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Em 2016 completam-se 1.540 anos sobre a queda do Império Romano do Ocidente às mãos dos bárbaros. Tal como então, o cenário está negro para a velha Europa: estagnação económica, fracasso das instituições e uma vasta massa migratória descontrolada a entrar-lhe pelas fronteiras. O resto do planeta não se encontra em muito melhor estado. 

Em Portugal, o Governo de António Costa lidera uma “frente popular” que começa a partir-se aos bocados, enquanto o povo acorda para a probabilidade de ter de desembolsar largos milhares de milhões de euros para salvar (novamente) a banca.

Entramos em 2016 com fracas expectativas, mas com esperança de que os nossos atletas ainda consigam conquistar alguma glória para a Pátria nas olimpíadas do Brasil. Com sorte, o excelente produto nacional continuará a conquistar fãs e clientes por esse mundo fora. Quase nove séculos depois da sua fundação, Portugal continua orgulhosamente presente no mapa das nações da Europa. Esperemos que ainda lá esteja daqui a um ano.

Economia: austeridade continua, e continua, e continua…

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As previsões económicas para este ano são muito pouco animadoras. Se durante a última década os países emergentes conseguiram dar algum dinamismo à economia mundial, o abrandamento da China e a recessão no Brasil (que já foi de 3,6 por cento este ano), combinados com a estagnação da Europa, significam que ainda não é desta que a “era da austeridade” vai terminar. Calcula-se que em Fevereiro o PIB da Zona Euro regresse aos níveis anteriores à crise de 2008. Não são boas notícias: a Europa atravessa uma crise tão profunda que precisou de oito anos para recuperar da grande recessão, algo que os EUA conseguiram fazer em menos de quatro anos. Na verdade, a economia dos EUA já superou o PIB pré-crise em 10 por cento, enquanto a Europa continua viciada nos preconceitos germânicos da austeridade. Não existe, no entanto, razão para acreditar que os alemães vão deixar a Europa mudar de política em 2016, mesmo arriscando o fim da própria União Europeia.

Entretanto, Portugal corre o risco de ter de enterrar ainda mais dinheiro na banca. O resgate do Banif significa que os contribuintes já gastaram 13 mil milhões só a salvar bancos, e podemos ter de pagar 1,6 mil milhões de euros ao Banco Santander graças aos ‘swaps’ de Sócrates. Caso o Santander compre o Novo Banco com essa verba, o banco espanhol passará quase certamente a ser o maior banco em território português.

E já que se discute a arte do dinheiro, a vaga de despedimentos e redução de despesas no jornalismo promete continuar, ficando a dúvida: quem vai fazer notícias? Em 2016 vamos descobrir o destino do diário “i”, bem como do semanário “Sol”, enquanto se mantêm nuvens negras sobre o jornal “Público”, que também anunciou redução de pessoal através de rescisões voluntárias. Desde 2007, perderam-se em Portugal mais de mil jornalistas. E o ano que agora começa não promete ser melhor.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.

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