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JOÃO FILIPE PEREIRA

Dizem os dicionários que o “Feminismo” é um movimento ideológico que preconiza a ampliação legal dos direitos civis e políticos da mulher ou a igualdade dos direitos dela aos do homem. Ou seja, o feminismo não é oposto ao machismo. O que faz com que um machista possa, em teoria, ser feminista.

Fazendo ainda que – de forma irónica e até provocadora, usando as regras da língua portuguesa – quando nos referimos às pessoas que aderiram a este movimento deveremos dizer “os” feministas. Em português ainda se usa o masculino quando nos referimos aos dois géneros – “machismo”, gritarão os feministas.

Enquanto por Portugal só agora surgem com alguma voz os grupos feministas, um pouco por toda a Europa – e até mesmo no Brasil – os feministas têm vindo a bater-se forte pela igualdade de género. E foi assim que cheguei à crónica desta semana.

Soube por estes dias que em França a luta das feministas pela igualdade entre homens e mulheres teve resultados. Finalmente caiu em completo desuso a expressão “Mademoiselle”, ou, em português, menina ou moça. E porquê? Ora, porque não há o equivalente, em francês, para os homens.

O que era há uns anos visto como algo positivo – já que a expressão significaria mulher respeitada/respeitosa, de boa educação e conduta, prendada e delicada – é hoje visto como um adjectivo grotesco e machista. Desvirtua-se o que se quer, destrói-se o que se construiu, simplesmente porque sim…

O radicalismo do feminismo é, sim, oposto ao machismo. O desvirtuamento da língua em prol de uma igualdade linguística parece-me um extremo. Há uns dias debatendo o tema com uma portuguesa ela dizia-me que lhe fazia confusão aceder a um site que dissesse “o utilizador”, uma vez que ela era “uma” utilizadora. Que o masculino como género neutro era um machismo. E terminou a argumentação dizendo que eu não tinha a mesma visão – e, portanto, impossibilitado de argumentar em juízo – porque eu sou homem.

Ou seja, há temas em que os homens, por terem nascido nessa condição, são inferiores, já que não podem ter uma argumentação lógica devido ao seu sexo.

A génese do movimento feminista foi fundamental para uma sociedade mais justa. E em pleno século XXI ainda há muito trabalho pela frente. Mas esse trabalho tem sido feito paulatinamente no nosso País. Os pequenos grupos radicais que tentam desvirtuar movimentos com uma história incrível de lutas e conquistas só servem para criar ruído numa sociedade já de si barulhenta.

  • Maria Martins

    Realmente há temas que os homens não entendem: Por ex. o de
    pensar que “mademoiselle /menina” significa mulher respeitada, de boa educação,
    etc. Ora, esses termos significam simplesmente mulher solteira, por oposição a “madame
    /senhora”, que geralmente é casada ou viúva. Ora isso não tem correspondência
    para os homens, o que significa que eles têm o direito de conhecer, só pelo
    tratamento, o estado civil de uma mulher (em França perguntam facilmente “madame
    ou mademoiselle?”), mas as mulheres têm que ficar na dúvida.

    Quanto ao “utilizador” para os dois sexos, aí já acho que há
    radicalismo, pois é um masculino que corresponde a um neutro. O ideal seria que
    em todas as línguas houvesse o género neutro para esse tipo de coisas. Como não
    há… não vamos fazer disso um drama.