Terroristas voltam a ameaçar a Europa

Terroristas voltam a ameaçar a Europa

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A cimeira da NATO é um momento complicado para a segurança

Com a diáspora forçada de largos milhares de portugueses, que diariamente tentam ganhar a vida fora do nosso País, um alerta terrorista numa cidade como Londres deixa outros tantos com o coração nas mãos, rezando pela segurança dos seus.


O nível de ameaça terrorista no Reino Unido foi elevado de “substancial” (o meio da escala) para “grave” (o segundo mais grave), anunciou a ministra do Interior. Isto quer dizer que as forças de segurança consideram “altamente provável” que aconteça em breve um atentado terrorista em território britânico.

Esta decisão foi tomada “por causa dos desenvolvimentos na Síria e no Iraque, onde grupos terroristas estão a planear atentados contra o Ocidente. É provável que alguns desses ataques envolvam combatentes do Reino Unido e de outros países europeus que viajaram para estes países, para participar nesses conflitos”, afirmou a ministra Theresa May.

O jornalista James Foley foi executado por um jihadista com sotaque britânico da organização Estado Islâmico, que conquista território na Síria e no Iraque. Mas não seria este o único britânico com este grupo: as autoridades suspeitam que pelo menos 500 britânicos se tenham juntado a esta formação extremista.

Não existe, no entanto, qualquer informação relativamente a um ataque concreto, sublinhou a governante. Se existisse, possivelmente o nível de ameaça subiria de “grave” para o último escalão: “crítico”. Quando este nível é declarado, espera-se que ocorra um atentado a qualquer momento.

Como o Estado Islâmico se tornou mais perigoso do que a Al-Qaeda

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Em Junho, quando militantes extremistas do Estado Islâmico tomaram Mosul – a segunda cidade mais importante do Iraque –, as potências ocidentais decidiram não intervir. Foi dito na época que o grupo jihadista era um problema sectário e regional.

No entanto, o Estado Islâmico – anteriormente conhecido como Isis – continuou avançando e provocando caos no Iraque. E com uma poderosa campanha na internet anunciou o estabelecimento de um califato em partes do Iraque e da Síria, expulsando muitas comunidades da região.

Há duas semanas, enquanto circulavam imagens de dezenas de milhares de iraquianos da minoria étnica curda yazidi fugindo do Estado Islâmico, o governo norte-americano decidiu lançar uma operação aérea contra posições-chaves do movimento.

Agora, o Pentágono descreveu o Estado Islâmico como um adversário imponente e de grande qualidade – uma descrição raramente usada por militares ocidentais para se referirem a grupos considerados terroristas.

O nível de alerta terrorista foi elevado por recomendação do Centro Conjunto de Análise Terrorista, o organismo responsável pela avaliação da ameaça terrorista no Reino Unido. A última vez que o nível de alerta esteve tão elevado foi em meados de 2011.

O primeiro-ministro, David Cameron, anunciou por sua vez a intenção de introduzir nova legislação que dificultará as viagens para a Síria ou para o Iraque de cidadãos britânicos interessados em juntar-se a grupos jihadistas com o Estado Islâmico.

A partir de 4 de Setembro, decorre no País de Gales, no Reino Unido, a cimeira da NATO. Momento particularmente complicado para a segurança de governantes e cidadãos.

O DIABO contactou alguns portugueses a residir em Londres que, para já, não se mostram muito preocupados. Dizem somente que é mais notória a presença de polícia nas ruas e que se vêem mais carros descaracterizados com sirenes ligadas. Ainda assim, à cautela, muito deles decidiram não usar o transporte metropolitano nos próximos dias.

Milhares de portugueses em Inglaterra

Ainda estão frescos na memória de todos nós os atentados de 11 de Março em Espanha ou de 7 de Julho em Londres. Agora, porém, a probabilidade de um atentado em Londres atingir um português é avassaladora. O número de portugueses a emigrar para o Reino Unido não pára de subir. Inglaterra é desde há três anos o principal destino da emigração portuguesa e os números continuam a aumentar de ano para ano.

As últimas estatísticas britânicas, de 2013, revelam que chegaram ao país cerca de 30 mil portugueses, mais 50% do que no ano anterior, o que significará que cerca de um terço dos que saem de Portugal está a escolher este destino para procurar trabalho. E os mais qualificados são uma minoria.

Em 2012, partiram para este país mais de 20 mil luso-descendentes, de acordo com os dados do Observatório da Emigração. Para a especialista do Centro de Investigação e Estudos Sociais, Cláudia Pereira, esta afluência explica-se “pela coincidência entre a recessão generalizada da Europa e o facto de o Reino Unido manter oportunidades de trabalho, principalmente para emigrantes qualificados”, já que a taxa de desemprego para esta fatia da população está nos 7 por cento.

Estados Unidos tranquilos

Do outro lado do oceano, os Estados Unidos afirmaram que não consideram que exista alguma “ameaça concreta” à segurança do país pelos membros do Estado Islâmico.

No entanto, o secretário do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, Jeh Johnson, admitiu que os jihadistas já “demonstraram intenção e capacidade para atacar os cidadãos norte-americanos”.

Johnson assegurou que os Estados Unidos tomaram medidas, este Verão, para reforçar a segurança nos aeroportos com voos directos para o país. As garantias foram expressas no mesmo dia em que o Pentágono divulgou os custos das operações militares norte-americanas no Iraque.

Desde meados de Junho, quando começaram as operações, os Estados Unidos já gastaram cerca de 500 milhões de dólares (379 milhões de euros) no Iraque, uma média de 7,5 milhões de dólares (5,7 milhões de euros) por dia.

“Em média, tem custado cerca de 7,5 milhões de dólares por dia”, declarou o assessor de imprensa do Pentágono, John Kirby.