NUNO ALVES CAETANO

Em 1975 Portugal atravessava uma das mais complicadas situações da sua história da segunda metade do século XX, que ficou conhecida como PREC – Processo Revolucionário Em Curso.

O PREC era dominado pelo PCP, como cabeça de cartaz, mas coadjuvado no terreno pelas demais forças de extrema-esquerda – UDP (nascida da fusão do CARP-ML, CCRML e URML), LUAR, LCI, PSR, entre outras – e com a conivência do PS, que se manteve até ao episódio do Jornal “O Século”.

O PREC, designação dada pelos próprios arautos do movimento, tinha como objectivo a instauração em Portugal da Ditadura do Proletariado, e a verdade é que desde o 25 de Abril todas as acções levadas a cabo tiveram como finalidade atingir esse fim.

Começou-se pelos imediatos saneamentos empresariais – acima de “chefe” significava ser “fascista” (salvo raras excepções) – e pelos evidentes saneamentos políticos. De seguida vieram as ocupações selvagens das terras e das casas, numa terceira fase as nacionalizações, e por fim preparava-se o assalto final que consistiria na comunização do país com a nacionalização geral de todos os bens e consequentes normas e regulamentos inerentes a qualquer país “democrático” de Ditadura do Proletariado… O assalto final foi travado no 25 de Novembro.

Durante este período, em que existiram duas purgas, ao bom estilo socialista, com as prisões levadas a cabo em 28 de Setembro de 1974 e 11 de Março de 1975, o PS, repito, até ao caso “O Século” – ocupado pelo PCP –, sempre se manteve fiel ao acordo assinado em 1973 por Mário Soares e Álvaro Cunhal, nunca se opondo frontalmente aos comunistas, tendo pelo contrário apoiado no terreno acções verdadeiramente inconstitucionais, de âmbito puramente revolucionário, como foi o caso das barricadas no 28 de Setembro e das prisões atrás referidas. Após o episódio de “O Século”, mas sobretudo pressionado, direi mesmo, obrigado pelos americanos e outras entidades, resolveu então o PS demarcar-se da extrema-esquerda, acabando mesmo por liderar as hostilidades públicas que culminaram com a célebre manifestação da Alameda, em Lisboa. A partir daí e até ao presente, jamais o PS “deu as mãos” ao PCP.

No entanto, se o não fez com os comunistas, fê-lo pelas mãos do seu actual Secretário-Geral, António Costa, com outros extremistas – o BE – para conseguir ganhar a CML, cujas eleições antecipadas se deveram a um golpe baixo preconizado pelo mesmo António Costa – acusações infundadas ao Prof. Carmona Rodrigues, das quais viria a ser absolvido pelo Tribunal.

É este mesmo António Costa, ávido de poder, responsável pelo abismo de Portugal e de o ter levado à bancarrota, que agora se quer aliar de novo à extrema-esquerda, desta vez incluindo o PCP, com um único fito: PODER!

Costa sempre se esteve a marimbar para o país. Costa, ao longo da sua trajectória, sempre foi um “diz que disse”, um “vira-casacas”, um indivíduo sem qualquer tipo de escrúpulos – isto politicamente falando, claro –, um indivíduo mentiroso sem qualquer inibição de o fazer. É baseando-se nesta falta de princípios éticos que Costa se oferece, como uma qualquer prostituta rasca, à extrema-esquerda, desde que esta lhe garanta a possibilidade de ser primeiro-ministro, sem qualquer pudor relativamente à calamidade para que o país inevitavelmente caminhará, se tal vier a acontecer, e muito menos respeito pelo povo português.

Costa reedita 1975 e o PREC, sendo que desta feita, para além da denominação inicial que permanece nas cabeças dos comunistas e bloquistas, resultará a breve trecho num novo significado que se poderá resumir numa só palavra: DESGRAÇA!

Estou certo de que os portugueses, tal como em 1975, sairão à rua opondo-se a esta farsa monumental que é a criação de uma coligação pós-eleitoral, a qual, se tivesse ido a votos, teria sofrido uma derrota memorável.

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