Henrique Neto: A Indústria do Fogo

Henrique Neto: A Indústria do Fogo

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HENRIQUE NETO

Empresário

A política portuguesa e a governação do País são feitas de uma sucessão de erros graves que conduziram Portugal para o empobrecimento, mas é provável que a questão dos fogos seja aquela que mais facilmente possa ser usada para demonstrar a incompetência dos vários governos, incluindo o actual.

Os fogos são certamente a questão mais debatida e estudada dos últimos vinte anos em Portugal, com os mesmos resultados desastrosos, apesar de há muito as causas e as soluções serem bem conhecidas.

Há cerca de dez anos participei num estudo realizado pela Cotec, fui várias vezes ao Porto para debater as conclusões que me pareceram claras e óbvias e pensei, ingenuamente, que o Governo de então levaria essas propostas rapidamente à prática. Tratava-se de investir fortemente na prevenção dos fogos – mapeamento e identificação das propriedades, limpeza anual, criação de acessos e do que aqui na Marinha chamamos aceiros, sistemas de vigilância, etc. – sem descurar o combate aos fogos no seu início, através de pequenos grupos de sapadores altamente treinados e especializados, disponíveis por todo o País e com forte mobilidade.

O Governo de então elogiou e agradeceu o trabalho da sociedade civil, numa sessão pública a que assisti, e prometeu avaliar as suas propostas com a afirmação repetida vezes sem conta de que o Governo resolveria o problema. O jornal ‘Público’ da passada sexta-feira resume o que aconteceu então: “Depois dos enormes incêndios de 2003 e 2005, exigia-se uma resposta que obrigasse o país a mudar de paradigma. Essa resposta foi dada por um grupo de técnicos, que preparou uma arrojada proposta para defender a floresta contra incêndios. Por ser ‘demasiado ambiciosa’, foi reduzida à sua ínfima expressão e a prioridade foi para os do costume: o combate. Uma decisão que Ascenso Simões, que na altura era secretário de Estado no Ministério da Administração Interna liderado por António Costa, actualmente Primeiro-ministro, assumiu entretanto como um erro grave.”

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.