MARCO ANTÓNIO BAPTISTA MARTINS

Professor de Relações Internacionais da Universidade de Évora

Uma das principais medidas do novo governo britânico consistirá claramente na contenção de danos no quadro doméstico. Contudo, a construção e a definição de novas políticas, do social ao financeiro, passando pela defesa e segurança, incluirão a minimização dos danos colaterais, sobretudo na esfera intra-europeia. 

Após ter assumido o poder britânico na qualidade de primeira-ministra, de 1979 a 1990, Margaret Thatcher detinha como missão a reversão do declínio deixado pelos seus predecessores. Theresa May, igualmente do Partido Conservador, torna-se a segunda mulher a apresentar a mesma incumbência em prol do Brexit, só que desta vez o encargo revela-se um processo sensível, particularmente numa conjuntura internacional inserida no seio de uma União Europeia centralizada em torno não só da tecnocracia existencial – onde um vazio estratégico é capaz de conceber outro vazio sob os auspícios de estimativas financeiras destruindo um todo – como também nos semblantes contraditórios do ministro das Finanças Wolfgang Schäuble e da Chanceler Angela Dorothea Merkel.

O legado deixado por seu antecessor, David Cameron, leva a que a nova primeira-ministra, recém-empossada pela Rainha Isabel II, detenha em mãos uma tarefa hercúlea no sentido de por um lado sair da União Europeia e por outro lado controlar o centro político de poder. Torna-se evidente que, para isso, Theresa May tenha de transmitir uma mensagem cujo conteúdo revela as ansiedades, revolta, frustrações junto daqueles que demonstraram em voto de referendo o descontentamento em relação ao actual estado da União Europeia – e não só, porque é de incluir as consequências emanadas do próprio processo de globalização que tem gerado de igual forma desigualdades crescentes ao nível mundial.

Com efeito, uma das principais medidas do novo governo britânico consistirá claramente na contenção de danos no quadro doméstico. Contudo, a construção e a definição de novas políticas, do social ao financeiro, passando pela defesa e segurança, incluirão a minimização dos danos colaterais, sobretudo na esfera intra-europeia. Ora, coloca-se em causa as repercussões, desde o financiamento às políticas de migração no seio dos territórios de cada Estado-membro.

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