Entregues aos bichos

Entregues aos bichos

MANUEL SILVEIRA DA CUNHA

Prossegue o duelo António Costa contra To-Zé Seguro. Podemos admirar em todo o seu esplendor a glória da política portuguesa e dos seus expoentes máximos. Estes dois senhores concorrem ao cargo primeiro-ministro de Portugal, aspiração legítima e quase certa, a que a nulidade da política portuguesa e a mansidão e ignorância do povo português condenará o país depois da inevitável derrota de Passos Coelho nas próximas eleições.

Este rotativismo, que já inquinou de forma desastrosa os anos finais da monarquia portuguesa, o mesmo rotativismo que, numa escala ainda mais sórdida, corroeu o sistema republicano saído de 1910, condena mais uma vez o país à nulidade e ao desastre.

Passos Coelho foi eleito por falta de comparência de Sócrates depois das suas trágicas políticas económicas e negociatas com as empresas do regime, o mesmo regime que nos traz agora o escândalo BES metido em todas as Parcerias Público Privadas e que já se pressentia há muito tempo. Coelho é um homem sem preparação, que nunca precisou de trabalhar, que tirou um curso na quarta década da sua existência, sem qualquer currículo chegou a primeiro-ministro e será sucedido por gente da mesma igualha.

Seguro pensa que o facto de ser dirigente do PS lhe dá inerência no cargo de primeiro-ministro, não porque seja o melhor para o país, como provam o seu currículo e as suas capacidades, do mesmo nível ou inferiores a Passos Coelho, mas com inferiores capacidade de decisão e carisma, é um homem incapaz de liderar, como já se provou, e incapaz de motivar um país em crise. O lugar de primeiro-ministro é visto por esta gente como uma posição na carreira e não como um serviço.

Chegamos assim a António Costa, outro carreirista. O que tem para oferecer Costa para além de oportunismo político, para além de ambição desmedida, para além da faca nas costas de Seguro? Baseou a sua carreira política numa corrida de burro contra um Ferrari na calçada de Carriche e perdeu as eleições de Loures. Foi ministro mas não deixou qualquer marca para além de dívidas e de sistemas ineficientes pagos a peso de milhões de euros. Como presidente da câmara de Lisboa conseguiu inaugurar a Ribeira das Naus tantas vezes que se lhe perdeu o conto. Sempre que abate um passeio recém-inaugurado seguem-se mais seis meses de cortes de tráfego. Afirma Costa que pagou as contas da Câmara de Lisboa quando, de facto, apenas negociou com a banca um pagamento que arrasa as contas do município prometendo sistemáticos aumentos de taxas ao desgraçado lisboeta. O trânsito e o seu ordenamento são catastróficos. Os radares, inaugurados com pompa e circunstância, depois de pagos milhões, são agora caixotes vazios, vandalizados e ridículos. Os jardins estão destruídos, o parque norte da Expo parece a faixa de Gaza depois de um bombardeamento israelita. Em vez de se contratarem jardineiros, ou de se arranjarem as ruas e seus buracos, contrataram-se exércitos de assessores inúteis, boys pagos a peso de ouro. Destrói-se o melhor e mais moderno quartel de bombeiros de Lisboa para fazer mais uma negociata que, tudo indica, passa pelo grupo Espírito Santo…

É entre estes dois homens que Portugal prepara a decisão do governo. É caso para dizer: estamos entregues aos bichos.

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