O “Verão de amor” do politicamente correcto acabou: os povos europeus compreendem agora que as políticas de recepção e integração de refugiados e imigrantes falharam redondamente. Cansados de atentados terroristas, guetos muçulmanos, guerras de gangues nas grandes cidades e tentativas de afirmação territorial islâmica, os eleitores do Velho Continente parecem dispostos a abrir os braços a quem lhes garanta a preservação da identidade e a reposição da tão desejada ordem.

A rota seguida pelos camionistas é perigosa. Todas as noites estão sujeitos a serem atacados por bandos de meliantes sem lei. As empresas sugerem que eles não parem em nenhuma circunstância, não vão ser agredidos e a sua carga assaltada. Mas existe sempre o perigo de um obstáculo a bloquear a estrada, prelúdio de uma emboscada.

Não estamos, caro leitor, a descrever o cenário vivido numa zona de guerra, mas sim o que se vive na região de Calais, em plena Europa do século XXI. Perto desta cidade reside o que foi designado como “a selva”, um gigantesco campo que alberga mais de 10 mil imigrantes ilegais, todos com um destino em mente: o Reino Unido. São, tanto eles como os europeus que os olham com desconforto, vítimas de uma classe política sem capacidade para tomar decisões. Os governos da França e do Reino Unido não querem assumir a responsabilidade política de os acolher, mas tampouco se arriscam a melindrar os ruidosos movimentos ‘politicamente correctos’ com medidas de controlo ou deportação dos fugazes locatários da “selva”. Não importa que estes estejam a viver na mais tremenda miséria humana.

Deixados em regime de autogestão, os imigrantes ilegais planeiam todo o tipo de estratagemas para tentar atravessar ilegalmente o Canal da Mancha, geralmente recorrendo à violência contra os inocentes camionistas. Na segunda-feira, dia 5 de Setembro, a paciência destes profissionais chegou ao fim, e organizaram um protesto peregrino no sentido em que direita e esquerda, patrões e empregados estão unidos numa grande exigência: a “selva” tem de ser desmantelada e os seus habitantes colocados debaixo da autoridade do Estado.

Jean-Marc Puissesseau, director do porto de Calais, afirmou que “a estrada é tomada de assalto todas as noites pelos migrantes”, enquanto David Sagnard, o presidente do Sindicato dos Camionistas, questionou a classe política: “porque é que temos de arriscar a vida na auto-estrada para conseguirmos trabalhar?”, sublinhando que a situação “não é aceitável”. Um dia antes da manifestação, um grupo de três ingleses quase morreu quando o automóvel em que seguiam se despistou contra um camião, fruto das pedras e troncos que os imigrantes ilegais lhes estavam a atirar. Todos tiveram de receber assistência hospitalar urgente, e este foi apenas um dos muitos casos de violência contra cidadãos europeus nesta região. “O tronco de árvore atirado contra o nosso carro, e que causou o despiste que quase nos matou, podia ter sido atirado a qualquer família que estava de viagem de regresso ao Reino Unido”, afirmou Ben Ellery, um dos sobreviventes do automóvel acidentado e jornalista do jornal britânico ‘Daily Mail’, notando que “as próximas vítimas podem não ter tanta sorte”. Todos os dias são tratados cidadãos europeus que receberam feridas ligeiras… que podem ser apenas ligeiras por agora.

A solução agora encontrada é mais um penso rápido: a construção de um muro em Calais pelas autoridades britânicas e francesas, com um pequeno custo total de 20 milhões de euros, para impedir o acesso dos imigrantes ilegais ao porto e à estrada de ligação à cidade. Poucos acreditam que vá ser uma solução realmente eficaz, e os camionistas continuam a ameaçar partir para a greve se “a selva” não for mesmo completamente desmantelada.

