A grave estagnação da economia portuguesa ao longo de duas décadas teve uma das suas principais origens no erro fundador da nossa democracia ao assumir-se, após a descolonização, que a CEE era a única alternativa política e económica e com a decisão de passarmos a ser os “bons alunos da Europa”.

Erro que conduziu ao abandono de sectores tradicionais como a agricultura, as pescas, a marinha mercante e alguns sectores da indústria, erro contrariado por Michael Porter que então nos veio aconselhar, a convite de Mira Amaral, a que nos dedicássemos a fazer aquilo que sabíamos fazer bem, melhorando naturalmente os seus níveis tecnológicos.

De nada valeu o aviso para os governos, apesar de ter salvo alguns sectores, como o calçado e a confecção, a mando dos empresários mais atentos.

Ao erro da dependência da União Europeia somou-se um segundo erro de Cavaco Silva, o de usar as privatizações para criar grandes grupos económicos nacionais, fortemente apoiados pelo Estado, com a consequência desastrosa de dar prioridade aos sectores da economia de bens não transaccionáveis, deixando ao abandono, sem capitais e sem crédito as empresas dos sectores produtores de bens transaccionáveis, em particular as exportações.

Como consequência, Portugal é hoje o único país europeu de pequena e média dimensão que exporta apenas 40% do PIB, contra mais de 100% da Irlanda e com todos os outros a exportarem entre 60% e 100%.

Por isso temos hoje a obrigação de saber que com exportações inferiores a 60% a economia portuguesa não é viável e que a prioridade dada pelo actual Governo ao mercado interno é a continuação anunciada do desastre.

Seguiu-se o erro da criação de um sector monstro de construção civil e obras públicas, que atingiu o nível insustentável de 16% do PIB com a governação de António Guterres, o qual chegou a primeiro-ministro acusando a “política de betão” de Cavaco Silva, quando a média europeia era de 6%. A maior parte do desemprego com que estamos confrontados ao longo deste século deve-se a este erro, bem como à política de baixos salários que resultou do incentivo dado à imigração a pedido das grandes construtoras.

A prioridade dada ao transporte rodoviário à custa do transporte ferroviário, quando a crise energética estava já presente e em todo o mundo, nomeadamente em Espanha, se apostava na ferrovia, também não ajudou a economia portuguesa com vista ao futuro. Finalmente, o endividamento do Estado sem controlo, nomeadamente através de esquemas caros como as parcerias público privadas, o parqueamento de dívida nas empresas públicas e o ataque feito ao sistema financeiro pelos governos de José Sócrates, tornou Portugal completamente dependente da União Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI, no que já não foi apenas um erro mas um crime, que desejamos possa ainda ser devidamente avaliado e condenado.

Em resumo, a grave situação económica e financeira com que Portugal está confrontado resultou da má governação do País e apenas poderá ser ultrapassada quando se decidir fazer o contrário do que tem sido feito, em particular assumindo uma estratégia euro-atlântica com todas as suas consequências.

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