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Para garantir a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa na eleição presidencial, o melhor é arrumar o assunto logo à primeira volta. Num segundo ‘round’, o voto útil da esquerda e a abstenção poderiam trazer surpresas desagradáveis.

À hora de fecho desta edição, o candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa continuava a bater toda a concorrência – nas sondagens. Mas as sondagens não passam de presunções baseadas em cálculos de extrapolação: aos mais esquecidos, O DIABO recorda que Mário Soares terminou a campanha eleitoral de 1986 com pouco mais de 20 por cento das intenções de voto (contra um “imbatível” Freitas do Amaral com quase 50) para, num piparote inesperado, passar à segunda volta. E aí, com os votos de toda a esquerda, não lhe foi difícil conseguir uma vitória que ninguém, até poucas semanas antes, se atrevia a prever.

Sim, Marcelo está bem encaminhado, com 54,8% das intenções de voto, bem à frente dos 16,8% de Sampaio da Nóvoa e dos 16,3% de Maria de Belém Roseira (dados da sondagem SIC/Expresso de sexta-feira passada). Mesmo no caso de estas previsões falharem e Rebelo de Sousa ter de disputar uma segunda volta, ainda assim as sondagens o favorecem com quase 64% dos votos (contra 37% de Nóvoa ou 36% de Roseira).

Mas nunca fiando. Na eventualidade, improvável mas possível, de um segundo ‘round’, o candidato da esquerda que se apresentasse a disputar a Presidência a Marcelo Rebelo de Sousa beneficiaria do voto útil de todos os camaradas e ‘compagnons de route’, incluindo muitos dos votantes nos minúsculos candidatos das causas perdidas. Ora, considerando que o ex-padre comunista Edgar Silva, a manequim do Bloco de Esquerda Marisa Matias e os vários Tinos a concurso valem, por junto, muito mais de 10 por cento dos escrutínios, é só fazer contas de somar…

Nóvoa deslumbrado

O cálculo da abstenção ainda não está feito, podendo oscilar (na melhor das hipóteses) entre os 30 e os 45 por cento. Também neste capítulo, Marcelo Rebelo de Sousa deve levar em conta a militância aguerrida da esquerda e uma certa tendência do centro-direita para confiar excessivamente no destino. Para mais, o eleitorado idoso (potencialmente simpático a Marcelo) costuma ser sensível às condições atmosféricas – e as agências espaciais prevêem para 24 de Janeiro, dia do sufrágio em Portugal, temperaturas entre os 13 e os 17 graus, uma taxa de humidade a rondar os 60 por cento e um céu de chumbo, com apenas 40 por cento de claridade a furar nuvens carregadas.

Tudo considerado, o centro-direita que deseja ver Marcelo Rebelo de Sousa eleito Presidente da República tem razões para não desperdiçar um único voto e fazer por arrumar o assunto logo na primeira volta. Caso contrário, arrisca-se a ter de enfrentar em segundo ‘round’ o presumido António Sampaio da Nóvoa, que no último fim-de-semana já começava a anunciar que “a vitória está aí à porta”.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.

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  • Paulo Reis

    Espero que as sondagens não se enganem, mas para não ter duvidas julgo que todos devemos votar dia 24. A segunda volta será dolorosa, com 9 contra 1.