Caos

E, no entanto, a situação em Calais é apenas um pequeno exemplo da anarquia que reina em alguns pontos nevrálgicos do Velho Continente. Caso O DIABO quisesse fazer um relato de todos os casos onde já impera a lei da violência na Europa (especialmente os casos que os restantes meios de comunicação social não relatam) então esta edição teria de ser inteiramente dedicada, página a página, a esse artigo.

Na própria Suécia, país que os políticos adeptos da ideologia do ‘politicamente correcto’ definem como uma “superpotência humanitária”, a criminalidade e o terrorismo alcançam níveis nunca vistos. Recentemente, uma criança de oito anos foi assassinada, apanhada no fogo cruzado de uma guerra de gangues dentro de um bairro ocupado por uma comunidade de origem somali, enquanto uma menina de quatro anos foi morta por um carro-bomba na cidade de Gotemburgo. Os arredores de Estocolmo estão repletas de crianças imigrantes sem eira nem beira, ladrões e carteiristas, com as ruas à mercê das guerras ferozes entre gangues rivais. Em Itália e na Grécia, países onde muitos imigrantes desembarcam, a situação é similar, se não mesmo ainda mais anárquica.

Marselha é um dos centros urbanos em clima de verdadeira guerra civil, onde os gangues de imigrantes se enfrentam dando uso à infame espingarda-metralhadora Kalashnikov, que os nossos soldados tiveram de enfrentar durante a guerra de África. O terrorismo continua à espera de atacar a cada esquina: ainda esta semana foram detidas naquela cidade do Sul da França três mulheres terroristas islâmicas, definidas eufemisticamente como tendo sido “radicalizadas”, que planeavam fazer um ataque com um carro-bomba. Um polícia foi esfaqueado durante a detenção e o ministro do Interior admitiu que as três terroristas preparavam “acção violenta e iminente”.

A Europol terá provas de que um número significativo de terroristas do Estado Islâmico se infiltrou na Europa durante a grande vaga migratória descontrolada do ano passado, e os responsáveis avisam que existe uma “ameaça real e iminente” resultante de um facto comprovado: o Estado Islâmico está a recrutar entre a comunidade de refugiados e imigrantes ilegais.

Dois dos terroristas responsáveis pelos mortíferos atentados em Paris entraram no país misturados com os refugiados, e os próprios serviços secretos alemães, em desacordo com a política de silêncio seguida pela sua chefe de Governo, reconhecem agora os perigos da política de Merkel.

Fim da era Merkel?

Face ao descontrolo da situação social na Europa, não é de espantar que as populações, sobretudo as mais expostas ao contacto com o problema da imigração selvagem, exprimam a sua revolta através da arma que têm à sua disposição: o voto. O partido de Angela Merkel, a União Democrática Cristã (sigla em alemão: CDU) tem sofrido derrota eleitoral atrás de derrota eleitoral, e é expectável que o seu resultado nas eleições federais deixe o partido com problemas para formar Governo face à ascensão do movimento ultra-conservador “Alternativa pela Alemanha”. Merkel, cuja crescente deriva esquerdista está a surpreender tudo e todos (esquecidos, aparentemente, das suas origens na Alemanha de Leste…), já congemina, segundo vários jornais alemães, uma possível coligação com o partido de esquerda “Os Verdes”, algo que uma grande ala da CDU, conservadora e de centro-direita, rejeita.

Vários líderes do partido falam abertamente em desafiar Merkel, ou mesmo em deixar de apoiar a sua líder. Numa proposta política lançada no dia 8, os líderes do partido na Baviera exigem um limite de 200 mil refugiados por ano a serem aceites na Alemanha, e esses pedidos apenas seriam aceites caso as candidaturas fossem apresentadas fora das fronteiras do país. “Um Estado deve decidir por si próprio quem aceita dentro do seu território. Não podem ser os migrantes a fazer essa escolha” – diz o estudo, que incentiva também o Governo federal a dar prioridade a refugiados provenientes da “área cultural cristã e ocidental”. No documento, os conservadores apelam à defesa dos “valores alemães” contra o multiculturalismo, notando que “a Alemanha deve continuar a ser alemã” e que “não devemos ser nós a adaptar-nos aos migrantes – o oposto é que tem de ser verdade”.

