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Marcelo Rebelo de Sousa tem à sua espera um conjunto de problemas para cuja solução terá de levar em conta o eleitorado de centro-direita que o levou a Belém. A duvidosa “solidez” do Governo da frente de esquerda, o prestígio de Portugal no imbróglio da TAP e a problemática execução orçamental são alguns dos mais urgentes.

Passou o tempo das frases eleitoralistas, das soluções ambíguas, das saídas cautelosas. Embora seja hoje “o Presidente de todos os portugueses”, Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito pelos votos do centro-direita – e esse centro-direita espera agora ver confirmada a sua esperança num mandato presidencial de exigência e rigor, numa hora em que a governação se encontra dependente de uma frente parlamentar de extrema-esquerda.

As eleições de Domingo passado trouxeram algumas novidades de relevo: primeira, a manequim do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, confirmou a mais recente tendência da esquerda radical para tentar trucidar o PC e, de caminho, ferir mortalmente o PS; segunda, o eleitorado comunista cansou-se de votar inutilmente e, deixando o ex-padre leninista Edgar Silva a falar sozinho, foi em socorro do único candidato de esquerda (Sampaio da Nóvoa) que se achava com hipóteses de aspirar a uma segunda volta; terceira, Maria de Belém, vítima da perfídia traiçoeira do actual líder socialista, viu fugirem para Nóvoa os votos dos seus camaradas, numa humilhação que há-de ter consequências dentro do PS; e quarta, Tino de Rans acabou por receber os votos do protesto popular mais vernáculo, que nada resolve mas algo significa.

Mas nenhuma destas novidades ultrapassa, em peso específico e em consequências práticas, a esmagadora vitória do centro-direita, à primeira volta, com mais de 30 por cento de avanço sobre Sampaio da Nóvoa, o candidato em quem a esquerda e a extrema-esquerda depositavam as suas maiores esperanças. Com uma taxa de abstenção ligeiramente menor do que a verificada em 2011, o escrutínio de Domingo passado confirma que é para o lado direito da política que pende o coração da maioria dos portugueses.

Esse pendor já estava bem à mostra nas eleições legislativas de Outubro, mas o radicalismo de esquerda pôde nessa altura usar truques que agora lhe estiveram vedados na eleição presidencial. Marcelo ganhou, e ganhou bem. E quem lhe deu a vitória foi a maioria centro-direita do eleitorado – a mesma que rejeita o radicalismo suicida da frente de esquerda que tomou de assalto o poder legislativo.

Chegado à Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa não será (e deixou-o bem claro ao longo da campanha eleitoral) um mero corta-fitas. Muito para além das frases convencionais que lhe ouvimos ao longo das últimas semanas (“re-aproximar os portugueses”, “promover consensos”, “ser factor de estabilização”), à sua frente perfilam-se tarefas concretas, algumas bem urgentes.

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