EVA CABRAL

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa já deixou avisos claros aos partidos para a necessidade de se encontrar um equilíbrio entre contas públicas saudáveis e o reforço de apoios sociais no Orçamento para 2017.

É com este pano de fundo colocado pelo Presidente da República que PCP e BE estão já a reforçar algumas novas exigências tendo em vista o ciclo de discussão do Orçamento do Estado para 2017.

A aparência pública de divergências com o Executivo PS é necessária a comunistas e bloquistas para alimentarem as suas clientelas políticas. Mas parece certo que não conseguirão ir além dos limites impostos pelo Chefe do Estado que, ainda antes das férias de Verão, ouviu todos os partidos e tem aumentado o seu grau de influência política à medida que a sua popularidade sobe nas sondagens.

Mas se o Orçamento para 2017, com os actuais dados, é para aprovar por PCP e BE, não deixa também de ser óbvio que ambos os partidos que viabilizam o Governo se preparam para criar focos e picos de conflitualidade com o PS ao longo da discussão do documento.

No terreno, o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda têm vindo a manter contactos diários com o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, que aproveitou uma declaração política no retomar dos trabalhos em S. Bento para afirmar que “alguns talvez não consigam compreender, mas na relação entre Governo e a maioria parlamentar não há reféns, há parceiros e há trabalho colectivo na construção de convergências para melhorar a vida dos portugueses”, desvalorizando assim, antecipadamente, a previsível conflitualidade.

Para além das questões de forma, os recentes discursos de Catarina Martins, do Bloco, e de Jerónimo de Sousa, do PCP, indiciam que António Costa virá a ter o seu Orçamento aprovado, pois os dois partidos que apoiam o Executivo da ‘geringonça’ perceberam que lhes seria muito difícil ficarem com o ónus de provocarem eleições antecipadas neste momento. Ou seja, vão continuar a negociar o Orçamento sem nunca esticarem a corda até partir, tentando apenas no espaço mediático contentar os seus eleitores e consolidar as suas posições nas sondagens.

Por outro lado, a estratégia clara do PSD (que defende que cabe aos partidos que viabilizaram a solução de Governo do PS assumirem agora a responsabilidade pela aprovação do OE) não deixa margem para qualquer outra contabilidade política. O Governo PS e os seus parceiros terão de ser auto-suficientes em matéria orçamental.

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