de conceitos, em Março de 2009, o jurista saudita Basem Alem reafirmava essa visão: “Como um membro da verdadeira religião, eu tenho um direito maior de invadir a fim de impor um certo modo de vida, que a história tem provado ser a melhor e a mais justa de todas as civilizações. Este é o verdadeiro significado da ‘jihad’ ofensiva. A ‘jihad’, não tem de converter as pessoas ao Islão, mas libertá-las da negra escravatura na qual elas vivem” (“Saudi Legal Expert Basem Alem: We Have the Right to Wage Offensive Jihad to Impose Our Way of Life”, TV Monitor, clip 2108, Middle East Media Research Institute, trans., Mar. 26, 2009).

Nota-se, pois, que justificadas razões há para considerar que o Islão mais do que uma simples religião (e já de si as religiões monoteístas serão sempre – sob pena de se abastardarem nos seus pressupostos essenciais – intolerantes, pois que não há mais do que um deus verdadeiro…), é uma completa doutrina ideológica, que rege os aspectos da vida de muçulmanos e não-muçulmanos, sendo a única “religião” com uma teologia clara com regras para a conquista e subjugação dos não-muçulmanos, consolidadas na ‘sharia’. Negar que o objectivo do Islão é implementar a ‘sharia’ em todo o mundo é negar a sua própria essência, fantasias, “toleranciazinhas caridosas” e novas mesquitas à parte…

Os muçulmanos podem ser aceites (conheço vários civilizados e moderados), mas fruto da sua mundividência devem ser controlados, vigiados e, se necessário, manietados na manifestação externa da sua fé. Não vivemos no Islão mas na Europa, com raízes civilizacionais diferentes das provindas da Arábia. Quem estiver disposto a tal será acolhido e bem-vindo, quem quiser insistir em “direitos” que o Islão nega aos ‘kafir’ nos seus países, pode, e deve, livremente abandonar a Europa. Rapidamente!

Caso o não façamos, enquanto é tempo, resta-nos esperar um novo Carlos Martel, embora eles já estejam desta feita muito para lá de Poitiers, ou então mais tarde teremos que agir como os nossos de quinhentos: “E por ser Domingo dia do Senhor, aos gritos de ‘Deus o quer, Deus o manda’, nos fomos a eles e os matámos a todos, e aos que sobraram os encerrámos em uma fortaleza a que deitámos fogo.”

No fundo, uma ideologia que o Islão bem conhece e amiúde pratica.