Igualdades

Igualdades

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João-Filipe-Pereira_PB-150x150JOÃO FILIPE PEREIRA

Dizem os entendidos políticos que durante a campanha os jornalistas têm de dar igual destaque a todas as forças políticas. Estamos perante o fim do jornalismo e da selecção do que é ou não noticiável.

O objectivo, dizem os politiqueiros legisladores, é que os portugueses tenham acesso à mesma informação das distintas forças políticas. O problema é que as diferentes forças políticas têm diferentes abordagens comunicacionais. Prova disso são alguns míticos “Direito de Antena” (ou a falta deles) e dezenas de blogues e páginas da internet que juntam verdadeiros tesouros de campanha. Dito isto, o PTP não se pode queixar de não ter ganho a câmara de Gaia nas últimas autárquicas por falta de notoriedade ou por falta de cobertura jornalística. A famosa conferência do “candidato ninja” – como viria mais tarde a ser conhecido por querer colocar ninjas a patrulhar as ruas de Gaia – será certamente um caso de estudo para o futuro.

Mas já que falei num partido político, vejamos (espero não me ter esquecido de ninguém!) os diferentes partidos e coligações que estarão a concorrer agora por um lugar na Assembleia da República: AGIR (PTP e MAS), Bloco de Esquerda, Coligação Democrática Unitária CDU (PCP, PEV), Juntos pelo Povo, LIVRE/Tempo de Avançar apoiado pelo POUS, Nós, Cidadãos!, Partido Cidadania e Democracia Cristã, Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses, Partido da Terra, Partido Democrático Republicano, Partido Nacional Renovador, Partido Popular Monárquico, Partido Socialista, Partido Unido dos Reformados e Pensionistas, Pessoas Animais Natureza, Portugal à Frente (PSD e CDS-PP). De quantos destes partidos se conhecemos o programa? São os jornalistas que têm de criar casos mediáticos e servirem de relações públicas partidários em prol de “igualdades” para que tenhamos de conhecer os programas?

A política imiscuiu-se no jornalismo em nome de uma igualdade desigual. De facto, de uma falsa ideia de “igualdade”.

Em nome do tudo ou nada, os portugueses irão ficar desfalcados de informação nestas eleições. Os debates ridículos que se têm feito (em directo simultâneo para diferentes cadeias televisivas e radiofónicas) são a prova disso.

No final do dia, esta medida igualitária só irá favorecer os partidos de maior expressão. Desenganem-se se pensam que esta medida teve em vista a verdadeira igualdade partidária. De facto, os jornalistas ficam proibidos de escarafunchar os programas partidários durante a campanha. Vai deixar de interessar o que cada político diz durante a campanha. Lembrem-se que foi durante a última campanha para eleições legislativas que Pedro Passos Coelho afirmou que não iria cortar o 13.º mês ou o subsídio de Natal.

Vai acabar o escrutínio jornalístico. Os políticos já vão poder prometer o que quiserem e fazerem o que quiserem. As notícias regressam depois das eleições.