Em frente, marche!

Em frente, marche!

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Crise ou não crise, os governos de Portugal nunca negam ajuda militar a países amigos ou às organizações internacionais em que estamos integrados. Os compromissos externos são cumpridos com pundonor e o trabalho dos nossos homens é respeitado em todo o mundo.


É a mais recente missão: militares portugueses vão para uma zona de risco do vírus ébola. O contingente português – 41 militares são da Força Aérea (FAP) e seis do Exército – vai integrar uma missão de manutenção de paz das Nações Unidas e ficará sedeado em Bamako. A capital do Mali integra uma zona de risco delineada pelas autoridades locais, por fazer fronteira com a Guiné-Conacri, um dos quatro países da África Ocidental afectados pelo vírus do ébola.

Apesar de, no último mês, o Mali ter sinalizado vários casos suspeitos de ébola, nenhum foi confirmado como positivo. Ainda assim, as autoridades mantêm sob vigilância as fronteiras e, no aeroporto internacional de Bamako, há medidas de controlo excepcionais.

Os militares estão informados e as Forças Armadas estão preparadas para fazer a evacuação de militares portugueses, em caso de necessidade.

Aliás, no contingente estão integrados dois médicos e seis enfermeiros, da Força Aérea, para apoio directo ao destacamento e para enfrentar eventuais riscos sanitários, incluindo o ébola. De resto, já se encontram no Mali alguns militares portugueses e outros foram enviados com o intuito de avaliarem também os riscos sanitários.

No âmbito desta missão foram estabelecidos acordos com estruturas médicas militares da força das Nações Unidas local para assistência, também em eventuais casos de infecção por ébola. Em caso de necessidade, está prevista a evacuação de militares para o Senegal ou para Lisboa.

No Mali, a missão é a de manutenção de paz da ONU. Durará três meses e envolve também um avião C130.

Outro contingente segue para a Lituânia. São 70 os militares portugueses com a missão de policiamento no espaço aéreo da Lituânia, no âmbito da NATO, durará quatro meses e engloba seis aviões caça F16.

De acordo com o Ministério da Defesa, estas são duas missões importantes para a segurança e manutenção da paz internacionais, em que, apesar das dificuldades financeiras do país, Portugal não vai deixar de participar.

Em força para Moçambique

Mas as missões dos militares portugueses não se ficam por aqui. O Presidente português Aníbal Cavaco Silva respondeu positivamente ao pedido do homólogo de Moçambique, Armando Guebuza, para o envio de observadores militares portugueses para monitorizar o processo de cessar-fogo entre o braço armado da Renamo e o exército moçambicano.

O convite à missão de peritos militares de Portugal foi feito há duas semanas pelo chefe de Estado moçambicano, que assinou um acordo de cessação de hostilidades com Afonso Dhlakama, líder da Renamo, o maior partido da oposição, que já regressou a Maputo, cinco anos depois de abandonar a capital do país para se refugiar nas matas da Gorongosa.

Em comunicado divulgado na página da Internet, a Presidência da República de Portugal refere que, “em estreita articulação com o Governo”, Cavaco Silva “decidiu dar resposta positiva ao pedido do Presidente da República de Moçambique, e que foi hoje transmitida às autoridades moçambicanas”.

“Esta decisão foi tomada na convicção de que este acordo, que tem por base um compromisso político que importa apoiar, vai ao encontro das legítimas aspirações do povo moçambicano e constitui uma base fundamental para o aprofundamento do processo democrático em curso no país e para o desenvolvimento e progresso de Moçambique”, refere a nota.

A missão vai “observar, monitorar e garantir a implementação do acordo de cessação das hostilidades militares”, permitindo o avanço das “fases subsequentes” estipuladas no memorando de entendimento acordado entre a Renamo e o Governo, que inclui a desmilitarização do braço armado do partido liderado por Afonso Dhlakama.

A integração dos homens armados da Renamo nas forças de defesa e segurança do país ou em outras funções do aparelho do Estado é outro dos termos negociais que os observadores internacionais terão de acompanhar.

O comando da missão, que tem a duração de 135 dias com possibilidade de prorrogação, vai ser instalado na capital moçambicana, Maputo, e será dirigido por um brigadeiro indicado pelo Botsuana e por quatro coronéis – um italiano, um zimbabueano, um do exército moçambicano e um da Renamo.

Além de Maputo, a missão manterá ainda equipas em quatro províncias do país, designadamente Inhambane, Sofala, Tete e Nampula.

Reforçar posição de “aliado fiável”

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, esteve em Cardiff, no País de Gales, onde participou na cimeira da NATO reforçando a presença de Portugal como “aliado fiável” da organização.

De acordo com fonte do gabinete do primeiro-ministro, durante a cimeira houve oportunidade para afirmar a presença “fiável” de Portugal na NATO e debater temas que interessam em concreto ao país, casos da “operacionalização de uma estratégia de segurança marítima”, que deverá passar pelo reforço do papel da aliança.

Passos Coelho participou na Cimeira da NATO acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, e pelo ministro da Defesa, José Aguiar Branco.

O Afeganistão e a Ucrânia foram os tópicos dominantes durante os dois dias de encontro.