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Como numa peça de teatro, António Costa e a sua trupe de “artistas” da frente de esquerda encenaram uma completa tragédia cómica. Mas no fim não nos vamos rir…

E se os mesmos traços de carácter que o elevaram ao poder acabassem por derrubá-lo? O actual líder socialista arrisca-se a ficar na história como exemplo máximo deste tipo de justiça poética. António Costa traiu o seu camarada de partido para se tornar líder do Partido Socialista, traiu depois a vontade expressa do povo português para formar uma “geringonça” de Governo com a esquerda radical. Agora, essa mesma esquerda radical parece preparar-se para trair António Costa com igual desfaçatez.

Na famosa peça “Júlio César”, de William Shakespeare, quando o imperador é esfaqueado por um dos seus mais próximos amigos e companheiros, exclama com incredulidade: “até tu, Brutus?”. Metaforicamente, também António Costa poderá brevemente vir a exclamar “até tu, Jerónimo?” quando chegar a sua hora. Até lá, ainda levará muitas facadas políticas.

Os idos da crise económica

A primeira facada virá de Bruxelas. Costa quer agradar aos seus companheiros da frente esquerdista, estando já a gastar à tripa forra o dinheiro que supostamente serviria para aliviar a dívida. Mas a União Europeia tem o poder de vetar o orçamento nacional ou de sugerir-lhe alterações. E as contas da frente popular não batem certo com os limites do défice de Bruxelas. O próprio António Costa admite que as negociações estão “difíceis”.

Outra facada virá dos tribunais. Costa quer reverter ou negociar o contrato da TAP e as concessões dos transportes, mas essas empresas podem, e vão, recorrer aos tribunais para receberem indemnizações por quebra de contrato. Caso vençam, o orçamento do Estado ainda ficará com mais buracos. Mas o Conselho de Finanças Públicas (CFP) também já deu a sua própria facada em Costa, afirmando que não confia nas previsões do Governo para 2016, as mesmas que sustentam a ‘largesse’ da frente de esquerda. “As previsões quanto ao comportamento dos preços, do investimento e do comércio externo em 2016 podem ser consideradas como pouco prudentes”, pensa-se no CFP, que também desmistificou o programa económico do Governo de esquerda notando que “o crescimento assente na procura interna, designadamente no consumo privado, corresponde a uma tendência bem documentada no passado”, e que tirou competitividade ao país ao mesmo tempo que aumentou drasticamente a dívida portuguesa.

Os mercados também já estão a dar a sua facadinha em Costa, visto que os juros estão novamente a aumentar, tendo voltado a superar os 3 por cento, valor mais elevado desde 2014. “Para os investidores manterem a exposição à dívida portuguesa, precisam de ver que o novo governo está a seguir o caminho da responsabilidade orçamental“, afirmou Ciaran O’Hagan, analista da Société Général, à Bloomberg. O drástico aumento nas taxas de juro é o seu veredicto sobre se acha que Costa está a ser responsável.

Um relatório do Commerzbank afirma que “Portugal é a nova criança problemática” da Europa e afirma mesmo que, caso a agência de ‘rating’ DBRS coloque a dívida de Portugal com estatuto “Lixo”, então ficaremos sem o apoio do Banco Central Europeu, que nos está a comprar a dívida a preços muito baixos. Com um aumento das despesas e com juros elevados, Portugal não terá capacidade de se financiar, e terá de pedir um segundo resgate.

Os mercados internacionais já contam com esse segundo resgate, que deverá chegar no Verão, visto que a DBRS considera que o Governo de esquerda é “instável” e “imprevisível”. Mas desta vez o “resgate” terá condições ainda mais duras para os portugueses comuns, já que o FMI poderá não contribuir, visto que retirou das suas normas a cláusula especial que permitiu o primeiro resgate, pedido por José Sócrates.

A grande facada

O primeiro-ministro tem, portanto, de reconquistar a confiança dos investidores e dos mercados, mas Jerónimo de Sousa já avisou que rasga o acordo com o PS caso ele não lhe faça as vontades. Pressionado, Costa ainda tem uma última traição a fazer, aquela em que trai quase toda a minoria de portugueses que até votaram nele, e que acreditaram mesmo no “fim da austeridade”. Para poder pagar todas as benesses que os eleitores da extrema-esquerda querem, Costa tem de taxar brutalmente o eleitorado do centro.

Os primeiros a sofrer são os automobilistas, vítimas da “guerra ao carro” do PS: o imposto sobre os combustíveis vai subir 5 cêntimos; logo, se o leitor achava que ia beneficiar de gasolina mais barata, como nos outros países, enganou-se. Os impostos de selo e sobre o tabaco também vão subir, esperando Costa meter ao bolso 380 milhões de euros sem incomodar Jerónimo de Sousa. Mais virá em breve, até porque as medidas de Costa vão custar 11 mil milhões adicionais ao orçamento do Estado.

Se o FMI, que ainda é um dos maiores credores da República, vem a Portugal e exige mais reformas, então o líder comunista põe mesmo fim ao namoro, pois, como afirmou categoricamente, qualquer acordo com o FMI ou Bruxelas será o fim do acordo da frente popular após apenas um par de meses.

Nada de que o português comum não estivesse à espera.

A “geringonça” em números

Caso o PCP abandone a frente popular, a matemática de deputados de Costa fica muito complicada. O partido com mais assentos (89) na assembleia é o PSD, que fazia parte da coligação que venceu as eleições legislativas. O seu anterior parceiro de coligação, o CDS-PP, tem 18. O Partido Socialista, em comparação, apenas tem 86 deputados, e mesmo que conseguisse manter o apoio do Bloco de Esquerda, esta frente popular em miniatura apenas conseguiria reunir o apoio de 105 deputados, menos dois do que o centro-direita que afirma não querer trabalhar com Costa. Será o próximo Presidente a decidir se é possível garantir um Governo estável nestas condições.