Problemas fiscais também preocupam os austeros conservadores. O Governo central alemão gastou mais de 5 mil milhões de euros só em subsídios para os refugiados e imigrantes ilegais, o dobro do valor de 2014. Mas os Estados da República Federal Alemã também têm de pagar pelas decisões de Merkel. No total, o Ministério das Finanças orçamentou 78 mil milhões de euros só para sustentar os imigrantes caso não haja uma mudança de política.

Alemanha isolada

Merkel, no entanto, continua absolutamente resistente a qualquer mudança na forma como está a lidar com a crise imigratória. No rescaldo da derrota eleitoral no Estado que a elegeu para o parlamento federal, Merkel apenas garantiu aos eleitores que continuava convencida de que “está certa”, e pediu uma grande união contra a Alternativa para a Alemanha. Cada vez mais parece que a união dentro do seu partido é contra ela. E mais de metade do povo alemão quer a demissão da Chanceler.

A França, a braços com graves problemas com a comunidade imigrante, tem-se mostrado um parceiro frio da Alemanha, deixando Merkel isolada. A vitória da direita em 2017 vai exacerbar o isolamento da líder alemã. Embora não apenas por causa da crise dos imigrantes, a esquerda francesa encontra-se virtualmente eliminada da segunda volta das eleições presidenciais que vão decorrer daqui a um ano. Numa nova sondagem, cujos resultados foram divulgados na semana passada, Marine Len Pen, a líder nacionalista da Frente Nacional, surge como potencial vencedora, com pouca dificuldade, logo na primeira volta das eleições contra qualquer um dos possíveis candidatos. Sarkozy, que também quer restabelecer lei e ordem na França, é considerado como o seu adversário mais provável.

Nem a União Europeia, cada vez mais dividida e instável, mostra sinais de querer continuar a apoiar a política de Merkel. O grupo de Visegrado, uma aliança informal de países do Leste que inclui a Hungria, Polónia, República Checa e Eslováquia, reune apoio suficiente para bloquear muitas das propostas mais ambiciosas provindas de Berlim, incluindo a distribuição dos refugiados pelos vários países da Europa ou a expansão da “política de portas abertas” a todos os países da UE. O polaco Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu, afirmou no último fim-de-semana que “os limites práticos da capacidade da Europa para albergar novas ondas de refugiados estão perto do fim”. No entanto, a União Europeia, que se felicitou em exigir austeridade penosa e dura ao povo português, vai distribuir cartões multibanco entre os refugiados na Turquia para eles pagaram as suas despesas nesse país. Essencialmente, um financiamento da economia turca.

“Activistas” desaparecem

Por agora, as grandes manifestações de boas-vindas aos imigrantes ilegais pararam quase por completo. A tradição ‘politicamente correcta’ de chamar “xenófoba” a qualquer pessoa que colocasse em causa as políticas de portas abertas defendidas por Merkel passou de moda.

As eleições em França e na Alemanha do próximo ano podem significar uma viragem de 180 graus nas políticas migratórias do velho continente.

À margem encontra-se o Reino Unido, que planeia calmamente a saída do saco de gatos que é a UE. Theresa May, primeira-ministra, estará à espera dessa grande mudança para avançar com o Brexit, afirma a imprensa inglesa. A líder britânica tem a esperança de conseguir manter acesso ao mercado único sem ter de aceitar o livre movimento de pessoas. A política do Partido Conservador de se manter fiel aos seus princípios de direita, nomeadamente no controlo da imigração, significa que o seu apoio popular continua elevado e que não está a ser desafiado para combates auto-destrutivos com a extrema-direita ou a extrema-esquerda. As sondagens indicam que, caso as eleições fossem hoje, os conservadores conquistariam 60 por cento dos assentos na Câmara dos Comuns. O último a rir é quem ri melhor.