PS quer Guterres, Guterres quer a ONU e a Direita...

PS quer Guterres, Guterres quer a ONU e a Direita ainda não sabe o que quer…

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PSD e CDS-PP ainda não chegaram a acordo quanto ao candidato presidencial. Santana Lopes encabeça uma corrida em que Marques Mendes é “outsider”, enquanto Rui Rio e Marcelo Rebelo de Sousa permanecem na dúvida. No PS, António Guterres preferia manter-se no estrangeiro e coloca o País em segundo plano.

É – ou era – o nome mais sonante do lado socialista para a Presidência da República, cujo cadeirão dourado ficará vago em 2016. Mas essa parece não ser a principal prioridade de António Guterres. Mesmo sem confirmar ou desmentir uma eventual candidatura a secretário-geral da ONU (cuja eleição decorrerá no mesmo ano), há quem garanta que o actual Comissário para os Refugiados conta já com o apoio de “alguns países importantes” caso queira avançar para o lugar de Ban Ki-moon, lê-se na edição desta semana do Expresso.

2016 poderá ser o ano de todas as decisões para António Guterres. Se por um lado conta com o apoio de nomes grandes do Partido Socialista para avançar na corrida por Belém, por outro tem as aspirações de dar continuidade a uma carreira internacional.

Segundo o Expresso, o actual Comissário para os Refugiados poderá concorrer ao mandato da ONU daqui a dois anos. Contudo, e embora diga que “não é este o momento para pensar nisso”, António Guterres tem mesmo na mira o lugar ocupado actualmente por Ban Ki-moon, segundo garantem fontes próximas do ex-primeiro-ministro.

Ban Ki-moon cessa funções de secretário-geral da ONU apenas em 2016. Segundo as regras de rotatividade do organismo, o seu sucessor deverá ser oriundo da Europa Oriental. Porém, a tensão entre a Rússia e a Ucrânia poderão abrir portas a um candidato da Europa Ocidental, estando, aqui, a oportunidade para António Guterres avançar.

Esta novela do “quem quer o quê” apenas retrata as prioridades do lado da Esquerda. Guterres quer a ONU e deixa o País para segundo plano. António Costa quer Guterres e nem sequer tem segundo plano que se conheça.

Tempo para a Direita convergir. Passos Coelho quer Pedro Santana Lopes, uma parte do PSD preferia Rui Rio – que vai ressurgir no panorama político nas duas próximas semanas, segundo apurou O DIABO. Marques Mendes é opção em caso de um “vazio”. Há ainda Marcelo Rebelo de Sousa, cuja candidatura iria fazer recuar Pedro Santana Lopes – como explicou recentemente o homem-forte da Santa Casa da Misericórdia.

CDS apoia Rui Rio

O CDS-PP não irá avançar com qualquer candidato próprio às presidenciais. Há muito que isso está definido – ainda que haja um plano de contingência “para as eventualidades”. Os centristas vão apoiar o candidato escolhido pelo PSD, ainda que a escolha de Santana Lopes seja um amargo de boca para Paulo Portas.

Nuno Melo já prometeu apoiar o ex-presidente da câmara do Porto, caso este decida concorrer a Belém em 2016. Rui Rio mostrou-se disponível para disputar as eleições presidenciais de 2016 ou a liderança do PSD desde que haja um “movimento muito grande” de apoio.

Com o PSD a apontar para outras opções, o ex-presidente da câmara da Invicta pode ter no CDS o seu maior aliado. Nuno Melo, eurodeputado e vice-presidente dos centristas, promete estar “certamente” entre os apoiantes de Rio caso este decida avançar.

Recorde-se que o sucessor de Rio no Porto, Rui Moreira, teve o apoio do antigo autarca e do CDS. Rui Rio não suportava o candidato oficial do PSD, Luís Filipe Menezes, e associou-se, tal como alguns notáveis do PSD, a Rui Moreira. Mesmo enquanto autarca, Rio governou a cidade em coligação com os centristas.

Apesar deste apoio implícito, figuras centristas como o ministro da Economia, Pires de Lima, ou o líder da bancada do CDS, Nuno Magalhães, afirmaram já que Marcelo seria o melhor candidato do Centro-Direita – afirmações que foram feitas, contudo, antes de Rui Rio se mostrar disponível para avançar.

Se, em vez de concorrer às presidenciais, Rio avançasse para a disputa da liderança do PSD, então as peças ganhariam outra disposição no tabuleiro. Nesse caso, aumentaria o espaço para uma eventual candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência.

Durão com um pé fora

Outro nome falado à Direita é o de Durão Barroso, que se despediu na semana passada do cargo de presidente da Comissão Europeia. O futuro que se estende à sua frente ainda está por decidir. Mas uma coisa Durão tem já como certa: seguirá o exemplo de outros políticos que, depois de terem exercido cargos internacionais, andam pelo mundo a proferir conferências e a dar aulas em universidades.

Para o fazer, Durão vai ficar para já com uma base em Bruxelas. “É mais central, fica perto de tudo”, conta uma fonte próxima, explicando que o gabinete terá a tarefa de lançar Barroso como um orador em “road show” pelo mundo. Ou seja, a famosa “licença sabática” que Durão Barroso garante ter necessidade de tirar será tudo menos discreta.

A última semana passada no cargo mostra bem que Durão Barroso não está preparado para sair do palco. Em cinco dias foram 23 os eventos, reuniões e entrevistas de despedida.

Com o olho nas conferências que planeia começar a dar em breve, toda a publicidade é bem vinda. E Durão sabe disso, pelo que a agenda frenética dos últimos dias foi mais uma maneira de mostrar ao mundo aquele que, em Bruxelas, o jornalista italiano Beppe Severgnini considerou “um dos três portugueses famosos no mundo”, a par de Cristiano Ronaldo e José Mourinho.

Por agora, o ex-presidente da Comissão Europeia quer manter todas as opções em aberto e continuar com um pé em Lisboa. O cargo que até agora exerceu dá-lhe direito a manter um gabinete na representação da Comissão Europeia em Portugal.

E já começaram os preparativos para assegurar que Durão Barroso terá um gabinete no edifício do Largo Jean Monnet. O ‘staff’ já está a ser escolhido, para que Barroso tenha uma equipa a trabalhar para si em Portugal.

De Bruxelas para o mundo, mas sem deixar Lisboa, Durão Barroso faz do seu futuro político um tabu e varia nas respostas. Recentemente irritava-se com as perguntas sobre as presidenciais. “Já disse que não sou candidato”.

Um dia depois, as certezas não eram tão fortes. “Ainda não tomei decisões finais sobre nomeações políticas ou eleições, quer no meu país quer nas Nações Unidas”, garantia na despedida dos jornalistas na sala de imprensa da Comissão Europeia.