MIGUEL MATTOS CHAVES

O País tem que reagir a esta terceira vaga de forma mais organizada e mais competente. Quem ocupa o Poder deverá ter mais formação teórica e prática, de forma a poder exercê-lo com mais e melhores resultados para Portugal.

“Os países mais pequenos têm dificuldade em defender os seus interesses”! É uma das frases que mais tenho ouvido em diversas conversas. Vejamos então:

Portugal é um médio País, em termos europeus, e pequeno no Sistema global das Nações. A sua situação geopolítica tem, no entanto, duas vertentes:

– A nível europeu: é um país excêntrico dos centros de decisão e de poder, mas está inserido na UE como membro de pleno direito, com direito de veto se invocado o “Interesse Nacional Vital”;

– A nível atlântico: o País está no centro da confluência do centro de decisão internacional mais importante – o eixo Washington/Londres – e com portas e acessos privilegiados ao Continente Sul-Americano e África (Atlântico Sul) onde nas duas margens se fala Português.

O problema é que desde há mais de 40 anos que não há estadistas e estrategas do Poder dos Estados, em Portugal, que potenciem estes factores. E sobretudo não há um Plano Estratégico de Portugal.

Muito se fala hoje em “Globalização” a propósito de tudo e de nada e normalmente como justificador das “desgraças” com que nos vamos deparando. Mas será esta situação realmente um obstáculo para Portugal?

Ora estamos, na verdade, na 3ª Globalização.

A 1ª Globalização – a do Comércio Internacional – foi “detonada” por Portugal, no séc. XV e XVI, tendo sido Portugal a Potência Mundial dominante da altura (ver George Modelsky, Univ. Yale; Alm. MacMahon, Univ. Harvard) quando tinha apenas 1,5 milhões de habitantes; a 2ª Globalização – a da Produção em Massa – teve a sua origem no Reino Unido no séc. XVIII e XIX.

Para este cenário, só no final da década de 1940/50 Portugal “acordou” e fez a sua industrialização, tendo passado de país eminentemente agrícola a país industrializado no final da década de 1960. Na verdade, Portugal em 1950 tinha 49% da sua população ocupada na Agricultura e Pescas, 19% na Indústria e 31% nos Serviços, tendo passado em 1970 a ter 31% da sua população na Agricultura e Pescas, 23% na Indústria e 44% nos Serviços.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.

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