PEDRO MESQUITELA

Não sou nem nunca fui de “esquerda” na concepção vulgar em que hoje se usa este termo. Não sou nem nunca fui um “democrata” no sentido que se atribui ao tipo de “desgoverno” existente após a Segunda Guerra Mundial em vários países e, mais precisamente, depois do 25 de Abril em Portugal. Gosto de ideias claras, propósitos firmes e programas de Governo sérios.

Acredito na iniciativa privada e no lucro, na justa remuneração do trabalho, na melhoria através de produtividade aumentada, na igualdade dos sexos, no mercado de trabalho e na necessidade de progresso constante e aprendizagem continuada.

A grande questão é que, infelizmente, a jovem democracia portuguesa, que se iniciou no dia 1 de Maio de 1974, se mostrou desde o início infectada por vícios de forma e de conteúdo.

Com efeito, e como reacção aos anos chamados de ditadura, primeiro o PCP e depois o PS como contraponto pago e a serviço dos interesse estrangeiros, sobretudo dos EUA e da Alemanha, conseguiram votar em 1976 uma Constituição de viés socialista e socializante, que não serve aos interesses do Portugal moderno, pois engessa qualquer possibilidade de acção verdadeiramente Reformista, que tão necessária se torna.

Criou-se um Estado artificialmente chamado “social”, gastaram-se milhões de euros em benesses eleitoreiras que o País não podia nem pode pagar, endividou-se um Estado em que os cidadãos já não se revêem.

O País chegou ao ponto de não poder crescer para poder pagar a sua dívida externa e interna. O Governo não possui margem de manobra junto dos seus credores e tem uma visão diminuta do que poderia ser feito. Bruxelas, Frankfurt e Washington mandam mais em Portugal do que o actual Governo.

Para crescer, Portugal só o pode fazer à custa de mais endividamento externo. O rácio da dívida sobre o PIB não vai parar de crescer.

Os partidos políticos, verdadeiras sinecuras, dificilmente se identificam com o interesse nacional, a corrupção e os escândalos financeiros tornam-se corriqueiros, os portugueses sofrem e assistimos todos os dias a uma verborreia de políticos e comentadores que pouco tem a ver com a nossa realidade.

É muito claro para quem quiser ver que temos dois tipos de problemas principais.

Primeiro, um problema político. Não existe nenhum partido ou candidato que se proponha a dar um verdadeiro exemplo de austeridade.

Depois, um problema administrativo e financeiro. Não está a ser feita a verdadeira reforma que o País requer.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.
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