João-Filipe-Pereira_PB-150x150O “conto de crianças” grego – como lhe chamou Pedro Passos Coelho – acabou tão rápido como qualquer história infantil. E como em qualquer um desses contos há o bom, o mau e o herói. No final, uma conclusão moral que, neste caso, nos parece ensinar que o caminho da disciplina e do bom comportamento é sempre a solução.

Nesta parábola grega, o vilão será representado pela esquerda radical (?!) grega (que afinal nem é assim tão radical); o bom será representado pelo governo português; ainda está aberto o ‘casting’ para o papel de herói. Que certamente – pelo menos por Portugal – será eleito pelo povo nas próximas eleições legislativas.

Já quanto à moral da história, o escriba desta tragédia grega transformada em conto de fadas em tempos de santos populares terá dificuldades em encontrar uma que seja – como se espera – universal e transversal.

Portugal irá pagar antecipadamente ao FMI 2 mil milhões de euros. Uma vez que as taxas de juros no mercado da dívida estão mais baixos que aqueles que pagamos a esses lobos em pele de cordeiro. Não significa isso que os portugueses estejam melhor. De facto significa que o Estado está menos mal do que estava há uns meses, ainda que às custas dos – cada vez menos – portugueses activos.

Vemos o País constantemente comparado com a Grécia. As nossas políticas como uma antítese às políticas gregas. Mas olvidamos – porque nos fazem esquecer – da Irlanda. Um caso de sucesso no seio dos PIIG (sigla que em inglês significa, pela sua fonia, “porcos”). A Irlanda não tinha uma crise económica e não permitiu que a crise da banca afectasse a economia.

Em Portugal os casos do BPP, BPN e BES são a prova que algo de muito errado se passou. E nem PSD nem PS saem limpos na fotografia. A lama salpicou e não é fácil de limpar.

Talvez o bom e o mau possam olhar para uma Irlanda transformada em heroína. Talvez o falhanço da Grécia e a sua saída de UE seja a moral que nos falta. Talvez o referendo no Reino Unido resulte numa permanência do Império no seio Europeu.

Seja qual for a conclusão, nada justifica que os portugueses andem a pagar as contas de um Estado construído para enriquecer uma mão cheia de ilustres oportunistas. E porque estamos a falar de contos, todos sabemos que o lobo-mau tentará sempre derrubar as nossas casas e que por isso temos de construir uma casa de tijolo bem forte para nos abrigar e salvaguardar a nossa família. E mesmo assim, não podemos baixar as defesas, porque haverá sempre uma chaminé por onde os maus vão tentar entrar.

Talvez neste 10 de Junho os portugueses tenham pensado sobre a língua, a comunidade e a raça de um povo lutador.

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