EVA CABRAL

O Bloco de Esquerda apoia activamente a solução encontrada pelo Governo para a recapitalização da CGD, mesmo que inevitavelmente tenha de passar por um orçamento rectificativo, instrumento que a esquerda violentamente contestava quando o Executivo era do PSD/CDS-PP. 

Sabe-se que a injecção de dinheiros públicos na Caixa Geral de Depósitos rondará os 2.700 milhões, numa recapitalização em que também se transformam empréstimos em capital e se tenta atrair investimento privado. O montante global da recapitalização vai ser de cerca de 5.000 milhões de euros.

Bruxelas impôs como condição para que a operação não seja inscrita no défice, que seja realizada em condições de mercado, ou seja, esteja fora das chamadas ajudas de Estado. O Orçamento Rectificativo foi admitido por Mário Centeno depois de ter passado os últimos meses a negar a sua necessidade.

Este apoio do Bloco de Esquerda à solução para a CGD acaba por, uma vez mais, demarcar a passagem do BE de partido de protesto para partido de poder, desde que decidiu integrar a solução popularizada como “geringonça”. Exemplo desta passagem é a própria “postura de Estado” assumida pela líder do BE, Catarina Martins, quando nos últimos tempos visitou a Madeira ou o concelho de Arouca após a tragédia dos incêndios.

Nesta linha de apoio activo ao executivo PS está o recente anúncio de recapitalização da CGD. A deputada bloquista Mariana Mortágua considerou que “um orçamento rectificativo é a consequência natural da recapitalização pública” da CGD, defendendo que o dinheiro tem que servir para a manter como um banco estável.

“Um orçamento rectificativo é a consequência natural da recapitalização pública do Estado para o seu banco que é o banco público. Quem defende a recapitalização e quem defende que a Caixa se mantenha na esfera pública, logicamente não pode estar depois contra a injecção de dinheiro público na Caixa”, disse Mariana Mortágua comentando o facto de o ministro das Finanças ter admitido um orçamento rectificativo se a recapitalização for realizada este ano.

Mariana Mortágua fez a ressalva de ainda não conhecer o OE rectificativo, apesar do tom de clara aprovação, considerando que este “é um procedimento burocrático ou procedimento administrativo que permite essa injecção de capital público”.

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