JOÃO FILIPE PEREIRA

Tornei-me por estes dias – oficialmente, e no que para as estatísticas diz respeito – emigrante de longa duração. Ou seja, saí do meu país para trabalhar noutro há mais de um ano. Ou será que sou “migrante” de longa duração? Ou será que o termo “migrante” é só aplicado a cidadãos não-europeus? Não é a discriminação positiva uma forma de discriminação? E não é isso contra a tal Constituição de que todos dizem defender?

Bem, deixo as questões no ar porque o que me traz aqui esta semana é algo bem diferente. Neste último ano tenho tido oportunidade de conhecer mais do Mundo, deste planeta Terra, dos seus habitantes e, definitivamente, da sua, tão nossa, História. E nesta epopeia pessoal tenho reparado que não há canto que visite que não tenha um toque português.

Já por aqui mencionei a calçada portuguesa em Praga ou as “Chronicas Ineditos Portuguezas” guardadas no British Museum, em Londres. Na minha mais recente viagem a Edimburgo, na Escócia, descobri em bom destaque “O Canhão Português”. Uma relíquia portuguesa que viajou por todo o mundo após o século XV com a armada espanhola, que o transportavam, também, para as colónias portuguesas no sudeste asiático. Este acabou na mão dos escoceses, bem como muitos outros de outros países. Mas ao contrário dos demais, que acabariam fundidos para ajudar a pagar as guerras do Império, este segue pelo Calton Hill – um dos pontos turísticos mais conhecidos pela capitas escocesa – para delícia dos forasteiros e orgulho dos portugueses.

Portugal continua a ter a sua marca no Mundo. Desenganem-se os Velhos do Restelo.

Os portugueses fundaram Belém, capital do estado brasileiro do Pará, há 400 anos. E ainda hoje a marca nacional é vivenciada no quotidiano pelos locais, muitos deles sem qualquer ligação ao nosso País. Falamos de 1,4 milhões de pessoas.

Mas há mais exemplos. A Língua Portuguesa – aquela que o Acordo Ortográfico pretende delapidar – é ensinada a mais de 1600 alunos na Namíbia; na Venezuela, foi por estes dias oficializada a associação de ensino da Língua Portuguesa; a Universidade de Toronto criou agora um prémio para alunos da nossa língua; e em Londres, está para breve a abertura de uma escola anglo-portuguesa. Este é o inestimável legado português além-fronteiras.

Mas há tantos exemplos espalhados pelo Mundo fora.

E não podemos esquecer o nosso próprio território. Cada vez mais apreciado por estrangeiros com sede de descobrir a nossa Cultura. Uma empresa de reserva de estadias ‘online’ fez saber por estes dias que Portugal é o 12.º país mais visitado do Mundo, por pessoas com menos de 35 anos. Lisboa é o destino mais procurado, mas o Porto surge já no Top40 desse ‘ranking’ e Lagos, no Algarve, entrou no Top100. Lagos aparece neste ranking no 95.º posto, seis posições acima do alcançado em 2014. A cidade algarvia está melhor posicionada que cidades como Glasgow (101.º), Marselha (102.º), Chicago (105.º) ou Oslo (115.º).

Nós temos influência!

Temos de saber manter o nosso estatuto (e melhorá-lo, obviamente) trabalhando o nosso posicionamento no Mundo contemporâneo e não nos deixar ser dizimados por uma avalanche de alterações que nos querem impor e que acabarão por destruir quem fomos e quem somos.

  • jose catanho

    muito bem Portugal voltado para o mundo, perante a morte do País com a gestão entregue a bruxelas, cheira a uma especie de ocupação Filipina, é necessario nos libertarmos, produzirmos para as necessidades internas de modo a termos excedentes para exportação, ocupando todos em idade activa, acabando com a miseria instalada. Portugal tem de virar-se para o mundo, porque a europa já deu provas de estar na origem da desgraça nacional