JOÃO FILIPE PEREIRA

Havia um O DIABO antes de mim, haverá um O DIABO depois de mim e houve um O DIABO, durante cinco anos, em mim. Cinco anos e uma edição depois há muitas histórias para contar e nem todas irão caber neste espaço onde hoje me despeço. 

Cheguei a O DIABO pela mão de João Vasco Almeida há cinco anos. Foi a minha primeira experiência como jornalista na capital, depois de passagens pelo Notícias da Covilhã – onde muito aprendi com o camarada João Alves – e pela Rádio Clube da Covilhã. Foram cinco anos deliciosos a colaborar com o jornal que poucos ousam dizer o nome. Uma escola de jornalismo que faz rir os tontos dos grandes meios de comunicação social e que orgulha os poucos que realmente fazem jornalismo em Portugal.

Uma das máximas do jornal sempre foi não “bater no peito”. Não sentir a necessidade de desmascarar cada vez que um “jornal de primeira” fazia capa com as histórias que você leitor lia aqui primeiro. Mas aconteceram muitas vezes e hoje quebrarei a regra. Foi aqui escrito primeiro quanto rende o negócio das praxes em Portugal, que estava à venda a antiga casa de Salazar em Lisboa e até que a Comissão de Inquérito ao caso Camarate (um tema que O DIABO nunca se negou a investigar) iria chamar o alegado bombista José Esteves para ser ouvido – uma peça escrita pela pena de Frederico Duarte Carvalho.

Você leu aqui primeiro (muito primeiro, mesmo) os relatórios de Segurança Interna que o Governo de José Sócrates e depois de Passos Coelho teimavam em esconder. E também soube que a carrinha do SIRESP que – durante o período de grandes manifestações em Lisboa – esteve estacionada no parque da Assembleia da República permitia a captação de chamadas telefónicas. Documentos publicados em exclusivo por este semanário e que viriam a ser eliminados das páginas online da internet.

Em 2011 realizámos uma cobertura jornalística das eleições legislativas para todo o mundo através do ‘online’ e da rádio. Fomos em busca das contas mal feitas do Orçamento para a Assembleia da República em 2014 e avisámos que, afinal, não só não haveria poupanças como haveria crescimento da despesa. Fomos os únicos a dizê-lo. Fomos os primeiros a escrever em capa que a bancarrota era inevitável, após entrevista a João Duque e Mira Amaral. E fomos o último jornal a ter o privilégio de entrevistar o enorme José Hermano Saraiva.

Estivemos contracorrente. Fomos olhados de lado por camaradas e políticos. Essa foi a nossa grande força: mantivemos a independência.

Os iguais (que se pensam maiores e com superioridade moral) recusam-se a citar O DIABO. “JN”, “Público”, “Expresso”, SIC, TVI, RTP… todos eles, em algum momento, tiveram pudor em citar a fonte quando se tratava de O DIABO. Os que se consideram jornalistas de primeira fazem de conta que O DIABO não existe. Mas ele continua aqui ao fim de 40 anos.

Ressalva para a Lusa que até fez uma peça sobre a cobertura jornalística de O DIABO no Congresso do PS em Matosinhos, em 2011, e para o jornal “i” que recentemente lembrou O DIABO de Vera Lagoa (ainda que omitindo o presente do semanário).

Eu, de si, me despeço. Até já.